As eleições pelo Senado, Estados Unidos

A Corrida pelo Senado

Posted on October 31, 2006

Em 2004, a maioria dos analistas previa uma vitória apertada de John Kerry no Colégio Eleitoral. O que se viu foi uma vitória de Bush, uma vez que a Flórida, aonde se previa uma vitória de Kerry, deu os votos a Bush. Na eleição para o Senado na semana que vêm, há alguma possibilidade de previsões confiáveis? Provavelmente não. Acho que os democratas vencem no Ohio, Montana, Pensilvânia e Rhode Island, mas o resto fica meio indefinido.

Em 2004, os republicanos foram favorecidos por um grande comparecimento da sua massa as urnas. Este ano tudo indica que isso não ocorrerá. Os republicanos em geral parecem estar insatisfeitos com vários pontos com o Partido, em questões diversas, que vão da imigração à questão da proibição do jogo pela internet. Os republicanos muitas vezes têm que usar argumentos catastróficos no cenário de um Legislativo dominado pelos democratas, e talvez na falta de argumento melhor, a questão da aprovação dos juízes para a Suprema Corte acaba sempre entrando na discussão.
Os democratas também estão sendo inteligentes ao regionalizar a campanha(Jon Tester e Claire McCaskill foram particularmente inteligentes ao fazer filmes dedicados as grandes populações rurais respectivamente de Montana e do Missouri) e em colocar no ar propostas que agradem tanto a conservadores quanto liberais(Exemplo, investimentos em educação).

Os resultados desta eleição também podem entrar para a história política ao definirem sobre até que ponto uma campanha suja, de difamação do oponente, pode dar resultados. George Allen, do Partido Republicano, na Virginia, publicou semana passada trechos de livros de seu oponente aonde supostamente haveriam cenas de sexo(Um dos trechos mais polêmicos, aonde um pai beijava o pênis do filho, era uma tradição do Camboja sem conotação sexual). Allen foi fortemente criticado inclusive no meio republicano por isso(Inclusive por gente como Ann Althouse e Bill Quick) e pesquisas divulgadas esta semana o mostram atrás de James Webb(A disputa da Virginia é uma inversão de papéis: o candidato dos democratas é um ex-veterano da Guerra ao Vietnã e ex-integrante do gabinete de Ronald Reagan, enquanto o candidato republicano passa as horas acusando seu oponente de misógino). O que é certo é que mesmo se George Allen for eleito, ele perde toda a sua expressão nacional.

Outro ponto em que a baixaria está em jogo é no Missouri, aonde Rush Limbaugh cometeu a jogada idiota de acusar Michael J. Fox, que sofre de Mal de Parkinson, de estar encenando no anúncio publicitário para a democrata Claire McCaskill. Pesquisas indicariam que inclusive republicanos acham a performance de Fox convicente e pior, que nada menos que 10% dos republicanos entrevistados demonstrariam vontade de votar num democrata para a Câmara de Representantes após verem o anúncio. O que deveria ser algo restrito ao Missouri acabou sendo exibido em rede nacional.

Claire McCaskill revelaria depois que foi Fox quem a procurou para a fazer o anúncio, e que ela sabia que correria o risco de perder votos. Logo-se revelou que Parkinson seria uma das primeiras doenças que os pesquisadores esperam curar com a pesquisa de células-tronco, o que diminui a possibilidade de uso político da questão. De qualquer forma, após semanas, Talent aparece na frente de McCaskill, e a proposta de emenda constitucional sobre o financiamento das pesquisas com célula-tronco no Estado está perdendo espaço.

No Tennessee, outra disputa em que a baixaria pode definir as coisas: Harold Ford. Jr, um democrata que aparece dentro de uma igreja nos seus anúncios da televisão, vêm sendo atacado por ter participado de uma festa da Playboy. Meu chute é que Ford perde, e por estar cometendo erros demais para uma campanha que parecia impecável.
Ford tem falado tanto em religião que fica meio caricatural. Eu duvido que fele consiga os votos dos evangélicos, e ele pode alienar o resto dos eleitores.

O fato é que caso os democratas ganhem o controle do Senado, isso fortalece a ala moderada do partido. Esta ala vai poder afirmar por anos que os democratas só conseguiram o controle do Senado por causa deles. O fato do insosso Phil Angelides ter sido escolhido para enfrentar o carismático Arnold Schwarzenegger na Califórnia(O que, traduzindo, signfica entregar a Califórnia para os republicanos) enquanto Janet Napolitano(Arizona), Kathleen Sebelius(Kansas), Bill Richardson(Novo México) e Brad Henry(Oklahoma) caminham para a reeleição fácil ajuda nesse ponto. A ala moderada, aliás, tem demonstrado uma campanha política muitas vezes impecável(Este anúncio de Janet Napolitano é muito bem bolado), enquanto ano passado a ala mais liberal dos democratas cometeu uma série de erros políticos lamentáveis no processo de aprovação de Samuel Alito para a Suprema Corte(Centraram-se demais em supostas declarações machistas dele na faculdade, ao invés de se centrarem na sua submissão ao executivo, para depois tentarem barrar a nomeação sem terem maioria para isso).

Definitivamente, a eleição do dia 7 será um passo chave na Corrida para 2008.

Comments

One Response to “A Corrida pelo Senado”

  1. Lady Metal on October 31st, 2006 12:01 pm
  • "Ser da esquerda é, como ser da direita, uma das infinitas maneiras que o homem pode escolher para ser imbecil: ambas, com efeito, são formas da hemiplegia moral. Ademais, a persistência destes qualificativos contribui não pouco a falsificar mais ainda a "realidade" do presente, já fala de per si, porque se encrespou o crespo das experiências políticas a que respondem, como o demonstra o fato de que hoje as direitas prometem revoluções e as esquerdas propõem tiranias."

    Ortega y Gasset

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