A guerra no Afeganistão

O que nem todo mundo sabe sobre o vazamento do WikiLeaks

Posted on July 28, 2010

Ao contrário de que certos espertinhos estão dizendo, não é tudo que está nos documentos vazados pelo WikiLeaks é coisa que todo mundo saberia:

As vulnerabilidades de segurança da Inteligência Americana: Se o que parece ser um analista de inteligência de vinte e dois anos consegue vazar dezenas de milhares de páginas de dados você tem um sistema vulnerável. E bastante.(Embora, segundo Adam Weinstein, na Mother Jones, esse tipo de relatório seria coisa trivial no Iraque e Afeganistão).

A disponibilidade de misseis Stinger na mão dos insurgentes: Um dos fatores que definiu a derrota dos soviéticos nos anos oitenta foi o uso desses mísseis que funcionam por detecção de calor, presente de Ronald Reagan aos grupos que formariam o Taliban. Esta seria uma vantagem estratégica e tanto para os insurgentes, já que no Afeganistão você é dependente de dois modais de transportes: helicópteros e comboios em estradas precárias (Facilmente alvo de explosivos).

Esse tipo de arma na mãos dos talibans é uma vulnerabilidade e tanto para os americanos, como apontou a correspondente de guerra Lara Logan na CBS ontem. Sejam estes mísseis restos dos anos 80, sejam estes fornecidos pelos iranianos.

O suposto apoio dos iranianos aos insurgentes: Os xiitas iranianos nunca se deram bem com os sunitas pashtuns do país vizinho, quase iniciando uma guerra em 1998. E há uma certa vontade entre círculos militares e de inteligência dos EUA com relação ao Irã(Que não perdoam pelos fatos de 1979-1981). Além do mais, qualquer armamento iraniano fornecido aos insurgentes afegãos poderia ser usado contra os iranianos.

Por outro lado, a negativa de Ahmadinejad em entrevista ao CBS Evening News de ontem soou pouco convincente: a de que os iranianos apoiariam não o Taliban, mas o povo afegão. Sei.

O WikiLeaks em si: O suspeito do vazamento, Bradley Manning, só foi capturado por causa de uma conversa por chat que ele teve com um hacker na Califórnia. Se qualquer pessoa com acesso a determinada informação pode publicá-la anonimamente e sem medo de retaliação, qualquer organização de segurança tem um problema e tanto em mãos.

Claro, o grande problema de todo o caso é justamente o que todo mundo sabe: os americanos estão perdendo no Afeganistão. As baixas nas últimas semanas giram no entorno de dezessseis mortes por semana, e como Patrick Buchanan apontou na MSNBC os mais de cento e cinquenta mil soldados da OTAN no máximo conseguem um empate com o Taliban. Sem esses soldados, Kabul seria tomada pelo Taliban em instantes. Assim como no caso dos documentos do Pentágono que vazaram em 1971, os documentos confirmam algumas das piores suspeitas sobre a guerra: um Paquistão (armado com mísseis e armas nucleares) que não é bem um aliado, pontos em que se mostra claramente a falta de efetivos.

E sim, o ponto mais importante? Se você gosta de acompanhar o noticiário internacional e não sabe uma segunda língua, você precisa urgente aprender. Depender da imprensa nacional para isso definitivamente não dá.

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  • "Ser da esquerda é, como ser da direita, uma das infinitas maneiras que o homem pode escolher para ser imbecil: ambas, com efeito, são formas da hemiplegia moral. Ademais, a persistência destes qualificativos contribui não pouco a falsificar mais ainda a "realidade" do presente, já fala de per si, porque se encrespou o crespo das experiências políticas a que respondem, como o demonstra o fato de que hoje as direitas prometem revoluções e as esquerdas propõem tiranias."

    Ortega y Gasset

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