O centro de Lula
Posted on March 17, 2010
Um mito recorrente dentro da política brasileira é a idéia de que Lula construiu seu formidável capital eleitoral e chegou à reeleição por causa do apoio dos pobres e miseráveis. Alguns apontam para o fato dele ter fácil identificação por causa do seu jeito de falar, outros inclusivem falam em compra de votos pelo “Bolsa Esmola”. Nada mais distante da realidade. Os espantosos coeficientes de votos de Lula no Nordeste não seriam explicados apenas pelos votos das regiões mais pobres do sertão(Cidades bastante populosas como Salvador, Recife e Fortaleza podem não ser Paris ou Fairfax County, mas também não são exatamente miseráveis) e claro, sem Minas Gerais e o Rio de Janeiro de nada adiantaria vencer no Nordeste. Na verdade, dentro do PT quem faz campanha voltada para os mais pobres é Marta Suplicy, que conseguiu vencer um punhado de distritos mais pobres no entorno de São Paulo, sendo surrada no resto da cidade.
A fonte da força de Lula é uma numerosa classe média baixa, formada por funcionários públicos, professores, auxiliares administrativos, operários, entre outros. Lula conseguiu isso deixando de lado temas sociais afáveis para a esquerda, mas considerados tóxicos para esta faixa da população(Em especial aborto). E claro, acenando com a idéia de prosperidade econômica(Nem que para isso precise cortar impostos), não atacando industriais nem banqueiros. Há o Bolsa Família, claro, mas há também programas como o ProUni e Minha Casa, Minha Vida - que atingem esta grande classe média baixa. E a fonte da força do Bolsa Família é o fato deste ser um programa relativamente discreto. Esta classe média baixa apoia programas para ajudar os mais pobres, mas sem exageros.
Há o clichê em política de que eleições são vencidas no centro, referindo-se ao centro ideológico. Na verdade, o ponto verdadeiro é o centro demográfico e por faixa de renda. É aí que estão os votos. O Lulismo se mostrou mais eficiente que o petismo justamente pela sua mensagem populista, mas ao mesmo tempo pragmática e reconciliadora, alavancada pela bandeira da prosperidade, o que atinge em cheio este centro. Não é a toa que a sucessora escolhida por Lula é basicamente uma lulista, não uma petista nem um decano do partido. O risco para os petistas é do partido abandonar o lulismo em prol do petismo. E o desafio para os tucanos seria de conseguir atingir este centro, embora poucos tenham notado esta necessidade.
