Livro não é papel
Posted on January 9, 2010
Eu já escrevi vários textos neste blog sobre o Kindle e os outros formatos de livros eletrônicos, e a forma como estes são críticados por pessoas que nunca viram um na frente ao mesmo passo que fazem alguma elegia ao *formato* do objeto do livro. Agora, claro, o Rafael Galvão escreveu um post sobre o mesmo tempo. Francamente, tenho dificuldades de entender. Manter uma biblioteca minimamente organizada costuma ser uma tarefa de leão(Logo, todo bom leitor vê um livro eletrônico com bons olhos por motivos puramente práticos), e a existência de um não significa o fim do outro. Embora seja cada vez mais provável que livros de papel seja usada para fins de coleção ou de relíquia.
O primeiro problema de toda essa discussão sobre livros eletrônicos é que ela lembra toda a gama de receios que surgiram com outras tecnologias. Nos anos 80, muitos críticos alegavam que a música dos CD´s seria fria, e no início da década o MP3 era criticado ora por imperfeições do som ou pelo encarte. Parte desses receios hoje soam como bobo, outros destes foram superados pela tecnologia. Surgiriam formatos e compressão de MP3 com pouca ou nenhuma perda de qualidade, por exemplo, a qualidade do som como um todo melhorou muito. Creio que vá acontecer a mesma coisa com os livros eletrônicos: teremos leitores mais baratos, mais resistentes e com melhor definição. Os primeiros carros eram na prática brinquedos carissímos de gente rica, e era muito fácil dizer que era mais prático cruzar o Atlântico de navio ao se avistar os primeiros aviões.
O segundo problema é que esconde o viés elitista da brincadeira, das imensas coleções dos objetos de papel usados. No fundo, os amantes dos objetos de papel sentem falta do gosto de superioridade que estes podem proporcionam, do pequeno clube que pode ser invadido, dos livros que não podem ser exibidos na estante.E o pior de tudo, reflete o pior lado da nossa elite intelectual a obssessão por papel ao ponto de se esquecer do conteúdo impresso nele.
Comments
3 Responses to “Livro não é papel”

[…] não sei onde o André Kenji viu “viés elitista” no clube de “amantes do livro de papel”, aquele de […]
Lerei sempre livros em papel, mas por conta da vista. Não tenho nada em princípio contra o Kindle. Aliás, se um dia ele baratear, comprarei para ler revistas - sairia bastante em conta e não acabaria com minha vista.
Abs.
Acho que vão inventar um leitor com tela maior e mais escura, e a cores, e de baixa energia. Enfim, o ponto são as possibilidades para o futuro.