Estados Unidos

A rainha da Inglaterra

Posted on November 27, 2009

Uma tecla que eu sempre bati é que ser governador de um estado americano, mesmo que seja um estado pequeno como Delaware ou Wyoming(Ou, bem, o Alasca) é uma tarefa das mais complicadas. Você precisa saber lidar com o Legislativo - que podem transformar sua vida num inferno, equilibrar orçamentos - você precisa de uma carga tributária para atrair investimentos e ao mesmo tempo manter estradas e escolas em ordem e lidar com desastres naturais. Um furacão que afete seu estado num momento em que você tenha, sei lá, decidido viajar para fora do estado e sua carreira política pode ir pelo ralo. E claro, isso sem contar coisas como indultos a condenados e coisas parecidas. Indulte um sujeito que estupre alguém em outro estado e você pode ser assombrado num outro estado, por mais que permitir a execução de inocentes também é complicado.

Obama é o primeiro senador desde de Nixon a ser eleito presidente, e desde de Kennedy o primeiro a ser eleito diretamente. Ele nunca enfrentou os mesmos desafios que outros presidentes enfrentaram como governadores. George McGovern, aliás, um senador com longa carreira, costuma declarar que ele não tinha a idéia dos desafios que empresários que eram submetidos às decisões que ele tomava quando nos anos 80, após se aposentar como político comprou um hotel(que iria à falência em pouco tempo).

Por isso mesmo, Obama se sente muito bem nas funções cerimonais de um presidente: discursos, cerimônias de estado e encontros com outros chefes de estado, mas não na hora de tomar decisões importante. Ele quer evitar ao máximo decisões que possam desagradar pequenos grupos, mesmo que sejam desnecessárias, como aumentos de impostos em períodos de altos gastos militares e sociais. A proposta de reforma na saúde - escrita quase que completo pelo Congresso - é um frankenstein bisonho*, fruto da idéia “Se você gosta do seu plano de saúde você pode mantê-lo” para tentar fugir da oposição ao plano.

Obama no fundo parece agir como o monarca de um país com monarquia constitucional. Como uma espécie de Rainha da Inglaterra. O problema é que nunca fica claro quem é o primeiro ministro. Pelosi? Harry Reid?

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*Juro que não entendo a paixão que liberais como Keith Olbermann mantém com a tal da “public option”.

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  • "Ser da esquerda é, como ser da direita, uma das infinitas maneiras que o homem pode escolher para ser imbecil: ambas, com efeito, são formas da hemiplegia moral. Ademais, a persistência destes qualificativos contribui não pouco a falsificar mais ainda a "realidade" do presente, já fala de per si, porque se encrespou o crespo das experiências políticas a que respondem, como o demonstra o fato de que hoje as direitas prometem revoluções e as esquerdas propõem tiranias."

    Ortega y Gasset

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