Midia

Por que nenhum jornalista brasileiro sabe fazer entrevistas?

Posted on November 20, 2009

Eu acabei de ver a tal da entrevista que William Waack fez com Mahmoud Ahmaninejad para o Jornal da Globo, e eu só me pergunto: o que diabos foi aquilo? A edição da entrevista, cortando o vocal das perguntas, parecia fazer com que Ahmaninejad estivesse conversando sozinho para a câmara, de forma descontraída, não numa entrevista aonde se espera que o entrevistado se sinta desafiado. Perguntas? Tudo o que foi perguntado envolvia o Brasil. Depois os americanos que são egocêntricos. E claro, nenhuma pergunta realmente dificil sobre fraudes eleitorais ou negacionismo do Holocausto. O momento final, com Ahmaninejad falando para as câmaras para os brasileiros foi bizarro.

Não há desculpa. Em outras entrevistas, Ann Curry da NBC perguntou a Ahmaninejad se ele havia roubado a eleição, Katie Couric da CBS mostrou fotos do Holocausto e perguntou se ele ainda o considerava uma farsa. E isso que Waack é um raro âncora brasileiro com uma carreira jornalistica mais ou menos solida, o que não é o caso de todos os outros âncoras da TV(Incluindo William Bonner e Boris Casoy).

A falta total de habilidade dos jornalistas brasileiros com entrevistas, tanto em papel quanto em vídeo é preocupante. Isso dá um passe livre a políticos de todos os partidos que é preocupante.

Comments

8 Responses to “Por que nenhum jornalista brasileiro sabe fazer entrevistas?”

  1. Joaquim Dantas on November 21st, 2009 12:03 pm

    André,
    O “saudoso” Paulo Francis dizia basicamente que nós somos extremamente mácios e astutos: à chinesa, nós, os brasileiros, não temos coragem de dizer nada na cara, sobretudo a pessoas poderosas em geral (isto poderia ofendê-las!); vingamo-nos delas e dessa nossa característica, falando muitíssimo mal dos outros pelas costas. E isto se reflete nos nossos jornalistas, que JAMAIS fazem perguntas inconvenientes a quem quer que seja que ocupe uma posição importante na sociedade. O único caso que eu vi - e ao vivo na TV Cultura, em cadeia nacional, aí por volta de 1997 - foi Heródoto Barbeiro perguntando a Miguel Arraes, no Opinião Nacional, porque ele não tinha assinado o manifesto dos exilados brasileiros na Argèlia contra a tortura a que, depois do golpe que derrubou Boumedienne, estava sendo submetido, prisioneiro, o ex-Ministro do Governo deposto que havia acolhido e ajudado muitíssimo aos exilados brasileiros na Argèlia. Arraes - o ingrato - ficou furibundo e abandonou de imediato o estúdio sem responder a pergunta. Enfim, é uma questão cultural basta comparar as perguntas que fazem os repórteres americanos do “60 Minutes” ou os franceses do “Envoyé Special”, sem falar nos britânicos da BBC, para ver a diferença. Queria ver se alguém como Maluf, por exemplo, sobreviveria ao “bombardeio” indignado de jornalistas americanos, franceses ou britânicos!? Fico só imaginando um deles dizendo: ´”— Mas, como diante de tantos documentos, o senhor ousa dizer que não possui contas ilegais no exterior, Sr. Maluf? Como é possível tamanha desfaçatez sua?” etc.
    Não é defeito na formação profissional dos jornalistas, é vício sócio-cultural brasileiro mesmo: a reverência hipócrita diante dos poderosos e a maledicência exarcebada pelas costas. Gilberto Freyre que bem sabia dessas duas condutas (e muito as praticava pessoalmente com brilho inigualável), escreveu páginas luminosas e deliciosas sobre esses vícios nacionais conjuminados.
    Abraços,
    Joaquim Dantas, de Recife-PE.
    joaquim.dantas@uol.com.br

  2. Ricardo Estellita (Angolla) on November 21st, 2009 1:58 pm

    Ahmaninejad é um perigoso vigarista e ele sim, ele representa perigo para a humanidade … eu torço muito para que nas diversas manifestações que vão acontecer no país, todos tirem os sapatos e mostrem as solas para o canalha!

    Não é nem preciso jogar sapatos contra, não vale a pena, mas para que o traste veja as solas podres como protesto e insulto pessoal!

  3. aiaiai on November 21st, 2009 6:24 pm

    De forma alguma quero defender os jornalistas brasileiros…mas o willian waack como referência é triste, né?
    mas, como bem colocou o Joaquim, realmente é difícil ver jornalista fazendo pergunta direta a entrevistados.
    lembro do ernesto varela, que era um personagem, entrevistando o maluf e perguntando na cara se ele era corrupto.
    Na globonews tem o programa milenio que tem uma entrevistadora ótima, Elizabeth Carvalho, que outro dia peitou lindamente o doido do demetrio Magnoli ( e olha que ele é cupincha do chefe dela, o ali kamel). Mas no mesmo programa, colocaram agora um dos mais estúpidos e sensacionalista dos jornalistas brasileiros, o cesar tralha!

    mas, bom, só entrei pra protestar contra a referência. o ww é o fim

  4. André Kenji de Sousa on November 22nd, 2009 1:55 am

    Joaquim

    Preciso desenvolver mais, mas um programa tipo Meet the Press faz MUITA por aqui.

    Ricardo

    Não gosto do Ahmadinejad, embora ache o mais patético que perigoso. E só não protesto por casua das pessoas que estão protestando contra ele.

    aiaiai

    O Waack era um dos poucos jornalistas que trabalharam na Veja de forma razoável, e meu ponto é outro. Na TV gringa, o cargo de âncora de um telejornal em rede nacional na TV aberta, tirando os matinais diários(Que em sua grande parte são mais programas de variedades) são jornalistas experientes e respeitados entre seus pares(Por mais que muita gente odiasse o Dan Rather, com razão). O Brian Williams do Nightly News, por exemplo, que já apresentou o jornal como âncora do Afeganistão e vários outros lugares- e é respeitado para caramba como jornalista. Katie Couric se mostrou uma entrevistadora de primeira.

    O William Bonner, que apresenta o telejornal mais importante do país, virou piada depois da citação ao Homer Simpson e aparece mais em revista de fofoca que em comentário de imprensa.

  5. Vincent Law on November 22nd, 2009 8:23 pm

    Apena assistam na reportagem quando está na eleição da presidência. No jornal Nacional, um debate acirrado pela presidência. “Um joga pedra no outro.”

  6. aiaiai on November 23rd, 2009 8:16 am

    Eu concordo com vc…mas vou fazer mais uma correção: o boris casoy tinha sim uma carreira sólida no jornalismo antes de ser ancora. Alias, ele era mais respeitado antes.

  7. aiaiai on November 23rd, 2009 8:17 am

    E Ricardo,
    mostre vc sua sola de sapato podre…meus sapatos têm, todos, solas impecáveis kkkkkkkkkkkkkkkkkk

  8. André Kenji de Sousa on November 23rd, 2009 10:11 pm

    Não sei. Nunca vi o Boris Casoy fazendo entrevistas nem atuando em zonas de guerra. Ele fica longe de Peter Jennings e Brian Williams neste aspecto.

  • "Ser da esquerda é, como ser da direita, uma das infinitas maneiras que o homem pode escolher para ser imbecil: ambas, com efeito, são formas da hemiplegia moral. Ademais, a persistência destes qualificativos contribui não pouco a falsificar mais ainda a "realidade" do presente, já fala de per si, porque se encrespou o crespo das experiências políticas a que respondem, como o demonstra o fato de que hoje as direitas prometem revoluções e as esquerdas propõem tiranias."

    Ortega y Gasset

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