A perspectiva canalha ainda vale
Posted on October 31, 2008
Há uma discussão no blog do Pedro Dória sobre Obama ou McCain ser melhor para o Brasil. Este blog mantém a linha canalha - McCain é melhor para o Brasil por possibilitar uma economia menos fechada que Obama, independente do que seja sua política externa. Os motivos? São vários:
- Vários primeiros senadores a apoiarem fortemente McCain foram os republicanos com melhor histórico tanto em gastos públicos quanto em abertura comercial, como Tom Coburn(Oklahoma), Lindsey Graham(Carolina do Sul) e posteriormente Jim deMint(Carolina do Sul). Já Obama ainda é o candidato da AFL-CIO, a poderosa organização sindical dos Estados Unidos, que se opõe a esses tratados. Um dos pais do programa americano de etanol, Tom Daschle(Ex-senador democrata pela Dakota do Sul), é também um dos primeiros a incentivar a campanha de Obama.
A linha de Obama contra um tratado de livre comércio com a Colômbia é próxima da de que a AFL-CIO prega, por exemplo, e ele teria maior probabilidade de usar coisas como salários ou acusações de violência contra sindicatos para negar tratados de livre-comércio.
- O registro de votos de livre comércio de McCain no Senado é melhor que de Obama e melhor que de Bush.
- McCain deu mais atenção à América Latina nos debates, e citou nominalmente o Brasil. Obama cita muito pouco a região.
- Clinton negociou o NAFTA em parte por ter que lidar com um Congresso Republicano em seis anos de governo, mas Obama teria um Congresso a seu favor. E seria preciso um desastre para os democratas perderem a maioria em 2010, já que há poucas cadeiras vulneráveis para os democratas(Tirando a de Harry Reid, lider dos democratas no Senado, em Nevada).
- E sim, mesmo considerando que McCain têm vulnerabilidades em vários estados dependentes da produção agrícola subsidiada, bem, ele atacou várias vezes esses subsídios. Considerando a importância estratégica do corn belt é preciso coragem para defender a importação de etanol do Brasil num debate presidencial.
E mesmo investindo na Pensilvânia McCain não falou nada em subsídios ao aço, uma maneira fácil de ganhar votos em Pittsburgh.
- O etanol em si não tem grande importância, mas há vários outros produtos agrícolas que o país exporta para os EUA, como laranja, aço, produtos manufaturados.
- Sim, McCain pode inventar de atacar o Irã. Mas ele o faria sem tropas brasileiras. Por outro lado, Obama seria pressionado a intervir em Darfur, no Sudão, com tropas da ONU, e claro, não duvidaria de ver tropas brasileiras por lá.
(Sim, eu disse que esta é uma perspectiva canalha).
P.S: O já citado Daschle é especulado para ser chefe de gabinete de Obama.
Comments
4 Responses to “A perspectiva canalha ainda vale”

Vamos nos lembrar de que quando o Bill Clinton foi eleito ele também propunha uma política econômica de cunho protecionista, até mais do que o Obama. Entretanto, a era Clinton acabou sendo o apogeu da globalização. De um certo modo, sua “conversão” ao longo de seu primeiro mandato acabou sendo muit parecida com a conversão de François Miterrand, após assumir o governo da França.
Clinton denominou depois a adoção de políticas de livre comércio por governos de partidos mais à esquerda - se é que se pode falar em “esquerda” nos EUA - de “triangulação”. Quando até o Partido Comunista Chinês adota isto, não é o caso dos países emergentes temerem um eventual governo democrata na América.
Sim, mas Obama não é Clinton. Clinton era visto por desconfiança pela maior parte dos sindicatos ligados á AFL-CIO, Obama tem forte apoio destes. E Clinton tinha um senado republicano na maior parte do seu mandato. Para os republicanos conseguirem o controle do Senado em 2010 eles teriam que conseguir entrar fundo em território democrata(Vencendo em estados como Arkansas, Washington e Califórnia, e ainda encarando democratas que são políticos populares em estados mais conservadores, como Byron Dorgan na Dakota do Norte e Evan Bayh em Indiana).
Eu devo ser um canalha porque não vejo canalhismo na sua posição O.o
[…] Provavelmente os Estados Unidos vão se tornar mais protecionistas, mas nada é perfeito. Se, como brasileiro, prefiro McCain, como estrangeiro e pacifista acho que Obama não seria má escolha, […]