Midia

O Estadão e a informação de qualidade

Posted on August 11, 2007

O Estadão lançou a seguinte campanha publicitária, que ora tem sido atacada como um ataque aos blogs, ora tem sido visto como algo de bom humor. Ou claro, como a coisa bizarra que é. Meus dois centavos sobre isso:

1-) Uma coisa que eu tenho dificuldades em compreender é por quê diabos os jornais brasileiros gastam tanto em propaganda ao mesmo tempo economizando tanto na hora de contratar pessoal(É muito comum estagiário assinar matéria). Não me consta que o Wall Street Journal ou Daily Telegraph façam “campanha publicitária”. Eu nunca vi em nenhum canal de televisão à cabo propagandas do La Nácion ou do Clarín, por mais que por anos os dois canais musicais com sinal para a Argentina da Directv tenham sido os que eu mais assistia.

Se o Estadão quer transmitir confiança, ué, ao invés de gastar dinheiro com anúncios deveria gastar dinheiro com conteúdo. Colocar uma menina que não diz coisa com coisa para falar de educação, por exemplo, não ajuda. 2-) Não vejo a campanha como um ataque à blogosfera em si, mas um tanto com a mídia independente. Para o Estadão, blog é bom, mas desde de que seja blog de jornalista em portal. Na verdade, acho que a campanha transmite um tanto da cultura brasileira de ligar demais para diplomas e de menos para o que se diz. É impensável na Europa ou nos EUA você dizer que fulano que não fez faculdade de jornalismo mas que trabalha na área não é jornalista, mas no Brasil todo mundo declara sua profissão apartir da formação universitária.

Em palestras há uma ênfase muito grande no currículo do palestrante e de menos com o que vai ser dito. Muitas vezes se utiliza do currículo de fulano para validar ou invalidar o que ele diz, e é comum muita gente achar que um professor da Unicamp ou da USP vai estar invariavelmente certo no que diz por ser professor da Unicamp ou da USP.

Ora, no caso a campanha não é ofensiva aos blogs, mas ofensiva ao leitor. Ora bolas, se um blog ou site não é de confiança creio que eu, você e quem mais que seja vai perceber isso. A campanha dá a entender que o leitor que procura o Estadão não sabe escolher o que lê, e acredita em tudo que vê pela frente. E isso, claro, pode se voltar contra o próprio jornal: é muito mais fácil descobrir informações e o currículo do seu blogueiro favorito do que dos jornalistas do Estadão. E creio que mesmo o pessoal que não fala inglês irá preferir a BBC em português, por exemplo. Afinal de contas, o que é o Estadão perto da BBC? E não entro aqui na hipótese da CNN lançar um site em português(Note que o domínio cnn.com.br cai na versão em espanhol do site).

E bem, isso talvez explique por quê eu não leio o Estadão e prefira fontes de informação mais confiáveis

Comments

5 Responses to “O Estadão e a informação de qualidade”

  1. Rafael Cavalcante on August 11th, 2007 6:02 pm

    Opa André. Faz tempo que não comento por aqui mas não é por isso que deixo de ler seu blog regularmente. Só queria deixar um comentário falando que seus textos e opiniões continuam ótimas, e melhor ainda, muitas delas batem com a minha, por isso mais uma razão pra sempre voltar aqui. E quanto, especificamente, à essa “campanha” do Estadão, não vai ser isso que vai me fazer deixar de ler meu RSS. Abraço e sucesso.

  2. Primeiro encontro de blogueiros depois do Top 100 on August 12th, 2007 2:31 pm

    […] André Kenji […]

  3. Polêmica do Estadão: Entrevista com Filipe Serrano on August 15th, 2007 9:26 am

    […] Polêmica do Estadão: Entrevista com Filipe Serrano Recentemente o jornal Estadão fez uma campanha publicitária onde coloca em cheque a credibilidade dos blogs como geradores de conteúdo e informação correta, comparando seus editores à macacos que nada mais fazem do que copiar e colar informações colhidas no mundo digital. A blogosfera que se auto intitula como geradora de conteúdo relevante ficou em polvorosa e rebateu as críticas. […]

  4. SobreBlogs » Alerta à Blogosfera on August 15th, 2007 9:48 pm

    […] Alguns teceram opiniões coerentes, como o Cris Dias, o Alexandre Inagaki, Andre Kenji, Big Earl, este outro aqui, o Tonobohn e a Lu. Outros foram simplesmente irônicos, como o Cardoso, o Noronha, Carlos Aquino e o Charles Pilger. Alguns poucos, foram a meu ver infelizes, tentando iniciar algum tipo de “reação” ao SUPOSTO ataque do Estadão aos blogueiros. […]

  5. Alerta à Blogosfera | Blog de Eric Coutinho on June 5th, 2008 6:13 am

    […] teceram opiniões coerentes, como o Cris Dias, o Alexandre Inagaki, Andre Kenji, Big Earl, Grave Heart, o Tonobohn e a Lu. Outros foram simplesmente irônicos, como o Cardoso, o […]

  • "Ser da esquerda é, como ser da direita, uma das infinitas maneiras que o homem pode escolher para ser imbecil: ambas, com efeito, são formas da hemiplegia moral. Ademais, a persistência destes qualificativos contribui não pouco a falsificar mais ainda a "realidade" do presente, já fala de per si, porque se encrespou o crespo das experiências políticas a que respondem, como o demonstra o fato de que hoje as direitas prometem revoluções e as esquerdas propõem tiranias."

    Ortega y Gasset

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