Uma nova cara para o Partido Republicano?

Sexta feira é a eleição pelo RNC, o comitê nacional republicano. Seria o equivalente a uma espécie de presidência de campanha, mas o presidente não preside comissões para expulsar membros nem coisas do gênero, lidando mais com assuntos de campanha. É uma eleição interessante pela presença de dois negros no páreo: Michael Steele, analista da Fox News, ex-lieutenant governor de Maryland e candidato derrotado ao Senado em 2006 e Ken Blackwell, ex-secretário de estado em Ohio e candidato derrotado ao governo do estado em 2006.

Blackwell, de Ohio, e Saul Anunzis, de Michigan, são de uma certa forma prejudicados pela péssima performance do partido nestes estados. Chip Saltsman, do Tennessee, tinha um trunfo: o seu estado, que contém vários elementos que em tese permitiriam um avanço democrata(Grandes cidades, boa fatia de população negra, cidades com universidades, etc), mas que na prática os republicanos tem feito bons avanços(Saltsman presidia o partido estadual quando Al Gore, ex-senador pelo estado e filho de um senador, perdeu o estado para Bush em 2000). O problema é que Saltsman distribuiu CDs com a música “Barack, the Magic Negro” e sofreu críticas com acusações de racismo por todo lado.

Pessaolmente acho Steele a opção mais interessante. Ele pode ter sido derrotado em 2006 pelo Senado, mas, bem, foi um dos poucos casos de desafiantes republicanos que conseguiram chegar perto de dar trabalho para um incumbente democrata num estado vencido por Gore, Kerry e Obama ao mesmo tempo depois da enxurrada republicana de 1994(Em 1998 Pete Fitzgerald derrotou Carol Moseley Braun em Illinois, uma senadora que nadava em acusações de corrupção, em 2002 Norm Coleman conseguiu uma cadeira em Minnesota depois que o senador Paul Wellstone morreu e foi substituído em cima da hora pelo ex-vice presidente Walter Mondale).

Num estado democrata e num ano democrata Steele chegou perto de vencer, sendo derrotado por dez pontos, mas quase conseguindo a dianteira em algumas pesquisas. Também seria uma resposta interessante a Obama: um negro carismático e com imagem mais intelectualizada. Mas Steele também precisaria vencer a oposição de boa parte do Partido Republicano, que costuma ver minorias em posições de liderança dentro do partido como uma espécie de cota racial não declarada.

O fantasma de Herbert Hoover

Em 1928, o republicano Herbert Hoover derrotava o governador de Nova York, Al Smith numa campanha suja, em que o preconceito contra católicos era evidente. Somente vinte e quatro anos depois os republicanos venceriam a Casa Branca novamente, com um general herói de guerra, um candidato pouco usual(Antes de se lançar candidato como republicano os democratas chegaram a cortejar Eisenhower para que este fosse candidato deles). E depois deste, somente em 1968, com Nixon, que os republicanos voltariam à Casa Branca.

Bush enfrenta o mesmo fantasma de Hoover: o de ser o último presidente republicano em muito tempo. A reação dos republicanos ao resgate das montadoras, em especial por parte de sulistas de estados como Kentucky, Alabama e Mississipi têm sido tão forte que é mais um fator a jogar a região industrial inteira dos Grandes Lagos nas mãos dos democratas(Sem Ohio, Pensilvânia e Michigan e seus 58 votos no Colégio Eleitoral, os estados mais afetados pelo resgate, as chances dos republicanos de vencerem a Casa Branca são pequenas). Some ao bolo o voto dos hispânicos, por si só suficiente a médio prazo para jogar Flórida, California, Novo México, Colorado, Texas, Nevada e Arizona e seus cento e quarenta e três votos no Colégio Eleitoral para os democratas(Além de deixar os democratas em Nova Jérsei e Nova York numa posição ainda mais confortável) e o panorama é bem feio.

O fim do Partido Republicano de Nixon e Reagan

A Nova Inglaterra perdeu seu último deputado republicano, Chris Shays. Se você pegar a Mason-Dixie line - a fronteira entre Maryland e a Pensilvânia que classicamente definia o sul - irá encontrar três governadores republicanos acima desta linha, e quatro senadores republicanos - os moderados Arlen Specter da Pensilvânia, Olympia Snowe e Susan Collins do Maine e Judd Gregg de New Hampshire, que poucos duvidam ser um alvo vulnerável em 2010.

Já entre os estados banhados pelo Golfo do México os democratas não tem um único governador, e apenas dois senadores(Bill Nelson da Flórida e Mary Landrieu, da Lousiana). Mas são estados em que os democratas estão em crescimento. Mesmo no Mississipi os democratas conseguiram vencer cadeiras no Congresso e no Alabama mesmo com a aposentadoria de Bud Cramer(Um raro deputado federal branco democrata que sobreviveu a 1994) os democratas mantiveram sua cadeira.

Se há um sinal da fraqueza dos republicanos no momento é justamente as suas extremas fraquezas eleitorais fora do Sul. E pior, isso apenas em parte do Sul(O Arkansas, um clássico estado do Deep South, tem dois senadores democratas, um governador democrata, quase todos os distritos na mão dos democratas e as duas casas do Legislativo estadual na mão dos democratas). A vitória de Obama - um candidato com currículo curto e com perfil urbano - representa, acima de tudo, o colapso do Partido Republicano que Nixon construiu com os destroços do colapso do Partido Democrata depois da derrota de Hubert Humphrey em 1968.

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Em 1921 e 1924, os republicanos estabeleceram cotas para imigrantes, em especial de países de população católica. Em 1928, Al Smith, um católico de origem irlandesa foi derrotado na eleição presidencial numa campanha em que o preconceito contra católicos foi peça chave. Daí, Roosevelt usaria os católicos para construir uma coalisão que venceria oito das próximas dez eleições presidenciais(E Eisenhower foi uma exceção bizarra, inclusive porque os democratas queriam como candidato até que ele se revelasse republicano).

Imigrantes são um assunto complicado porque muitos não podem votar, mas com a progressiva naturalização e o crescimento de filhos de imigrantes nascidos no país muda este quadro progressivamente. No Texas, na Califórnia e no Novo México brancos já são minoria. E eles estão a caminho de sofrer o mesmo destino em Nevada e Arizona.

É um filme que os republicanos já viram. E que não é nada agradável.

Condado a condado

O mapa de condados mostra bem que as mudanças no mapa eleitoral foram mais tímidas que parecem. Há uma maior votação nos condados com maior população hispânica, mas há uma longa faixa na Appalachia, assim como em toda região central que não votou em Obama(Mesmo em regiões menos conservadoras, como o entorno de Kansas City e a região de Tulsa, Oklahoma).

Na prática, nota-se que desde de 1972 há um padrão dos democratas em vencerem nas grandes cidades(1976 é quase que uma exceção, mas note o mapa de 1984, uma das piores derrotas recentes dos democratas), expandindo a vitória apartir destas cidades para a vitória. Então, Obama de uma certa forma simplesmente conseguiu adicionar ao barco latinos e profissionais mais velhos fulos da vida com os republicanos que redesenhar o mapa….

O que muda no mapa eleitoral?

O que muda? Muda menos que parece. Os democratas venceram por manterem sua base nas grandes cidades(Base mantida mesmo durante as duras derrotas frente a Reagan) e ampliá-la com subúrbios e outras grandes cidades que não venciam(Houston, por exemplo). Os republicanos? Bem, perderam mais espaço nos subúrbios e nas grandes cidades.

Califórnia: A margem de vitória de Obama no estado foi próxima ao alcançado em Illinois, seu estado-natal, e em bastiões democratas como Massachusetts e Nova York. O estado nunca foi um estado de fato liberal, mas um estado conservador com duas grandes cidades liberais. A mudança? O voto hispânico. Obama juntou dois rincões republicanos à sua prole com isso: San Bernardino e todo o sul do estado, incluindo San Diego(Lembrando que o San Diego Union-Tribune foi um dos poucos jornais grandes a apoiar McCain). Ainda perdeu em subúrbios mais ricos, como Orange County.

Nevada: Aqui as mudanças foram menos perceptíveis, embora o voto dos hispânicos contou. A vantagem de Obama em Clark County(Las Vegas) não aumentou muito, mas ele venceu em Nashua County(Reno, a segunda maior cidade do estado) enquanto diminiu a desvantagem no interior.

Montana: O susto que Obama deu em McCain nesse estado conservador se deu por dois fatores: condados com forte população de indígenas e nas cidades ao oeste do estado, em especial Helena, Idaho Falls e Missoula.

Colorado: O destino de McCain aqui foi selado por dois fatores: o crescimento de Denver e Boulder e o voto dos hispânicos. Obama aumentou a vantagem em especial entre os condados ao sul do estado em que mais de 30% da população é hispânica. E essa alienação dos hispânicos perante o Partido Republicano pode jogar o estado na mesma situação que a Califórnia.

Novo México: Outro estado que os latinos foram decisivos. É justamente nos condados no entorno de Las Cruces e próximos a El Paso, no Texas, que os democratas conseguiram ampliar mais a vantagem.

Texas: Obama diminuiu a desvantagem para cerca de dez pontos, num estado republicano. É justamente na faixa adjacente à fronteira com o México, aonde há forte concentração de latinos, que a vantagem de Obama se mostrou maior(Há condados nessa região que Obama obteve 80% dos votos). Outro prêmio para Obama foi a vitória em Houston, Dallas e Austin, três das maiores cidades do estado.

Confirmadas estas tendências e o Texas pode se tornar um estado azul em poucos anos.

Dakota do Sul: Obama diminiu a desvantagem, talvez pela oposição de McCain aos subsídios e claro, pela ajuda das reservas indígenas, bastiões históricos de pobreza.

Michigan: Vitória decisiva, como não se via desde de Clinton. As vitórias não se concentraram apenas em Detroit, Ann Arbor, Lansing e outras cidades, mas foram bem distribuídas pelo estado. Aonde Obama não venceu perdeu por poucos pontos. Nada mal para um candidato com nota F pela NRA.

Wisconsin: Apesar de Obama ter obtido uma melhor votação por todo o estado foi beneficiado pela proximidade com Chicago. Em Kenosha e Milwaukee a vantagem de Obama aumentou frente a Kerry, assim como em todo o sul do estado.

Indiana: Obama venceu em grande parte pela região Noroeste do estado, que está para Chicago assim como Francisco Morato está para São Paulo. É difícil prever como ele se saíria se não tivesse base eleitoral no estado, embora, claro, a grande quantidade de negros nessa região tenha contado.

Ohio: O que definiu a vitória de Obama foi a economia. Tirando Cincinnati, Obama não venceu mais condados que Kerry. Mas a maior margem de vitória na região norte, a região industrializada que faz parte do Rust Belt foi suficiente para jogar o estado para Obama.

Kentucky: Num estado menos afetado pela crise econômica que outros refúgios de aposentados a vantagem dos republicanos se manteve quase que inalterada. Na verdade, os republicanos aumentaram a vantagem no interior, por mais que tenham perdido espaço em Louisville e outras grandes cidades.

Tennessee: Mesmo fenômeno que em Kentucky: a margem de votos no estado como todo alterou pouco, e tirando Memphis, Nashville e Gainesville Obama perdeu em praticamente todo o estado.

O que demonstra bem que a coisa não seria tão fácil se não fosse a crise da Bolsa.

Louisiana: Um dos poucos estados que a margem de vitória dos republicanos realmente aumentou, mas é um quadro menos róseo que parece. Previa-se que a após a grande fuga de moradores depois da catástrofe do Katrina que o estado se tornasse bem mais conservador que as margens de vitória de McCain dão a entender, e Obama conseguiu ampliar a vantagem em outras grandes cidades do estado, como Shreveport e Baton Rouge.

Flórida: A vantagem de Obama se deu mais por causa de Tampa, Tallahassee e Miami. Outro estado em que o voto dos hispânicos foi decisivo, além de, claro, os aposentados, os mais afetados pela Crise da Bolsa. A rejeição de Sarah Palin dentro de outra minoria do estado, os judeus, parece ter contado também.

Georgia: Kerry perdeu o estado por mais de 16% dos votos, Obama por apenas 5%. A força maior de Obama vêm das maiores cidades, em especial de Savannah, Atlanta e subúrbios. É má notícia a longo prazo para os republicanos derrotas em cidades grandes de estados mais republicanos como a Georgia, em especial pelo risco de Atlanta sobrepujar o resto do estado.

Carolina do Norte: Obama venceu ampliando a base democrata no estado(Charlotte, Durhan, Winston-Salem, Greensboro, cidades com grandes universidades e indústrias de tecnologia), aonde venceu por porcentagem maiores, enquanto abocanhava subúrbios adjacentes. Para fechar a conta. diminuiu a desvantagem no interior, duramente afetado pela crise.

Virginia: O desempenho de Obama no Oeste do estado é ruim, mas ele ampliou a vantagem na região norte, que engloba subúrbios de Washington DC, no entorno de Richmond e conseguiu vencer na região sudeste, na região de Hampton Roads(Virginia Beach, Norfolk e Chesapeake).

A longo prazo é uma demografia que pode tornar uma vitória republicana no estado difícil.

Pensilvânia: McCain tentou tomar o estado de Obama investindo forte na região oeste do estado, já que a região de Pittsburgh é um dos fatores que em anos recentes empurrava as eleições para o lado dos democratas. Ele obteve sucesso aqui, mas o crescimento da Filadélfia e seus subúrbios foi o suficiente para anular esta vantagem e ampliar a margem de vitória no estado dos democratas.

Impressões finais

- Assim como com John Kerry, o melhor momento de McCain na campanha inteira foi o discurso de concessão.

- Uma barreira psicológica forte é rompida: a derrota de Chris Shays em Connecticut faz com que toda a região da Nova Inglaterra perca seu último deputado republicano.

- Na maioria dos estados em que Obama venceu os republicanos sofreram uma série de derrotas. Na Virginia perderam várias cadeiras no Congresso e a vantagem de Mark Warner para o senador se mostrou maior. Na Carolina do Norte eles perderam uma cadeira no senado, várias cadeiras no Congresso e os democratas mantém a casa do governador.

Na Pensilvânia, John Murtha, que havia ficado conhecido por ter chamado os próprios moradores da Pensilvânia ocidental de “racistas”(Ou seja, os seus próprios eleitores) foi reeleito. Em New Hampshire o democrata John Lynch foi reeleito governador com mais de 70% dos votos.

(Sim, é uma vitória que precisa ser vista com calma justamente por causa disso).

- De fato, o lugar que as pesquisas erraram mais parece ter sido no Sul. Na Lousiana a vitória da senadora democrata Mary Landrieu foi mais apertada, e os senadores Saxby Chambliss da Georgia e Mitch McConnell tiveram a vitória mais apertada que o previsto.

- Dois estados que os democratas não venciam desde de 1964 provavelmente serão vencidos por Obama: Indiana e Montana.

- No campo dos referendos? Massachusetts optou por manter seu imposto de renda estadual(Não é a toa que era chamado de Taxachusetts pelos republicanos), Michigan optou por permitir a maconha medicinal. Na ultra-conservadora Dakota do Sul uma proposta para manter o aborto em padrões próximos ao do Brasil(Permitindo-o apenas em caso de risco de vida para a mãe e de incesto/estupro, e mesmo assim nas 20 primeiras semanas) foi rejeitada. Na California, a proposta para se proibir o casamento gay havia largado levemente na frente, e a proposta para se construir um trem de alta velocidade entre San Francisco e Los Angeles dividia eleitores(49% a 50%).

- Três cadeiras no Senado ainda não estão decididas(Oregon, Minnesota e Alasca).

Segundas impressões

- Todas as redes dão vitória de Obama em Ohio, New Hampshire e Pensilvânia, o que de uma certa forma dá Game-Over para McCain. Mesmo que em Ohio, aonde muitos condados ao sul não votaram, McCain consiga uma vitória isso permite que Obama vença apenas com o Colorado.

- A derrota de Elizabeth Dole na Carolina do Norte é confirmada, o que não deixa de ser delicioso. Al Franken parece estar um tanto que atrás em Minnesota e os republicanos Saxby Chambliss da Georgia e Mitch McConnell no Kentucky parecem conseguir a reeleição. Blá. O republicano John Sununu também é derrotado em New Hampshire.

Na Virginia, Mark Warner já era o vencedor esperado da cadeira livre do Senado, mas a vantagem de Warner é bem maior que o previsto. É um sinal terrível para os republicanos no estado.

Primeiras impressões

Onze e meia em Brasília:

- Em Indiana Obama consegue uma desvantagem razoável sem Lake County, que inclui Gary. Problemas para McCain.

- A vantagem de Obama na Carolina do Norte parece ser razoável.

- Na Vírginia, como previsto, Obama vai mal na região da Appalachia, o que pode significar problemas tanto em Ohio, Pensilvânia e Virgínia Ocidental.

- Obama também largou na frente em New Hampshire. Mesmo se as coisas derem errado nas apurações que fecham no horário da costa leste isso dá chances de se fechar a fatura no Colorado.

- Há uma vantagem leve para Obama na Flórida, mas não entrou nada do Panhandle, a pontinha noroeste do estado, que costuma ser o grande bastião dos republicanos no Estado.

A América vota

- Em todos os estados se registra uma votação maior que o normal, e filas quilométricas são registradas em estados como Oklahoma(Um dos poucos estados que McCain tem vantagem de vinte pontos), Flórida e Virginia. As imagens pela TV, no entanto, não indicam um número maior de eleitores jovens, apesar de se ver mais negros.

Como isso vai alterar a votação? Difícil saber.

- A região leste de Indiana fecha as urnas as nove da noite em Brasília. A região oeste, que tem Gary(Um subúrbio de Chicago com grande população negra) fecha depois, mas uma desvantagem razoavel no início de apuração certamente poderia indicar uma vitória de Obama com as urnas ainda abertas na Costa Oeste.

A hora chegou

Por mais que os institutos de pesquisa estejam tentando defender seu peixe todo mundo sabe que as coisas não são tão simples. Pode-se falar em Bradley Effect, mas vale lembrar que muitas pesquisas erraram em momentos decisivos. Em 2004 isso ocorreu na Flórida, Novo México e Iowa, estados que Bush venceu mas que as pesquisas indicavam uma vitória de Kerry, em 1988 as pesquisas de boca de urna indicavam um quase que leve vitória de Dukakis sobre Bush pai(Bush pai venceu de lavada).

Na maioria dos swing-states em que as pesquisas indicam vitória de Obama ele não alcança a média de 50%, há muitos indecisivos ou pessoas que podem mudar de opinião. Também há rumores de que muitos eleitores estariam se recusando a emitir opiniões para as pesquisas. Claro que para McCain vencer ele teria que superar as pesquisas em uma quantidade grande de estados, e McCain mostra o desespero de derrotado(Campanhas por um grande números de estados de forma sucessiva, que, aliás, Dukakis fez em 1988, culpa a imprensa e todo aponta-dedos entre os republicanos sobre a derrota, ao ponto de John Ensign, o senador por Nevada que coordena o Comitê de Campanha do Senado do Partido criticar a escolha de Sarah Palin).

De qualquer forma, vai ser relativamente simples acompanhar as coisas. Se Obama vencer na Carolina do Norte e ou vencer ou manter uma desvantagem pequena na Virginia sem que os votos na região norte é quase que certeza de vitória. Se ele vencer em New Hampshire há bons sinais também. Se ele manter um resultado bom no oeste do estado já teria garantido Ohio e Pensilvânia, o que garante a vitória. Flórida costuma fechar cedo, e se Obama vencer lá também fecha o jogo. Em caso negativo, o tira-teima vai para o Colorado e Nevada.

(Eu ainda torço pelo empate no Colégio Eleitoral).

A tia de Obama

A notícia do dia é a descoberta de uma meia-tia de Barack Obama vivendo num conjunto habitacional miserável de Boston. Zeituni Onyango, de 56 anos, vive ilegalmente nos Estados Unidos. A campanha de Obama negou conhecer o status ilegal da tia, devolveu suas contribuições e deu nos ombros para o para a possibilidade da parente ser deportada. É o segundo parente de Obama que chama a atenção por viver na miséria, depois que descobriram que George Obama, seu meio-irmão, vivia com um dolar por mês num barraco no entorno de Nairóbi, no Quênia.

Pode-se alegar tranquilamente que Obama não tem responsabilidades com parentes distantes do lado do pai que o abandonou quando ele tinha três anos. Por outro lado, isso bate na crítica contra Obama com relação a seus baixos gastos de caridade De qualquer forma, acho tenebroso que a primeira reação de Obama no caso seja de praticamente apoiar a deportação da tia.

A perspectiva canalha ainda vale

Há uma discussão no blog do Pedro Dória sobre Obama ou McCain ser melhor para o Brasil. Este blog mantém a linha canalha - McCain é melhor para o Brasil por possibilitar uma economia menos fechada que Obama, independente do que seja sua política externa. Os motivos? São vários:

- Vários primeiros senadores a apoiarem fortemente McCain foram os republicanos com melhor histórico tanto em gastos públicos quanto em abertura comercial, como Tom Coburn(Oklahoma), Lindsey Graham(Carolina do Sul) e posteriormente Jim deMint(Carolina do Sul). Já Obama ainda é o candidato da AFL-CIO, a poderosa organização sindical dos Estados Unidos, que se opõe a esses tratados. Um dos pais do programa americano de etanol, Tom Daschle(Ex-senador democrata pela Dakota do Sul), é também um dos primeiros a incentivar a campanha de Obama.

A linha de Obama contra um tratado de livre comércio com a Colômbia é próxima da de que a AFL-CIO prega, por exemplo, e ele teria maior probabilidade de usar coisas como salários ou acusações de violência contra sindicatos para negar tratados de livre-comércio.

- O registro de votos de livre comércio de McCain no Senado é melhor que de Obama e melhor que de Bush.

- McCain deu mais atenção à América Latina nos debates, e citou nominalmente o Brasil. Obama cita muito pouco a região.

- Clinton negociou o NAFTA em parte por ter que lidar com um Congresso Republicano em seis anos de governo, mas Obama teria um Congresso a seu favor. E seria preciso um desastre para os democratas perderem a maioria em 2010, já que há poucas cadeiras vulneráveis para os democratas(Tirando a de Harry Reid, lider dos democratas no Senado, em Nevada).

- E sim, mesmo considerando que McCain têm vulnerabilidades em vários estados dependentes da produção agrícola subsidiada, bem, ele atacou várias vezes esses subsídios. Considerando a importância estratégica do corn belt é preciso coragem para defender a importação de etanol do Brasil num debate presidencial.

E mesmo investindo na Pensilvânia McCain não falou nada em subsídios ao aço, uma maneira fácil de ganhar votos em Pittsburgh.

- O etanol em si não tem grande importância, mas há vários outros produtos agrícolas que o país exporta para os EUA, como laranja, aço, produtos manufaturados.

- Sim, McCain pode inventar de atacar o Irã. Mas ele o faria sem tropas brasileiras. Por outro lado, Obama seria pressionado a intervir em Darfur, no Sudão, com tropas da ONU, e claro, não duvidaria de ver tropas brasileiras por lá.

(Sim, eu disse que esta é uma perspectiva canalha).

P.S: O já citado Daschle é especulado para ser chefe de gabinete de Obama.

Tirando a molecada de casa para votar

A maioria das pesquisas entre Obama e McCain mostra uma grande discrepância entre os dados. Alguns institutos entre as suas próprias pesquisas. O Gallup, por exemplo, tem vários modelos: pessoas registradas para votar e dois modelos de pessoas que possivelmente irão votar(Um deles baseado nas intenções e outro baseado no histórico de votação). Quando se considera pessoas que votaram em 2000 e 2004 a vantagem de Obama tende a ser de dois pontos, quando se considera todos os eleitores a vantagem de Obama chega perto ou ultrapassa dois digitos.

James Carville disse há alguns anos atrás: “Mostre-me um candidato que depende do voto jovem e eu irei lhe mostrar um perdedor”. Em 1972, quando a aprovação da vigésima-sexta emenda diminiu a idade mínima para se votar de 21 para 18 anos a campanha do então candidato George McGovern tentou atrair esses dezoito milhões de novos eleitores para a coluna democrata. Descobriram de uma forma meio amarga. Fred Dutton, que trabalhou na campanha de McGovern, diria, anos mais tarde, que eles foram surpreendidos ao descobrirem que as pessoas só começavam a votar com 35 anos…(McGovern sofreria uma das piores derrotas de todos os tempos, vencendo apenas Washington DC e Massachusetts).

Claro que Obama tem uma vantagem entre os eleitores de meia idade para cima porque se para os jovens ações são uma coisa abstrata, bem, para o pessoal da meia idade isso é parte da aposentadoria. Muita gente ficou mais pobre com a queda das bolsas. Por outro lado, a fica a dúvida: Obama vai conseguir trazer às urnas pessoas que nunca votaram na vida? A crônica das eleições presidenciais desde de 1972 foi justamente dos republicanos trabalhando com o eleitorado mais velho e os democratas com os jovens, que quase sempre ficavam em casa(Três vitórias democratas, com candidatos justamente fugindo deste molde, de dez).

Mas a porcentagem de vitória de Obama vai depender justamente de quanto desses eleitores jovens ele irá conseguir tirar de casa no dia 4.

Willie Coyote, o republicano

Andy Borowitz, um comediante que criou uma coluna de humor com colunas satíricas fez um texto com a descrição sugestiva: McCain manda Biden para swing-states chaves. Segundo o texto, McCain teria dito a Biden: “Eu disse a Joe: Eu pago as suas passagens, hospedagens, todos os gastos. Só apareça lá e diga o que tiver na sua cabeça, meu amigo”. A campanha de McCain seria sobre os dois Joes: Joe, o Encanador e Joe, o Boquirroto. Mas claro que Obama teria outros planos, como de mandar Biden para se encontrar com eleitores na Antartida ou mesmo na Lua.

Biden tem colecionado uma série de gafes e o texto de Borowitz é mais um sinal disto. A última delas foi dizer em Seattle que o mundo iria testar Obama nos primeiros seis meses de mandato, como fizeram com Kennedy*. Mas há várias outras, como ter dito que Franklin Roosevelt teria aparecido na TV para confortar os americanos durante a Crise de 1929(Não só Herbert Hoover era presidente como a TV era um artigo experimental) e a de ter pedido a um sujeito de cadeira de rodas para que se levantasse. Também cometeu dois erros marcantes no debate, como dizendo que o único papel do vice-presidente no Senado era desempatar votações(Na verdade, ele preside o Senado) como dizendo que os americanos e os franceses teriam expulsado o Hezbolah do Líbano.

Claro que você certamente não ouviu nenhuma dessas gafes, em parte porque a imprensa estava ocupada demais com Sarah Palin. A imprensa deu passe livre a Biden enquanto escrutinizava os menores detalhes de Palin. Quando Joe, o Encanador, finalmente colocou escrutínio sobre os planos fiscais de Obama a imprensa, ao invés de debater os pontos que ele levantou, bem, saiu correndo atrás de coisas que desqualificassem o sujeito. E por mais que os republicanos saibam que a imprensa não está sendo justa como Ramesh Ponnuru lembrou meses atrás choradeira contra a mídia é marca registrada de campanhas perdedoras.

A campanha de McCain se mostra desorganizada, sem conseguir encarar os recursos de Obama. Não há uma mensagem definida e McCain parece não saber se luta para manter o Colorado na coluna republicana ou se tenta vencer na Pensilvânia(Por si só a região central do estado não permite uma vitória e o crescimento da Fildélfia torna uma vitória dificil mesmo com ganhos na região de Pittsburgh). Pior, no caso das corridas pelo Congresso os democratas podem juntar uma maioria que não se vê desde do início do mandato de Carter.

Os republicanos devem se sentir próximos a Willie, o Coyote: nada dá certo.

* Comparação menos lisonjeira que parece, já que Kennedy começou a Guerra do Vietnã, o embargo contra Cuba depois do desastre da Baía dos Porcos e da Crise dos Misseis e ainda foi no seu mandato que fizeram o Muro de Berlim.

Haverá um mau perdedor…

Jennifer Brunner, Secretária de Estado em Ohio e Democrata tem uma emprego sofridíssimo. A mulher sofre ameaças de morte, oito processos a duas semanas das eleições e por pouco não teve que enfrentar um julgamento na Suprema Corte. As descentralização do processo eleitoral e a falta de um documento nacional de um eleitorado de um lado, do outro o fato de minorias votarem em massa nos democratas cria uma saia justa. Medidas mais rígidas de apresentação de documentos podem ser confundidas com tentativas de se manipular a eleição já que minorias são aqueles com maior probalidade de não ter documentos da Seguridade Social. O contrário parece uma forma de beneficiar os democratas.

Este ano, vários swing-states importantes - Ohio, Colorado, New Hampshire, Michigan, Virginia, Wisconsin - terão governadores ou secretários de estado democratas ou ambos . Nas últimas semanas os republicanos falaram bastante na ACORN, uma organização de organizadores de comunidades que apoia Obama e que estaria cometendo fraudes no registro de eleitores - envolvendo desde de crianças a pessoas que assinariam 72 vezes formulários e no, caso da Flórida, uma tentativa de se registrar… Mickey Mouse.

Claro, no caso isso não garante nada e tem mais jeito de ativistas pagos por registro de eleitor tentando inflar números. Mas isso não cria segurança, ainda mais com um número cada vez maior de pessoas votando antecipadamente ou pelo correio.

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Semanas atrás, o vídeo acima, em que Homer tenta votar em Obama, mas a máquina acusa voto em McCain, fez sucesso nas caixas de emails. Pois bem: na Virginia Ocidental, durante a votação antecipada, eleitores acusaram justamente isso…

Obama e os blue dogs

Em 1993, quando, pressionado por Al Gore, Bill Clinton tentou passar um imposto sobre energia e foi barrado por democratas conservadores, como David Boren de Oklahoma e Max Baucus, de Montana. Se eleito, Obama teria que lidar com uma maioria histórica nas duas casas do Congresso, mas, claro, tendo que trabalhar com alas mais conservadoras. O maior desafio seriam os chamados Blue Dogs Democrats.

Os Blue Dogs Democrats são um grupo na Casa de Representantes de 47 deputados(Suficiente para virar a casa de um lado a outro em muitas votações). É um grupo originário do Sul(O nome do grupo remonta tanto a uma expressão dos tempos pré-Lei de Direitos Civis sobre eleitores que votavam em democratas independente do partido - os yellow dogs - e pinturas de um artista da Louisiana, George Rodrigue, ao lado), mas que conta com representantes em outras regiões, incluindo subúrbios mais conservadores de estados Nova York, Califórnia e Illinois. O grande traço em comum a seus membros é a defesa do conservadorismo fiscal. Também é o grupo menos entusiasmado com Obama.

Obama já teria conversado com Mike Ross, do Arkansas, um dos líderes do grupo. Um dos pontos em comum é que ambos concordam que todo gasto novo deve ser pago com alguma forma de financiamento nova - pode ser corte de outros gastos, ou uma nova fonte de verbas. De qualquer forma, tanto as promessas de novos gastos de Obama quanto de não aumentar impostos de 95% da população estão ameaçadas.

Não vai ser um começo de mandato fácil.

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E se McCain vencer? Seria divertido. As chances dos democratas aumentarem sua vantagem em 2010 seriam ainda maiores e McCain ficaria preso ao Congresso.

Votando pelo bolso

Para nós, brasileiros, notícias de queda na Nasdaq ou Bovespa são números abstratos e distantes. Mas para um americano médio, que costuma investir em fundos ou diretamente em ações ele costuma perder dinheiro toda vez que isso ocorre. Desde de setembro, justamente quando Obama disparou nas pesquisas grande parte dos americanos ficou mais pobre. Há outro problema, que é justamente que dentro de uma proposta de privatização da Previdência, advogada pela turma do Wall Street Journal e por boa parte dos Republicanos a coisa ficaria AINDA mais vulnerável.

Isso, claro, explica o estouro dos democratas em quase todos os níveis, mesmo em estados mais conservadores, como a Georgia, aonde Saxby Chambliss sua contra Jim Martin, um defensor dos direitos dos gays. Na Georgia.

Por outro lado há Joe, o Encanador. Boa parte da atenção da imprensa têm se voltado para o fato do sujeito ser registrado ou não como encanador ou ainda se pagou impostos, mas o sujeito chamou atenção para o plano fiscal de Obama. Em especial pela agora mítica frase na resposta de Obama: “Espalhar a riqueza” e pelo fato de colocar Obama na parede sobre aumentos de impostos. Uma das bandeiras que Nixon usou contra McGovern em 1972, a outra foi uma das bandeiras de Reagan contra Mondale em 1984.

É uma eleição a ser decidida pelo bolso do eleitor.

Sarah Palin nua

O Old Town Ale House, um bar em Chicago encontrou uma atração pouco usual: um quadro de Sarah Palin peladona, pintado pelo dono, Bruce Elliott. Apesar dos poucos atrativos artísticos(A arma é desproporcional, as cores pouco atrativas), hordas de pessoas têm aparecido apenas para fotografar o quadro.

Elliott diz que apesar das diferenças políticas confessa sentir atração pela mulher.

O terceiro debate

- Obama estava mais professoral, McCain estava bem mais agressivo. Ao mesmo tempo ele tentou parecer mais amigável, sorrindo e usando um tanto de ironias. Também pareceu argumentar melhor. Mas os terceiros debates costumam ser os menos decisivos, as referências ao Joe, o Encanador soaram cansativas e o público parece estar voltado mais a big government.

De qualquer forma, a perfomance de McCain deve ter soado como música para os republicanos, com ataques a gastos públicos e ao plano fiscal de Obama. McCain foi mais consistente na questão de impostos, embora deveria ter se prendido ao óbvio: é impossível aumentar gastos na escala que Obama quer e aumentar impostos apenas de 5% da população. E as citações a Herbert Hoover(O presidente durante o Crash da Bolsa de 1929), além de meio over ficaram no ar.

- O ponto baixo para McCain foi quando ele falou da comparação que John Lewis, um deputado democrata pela Georgia fez entre ele e George Wallace(O governador do Alabama famoso por defender a segregação racial), pedindo que Obama se desculpasse por uma pessoa que nem faz parte da campanha. O ponto alto foi quando ele disse que não era Bush e de que se ele quisesse ter concorrido com Bush deveria ter tentado quatro anos atrás.

- Foi somente nesse terceiro debate que a América Latina entrou na discussão. McCain disse que importaria etanol no Brasil e defendeu o tratado de livre-comércio com a Colômbia, ao passo que elogiava o país(Mimo discreto para os eleitores hispânicos no Novo México, Colorado e Flórida).

- McCain foi corajoso ao defender o fim do programa de etanol americano, bandeira do lobby dos produtores de milho, talvez o mais poderoso do país. Dois swing-states importantes(Iowa e Minnesota) são grandes produtores de milho e Obama tem dinheiro para atacar McCain em outros estados mais conservadores do corn belt, como Nebraska e a Dakota do Sul.

- Se a eleição de Obama for confirmada as declarações de Obama dizendo que 95% da população não veria nenhum aumento de imposto serão usadas pelos republicanos da mesma forma que o discurso de Herbert Bush na Convenção Republicana de 1988(Read my lips… No new taxes) foi usada pelos democratas em 1992.

- Obama disse ser contra abortos nos últimos meses da gestação, o que vai contra seu histórico em ambos os Senados. Também se contradisse quando ao mesmo tempo defendeu veemente Roe v. Wade(Já que a decisão permite abortos em qualquer circunstância).

- A moderação foi bem melhor trabalhada. O debate não foi genial, lembrava bem os debates de Bush e Gore, mas foi o melhor dos três.

Eles nunca tiveram que equilibrar um orçamento

Você já deve ter lido todo tipo de acusação contra Sarah Palin, como que ele seria criacionista, partidária de um partido de extrema direita secessionista ou que ela censurava livros da biblioteca. A maioria das acusações mostrou ter bases frágeis e bem, Alexander Cockburn(Que levanta a hipótese da governadora ter inclinações racistas, portanto, nada favorável à mulher) têm razão quando diz que boa parte do ódio contra Palin é ódio burguês contra pessoas da classe trabalhadora. Cockburn cita um email de um cara que ouviu em Beverly Hill várias mulheres ricas reclamando do seu sotaque, falta de educação, etc.

Claro que há um bom motivo para se ver Palin com ressalvas, que são as próprias caracteristicas do Alasca. O estado nada em dinheiro por causa das reservas de petróleo, recebe uma batelada de grana do governo federal(Na última highway bill o estado recebia quase mil dólares por habitante). O estado não tem imposto de renda estadual nem sobre propriedade(Na verdade, praticamente não tem impostos estaduais) e a população ainda recebe cheques de welfare referentes aos royalties de petróleo(David Noon, um professor universitário em Juneau, dá uma boa perspectiva sobre o assunto nesta entrevista em vídeo/audio com Jim Pinkerton).

Palin nunca teve que fechar um orçamento tendo que se preocupar em equilibrar gastos e receitas, sabendo que aumento de impostos podem espantar empregos para um estado vizinho e ao mesmo tempo sabendo que falhas no financiamento de infraestrutura(Em especial rodovias), na area de educação e segurança, entre outras coisas, podem ter o mesmo efeito. Palin tem a mesma experiência nesse aspecto que o Sultão de Brunei ou o Principe Abdullah da Arábia Saudita.

O problema é que nem Obama nem John McCain nem Biden tiveram que passar pela mesma experiência. McCain geralmente falar nas earmarks quando fala em economia justamente porque esta é a sua grande experiência no assunto. E isso talvez explique o fato de ambos preverem gastos adicionais, corte de impostos numa época em que medidas de austeridade seriam as mais recomendadas. Um governador saberia que é impossível prover os gastos que Obama propõe apenas com a racionalização de gastos ou com aumento de impostos para apenas 5% dos americanos mais ricos(Um assunto chato já que esse é tipo de pessoa com mais facilidade para se mudar para paraísos fiscais e na prática com capital para abrir grandes empresas).

São propostas que até soam bem na teoria, mas não na prática. Andres Oppenheimer sugere um teste com polígrafo(O detector de mentiras) ao invés do terceiro debate para saber se os candidatos realmente acreditam nas suas propostas. Ele acha que os candidatos falhariam. Eu acredito que não: por mais absurdo que pareça, ambos de fato acreditam no que dizem.

Devastado por uma ovelha morta

George Will, impecável, na sua última coluna:

Nos últimos dias de sua luta de dez anos pela presidência, McCain enfrenta o gosto amargo de saber que Barack Obama está vencendo a primeira campanha séria que ele já fez contra um republicano. Antes do evento não evento de terça, rancor estava abastecendo o argumento final da campanha de McCain-Palin. Trabalhando menos com ideia que Obama tem más idéias de que Obama é uma pessoa ruim.

Isto, McCain e seu Sancho Pancho de saias dizem, é demonstrado pelas más associações que Obama teve em Chicago, como aquela com William Ayers, o terrorista que nunca se arrependeu. Mas as acusações de McCain e Palin estão chegando justo agora que a campanha de Obama está se beneficiando de propaganda por via postal que não pagou. Milhões de americanos estão abrindo amargamente envelopes contendo relatórios das perdas do terceiro bimestre de suas 401(k) e outras contas de investimentos para aposentadoria - dizendo a cada domícilio sua porção nos quase dois trilhões de dólares em contas bancárias que sumiram. Neste contexto, a tentativa da campanha de McCain-Palin em focar nas associações de Obama em Chicago parece surreal - ou, como um político britânico disse sobre as críticas que recebia - “isto é como ser devastado por uma ovelha morta”.

Dois homens sem sono

Há dois homens nos Estados Unidos que devem estar com dificuldade para dormir neste exato momento. O primeiro deles é Steven Schmidt, o principal estrategista de John McCain, e o grande responsável pela escolha de Sarah Palin como candidata a vice. Ele talvez esteja escutando vozes: “Olha, eu sei que Mitt Romney é um mala e tem a naturalidade de uma geladeira, mas ele teria trucidado Biden naquele debate. E não estaríamos no sufoco em Nevada, Colorado ou mesmo em Michigan.” Também deve estar pensando se não gastou dinheiro demais com anúncios em Agosto ou mesmo se não alienou votos demais com propaganda negativa. E claro, deve estar encucado em sobre como superar Obama na economia.

Outro cara nada tranquilo é John Ensign, Senador Republicano por Nevada e Presidente do NRSC, o comitê de campanha pelo Senado do Partido. Até o final do mês passado os republicanos tinham a quase certeza que conseguiriam ao menos uma cadeira dos democratas, a de Mary Landrieu, da Lousiana, estado que deu uma guinada à direita após o êxodo provocado pelo Katrina. Doce ilusão: pela vantagem de cerca de quinze pontos de Landrieu nas pesquisas vai ser a eleição mais baba da vida da mulher. A campanha fraca de Al Franken em Minnesota parecia dar um pouco de alívio, mas cada vez mais a vantagem se dilui. E sim, até Elizabeth Dole, da Carolina do Norte(Que ocupou o cargo de Ensign em 2006) está em risco também.

Ensign dizia que se conseguisse restringir a derrota republicana a três cadeiras. Corre o risco de perder três vezes mais. E ele deve saber que o senador Chuck Schumer, de Nova York, o responsável pelo comitê democrata, ri de sua cara toda a noite.

O segundo debate

- O site Drudge Report tem razão: o debate foi chato. Alguns dos velhinhos da platéia pareciam que estavam dormindo.

- Ambos os candidatos parecem ter trabalhado suas deficiências do primeiro debate. McCain estava mais articulado, Obama mais claro e direto. Mas a impressão clara é que McCain é velho demais para ser presidente. E ele perdeu várias chances de atacar Obama, como detalha Dick Morris.

- Ambos enrolaram com relação aos nomes para o Secretário de Tesouro. O que não dá tranquilidade considerando o pessoal que anda ao redor de ambos.

- Alex Castellanos na CNN tinha razão quando comentou que apesar do país estar quebrado um candidato queria dar uma casa a cada americano, outro propunha cobertura de saúde gratuita. O plano de McCain do governo cobrir investimentos imobiliários supervalorizados é insana. Não que o plano de Obama de cortar impostos de 95% da população, aumentar do resto e aumentar gastos considerando a escala do déficit público faça algum sentido.

Obama e Ayers

As relações de Barack Obama e William Ayers, um ex-terrorista doméstico e hoje professor de educação na Universidade de Illinois voltaram à baila depois que o New York Times publicou um artigo sobre o assunto e Sarah Palin usou a história para atacar Obama(Motivando esta ótima sátira de Andy Borowitz).

Entre o assunto, fica claro que:

1-) O grupo que Ayers fez parte, o Weather Underground, não era um simples caso de radicais. O evento mais conhecido relacionado ao grupo, a explosão acidental de uma bomba em Greenwich Village, em 1970(O que matou três membros do grupo, e feriu mais dois), utilizava-se de pregos, talvez uma das mais letais bombas artesanais que se têm notícia.

Caso o grupo fosse mais competente com bombas ou ainda se existisse internet naquele tempo Ayers provavelmente teria acabado na cadeira elétrica. Ayers só se livrou da prisão por erros da promotoria. A grande diferença entre os coleguinhas de Ayers e Timothy McVeigh é que este sabia montar explosivos.

2-) Por outro lado me parece exagero que as relações de Obama com Ayers fossem maiores que ligações meramente políticas, como fazer um desastrado projeto de reforma das escolas públicas de Chicago. No entanto, é justo questionar Obama sobre escolher justamente um professor de extrema esquerda, fã de Hugo Chavez e de Paulo Freire, para montar um projeto em escolas públicas.

Claro, esse é o grande questionamento(É talvez o único rastro de Obama na área) com relação a Ayers.

Porque Obama está na frente

Muitos contatos americanos deste blog reclamaram que não conseguiam ligar para os escritórios de seus senadores e deputados federais nos dias que precederam a votação do bailout para as empresas do mercado financeira. Todas as linhas estavam congestionadas de gente reclamando contra o pacote. Uma das explicações mais diretas para a subida de Obama nas pesquisas não é tanto a economia, mas justamente a rejeição de grande parte da população contra as medidas - afinal de contas, é um plano que colocou George Will e Paul Krugman no mesmo lado.

A segunda explicação é que a vantagem financeira de Obama têm mostrado as caras. McCain já teve que desistir de Michigan enquanto Obama se dá ao luxo de investir em estados mais conservadores como Montana, Carolina do Norte e mesmo no segundo distrito de Nebraska(Nebraska, junto com o Maine, é um dos únicos estados que divide seus votos no colégio eleitoral por distritos, e o segundo distrito não só abriga Omaha, a maior cidade do estado, sempre lembrando que lá fica North Omaha, um bairro de negros aonde nasceu Malcolm X).

Resta saber como esta dinâmica vai se desenvolver.

Subúrbios, Zona Rural e cidades

Nessas eleições presidenciais a divisão entre votos tende a seguir o mesmo padrão de bem, quase toda a eleição presidencial de 1968 para cá: os republicanos vencem na zona rural e nos subúrbios e os democratas nas cidades, aonde costumam se concentrar as minorias.(A grande diferença do percentual de votos de Michael Dukakis em 1988 e de John Kerry em 2004 é justamente a de que minorias perfazem uma proporção maior da população americana). Outro ponto importante é que casais com filhos tendem a preferir morar no campo e nos subúrbios, explicando a preferência destes pelos republicanos

Não é uma conta tão simples, claro: os democratas mostraram uma força maior nos subúrbios de estados da Costa Nordeste e de cidades como Denver que no resto do país. Na verdade, muitos desses subúrbios passaram a votar nos democratas, um contraste com eleições como a de 1988.

O que mostre que as comparações de Obama com McGovern, Mondale, Dukakis e Kerry não são tão implausíveis e que a grande diferença seja justamente que as condições para um McGovern são mais favoráveis que em 1972.

A reta final

Sempre que se discute eleições americanas há uma série de suposições que ficam no ar com relação ao período que a eleição é realizada e os resultados. Por exemplo, muitos especulam que Hubert Humphrey teria derrotado Nixon em 1968 se tivesse umas duas semanas a mais*, Carter mantinha um quase que empate nas pesquisas em 1980 até o último debate e já especularam nos comentários deste blog que Dukakis poderia ter ganho em 1988 se tivesse mais tempo. Bem, Bush, em 2004, tinha uma vantagem bem mais confortável em 2004 nesta mesma época do ano que teve no dia da eleição.

Então, claro, fica dificil dizer com precisão o que vai ocorrer em cinco de novembro. Mas há vários pontos aí:

- Os números de Obama em várias pesquisas na Virginia e na Carolina do Norte parecem exagerados, indicando que os indices em Ohio e na Flórida provavelmente são menos otimistas que parecem.

E Obama também enfrentaria o mesmo problema de todo candidato democrata desde de 1972: o eleitor masculino, branco, que mora nos subúrbios ou em cidades pequenas do interior. Os indices no sul como um todo ainda são fracos.

- Os democratas se beneficiam de uma melhor organização. Os senadores e governadores democratas são bem distribuídos por todas as regiões do Censo Americano enquanto os republicanos se concentram mais no Sul e na região das Rochosas(Há um único deputado federal republicano na Nova Inglaterra).

A criticada tática de 50 estados de Howard Dean mostra dar frutos. Em estados como Colorado, Virginia e Ohio a organização dos democratas é extremamente superior ao dos republicanos. No Colorado chega a ser covardia a comparação.

- Para complicar, Obama tem mais dinheiro enquanto McCain já teve que desistir de estados como Michigan.

*-Arnold Schwarzenegger costuma dizer que se tornou republicano por causa de um debate entre Nixon e Humphrey neste ano, mas Nixon, depois da experiência ruim com debates em 1960 se recusou a debater. Com razão: Humphrey era um orador tão eficiente que trucidaria Nixon num debate.

O debate de vices

- Palin parecia nervosa no início, e ela mostrou mais personalidade ao falar da família e da vida pessoal que de política. Muitas de suas respostas pareciam ensaidas e ela parecia repetir os mesmos talking points de McCain(Como quando ela falou, pela centésima vez, de Obama se encontrando ditadores sem pré-condições). Também deixou passar várias chances de atacar Biden e fugiu do assunto incontáveis vezes.

- Biden foi um tanto que verborrágico em várias respostas, e um tanto que repetitivo(Toda hora era um tal de “Look, Obama and I…”, que está ficando mais irritante que o “My Friends” do McCain). Foi um tanto quanto desonesto em vários pontos com relação ao histórico de votação dele e de Obama, assim como soou estranho a declaração das tais usinas de carvão na China que traziam poluição para a Califórnia. O pior momento de Biden foi quando ele disse que votou pela Resolução pela Guerra ao Iraque dizendo que isso não previa a guerra, o que, obviamente soa ridículo.

O que Biden faz no Senado se ele não sabe o que vota? Numa votação em que Robert Byrd(D-Virginia Ocidental) tentou bloquear comparando com a Resolução do Golfo de Tonkin, que provocou o escalamento da guerra do Vietnã.

A sorte de Biden é que ele não pegou um debatedor mais agressivo, como, vá lá, Mitt Romney ou Rudolph Giuliani.

- Um ponto que Biden talvez nem pudesse entrar, mas que seria importante. A surge no Iraque, que Palin, advoca para o Afeganistão só foi possível justamente porque soldados foram transferidos do Afeganistão para o Iraque. Os Estados Unidos, sem o alistamento obrigatório não teriam efetivos para uma surge nos dois países, quanto mais para enviar soldados para Darfur, Paquistão, Irã e etc.

- Deu um certo medo quando os dois CONCORDAVAM. Quando ambos falavam de Israel(Palin falou num momento em transferir a embaixada americana para Jerusalém), Darfur, Irã, Bósnia e etc a impressão é de que independente de quem ganhe teremos guerra por todo canto do planeta depois de 2009.

- Um leitor do blog republicano Instapundit nota que Biden chamou os bósnios de “bosniacs”.

- No mais, Mike McCurry, ex-porta voz da Casa Branca de Clinton é certeiro: “Biden ganhou mais pontos, mas Palin provavelmente ganhou mais corações”. A personalidade é a razão pela qual o grupo de pesquisa da Fox News de Frank Lutz(Em Saint Louis, Missouri) dava a vitória a Palin.

De fato a personalidade de Palin sou mais natural e convicente, inclusive nas fraquezas(A sensação de inseguração no início). Biden soou um tanto que arrogante.

- E de uma certa forma, um painel de jornalistas têm feito falta. Os candidatos não encararam questões difíceis, e isso garantiu momentos memoráveis em anos passados.

P.S: Uma gafe de Biden que blogs republicanos notaram e este blog não citou é quando este disse que os americanos e os franceses expulsaram o Hizbolah do Líbano(!).

E se a eleição não for decidida…

John Fund, colunista do The Wall Street Journal e autor do livro Stealing Elections
How Voter Fraud Threatens Our Democracy
dizia na Fox News domingo que havia uma grande possibilidade de que não se tivesse um dia, mas um mês de eleição. A grande maioria dos swing-states, como Ohio e Colorado tem governadores e secretários de estado democratas, mas isso não impede confusões. O fato de minorias - justamente as com maior probabilidade de não terem documentos ou histórico criminal, barreira para se votar em muitos estados - votarem em massa nos democratas cria uma espécie de saia justa aonde surgem acusações de fraude de um lado e de se bloquear eleitores do outro.

A última vez que as eleições foram decididas depois de um empate no Colégio Eleitoral foi em 1800 - Aaron Burr, que perderia então a presidência para Thomas Jefferson acabaria matando Alexander Hamilton, um dos responsáveis pela sua derrota num duelo. É uma hipótese levantada em eleições amargas, como em 1968 e 2004. Mas é bastante próxima para agora. Por exemplo, se Obama vencer todos os estados que Kerry venceu, menos New Hampshire(Estado que favoreceu John McCain em primárias contra adversários com melhores fundos) mais Novo México, Iowa e Colorado a coisa empata em 169 a 169.

O desempate iria para a Câmara de Representantes, mas não seria simples. Isso porque a decisão seria pelas delegações de cada estado, significando que um representante de Wyoming ou do Alasca teria o mesmo poder que os 56 da Califórnia. Democratas que são os únicos representantes de estados mais conservadores(Exemplo, Earl Pomeroy, da Dakota do Norte) sentiriam a pressão, óbvio. Um cenário particularmente amargo seria um empate no Colégio Eleitoral com um resultado extremamente concorrido num estado como o Colorado(Em que os democratas dominam todos os níveis de governo e aonde a organização dos republicanos é fraca) com acusações de fraude e com John McCain vencendo no voto popular.

As delegações democratas de estados mais conservadores seria pressionada pelo próprio partido de um lado, enquanto sofreriam pressões para votar da forma que seus eleitores votaram. E os democratas seriam criticados justamente por tomarem partido do Colégio Eleitoral, tão criticado por eles. Isso faria aquelas células confusas de 2000 parecerem fichinha…

O debate

Impressões iniciais, pelo áudio da NPR depois de uma hora de debate:

1-) As respostas de Obama são mais longas e parecem carecer de um centro de argumentação. Algumas respostas parecem enroladas, as vezes ele levanta um ponto que foge da argumentação. Também demonstra uma certa insegurança ao falar, quase que gaguejando as vezes.

2-) Dá MUITO medo ouvir McCain falar de política externa. E Obama, quando concorda em parte com McCain, também dá um friozinho na barriga.

3-) Para variar, McCain fala em Obama se encontrando com Chavez e no seu serviço militar.

4-) McCain parece mais seguro e claro. Nesse ritmo ele vai conseguir solificar alguma vantagem nas pesquisa e Obama enfrentará um sério problema se essa performance se confirmar nos próximos debates.

A NRA contra Obama

A NRA, o poderoso lobby de armas está atacando Obama com força. Ela tem usado a mala direta de seus membros(Vide acima) para atacar o senador e lançou quatro anúncios na TV(Mostra um fazendeiro no Michigan falando sobre religião e armas, um veterano de guerra do Wisconsin falando sobre defender liberdades, um caçador na Virginia reclamando sobre impostos sobre munições e um contra Joseph Biden, que apesar de nascido em Scratton, Pensilvânia, não teria os mesmos valores dos caçadores e proprietários de armas do estado. Os anúncios utilizam a imagem mais estereotipada possível dos donos de armas, mas não sei se é proposital.

Os anúncios não se prendem tanto à plataforma de campanha de Obama, mas ao seu histórico político em Chicago, que tem uma das mais duras legislações anti-armas do país. Isso de uma certa forma reforça um ponto fraco de Obama que deveria ter sido alvo de maior atenção. Este seria um ponto que um vice com um bom histórico no assunto poderia contrabalancear. E Biden, que escreveu a lei que bania rifles de assalto que não é.

Na maioria dos swing-states importantes, como Pensilvânia, Colorado, Ohio e Michigan o voto dos proprietários de armas costuma ser importante. Muitos analistas afirmam que com uma rejeição menor entre os donos de armas Gore teria vencido em 2000 sem a Flórida. Será um teste perigoso para Obama, acuado entre questões que custaram muitas eleições aos democratas(Aumento de impostos, armas e aborto). E a NRA é um oponente perigoso.

A Corrida para a Casa Branca

Quem estaria na frente no atual momento? McCain ou Obama? Na verdade, é difícil definir. É mais seguro apostar que ambos estão empatados e que o debate de sexta-feira será decisivo. Claro, os números atuais não são bons para Obama. Como candidato do partido desafiante ele teria que ter uma vantagem bem maior nesta altura do campeonato.

Outro problema? Obama tende a se dar melhor em pesquisas como do Gallup, que tendem a trabalhar com eleitores com pessoas com registro de eleitor, que aquelas, como a Rasmussen que trabalham com pessoas propensas a votarem. Uma coalisão de eleitores jovens é frágil justamente porque é um público mais dificil de ser convencido a votar. Outro problema é que geograficamente, bem, há uma vulnerabilidade em vários aspectos. Na maioria dos estados do Sul, com exceção da Flórida e da Virginia(Estados que não aposto numa vitória de Obama) a diferença para McCain oscila na casa dos vinte pontos. Em Ohio e Flórida os números são pouco favoráveis, e em estados como na Minnesota de Hubert Humphrey, Eugene McCarthy e Walter Mondale, no Wisconsin de Russ Feingold e Robert LaFollette e em Michigan.

De qualquer forma, depois de sexta e do primeiro debate teremos uma imagem mais clara.

A espera do primeiro debate

Semana que vêm, na Universidade do Mississipi, começa o primeiro debate presidencial entre Barack Obama e John McCain. É um debate com cara de ser decisivo como não se viu desde de 1988, quando Michael Dukakis, sofrendo com uma campanha desastrosa teria perfomances terríveis em debates, enterrando de vez seus prospectos presidenciais(Certo, Bush pai, que foi inclusive flagrado olhando para o relógio em 1992 também sofreu com isso).

John McCain, claro, já mostrou dificuldades para lidar com questões que exijam apuro intelectual, como questões mais complexas de seu plano de governo(Exemplo já citado: quando perguntado sobre o planos de saúde cobrindo Viagra mas não anticoncepcionais). Por outro lado, Obama teve um único debate nas primárias em que ele enfrentou perguntas difíceis: em abril, quando George Stephanopoulos e Charles Gibson o perguntaram sobre suas relações com William Ayers, atualmente professor de educação e ex-terrorista radical nos anos 60(Quando quase que comparou o Senador Tom Coburn, republicano por Oklahoma, com Ayers). Também teve uma perfomance ruim em agosto quando ele e McCain responderam questões do Pastor Ricki Warren no Saddleback Forum(Quando respondeu “Está acima do meu salário” quando perguntado sobre quando fetos ganham direito à vida).

Para Obama o primeiro debate é decisivo. Uma repetição dessas duas perfomances certamente o deixaria em maus-lençois.

Obama: Um desastre que se aproxima

O anúncio acima foi lançado pela campanha de Obama esta semana. Ele acusa John McCain de não ter mudado muito desde de que veio a Washington em 1982, de não saber usar um computador ou enviar um email. É uma jogada imbecil se você considerar que o público menos suscetível à mensagem de Obama - os eleitores mais velhos e do interior- é justamente aquele que encontra mais dificuldades para usar um computador. E isso ficou ainda pior quando descobriram que por causa da tortura que McCain sofreu como prisioneiro no Vietnã que ele usa pouco os computadores - ele não consegue digitar num computador por muito tempo.

Enquanto isso a campanha de McCain lançava anúncios em espanhol, atacando os democratas pela não aprovação da reforma migratória, um ponto querido entre os hispânicos(E não foi o primeiro):

Obama ignorou a minoria mais importante do país, aquela que costuma ser decisiva nos swing-states como Novo México, Colorado e Flórida. Ele tinha a chance de ter escolhido um hispânico para o cargo de vice, mas nenhum chegou nem mesmo ao campo dos finalistas. Agora Obama(Que sofreu com os hispânicos nas primárias) ignora esta demografia. Contra McCain, talvez o único republicano realmente popular entre as lideranças hispânicas por ter patrocinado a reforma migratória, enfrentando seu próprio partido.

A resposta à nomeação de Sarah Palin foi a pior possível. Os ataques foram vistos como uma campanhan difamatória baixa, e se atacou tanto Palin que deixaram McCain de lado. Pior, a mensagem econômica de Obama, que ataca McCain por ter lobistas e pelos cortes impostos aos ricos pode funcionar para sua base liberal, mas, obviamente, não para uma classe média que sonha em ser rica e que sabe que há muitos lobistas democratas também. É uma campanha pouco inspirada. Faz a campanha de Dukakis de 1988 parecer boa ou ainda de que havia uma mensagem consistente em Gore em 2000. Obama ainda não foi capaz de usar sua grande vantagem em nível pessoal sobre McCain: a sua família, bem estruturada, contra um sujeito com um histórico terrível de divórcio.

Sem uma mudança radical de rumos é um desastre quase certo.

Porque Obama está num buraco

- O Novo México é o estado mais liberal da região das Montanhas Rochosas. De 1988 os democratas só perderam lá duas vezes: em 1988, quando Dukakis sofreu uma derrota violenta e em 2004, quando Bush venceu por um punhado de votos. Dos estados com grande proporção de hispânicos(É um dos poucos estados em que brancos são minoria) também é um dos mais liberais.

Bien, a Rasmussen coloca McCain na frente no estado em uma nova pesquisa. Isso, claro, demonstra que vai ser bem difícil para Obama vencer um desses estados, incluindo Colorado, talvez um dos swings-states mais importantes e claro, Nevada.

E bem, se os hispânicos no Novo México estão com dificuldade de jogar o estado para Obama, bem, eles não conseguirão jogar a Flórida para Obama.

- Obama está com números fracos em dois estados que tanto Kerry quanto Gore venceram: Pensilvânia e Michigan(Neste último os dois senadores são dois democratas bem liberais, assim como a governadora). Some isso ao fato dos números de Obama no Sul estarem bem ruins que, bem, Ohio, cuja a demografia é influenciada ao norte por Michigan e pelo Sul ao sul, fica totalmente fora de mão.

Sem Colorado, Nevada, Novo México, Flórida e Ohio a conta não fecha. E sem a Pensilvânia e Michigan se teria um desastre.

O Dedo de Castellanos

Se há alguma coisa interessante no atual padrão de ataque da campanha de McCain é que, bem, ela segue o mesmíssimo padrão dos ataques das campanhas anteriores dos republicanos. Alex Castellanos, que criou alguns dos anúncios mais polêmicos utilizados pelos republicanos(O “Hands”, para a campanha de Jesse Helms de 1990 é um deles) faz consultoria para McCain e seus dedos ficam meio claros em todos os anúncios negativos que a campanha lançou desde de agosto. Há imagens de fácil assimilação- a agora clássicas imagens de Paris Hilton e Britney Spears junto a Obama - e toneladas de frases escritas na tela reforçando o que alguma voz diz(No meio a uma música sombria), com efeitos e mais efeitos de imagem. E o oponente aparece SEMPRE representado de forma patética.

Em 2000, o anúncio acima, para a campanha de Bush, usava letras tão rápidas na tela que foi acusado de propaganda sublimilar(No final, quando a palavra “Bureacrats” aparece na tela surge rapidamente, RATS). É o mesmo estilo que está sendo usado contra Obama. A campanha de McCain lançou o anúncio abaixo, em que acusa Obama de enviar um exército de trinta advogados e consultores para o Alasca de forma a “jogar sujeira na governadora Palin”. Sutilmente, imagens de uma matilha de lobos aparecem na tela. Isso significaria que a uber-feminista, a autoproclamada pittbull de batom seria uma vítima, como escreveu o New York Times?

Talvez. Mas por mais que esses anúncios soem como ridículos, bem, muitas vezes eles funcionam. E considerando que é o mesmo tipo de tática usada pelos republicanos desde de 1988 é assustador como a campanha de Obama não soube se preparar para tal.

Porque a economia não favorece Obama

Fernando Rodrigues, na Folha, pergunta: se a economia americana vai mal, por que diabos a vantagem de Obama não é maior? Segundo ele: ‘ pode ser fato de que percalços econômicos, como alta do desemprego, ainda não afetaram parte significativa da população.”(Via Idelber)  Não é bem assim.

Os americanos foram afetados, todos,  pela alta da gasolina e pelo preço dos alimentos. É um país aonde os alimentos costumam pesar mais no bolso que em outros países, e aonde em muitos lugares não se vai de um canto a outro sem carro. Logo, se o preço da gasolina dobra todo mundo fica com menos dinheiro no bolso.

O problema é que Obama(Que viveu sua vida na academia, na organização de projetos sociais e no Legislativo) não soube utilizar a oportunidade. O plano econômico apresentado é detalhado, mas confuso, prevendo muitos gastos numa época em que o déficit é uma das maiores preocupações com a economia. E o tom da campanha é negativo demais. Ele dá ênfase demais aos problemas da economia e de menos para as soluções, o que quebra o manual da campanha negativa.Provavelmente desde de Walter Mondale em 1984, que foi surrado por Reagan, que não se vê uma campanha de tom tão deprê.

Como Dick Morris lembrou semanas atrás Bill Clinton pôde e soube usar o bastão da economia por ter sido governador por doze anos, inclusive tendo sido presidente da Associação Nacional de Governadores. E ele falava como governador, indicando passos e propostas enquanto, bem, Obama fala como senador e como acadêmico.  Isso sem contar que o erro que significou permitir que os republicanos usassem a questão da exploração de petróleo em alto mar(Que os ambientalistas são contra) para responsabilizar os democratas pelo preço da gasolina.

E Obama está se focalizando em política externa, não economia. Isso explica a escolha de Joe Biden, não um governador ou mesmo um senador que tivesse uma atuação maior na economia que favorecer empresas de cartão de crédito.

McCain sai na frente

Novas pesquisas de opinião feitas após a Convenção Republicana indicam um diminuição da vantagem de Obama. A Rasmussen indicava um empate neste domingo, enquanto uma pesquisa do USA Today/Gallup indicava 50% contra 46% para McCain. Geralmente os candidatos ganham um fôlego extra após as convenções(O chamado “bounce”), com uma vantagem para o candidato que faz a primeira convenção que tende a se anular após a segunda, mas definitivamente a vantagem para McCain é maior que antes da convenção democrata.

Sarah Palin parece ter dado o fôlego necessário para McCain, unindo a base. O curioso é que esse apoio vêm mais dos homens que das mulheres. De qualquer forma, o panorama tende a mudar com os três debates pela televisão. Nenhum dos dois candidatos se mostrou totalmente preparados para questões difíceis que esses debates tendem a gerar. Ambos podem estão sujeitos à gafes que acabam com as pretensões presidenciais de qualquer um.

E uma gafe pode fazer o oponente disparar nas pesquisas.

Os Swing-States

Qual estado que cada candidato tem mais chance? Quais as chances de cada candidato em cada estado? Dissidência faz uma análise de cada um dos estados considerados chavesnesta eleição, de oeste à leste: Nevada,Colorado, Montana, Novo México, Iowa, Missouri, Michigan, Ohio,Flórida e New Hampshire. Durante a campanha este post será atualizado, de forma a dar um panorama da corrida. Bom proveito.

Nevada

Capital: Carson City Principal cidade: Las Vegas

População e votos no Colégio Eleitoral: 2,5 milhões de habitantes, 5 votos no Colégio Eleitoral.

Principais Cidades: Las Vegas, Reno, Carson City.

Governador: Jim Gibbons(Republicano)

Senadores: Harry Reid(Democrata), John Ensign(Republicano)

Vencedor das eleições Presidenciais desde de 1988:

1988: Bush 1992: Clinton 1996: Clinton 2000: Bush 2004: Bush

Se James Carville dizia que a Pensilvânia era Pittsburgh e a Filadélfia com o Alabama no meio Nevada é Idaho ou o Wyoming com Las Vegas em um canto. A maior parte do estadomais liberal. A esperança dos democratas no estado é justamente diminuir a desvantagem nos setores mais rurais e compensar com votos em Clark County, que engloba a cidade. é conservadora como seus vizinhos ao passo que Las Vegas, com sua economia voltada ao jogo e leis liberais no tocante a tabus como prostituição, tende a ser bem

Obama, claro, começa em desvantagem. Nos caucuses democratas ele venceu em todo o estado, menos em Las Vegas, o que determinou sua derrota. Na cidade os aposentados, um grupo que mantém uma certa resistência ao candidato é muito poderoso e há ainda a questão do porte de armas, bastante importante no estado. Obama irá vencer Nevada somente se conseguir uma vitória razoavelmente confortável.

Veredito: McCain, quase que com certeza. Mesmo com o crescimento de Las Vegas as chances de Obama são menores que o esperado.

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Colorado

Capital: Denver Maior cidade: Denver

População e votos no Colégio Eleitoral: 4,8 milhões de habitantes, 9 votos no Colégio Eleitoral.

Principais Cidades: Denver, Colorado Springs, Aurora, Boulder, Grand Junction.

Governador: Bill Ritter(Democrata)

Senadores: Ken Salazar(Democrata), Wayne Allard(Republicano)

Vencedor das eleições Presidenciais desde de 1988:
1988: Bush 1992: Clinton 1996: Dole 2000: Bush 2004: Bush

Um tema recorrente nestes estados do Oeste é o chamado Californication, que é migração de californianos para estados da região das Rochosas, explicando uma guinada à esquerdaColorado, tradicionalmente um estado conservador, é o estado em que mais se tem notado esta tendência: em Denver, Kerry venceu tranquilamente e os democratas conseguiram uma série de vitórias em nível estadual de 2004 para cá: o governo, uma cadeira no senado, as duas casas do Legislativo estadual e quatro dos sete distritos de deputados. em parte da região. O

Considerando o súbito e forte crescimento de Denver fica difícil fazer qualquer especulação. Claro que Obama em particular, com seu perfil mais urbano e uma posição complicada num ponto importante no estado(Porte de armas) tem dificuldades que outros democratas não teriam. A maioria das estrelas democratas no estado tem perfil maismais moderado e nota impecável com a NRA. Por outro lado, os democratas estão bem organizados que os republicanos.

Veredito: Incerto. Tudo pode acontecer. Mas a maior chance de vitória para Obama está aqui.

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Montana

Capital: Helena Maior cidade: Billings

População e votos no Colégio Eleitoral: 0,9 milhões de habitantes, 3 votos no Colégio Eleitoral.

Principais Cidades: Missoula, Helena, Billings, Shelby, Butte.

Governador: Brian Schweitzer(Democrata)

Senadores: Max Baucus(Democrata), Jon Tester(Democrata)

Vencedor das eleições Presidenciais desde de 1988:
1988: Bush 1992: Clinton 1996: Dole 2000: Bush 2004: Bush

Dentre os estados da região norte das Rochosas Montana é o que talvez seja menos conservador, mas isso, claro, é pelo fato de seus vizinhos(Idaho, Wyoming) serem os estados mais conservadores da Federação. Bush venceu com folga aqui, Shweitzer é o primeiro democrata a governar o estado em dezesseis anos. Por outro lado, o fato do estado ser um dos mais pobres dos EUA coloca uma maior enfase em assuntos econômicos. Outra curiosidade é que dos novecentos mil habitantes de Montana setecentos mil caçam, pescam ou observam a vida selvagem.

Claro, Obama seria fustigado pela questão das armas(Questão fundamental no estado), mas o mercado de mídia por lá é barato. Obama já tem dez escritórios neste estadoestado, além da popularidade dos democratas já eleitos no Estado. E o partido republicano de Montana está disperso. esparso e pouco povoado. E muito do histórico de McCain(exemplo, sua posição contra a Amtrak) pode ser usado neste

Veredito: Historicamente as chances são de McCain, mas Obama pode surpreender aqui se for inteligente.

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Novo México

Capital: Santa Fé Maior cidade: Albuquerque

População e votos no Colégio Eleitoral: 1,9 milhões de habitantes, 5 votos no Colégio Eleitoral.

Principais Cidades: Las Cruces, Albuquerque, Santa Fé, Gallup

Governador: Bill Richardson(Democrata)

Senadores: Pete Domenici(Republicano), Jeff Bingaman(Democrata)

Vencedor das eleições Presidenciais desde de 1988:

1988: Bush 1992: Clinton 1996: Clinton 2000: Gore 2004: Bush

Dos estados da região das Rochosas o Novo México é fácil o que mais pende para esquerda. Bush ganhou aqui raspando em 2004 e a região de El Paso, o grande rincão democrata do Texas é bastante influente aqui. A região deve ir fácil para Obama, num dos estados em que hispânicos fazem com que os brancos não-hispânicos sejam minoria. A posição anti-imigração dos republicanos deve alienar os votos de muitos hispânicos, já que se a visão de imigração de muita gente do partido fosse implementada significaria deportar parte da família destes eleitores.

Veredito: Obama fácil. Obama só perde o estado se houver um desastre de proporções bíblicas.

Dakota do Norte

Capital: Bismarck Maior cidade: Fargo

População e votos no Colégio Eleitoral: 0,63 milhão de habitantes, 3 votos no Colégio Eleitoral.

Principais Cidades: Grand Forks, Fargo, Bismarck

Governador: John Hoeven(Republicano)

Senadores: Kent Conrad(Democrata), Byron Dorgan(Democrata)

Vencedor das eleições Presidenciais desde de 1988:
1988: Bush 1992: Bush 1996: Dole 2000: Bush 2004: Bush

A Dakota do Norte é famosa por ser o único estado americano que a população diminui e pelas condições climáticas cruéis em grande parte do seu território. É um estado republicano até o osso(Só votou em democratas quatro vezes: uma vez com Grover Cleveland, em Woodrow Wilson, em FDR e em Lyndon Johnson), mas que tem dois senadores democratas populares(Sempre lembrando que Conrad foi um dos 23 senadores a votarem contra a Resolução da Guerra ao Iraque), que são cabos eleitorais de Obama. O único deputado federal do estado, Earl Pomeroy, é democrata também.

De qualquer forma, as pesquisas mostram uma leve vantagem para Obama.

Veredito: McCain. McCain só perde o estado se houver um desastre de proporções bíblicas.

Iowa

Capital: Des Moines Maior cidade: Des Moines

População e votos no Colégio Eleitoral: 2,9 milhões de habitantes, 7 votos no Colégio Eleitoral.

Principais Cidades: Des Moines, Davenport, Council Bluffs, Ames, Marion, Dubuque

Governador: Chet Culver(Democrata)

Senadores: Chuck Grassley(Republicano), Tom Harkin(Democrata)

Vencedor das eleições Presidenciais desde de 1988:
1988: Dukakis 1992: Clinton 1996: Clinton 2000: Gore 2004: Bush

Iowa é um estado rural, com ligações fortes com Chicago. É um estado rural que a composição étnica o faz pender à esquerda(Foi um dos poucos estados que Michael Dukakis venceu em 1988), lembrando um pouco a vizinha Minnesota. E o estado é bastante dependente do milho, talvez o lobby agrícola mais poderoso do país. Lobby que é amigo de Obama e foi criticado por McCain.

Veredito: Obama fácil. Obama só perde o estado se houver um desastre de proporções bíblicas.

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Missouri

Capital: Jefferson City Maior cidade: Kansas City

População e votos no Colégio Eleitoral: 5,8 milhões de habitantes, 11 votos no Colégio Eleitoral.

Principais Cidades: Saint Louis, Independence, Kansas City, Springfield

Governador: Matt Blunt(Republicano)

Senadores: Kit Bond(Republicano), Claire McCaskill(Democrata)

Vencedor das eleições Presidenciais desde de 1988:
1988: Bush 1992: Clinton 1996: Clinton 2000: Bush 2004: Bush

Missouri costumava ser o swing state definitivo, que costumava indicar o rumo de uma eleição.1952 foi o último ano que um candidato venceu Missouri e perdeu a eleição geral, com Adlai Stevenson. O estado é um choque de mundos, entre o meio-oeste e o sul, entre o urbano e o rural. Há três regiões quase que distintas que decidem a eleição: a região de Saint Louis, um grande centro urbano com grande população negra e alto indíce de violência no canto leste do estado, Kansas City, uma metropóle liberal do meio oeste e o grande espaço rural e evangélico no meio.

O problema é que com a guinada à direita do interior como um todo o estado isso desequilibrou a política estadual. Na prática, a chance de vitória dos democratas no estadocandidato com perfil mais inapropriado para o eleitor rural. é diminuir a desvantagem na zona rural e juntar com as margens confortáveis de vitória em Kansas City e Saint Louis. O problema é que Obama é justamente o

Ele têm duas apoiadoras de peso no estado: a senadora Claire McCaskill e a governadora do estado vizinho do Kansas, Kathleen Sebelius. Por outro lado, sem uma das duas na chapa fica difícil para Obama.

Veredito: McCain fácil, a não ser que Obama consiga uma vitória bem maior que o previsto.

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Michigan

Capital: Lansing Maior cidade: Detroit

População e votos no Colégio Eleitoral: 10 milhões de habitantes, 19 votos no Colégio Eleitoral.

Principais Cidades: Ann Arbor, Lansing, Kallamazoo, Flint, Detroit, Grand Rapids

Governadora: Jennifer Granholm(Democrata)

Senadores: Debbie Stabenow(Democrata), Carl Levin(Democrata)

Vencedor das eleições Presidenciais desde de 1988:
1988: Bush 1992: Clinton 1996: Clinton 2000: Gore 2004: Kerry

O termo Reagan Democrat, que se referia aos eleitores que votavam em Reagan e nos democratas em nível estadual surgiu para se referir a um fenômeno visto em Michigan. Detroit era o centro da indústria automobilistica dos Estados Unidos até que dois fenômenos provocaram um choque no estado: primeiro, a ascensão dos japoneses e depois a fuga das montadoras para os estados do sul. O estado, apesar de ter uma das melhores universidades do país(Universidade de Michigan em Ann Arbor) nunca conseguiu encontrar um substituto para as montadoras. Detroit virou símbolo de decadência urbana.

Para os conservadores, a decadência do estado é culpa da sede dos sindicatos e dos altos impostos, para os liberais é culpa da globalização. A força que os democratas conseguiram aqui desde de 1990 indica que a segunda resposta é a mais aceita

Veredito: Obama. Considerando a facilidade que uma governadora como Jennifer Granholm é reeleita isso indica que as chances dos republicanos são mínimas. A grande esperança seria ter Mitt Romney, filho de George Romney, a figura política mais popular do estado nos anos 60 na chapa mas isso não irá ocorrer.

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Indiana

Capital: Indianapolis Maior cidade: Indianapolis

População e votos no Colégio Eleitoral: 6,3 milhões de habitantes, 19 votos no Colégio Eleitoral.

Principais Cidades: Gary, Indianapolis, Fort Wayne, Marion, Terre Haute, East Chicago

Governadora: Mitch Daniels(Republicano)

Senadores: Evan Bayh(Democrata), Richard Lugar(Republicano)

Vencedor das eleições Presidenciais desde de 1988:
1988: Bush 1992: Bush 1996: Dole 2000: Bush2004: Bush(!964 é o último ano que o estado votou num democrata).

O estado é o mais conservador do país fora das regiões das Rochosas e do Sul e normalmente um democrata teria poucas chances aqui. Mas Obama é beneficiado por dois fatores: a região oeste do Estado é bastante ligada a Chicago(Na verdade, a maior região metropolitana do estado faz parte da região metropolitana de Chicago) e é um estado aonde uma maior votação dos negros poderia fazer uma grande diferença em Indianapolis e Gary em especial.

Por outro lado, Obama perdeu as primárias no estado, mesmo com esses fatores a favor.

Veredito: McCain. Há uma janela para Obama aqui, mas ela é pequena.

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Ohio

Capital: Columbus Maior cidade: Columbus

População e votos no Colégio Eleitoral: 6,3 milhões de habitantes, 19 votos no Colégio Eleitoral.

Principais Cidades: Cleveland, Cincinatti, Toledo, Columbus.

Governadora: Ted Strickland(Democrata)

Senadores: Sherrod Brown(Democrata), George V. Voinovich(Republicano)

Vencedor das eleições Presidenciais desde de 1988:
1988: Bush 1992: Clinton1996: Clinton 2000: Bush2004: Bush

Há duas regiões com dinâmicas distintas no Estado: a região norte, parte do Rustbelt e próxima de Ohio e a região sul, bastante próxima do Sul e do Kentucky. Ou seja, o estadoMichigan. Outro fator forte no estado são os católicos, 20% da população do estado. combina parte do tradicionalismo típico do sul e uma insatisfação econômica típica de

A praga de Kerry e Gore no estado foi a votação no interior, e não somente no sul. Obama não só teria que enfrentar os problemas típicos de um democrata liberal nessas regiões como há um outro problema: o lado pró-choice de Obama no tocante ao aborto alienaria os católicos. Os democratas eleitos em 2006 no estado ou tinham uma imagem mais moderada(Ted Strickland) ou se beneficiaram de incumbentes fracos(Strickland e Sherrod Brown).

Veredito: McCain. Há uma janela para Obama aqui, mas ela é pequena.

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Pensilvânia

Capital: Harrisburg Maior cidade: Filadélfia

População e votos no Colégio Eleitoral: 12,4 milhões de habitantes, 23 votos no Colégio Eleitoral.

Principais Cidades: Filadélfia, Erie, Wilkes-Barre, Pittsburgh, Harrisburg, Bethlehem, Altoona
Governadora: Ed Rendell(Democrata)

Senadores: Bob Casey(Democrata), Arlen Specter(Republicano)

Vencedor das eleições Presidenciais desde de 1988:
1988: Bush 1992: Clinton 1996: Clinton 2000: Gore 2004: Kerry

O estado é meio que resumido na famosa citação de James Carville: o estado é a Filadêlfia e Pittsburgh com o Alabama no meio. O estado é alvo dos republicanos há um bom tempo(Isso explica as alíquotas contra o aço importado no primeiro mandato de Bush). Três regiões ditam as políticas do estado: as regiões industriais de Pittsburgh e Erie(Que assim como o resto das regiões industriais decadentes do meio oeste tem se alinhado com os democratas), o interior conservador e a Filadélfia, na prática uma grande cidade liberal mais voltada para a costa nordeste. Em 2004 Kerry venceu somene em Pittsburgh, Filadélfia e Erie.

O crescimento da região da Filadélfia deve permitir a Obama superar suas resistências no Estado: a grande proporção de católicos(Que nas primária votaram esmagadoramente em Hillary), num estado em que muitos desses católicos são anti-aborto, de proprietários de armas e de eleitores idosos, o grupo etário que se mostrou mais resistente ao candidato.

Veredito: Obama, por uma margem pequena. Mas quase que garantido.

Flórida

Capital: Tallahassee Maior cidade:Jacksonville

População e votos no Colégio Eleitoral: 18,2 milhões de habitantes, 27 votos no Colégio Eleitoral.

Principais Cidades: Orlando, Miami Beach, Pensacola, Jacksonville, Tallahassee
Governadora: Charles Crist(Republicano)

Senadores: Bill Nelson(Democrata), Mel Martinez(Republicano)

Vencedor das eleições Presidenciais desde de 1988:
1988: Bush 1992: Bush 1996: Clinton 2000: Bush 2004:Bush

A primeira imagem que se têm do estado é de um contingente imenso de latinos, que estariam furiosos com os republicanos, garantindo vitória para Obama. Não é tão simples: primeiro, a população hispânica do estado, formada em grande parte por cubanos, porto-riquenhos e similares tende a ser mais conservadora que os hispânicos de outros estados(Em especial Texas, Nova Jérsei, Califórnia e Novo México). Segundo, a população não-hispânica do estado lembra muito a de outros estados do Deep South, com uma mistura de descendentes dos colonos originais do estado misturados com pessoas de tendências conservadoras vindas de outros estados ao norte. Junte ao caldo a grande proporção de aposentados no estado e o fato de parte da comunidade cubana do estado tem inicialmente um caminho difícil para Obama.

Por outro lado, a população judaica do estado parece ter se alienado de McCain e o tipo de aposentado do estado é justamente aquele que perdeu mais dinheiro com o mercado financeiro.

Veredito: McCain, por mais que as pesquisas indiquem vantagem de Obama.

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New Hampshire

Capital: Concord Maior cidade: Manchester

População e votos no Colégio Eleitoral: 1,3 milhões de habitantes, 4 votos no Colégio Eleitoral.

Principais Cidades: Concord, Dover, Manchester, Rochester
Governadora: John Lynch(Democrata)

Senadores: John Sununu(Republicano), Judd Gregg(Republicano)

Vencedor das eleições Presidenciais desde de 1988:
1988: Bush 1992: Clinton 1996: Clinton 2000: Bush 2004:Kerry

New Hampshire costumava o ser o grande rincão conservador da Nova Inglaterra, a região mais liberal do país, mas a guinada à direita do partido republicano em nível nacional e o influxo de moradores de Massachusetts fez com que os democratas conseguissem uma série de vitórias desde de 2004, incluindo a vitória de todos os distritos do Congresso, do governo do estado e das duas casas do Legislativo estadual.

Por outro lado, imagem de McCain de um republicano mais moderado(Mesmo que ele não seja, a maioria dos eleitores do estado) e preocupado com o ambiente deve se sobressair. Afinal, foi aqui que McCain conseguiu sua grande vitória nas primárias frustradas de 2000. Ele ainda é bastante popular no estado. Considerando que Kerry, do vizinho Massachusetts, venceu apenas por uma margem minúscula, bem, tudo fica mais complicado.

Veredito: McCain. As chances de Obama são relativamente pequenas, apesar das pesquisas.

Palin é uma arma poderosa

Ronald Reagan era uma figurinha mestre em ao mesmo tempo discursar de forma grandiosa e parecer um cara comum. Reagan abusava das piadas(As cenas dos debates em 1984 tornaram-se clássicas por isso) e de um tom simples, que criava uma identificação fácil com o eleitor. Por isso que a população se esquecia dos problemas da sua gestão. Reagan foi eleito de forma absolutamente folgada em 1984 pouco mais de um ano depois que os americanos sofreriam seu maior revés desde do fim da Guerra do Vietnã, quando dois caminhões-bomba explodiram os quartéis que abrigavam soldados americanos em Beirute, matando 241 americanos e efetivamente forçando o país a sair do Líbano.

Pode-se falar o que quiser de Sarah Palin: que ela é o Talibã, que ele é afiliada com partidos fascistas ou que ela é inexperiente. Mas numa disputa em que os candidatos primam pela artificialidade e sombriedade ela é a pessoa mais natural existente. McCain, quando não responde com cara de sonso a jornalistas ainda soa natural, mas ainda assim é pouco eloquente(Isso sem contar o hábito de começar todo discurso com o “My Friends”). O jeito intelectualizado de Obama conquista votos entre universitários, mas soa meio distante à caipirada. Biden é um orador competente, mas é cansativo.

Palin mistura os atributos que faziam Reagan um orador popular. Ela têm um jeitão natural, de uma pessoa normal(Ela tem um timbre meio agudo ao falar que uma oradora mais treinada não teria) ao mesmo tempo que é eloquente e agressiva. E cumpre notar que as mulheres realmente populares entre os conservadores(Laura Ingraham, Ann Coulter, Michelle Malkin) são extremamente agressivas, com pouca delicadeza, quase que masculinas. Não é a toa que uma atleta e uma oradora como Palin conquistariam com tanta facilidade os republicanos.

E não adianta querer avaliá-la por parâmetros racionais. Eleições são decididas na base da emoção. E talvez seja o mais curioso: ela po homde não conquistar as eleitoras de Hillary Clinton, mas deve conquistar muitos homens. Não só o voto, mas o coração também. A mulher exala sensualidade.

Os microestados

A Ossétia do Sul têm 70 mil habitantes, a Abkhazia 250 mil, o que dá mais ou menos o porte de uma cidade de interior como Teófilo Otoni ou Espirito Santo do Turvo. A Rússia reconheceu a independência de ambas as províncias. Claro que na prátixa os russos querem fazer mais ou menos o que os americanos fizeram com a Califórnia e o Texas em 1848, que é o de anexar dois países formados de províncias de um país vizinho. Por outro lado, isso nos leva a outra questão, que é da crescente fragmentação de estados nacionais.

Boa parte da atenção internacional se voltou para uma possível fragmentação da Bélgica e a independência da Escócia. Por mais que no caso belga uma Valônia em mãos francesas e um Flandres em mãos holandesas, bem, nota-se uma tendência cada vez maior na criação de estados nacionais cada vez menores, como nota Eric Posner. Se no final da Segunda Guerra contava-se 60 estados nacionais hoje conta-se duzentos, dependendo do critério usado. E isso não é necessariamente bom. Muitos destes estados surgiram da descolonização e do fim da URSS, mas recentemente grande parte o fez por motivações étnicas, o que, claro, leva muitas vezes a guerra civil, limpeza étnica, etc.

Microestados como Palau, Andorra, Mônaco, Liechtenstein, entre outros, sempre foram uma espécie de trivia de geografia. Mas são estados que conseguem sobreviver pela proximidade de grandes centros, pelo turismo, por alguma reserva de bens naturais ou ainda por serem paraísos fiscais. Não é o caso de Kosovo, da Ossétia do Sul e de várias repúblicas na África e no leste europeu. Estados que criam sérias dúvidas sobre suas possibilidades de auto-governarem a longo prazo, podendo virar bases fáceis para o crime organizado e para o terrorismo internacional ou mesmo meros quintais de outros países. E são estados que, tendo como base a origem étnica, muitas vezes se voltam contra outros.

Talvez seja mais interessante que parece.

Obama e o Bradley Effect

Uma hipótese controversa dentro da política americana é o chamado Bradley Effect(Ou Wilder Effect). Em 1982, Tom Bradley, um prefeito negro de Los Angeles, liderava com uma certa folga as pesquisas eleitorais para o governo do estado. Ele perderia a eleição geral. Em 1989 Doug Wilder, também um negro, liderava as pesquisas pelo governo da Virginia, mas venceria por uma margem bem mais apertada que a prevista. A idéia geral seria de eleitores, temendo ser vistos como racistas, diriam que iriam votar num negro ou apontariam indecisão para o pesquisador, enquanto que ao votar, incógnitos, não teriam essa pressão. Há outras hipóteses, como o fato de pessoas com má imagem de negros terem menor probabilidade de serem entrevistados ou mesmo de que muitos indecisos tendam ao conservadorismo(A maioria dos candidatos negros tende a ser liberal).

O fato é que historicamente os candidatos negros se saiam melhor nas pesquisas que no resultado geral. O ponto aí? Bem, o ponto é simples: provavelmente, isso torna a minúscula vantagem de Obama ainda mais preocupante. Primeiro, Obama é do partido desafiante, que geralmente começa com uma grande vantagem que vai diminuindo com o tempo(Isso aconteceu em 1968, 1976, 1980, 1988, 2000 e 2004). Segundo, bem, é provavel que em vários estados a vantagem de Obama pode estar sendo superestimada. Nas primárias isso ocorreu numa série de estados(em especial estados em que negros não eram a maioria dos eleitores), como New Hampshire, Indiana, Ohio, entre outros.

Ou seja, para ter uma vantagem real Obama deveria ter uma vantagem de ao menos cerca de dez pontos nas pesquisas.

Biden é um tiro no pé

Muitas pessoas, inclusive o Idelber, dizem ver alguma vantagem na escolha de Joe Biden porque Obama precisaria de um “bulldog”, uma voz agressiva para conter os ataques de McCain. Creio que não é tão simples. Quem precisa responder aos ataques de McCain é a equipe de campanha de Obama, não o candidato a vice-presidente. Obama não pode esconder nas saias do seu vice num debate, ainda mais se ele encontra num fórum evangélico e responde gaguejando que “Isto está acima do meu salário” quando perguntado sobre os direitos humanos de fetos.

Um dos problemas que poucos notaram é que poucas questões como o porte de armas custaram mais eleições aos democratas. Foi uma das razões das derrotas das Midterms de 1994. Com um desempenho um pouco melhor entre donos de armas Gore poderia ter vencido o Arkansas(O Estado natal de Clinton), o extremamente democrata estado da Virginia Ocidental ou o seu estado natal do Tennessee, e vencido a presidência sem a Flórida. Biden é o autor da Lei de Banimento de Rifles de Assalto, aquela que custou o Congresso aos democratas em 1994. O tratamento, jocoso, que Biden deu a um sujeito com um rifle num debate ano passado ainda é bem marcado entre donos de armas.

Seria uma questão trivial se em alguns dos mais importantes estados para Obama, como Michigan e Colorado, esta não fosse uma das questões mais importantes. E Biden patrocinou tanto tipo de legislação anti-crime(A ponto da viúva de Hunter Thompson dizer que ele teria acabado preso se dependesse dele) que ele vai acabar alienando uma parte considerável do eleitorado mais libertário(Tipo, aquele povo que em dezembro estava enchendo as rodovias com faixas “Ron Paul Revolution”).

Biden, a pior escolha

Em 1988, a chapa de Michael Dukakis escolheu como vice Lloyd Bentsen, um senador texano experiente e de credenciais impecáveis. Bentsen seria responsável por um dos melhores momentos na história dos debates presidenciais, humilhando o seu oponente Dan Quayle, mas logo surgiria um problema. Se normalmente Dukakis transmitia uma certa noção de despreparo, bem, esta noção de despreparo se fortalecia quando Dukakis aparecia junto de um senador que parecia bem mais presidencial que o próprio. Bentsen de uma certa forma ressaltava ainda mais, por contraste, os problemas da personalidade de Dukakis.

E este é um problema que certamente pode se repetir com a escolha de Biden como vice de Obama. Se um dos pontos fracos de Obama é justamente sua falta de experiência Biden, que está no Senado há 35 anos tende a ressaltar, não complementar Obama. Perto de Biden, Obama parece mais jovem e inexperiente que já é. E claro, Biden, ao contrário de Bentsen, não é uma escolha tão inteligente em teoria: o Delaware, além de ser um dos menores estados do país também é um estado que os democratas costumam vencer sem grandes dificuldades.

Pode-se alegar que a influência do vice mesmo no seu estado natal sejam pequenas, mas considerando as últimas eleições qualquer porcentagem, mesmo que mínima, num swing-state, seria valiosa. E claro, ao contrário de Bentsen Biden tem um assustador histórico de gafes. Há a acusação de plágio do discurso de um líder trabalhista inglês na campanha presidencial de 1988, a citação de que Obama é o primeiro afro-americano do mainstream “limpo e de boa aparência” ou ainda de que o Delaware seria um estado sulista pelo seu histórico escravista(Certo, daí sim que Obama não vence nenhum estado do sul).

O problema maior? Biden, o presidente do Comitê de Assuntos Externos do Senado enfatiza ainda mais a obsessão de Obama por assuntos externos, esquecendo-se da economia. Por mais que o Idelber diga que Biden tenha um histórico mais liberal que Obama(Não que isso seja necessariamente vantagem numa eleição geral, diga-se) há vários problemas no histórico político de Biden(seu apoio a uma lei que permitia punir promotores de festas pelo uso de drogas ilegais dentro de suas dependências, o apoio à Guerra ao Iraque, etc). Outro problema é que Biden recebe fortunas de financeiras e operadoras de cartão de crédito e é um forte defensor delas no Congresso.

É talvez uma das piores escolhas possíveis.

É chegada a hora

Escolha do vice de Obama: Evan Bayh e Tim Kaine teriam sido avisados que foram descartados, a uma gráfica no Kansas teria sido encomendado adesivos com o nome Obama/Bayh, mas a campanha teria alegado ter encomendado adesivos com outros nomes também. Nancy Pelosi recomendou a Obama o nome de um obscuro deputado pelo Texas, Chet Edwards. Biden, o paleozóico senador pelo Delaware é um dos nomes mais cogitados.

A escolha será revelada sábado de amanhã. Esperem pelos comentários aqui.

A Lama começa a rolar

Tanto Obama quanto McCain resolveram partir para a sujeira geral. Primeiro, Obama criticou McCain por ele ter dito numa entrevista que não sabia quantas casas que ele teria(Na verdade, sua esposa). McCain retrucaria citando Tony Rezko, o desenvolvedor imobiliário que foi processado por fraude e suborno. Obama já havia lançado uma série de anúncios atacando McCain em nível estadual: em Nevada ele ataca o republicano pelo seu apoio ao depósito de lixo nuclear em Yucca Mountain, em Ohio atacando-o por causa da compra de uma empresa de logística pela alemã DHL.

O padrão de ambos parece familiar. Os republicanos parecem seguir a tática clássica de acusar Obama de querer aumentar os impostos enquanto atacam sua personalidade, mais ou menos no modelo de 1988 e 2004 contra respectivamente Michael Dukakis e John Kerry(Isso explicou os anúncios comparando Obama a uma celebridade. Note o empréstimo de manchetes de jornal, tática usada contra Kerry). As ligações de Obama com o ex-terrorista William Ayers ainda serão bastante exploradas. Outro ponto que os republicanos irão usar será o da oposição de Obama a uma lei estadual que protegia fetos(No caso, bebês) que sobreviviam a abortos(Uma lei federal passaria com texto semelhante meses depois, passando no Senado por 98 votos a favor e duas abstenções).

Já os democratas parecem querer repetir parte da tática usada contra Bush Pai em 1992, querendo mostrar um McCain rico e distante dos problemas da maioria da população. O fato de McCain ter uma visão otimista da economia enquanto a gasolina está a mais de quatro dólares o galão é martelado de forma um tanto que obssessiva, lembrando um pouco a campanha(fracassada) de Walter Mondale em 1988. Talvez Obama devesse ressaltar soluções ao invés do negativismo.

De qualquer forma, a coisa pode ficar divertida.

Obama no Brasil

Os fãs brasileiros de Barack Obama podem ficar felizes porque há uma visita programada do Senador ao Brasil. Obama programou um tour pela América Latina: México e Brasil estão confirmados, Chile provavelmente entrará no meio. Obama não irá a Colômbia por causa da oposição entre sindicalistas a um tratado de livre comércio com o país(Blá).

Se Obama vai ficar no aperto de mãos com Lula ou encarar multidões ninguém falou nada ainda. Mas eu, francamente, perguntaria a ele sobre o seu apoio aos subsídios agrícolas se o encontrasse na rua…

A caminho de Denver

Obama ficou de anunciar seu vice esta semana, a ponto de ambos já terem campanha marcada para sábado. A escolha final ainda estaria para ser definida: segundo especulações o nome mais forte seria do governador da Virginia Tim Kaine. Obama marcou vários compromissos de campanha para o estado esta semana(E bem, o governador é um dos poucos especulados para o cargo que não foi perfilado aqui, falha nossa). McCain anunciaria em seguida.

Meu ponto foge um pouco da narrativa convencional: Obama deveria escolher um democrata com base no Oeste, com ranking impecável da NRA e alguma experiência administrativa. Um candidato com histórico tão ruim no assunto armas é muito vulnerável, ainda mais considerando que estados como Colorado e Michigan fundamentais para uma vitória de Obama. O problema de Tim Kaine é que ele foi eleito em grande parte porque a Virginia não permite a reeleição de governadores, e Kaine foi eleito como sucessor do extremamente popular Mark Warner.

Warner, que na convenção democrata em Denver será uma das estrelas.

***

Enquanto isso, a Zogby lança a primeira pesquisa em que McCain aparece na primeira posição, por cinco pontos, sem superar a marca dos 50%.

É a economia, estúpido

Um grupo de quinze líderes democratas, incluindo governadores, congressistas e líderes partidários pediram a Obama que clarificasse sua mensagem de esperança e detalhasse sua proposta econômica. A maioria é de estados do Sul, aonde os democratas costumam misturar um discurso social mais pragmático e enfâse à economia para vencer. Phil Bredesen, Governador do Tennessee, diz de forma enfática: “Ao invés de grandes discursoos em grandes estádios ele precisa dar respostas diretas em dez palavras às pessoas no Wal-Mart sobre como ele pode melhorar suas vidas”. Ted Strickland, governador de Ohio diz:”Tudo bem falar às pessoas sobre esperança e mudança, mas você tem que ter muitas idéias concretas, pragmáticas que trazer esperança e mudança à vida”.

Strickland e Bredesen são dois governadores extremamente populares em estados não muito amigáveis aos democratas. Eles sabem o que dizem. Dave “Mudcat” Saunders, um estrategista da Virgínia que é responsável vitórias democratas no Estado(Desde de 2000 que os republicanos não vencem uma eleição para governador ou senador por lá) criticou o elitismo da campanha de Obama e foi mais enfático ainda: A campanha de Obama acha que isto vai ser vencido na internet. Mas aqui(Nota: a entrevista foi feita em Roanoke, no extremo oeste e rural da Virginia) às cinco e meia da tarde eles não vão para a maldita internet, eles assistem ao The Andy Griffith Show”.

Saunders admitiu que McCain pode vencer Michigan e ainda manter Ohio e Flórida(O que tornaria uma vitória quase que impossível) e que se Obama não mudar de rumo não vence na Virginia também. O estrategista ainda reclama que uns dezporcento dos caipiras acham que Obama é muçulmano porque ninguém disse a eles o contrário, que Obama deveria enfatizar justiça social e econômica.

Em maio, Harold Ford Jr., um ex-congressista(ele perdeu uma eleição concorrida para o Senado no Tennessee em 2006) e amigo pessoal de Obama já havia recomendado ao candidato democrata se encontrar com trabalhadores no Sul, dizer que ele entende eles e que pode fazer suas vidas melhorarem.

É um pessoal que parece conhecer as regiões em que vivem. Obama não faria mal em ouví-los.

Obama e o sujeito velho de cabelo cinza

Não é difícil encontrar defeitos em John McCain. O mais perigoso é que ele parece compartilhar o que talvez seja o maior defeito de Ronald Reagan: a idade avançada, o que fazia com que faltasse uma pessoa para controlar as coisas e dar um não quando necessário. Cada um tinha seu feudo pessoal: William Casey tinha o seu na CIA, levando sua obssessão pessoal com Muamar Kadafi e os Contras ao últimos limites(Casey só saiu do cargo da chefia da Inteligência ao morrer em 1987, sobrevivendo ao atentado contra os quarteis americanos em Beirute em 1983 e ao Irã-Contras), James Watts tinha o seu no Departamento do Interior enquanto Donald Regan tinha o seu parquinho no Tesouro e em boa parte do gabinete. Não é a toa que chegou um momento que Robert McFarlane traficava todo tipo de armas bem no nariz de Reagan.

McCain demonstra ser influenciado por seus assessores da mesma forma. Isso fica claro pela mudança sistemática de opiniões. Primeiro, quando McCain decidiu usar seu histórico militar na campanha(Coisa que era contra), depois pelos ataques contra Obama e ainda a questão da exploração de petróleo em alto mar(Percebam que quando a campanha de McCain toca no assunto McCain, originalmente contrário à idéia, parece perder todo pingo de originalidade). Basicamente, uma administração McCain seria um lugar em que gente como Carly Fiorina, Phil Gramm, Michael Goldfarb, entre outros, fariam o que quisessem.

Só que há um detalhe: Reagan era relativamente comedido ao usar o exército. Ele atacou uma ilhota no Caribe depois que suas forças militares sofreram o pior atentado terrorista até então(Beirute, 1983). Por mais que a invasão de Granada soe como uma coisa idiota, bem, poderia ter sido pior. Apesar da corrida armamentista e do apoio ao Talebã, Reagan sabia que não poderia enviar tropas para tudo quanto é canto gratuitamente. McCain, pelo contrário, parece não ver limites para isso.

McCain provavelmente seria triturado a la Bob Dole se o candidato democrata fosse um governador experiente de um estado relativamente conservador(exemplo, Phil Bredesen do Tennessee ou Katlhleen Sebelius do Kansas). Um governador com histórico claro na economia e que soubesse fazer campanha com todo tipo de gente. Como o candidato democrata é um sujeito que fez carreira política num dos bairros mais liberais de uma das cidades mais liberais do país(O seja, nunca enfrentou uma disputa séria) e tem experiência eleitoral quase nula os democratas têm que lidar com uma vantagem eleitoral mínima nas eleição geral(E uma vantagem que simplesmente se dissolveu em quase TODOS os swing states importantes).

McCain pode ser tosco? É. Mas é um tosco bastante próximo da Casa Branca.

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E sim, não adianta negar: esta é uma eleição sobre Obama. Obama atraiu centenas de milhares de pessoas na Europa, McCain viajou praticamente incógnito na América Latina. McCain não aparece na capa da Veja, Obama sim. Logo, é claro que Obama, não o sujeito supervelho de cabelo cinza que acaba tendo mais atenção neste blog.

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  • "Ser da esquerda é, como ser da direita, uma das infinitas maneiras que o homem pode escolher para ser imbecil: ambas, com efeito, são formas da hemiplegia moral. Ademais, a persistência destes qualificativos contribui não pouco a falsificar mais ainda a "realidade" do presente, já fala de per si, porque se encrespou o crespo das experiências políticas a que respondem, como o demonstra o fato de que hoje as direitas prometem revoluções e as esquerdas propõem tiranias."

    Ortega y Gasset

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