Não existe nada tão ruim que não possa piorar

Convenhamos, poucas épocas são mais pavorosas que os vinte e cinco primeiros dias de dezembro. Há a troca de presentes, o que geralmente significa que você irá receber algo que você não quer e irá passar horas escolhendo e comprando filas, esperando em filas de shoppings. A ruas e lojas são adornados com uma decoração pavorosa: neve artificial, efeitos brilhantes e coloridos, tudo que resume o mal-gosto nos últimos duzentos anos. E claro, tem sempre a mesma figura gorda e vestida de vermelho que Norman Rockwell popularizou lá pelos anos 20. Há também os churrascos com o pessoal do trabalho, com o videokarokê e piores músicas possíveis de trilha sonora e o cúmulo do sadismo, os amigos secretos.

Mas como não existe nada tão ruim que não possa piorar, há gente querendo comemorar o aniversário de Isaac Newton na mesma época*. Socorro!

Atitudes ecológicas

Dias desses eu vi no rádio uma campanha da SABESP, em que o locutor perguntava se você lavava a calçada com champagne francês ou tomava banho por meia hora com cafezinho. Com uma negativa, o rapaz pergunta por quê você faria o mesmo com a água, que é muito mais importante. Claro que ninguém lava a calçada com champagne francês por motivos práticos e econômicos, e que pela lógica do comercial as pessoas teriam que economizar o ar que respiram.

De uns tempos para cá, as pessoas passaram a repetir a mesma baboseira de esgotamento da água potável do planeta. Alguns chegam a criar o mantra de se comparar a água com o petróleo, e outros falam que as guerras do futuro serão travadas pelas reservas de água, sem perceber o tamanho do ridículo das afirmações.(Antes que alguém cite o confronto da Palestina, vale lembrar que ninguém se atém a regiões deserticas sem grandes rios ou distantes de um mar que não seja o Mar Morto). E bote os professores das escolas conscientizando os alunos sobre a necessidade de se economizar água e o diabo.

A rigor, é uma economia que não faz grandes diferenças. Por outro lado, assim como a reciclagem, a economia de água é uma grande mania. O motivo é simples. Qualquer atitude ecológica com relação ao planeta exige um certo esforço. E é muito mais fácil fechar a torneira quando se escova os dentes ou juntar todo plástico de casa num saco separado que deixar o carro em casa e se submeter aos horrores do transporte coletivo…

O natal

Nos países de língua ibérica, o culto à figura materna se personifica na figura do culto da Virgem Maria. No México, Nossa Senhora de Guadalupe, que personifica como ninguém a história de um país indígena que se converteria em reduto católico, é a padroeira do país. Em Portugal, Nossa Senhora da Conceição. Na Colômbia, a Virgem de Chiquinquirá, na Argentina a Nossa Senhora de Luján, na Espanha, Nossa Senhora dos Remédios. No Brasil, Nossa Senhora Aparecida. E isso, sem contar, claro, o culto moderno à Nossa Senhora de Fátima.

Esse culto se personificaria nos presépios, nas pinturas de Rafaello Sânzio, Diego Velásquez, Perugino, Ribera, entre vários outros. Seria nesses países que a figura da Sagrada Família alcançaria o máximo de vigor estético. E talvez por isso o presépio seja o único simbolo natalino que eu de fato gosto.

É essa uma das razões pela qual eu não gosto do Natal. Não ao menos do jeito que se celebra aqui no Brasil. Tirando quando a figura é pintada Norman Rockwell, não há jeito de um gordo vestido de vermelho, com golas de branco, não ser insuportavelmente kitsch. E árvores de natal, com aquelas bolas brilhantes, cartões de natal com neve? Argh.

Quando, ano passado, a direita americana começou a reclamar de uma tal guerra ao natal, aonde supostamente as grandes lojas evitariam se referir à festa para que não ofendessem minorias, muitos judeus responderam prontamente que eles também celebravam o Natal. Aliás, o natal é comemorado até no Japão. Não há muita coisa de Cristã nisso.

Haveria, claro, se ao invés de insuportáveis bolas vermelhas, bengalas brilhantes e de um gorducho de vermelho utilizássemos uma de nossas tradições estéticas mais caras, num país católico. Poderíamos espalhar imagens da Sagrada Família, presépios. Seria muito mais agradável.

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Não acho o consumismo ruim. Mas comprar coisas por comprar coisas acho meio dispensável.

Ignorantes são sempre os outros

Uma coisa que sempre me intrigou eram as pessoas que faziam longos manifestos contra ritmos comerciais como o funk e o pagode, os cavaleiros do apocalipse da ignorância do povo, mas consideravam ópera e música de orquestra em geral como chata. Afinal de contas, qualquer ritmo em música popular ou ligeira vai ter uma base não muito diferente do pagode, enquanto a música de orquestra é de fato algo diferente e claro, com uma carga cultural e histórica de impacto.

Eu, claro, logo perceberia que a grande razão pela qual uma pessoa ao mesmo criticaria o pagode como ritmo de ignorantes e consideraria uma orquestra coisa chata seria pela simples razão que o gosto pessoal dela não incluiria nenhum daquele estilos musicais.

Uma das razões pela qual eu odeio gente reclamando da ignorância alheia é justamente essa. A definição de ignorância se encaixa justamente naquilo que a própria pessoa tem de conhecimento. Eu por exemplo gosto de utilizar o padrão “bilinguismo”. Para mim, conhecer bem uma língua estrangeira é aquilo que de fato dá o passaporte intelectual a qualquer pessoa. Nenhum monoglota tem moral para reclamar da ignorância e da falta de cultura de ninguém.

Claro, o primeiro ponto que a maioria das pessoas que reclama da ignorância alheia toca são coisas simples, como errinhos básicos de concordância verbal ou ortografia. Por quê é a única habilidade intelectual de destaque que essas pessoas têm.

Termos que nunca consegui entender

Eu não sou marxista. Acho mercado um conceito válido, não acredito em valor-trabalho e acho luta de classes algo na melhor de hipóteses limitado demais. Mas eu até que respeito o trabalho da maioria dos marxistas: Hobsbawn não é de todo ruim, assim como parte da Escola de Frankfurt, Giulio Maria Argan, apesar de inferior a Ernst Gombrich e Erwin Panofsky, é um dos maiores historiadores da arte do Século XX. E claro, adoro o Norman Finkelstein.

Mas eu juro que não consigo entender como em pleno Século XXI alguém consegue abrir a boca e falar em alto e bom som em “mais valia”, como se a fosse a coisa mais natural do mundo.

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Outra palavra que nunca consegui entender bem é “ditadura do mercado”. Teria isso algo a ver com os monopólios dos supermercados?

Fora com o orgulho nerd

A primeira impressão que alguém pode ter do cara ao lado é que ele é bombadão idiota e sem muita instrução. Errado: Nasser El-Sonbaty, que aparece na foto ao lado, fala sete idiomas fluentemente, é formado em Ciências Políticas, com mestrado em História, Ciências Políticas e Sociologia. Logo, a tese que pessoas inteligentes são necessariamente feias, anti-sociais ou desajeitadas afunda como um barquinha.

Uma coisa que eu nunca entendi é idéia do culto e do orgulho nerd ou geek. Afinal de contas, a origem do termo nerd era um monstrinho de um livro do Dr. Seuss, e o termo era utilizado para denominar os alunos mais feios e desprezados das escolas americanas. Hoje, temos pessoas chegam a se auto-denominar como nerds e geeks com orgulho e horror dos horrores, um site chamado Suicide Girls, aonde meninas magrelas, com óculos(E claro, muito Photoshop) posam peladonas como nerds. Isso sem contar aquela corrente cretina em que uma mulher exaltava as qualidades dos nerds(Havia um texto circulando na internet exaltando as qualidades amorosas dos nerds, como se houvesse um padrão físico para nerds).

Caíamos na real: timidez e falta de jeito são defeitos que as pessoas devem aprender a lidar. E saber mexer em computador ou puxar arquivos via FTP não torna ninguém mais inteligente que ninguém. E muito menos gostar de bandas e seriados velhos e horríveis.

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Outro mito estúpido é aquele que muitas pessoas evitaram namorar com uma pessoa muito inteligente ou ainda que mulher inteligente fica sozinha. Dá um tempo. Uma das primeiras coisas que as pessoas observam quando notam alguém é justamente a inteligência e até freguês de garota de programa valoriza isso.

Revista de mulher pelada

A melhor coisa que a edição brasileira da revista Playboy fez foi lançar as edições especiais da revista americana por aqui. É uma coisa simplesmente genial: você abre a revista e encontra… foto de mulher pelada. Você folheia a revista e você vê… foto de mulher pelada. Não há aquele monte de baboseira do resto do que supostamente deveria ser revista de mulher pelada. O máximo que se encontra são descrições rápidas do que as modelos fotografadas gostam de fazer na cama ou no dia a dia. Mas isso é muito mais relevante que bobagens como entrevistas com Daniel Filho ou Nelsinho Piquet, listas espatafúrdias de discos de rock(Aonde Alanis Morisette tem mais importância que Dead Kennedys), reportagens cansativas sobre carros velhos ou as páginas e mais páginas de conselharia sentimental(Coisa digna de revista feminina), aonde velhos-babões mostram sua paixão pelas repórteres que respondem as colunas.

Definitivamente, ninguém deveria ter que levar para casa tanta baboseira junto com fotos de mulher pelada.

Eu sou um ignorante

Eu nunca me vejo aprendendo alemão ou russo. Aliás, quando vejo símbolos em cirílico eles sempre me parecem coisas iguais. Eu tenho uma dificuldade imensa com matemática e minha compreensão sobre postulados básicos de física e química são grandes. Em algumas funções básicas sobre biologia, eu também consigo me confundir. Aqueles exercícios de genética do Ensino Médio eu tenho uma dificuldade imensa em compreender.

Meu conhecimento de francês é fraco. Eu levo um bom tempo para entender o que um artigo simples em francês quer dizer. No caso do italiano a coisa é mais fraca. Meu espanhol é lento para dedéu, e ele sucumbiria à leitura de qualquer livro complexo. E eu estou falando na habilidade mais básica quando se vai aprender uma língua estrangeira: a leitura. Falar é outro assunto. Aliás, na habilidade intelectual que eu mais me orgulho, o inglês, eu cometo erros de concordância básicos ao escrever, uso estruturas latinas e muitas vezes quem tem inglês como língua latina não consegue entender.

Em filosofia, minha compreensão sobre diversos autores é mínima. Muito do que Hegel, Heidegger, entre outros autores escreveram eu não entendi, e há milhões de autores importantes, como Spinoza, Freud, Jung, Machiavelli, Fichte, Montesquieu, entre outros, que eu nunca li. Música? Nunca aprendi a tocar de forma razoável nenhum instrumento músical, apesar das tentativas. Mesmo em História da Arte eu tenho lapsos inexplicáveis, como em história da Arquitetura. Aliás, há muitas coisas em desenho geométrico que não consigo fazer.

Em programação, esqueci o pouco de Clipper que aprendi. Nunca aprendi nada de C, Visual Basic, Cobol, Javascript(E olha que fiz colégio técnico em processamento de dados). Flash eu nunca consegui fazer a animação mais boba nele. Há várias funções do Photoshop e do Illustrator que eu não sei utilizar(Uso esses programas direto), e muitas vezes não consigo fechar um arquivo PDF direito.

Minha técnica de redação é fraca: não raro deixo passar erros de concordância que não deveria. Há partes da História Mundial que meu conhecimento histórico é mínimo(Em especial no que se refere à Ásia. Nunca entedi direito a divisão da história chinesa em dinastias). Há autores importantes que eu nunca li, como David Fromkin, Sérgio Buarque de Holanda, Maxime Rodison, Ludwig von Mises, Friedrich Hayek, entre outros.

Daí, que eu não entendo quando escuto alguém dizer que Lula é ignorante, que o brasileiro é ignorante e coisas do gênero. As pessoas que falam isso geralmente não tem o menor conhecimento de uma lingua estrangeira que seja, tem parcos conhecimentos de literatura ou mesmo de leis(Não raro sugerem soluções para a violência que são impraticáveis na vida real). Eu, ao menos, sempre reconheci minha ignorância, nunca me vi na posição de achar que alguém pudesse ser acusado de ser ignorante ou de dizer o que as pessoas deveriam estudar. Não entendo as pessoas que fazem isso… Ainda mais pessoas ainda mais ignorantes que eu.

A civilização e a bárbarie

Quando explodiram algumas bombas no centro de Londres e de Madrid, ouvimos o mesmo discurso que teríamos que escolher entre a bárbarie e civilização. Eu acho esse tipo de discurso esquisito, por quê a bárbarie não é dissociada da chamada civilização. Napoleão, que devastou metade da Europa, fundou o Louvre. Adolf Hitler era fanático por música e artes clássicas, tinha ao seu redor arquitetos fabulosos(como Albert Speer), alguns dos melhores músicos do seu tempo(Wilhelm Furtwrangler), um dos melhores escultores do Século XX(Arno Breker, visto na foto acima) e uma das melhores cineastas de todos os tempos(Leni Rifenstahl). A Europa de Renoir, Monet e Balzac era a mesma Europa que subjulgava e matava os zulus, promovia genocídios na Índia e assistia à fome na Irlanda. Stálin, um dos piores genocidas da História, foi o mesmo que assistiria à forte industrialização da União Soviética(Lazar Kaganovich, um dos mais truculentos asseclas de Stálin, inauguraria o moderno metrô de Moscou em 1935). As ferrovias transcontinentais, os grandes vetores que levariam os Estados Unidos ao clube das grandes potências foram feitas à custa da morte de centenas de milhares de índios. As civilizações seriam as grandes assassinas da História, não os “bárbaros”. Os grandes genocídios partiririam de planos friamente calculados, da cabeça de pessoas em muitos casos inteligentes e com objetivos muitas vezes claros.

Duma certa forma, isso explica por quê muitas pessoas achem que seja o cúmulo da barbaridade matar no metrô de Londres, mas que seja normal reduzir Beirute aos escombros. Afinal, em Londres tinhamos, supostamente, fundamentalistas matando em nome de uma religião que nos é estranha e talvez para obter virgens no céu. Em Beirute, matando quase dez vez mais que em Londres temos a civilização(Segundo o israelense Gilad Atzmon, é a nova matemática de Israel: dois soldados valem por quinhentos mil libaneses) .

***

Sempre lembrando que em algumas das piores atrocidades da humanidade, os carrascos foram representados pela civilização, as vítimas pelos bárbaros. Os Iroquois, comanches e apaches trucidados pelos colonos europeus, os zulus mortos pelos ingleses na África no Século XIX. Afinal, sempre a civilização contra a bárbarie.

Coisas que já encheram o saco

1-) Piadas sobre filmes iranianos. Os filmes iranianos já sairam de moda faz uns cinco anos. Pode-se folhear por semanas os catálogos de cinema de arte de São Paulo sem encontrar a menção a um único filme produzido no Irã, mas mesmo assim pipocam piadas sobre os tais filmes.

2-) Piadas de argentino.

3-) Gente, falando com tom sério, mal de argentino. E pior, pessoas incapazes de dizer o nome de três cidades da Argentina, incluindo aí Buenos Aires.

4-) Gente monoglota reclamando da ignorância e falta de cultura alheia.

5-) Daniel Dantas na capa da revista Carta Capital.

Caramba

Toda hora eu recebo email de gente querendo informações de determinada cidade ou lugar para trabalho de escola ou faculdade(Culpa dessa seção de fotos do meu site pessoal) Outro dia, uma estudante de arquitetura queria informações sobre a economia de Nazaré Paulista, hoje descubro um gaiato que chegou a ligar para minha casa atrás de fotos de Santos para trabalho escolar. Isso me lembra de uma página contra a censura que eu fiz uns oito anos atrás que eu recebia sistematicamente emails de pessoas atrás de informações sobre censura para trabalhos de faculdade- mesmo quando deixei de atualizar a dita, que tinha caráter claramente institucional.

Caramba, estou perdendo dinheiro trabalhando na rede estadual de ensino. Preciso montar um site para vender trabalhos escolares na internet, aí sim eu fico rico.

A contestação

A contestação, quando institucionalizada, vira tirania. O marxismo nasceu como uma forma de contestação, eficiente, contra os mais poderosos, logo se mostraria como um dos vetores de um dos maiores horrores da humanidade em tempos recentes, o stalinismo. Aliás, boa parte das ditaduras foram impulsionadas por contestadores. Se o marxismo, quando desordenado, significava a contestação das ruas de Paris em 1968 ou nos discursos de Eugene Debs contra a Primeira Guerra Mundial, quando institucionalizado ele geraria a ditadura de Stálin.

A contestação deve nascer do impulso natural de que tudo que representa o poder pode e deve ser contestado. Apartir do momento que os contestadores cedem a tentação de seguir algum líder, estarão trocando de opressor.

É a grande falha que comete os artistas contemporâneos. Se Marcel Duchamp conseguiu contestar o próprio conceito de arte, os artistas contemporâneos que colocam suas obras no espaço mais conservador em termos culturais que existem- as galerias, bienais e museus- não conseguem ser outra coisa que não ridiculos.

Os “anarquistas” e Bakunin

Já houve um tempo em que ser anarquista significava contestar o poder e os poderosos, contestar convenções, arriscar a pele em troca de um ideal. Os “anarquistas”, no entanto, se converteram num tipo abjeto de ativista político frouxo, incapazes de grande protestos, que preferem postar artigos no site do Midia Independente a encararem a realidade das ruas.

Hoje, anarquismo significa macacaquear, como um idiota, textos de Bakunin, Malatesta e Proudhon. Não há mais a idéia de que o governo pode e deve acabar, que todo tipo de poder é desnecessário e imoral. Só sobrou o discurso. Ironicamente, os anarquistas que tanto gostam de chamar as pessoas de escravas se tornaram escravas de autores mortos há mais de cem anos. Bakunin deve se revirar no túmulo com esses palermas que não cansam de citar seu nome em vão.

O referendo

Ano passado, tivemos um referendo para decidir sobre a comercialização de armas no Brasil. Muitos diziam que votar pelo “não” significaria votar no bangue-bangue. Eu achei isso genial, já que os filmes e revistas de bangue-bangue sempre me pareceram mostrar lugares mais civilizados que São Paulo e Rio de Janeiro. Nunca vi crianças com AR-15 na mão nos quadrinhos de Tex nem nos filmes de bangue-bangue do SBT, e as chacinas sempre me pareceram menos violentas que as que costumam ocorrer em São Paulo.

De fato, com a vitória do “Não”, está muito fácil de se adquirir armas no Brasil. Não existe aquelas provas imensas para se conseguir tirar registro, nem se precisa apresentar na Polícia Federal. Outro dia mesmo eu vi à venda no Extra uma bela AK-74, novinha. Acabei não comprando, uma vez que a arma era muito pesada para eu carregar na mochila. Preferi levar uma pistola Glock 17 9 mm, que tenho usado para atirar nos engraçadinhos que encontro na rua.

O grande problema do Orkut

O Orkut, como sistema, é fraco. Se outros serviços com propósitos não muito diferentes, como o Flickr e o MySpace fizeram grandes mudanças na interface, o Orkut continua com a mesma interface pobre e com menos recursos de um fórum básico na internet. O sistema dá vazão aos piores sentimentos das pessoas: as comunidades paulistas abundam preconceito contra nordestinos, as comunidades cariocas se afundam em preconceito contra favelados e os moradores da baixada fluminense, as comunidades sulistas se afundam em separatismos e um racismo meio velado. Pense nas piores características da classe média de tal lugar. Isso irá aparecer no Orkut. O sistema, a rigor, permite as piores invasões de privacidade possíveis. Pode-se inclusive chantagear incautos. A rigor, o espaço virou lugar para o narcisismo puro e explicito. Homens com foto sem camisa, mulheres com aquele sorriso enjoado na webcam.

Uma das defesas que eu sempre li sobre o Orkut é que ele permitiu às pessoas encontrarem amigos perdidos, pessoas que não se viam há anos. Amigos do colégio, da faculdade, do primário, do maternal e sei lá o quê. Mas contrariando o pensamento geral, acho que ESSE é uma das grandes falhas do Orkut: ele dá vazão ao lado de escravo do passado e do saudosismo das pessoas. Muitas pessoas, jovens, parecem querer viver eternamente emulando os mesmos gostos que tinham na adolescência. Quando eu entrei na comunidade do colégio em que eu estudei, fiquei assustado como muitas pessoas, mesmo após terem se formado há quase oito anos, pareceriam ficar presas a ficar contando os mesmos casos e assuntos do tempo do colégio. Havia gente querendo convidar professores(Que a gente desprezava) para o sistema. Há um mundo de coisas a se desbravar e as pessoas ainda se lembrando de como era chata aquela professora de inglês da sétima série. É um tal de gente morrendo de saudade de pirulito tal, outros morrendo de saudade do programa da Mara Maravilha ou do Balão Mágico(Pior, que muitos reclamam dos programas de televisão atuais em detrimento dos programas antigos como se o programa do Balão Mágico fosse erudito ou educativo).

O saudosismo chega as vezes a extremos de se sentir saudades dos tempos em que as opções tecnológicas eram mais escassas. Como se fosse divertido ter que expremer e ficar alterando a ordem de discos inteiros en fitas cassetes, quando geralmente se tinha espaços vazios ou músicas tocadas pela metade. Hoje, você pode colocar a discografia inteira da sua banda favorita dentro de um aparelho de MP3. E o melhor, sua banda favorita pode ser qualquer banda do mundo. Pode ser uma banda belga ou russa, não necessariamente a banda que toca na MTV.

Não é incomum você ter que ouvir as pessoas exaltando seriados e desenhos animados insuportáveis de vinte anos atrás, como se fossem a melhor coisa do mundo. Ou ainda sobre como essas pessoas mantinham vidas patéticas.

Pessoas mais velhas, naturalmente, adoram contar suas experiências da juventude. É interessante ouvir como a Móoca, um bairro um tanto decadente de São Paulo, era há duas gerações atrás. Ou ainda sobre como era a viagem de trem num ramal que foi erradicado mais de quarenta anos atrás. Por outro lado, pessoas jovens, com vinte anos, falando como pessoas de setenta é simplesmente patético(Fico com pena dos nossos netos e bisnetos: ao invés de casos sensacionais do passado terão que ouvir sobre sites e seriados ruins).

Claro, isso é escolha de cada um. Há um mundo de coisas a se descobrir. Há um mundo de pessoas a se conhecer. Há um mundo de bandas e músicas a se descobrir(Você sabia que o rock produzido na Rússia é uma das coisas mais maravilhosas do mundo?). Eu quero descobrir e percorrer cada canto desse mundo que eu puder. Quem quiser continuar escravo do passado, bem, que continue.

Posições políticas

Uma dúvida que muitas pessoas têm é com relação ao seu posicionamento político. Então, decidi fazer esse guia para ajudar as pessoas a encontrarem seu verdadeiro grupo:

1-) Se você odeia os pobres, você é de direita. Se você odeia os ricos e os empresários, é de esquerda.

2-) Se você reclama dos gastos com escolas e hospitais por parte do Estado, ao mesmo tempo que defende gastos militares e intervenções armadas em países do Terceiro Mundo(Gastos e intervenções por parte do governo dos Estados Unidos da América) então você é liberal.

3-) Se você acha que Cuba é um país melhor para se viver que o Brasil, você é social-democrata ou socialista. Se você acha que Cuba é um país melhor para se viver que os Estados Unidos é comunista(Não “idiota” como possa parecer, por mais estranho que seja).

4-) Se você defende o “império da lei”, mas reclama de levar multa por excesso de velocidade, você é conservador.

5-) Se você defende que o Estado coaja terceiros para poder dar ônibus de graça para você, você é anarquista.

6-) Se você defende a propriedade privada, mas defende que garimpeiros e posseiros invadam reservas indigenas, então você é liberal de tendências conservadoras. Idem para quem defende a propriedade privada e defende

7-) Se você reclama do monopólio da Petrobrás, mas defende outros monopólios privados, como o dos sistemas de ônibus ou proteções intelectuais extremadas, então você é liberal.

8-) Se você defende que o governo ajude os pobres, sem nunca ter dado um centavo de dinheiro para caridade, então você é social-democrata.

9-) Se você defende que o governo tire dinheiro dos pobres para dar benefícios à classe média, você é socialista.

10-) Se você reclama do estado, fala no seu fim, mas adora a polícia, o exército e quer a privatização destes, você é anarco-capitalista. Se você reclama do estado, fala no seu fim, mas você quer os mesmos serviços que o Estado te dá de graça, então você é anarco-sindicalista.

11-) Se você tem uma confiança cega nos serviços prestados pelo Estado, como se este fosse uma organização caridosa e eficiente, você é socialista. Se você você tem uma confiança cega nas grandes empresas e corporações(Como se estas fossem organizações de caridade) então você é liberal.

12-) Se você condena a guerra ao Iraque porque ela foi provocada pelo petróleo(Não por ser uma guerra cruel e sangrenta), você certamente é socialista.

Hmmm, acho que agora vou perder todos os meus leitores regulares…

Em defesa da Anarquia

O pior argumento que se pode fazer a favor do Estado é de que as pessoas são “más” e “cruéis”. Ora bolas, as pessoas que fazem parte da máquina estatal também são pessoas más e cruéis. São as mesmas pessoas controlando outras pessoas, aquelas mesmas que os anti-anarquismo dizem não serem capazes de cuidar de si próprias. E boa parte do comportamento violento é incentivado, não coibido pelo Estado. A guerra às drogas, o sistema prisional, tudo isso transforma pequenos comerciantes em criminosos da pior espécie.

Os grandes assassinos da História não são os bárbaros, terroristas ou assaltantes. São os Estados nacionais, que promoveram a Guerra dos Cem Anos, a Guerra dos Trinta Anos, duas guerras mundiais. São os Estados que criaram os pavorosos impérios, deslocamentos forçados, colônias, incentivaram a escravidão. Os africanos e árabes só enfrentaram guerras e genocídios quando abandonaram sua estrutura tribal em detrimento à estrutura estatal importada da Europa. Ninguém em bom senso irá dizer que Pablo Escobar ou John Gotti Jr. são criminosos mais violentos que Stálin ou Hitler.

Haverá ainda um dia em que a humanidade irá perceber que o Estado, assim como qualquer organização social, são de natureza opressora, cruel e ineficiente, e irá por si só aboli-las.

O capitalismo nacional

Ontem, ao tentar fazer o cadastro na 100% Vídeo de Jundiaí, a mocinha queria que eu achasse normal que, após mostrar um comprovante de endereço(Que teria que ser em meu nome e provado ser de data recente), uma verdadeira entrevista(Como se eu estivesse pedindo empréstimo ou emprego) ligar para minha casa para falar com alguém que morasse lá para confirmar a veracidade do telefone que enviei(Como se minha mãe tivese alguma coisa a ver com o fato de eu estar fazendo cadastro em locadora, ou como se privacidade fosse coisa bobinha). Só não mandei ir se f* por pouco, por quê benditamente, merecia.

Acho interessante a mania de certos empresários nacionais de querer subverter a regra do capitalismo que coloca clientes e consumidores em primeiro lugar. São seguranças e funcionários com cara de merda querendo que você lacre suas mochilas, bolsas e sei lá para fazer compras, atendentes que te igoram, serviços de atendimento ao consumidor inexistentes.

Mas, bem, eu sigo a regra do capitalismo: eu sempre que posso compro nas lojas da Rede Pão de Açucar pelo fato do SAC da rede ser i-m-p-e-c-á-v-e-l. Por outro lado, boicoto a Fotóptica(Que não tem SAC digno de nome), boicoto a Kalunga(Com SAC inexistente e um atendimento sofrível, com seguranças truculentos) e claro, boicotarei a 100% Vídeo, pela mania grandiosa de achar na posição de bancar o “Grande Irmão” com seus clientes(Além de pré-emptivamente considerar que eles são ladrões de DVDs em potencial).

Maior rede de locadoras do país? Piada.

A farsa do “voto consciente”

Uma coisa absurdamente estúpida que as pessoas insistem em dizer é no chamado “voto consciente”, que você não deve “desperdiçar seu voto” e outras asneiras semelhantes. As pessoas partem do princípio que o sistema democrático é perfeito, que a burocracia funciona de forma perfeitamente redonda e que, as pessoas são plenamente de adivinhar o estilo de governo de um candidato antes dele se eleger, além de claro, que a máquina administrativa em qualquer nível é uma coisa tão simples que qualquer um pode fiscalizar. Então, se as coisas dão errado(e elas sempre dão) a culpa é do povo que não sabe votar.

Poucas pessoas tem idéia, por exemplo, de quanto custa para se construir uma linha de metrô, um quilômetro de rodovia, um hospital ou uma escola. A maquina administrativa é algo monstruoso, que nenhum especialista, quanto mais o cidadão comum, consegue fiscalizar. Na verdade, nem os candidatos sabem da real extensão dessa máquina administrativa quando se candidatam. Eles não tem acesso à arrecadação do Estado para fazer promessa.

Votar, nessas condições, é semelhante àqueles programas de televisão bobinhos do estilo “namoro da TV”. As pessoas fazem mil acrobacias para descobrir a vida pessoal de uma pessoa para namorar, mas sem nunca ter visto ou falando antes com a pessoa. É um jogo as escuras da mesma forma.

Outro detalhe cruel, apesar de parecer irrelevante: se as pessoas são OBRIGADAS a votar, como alguém pode querer que as pessoas reflitam antes de votar? As eleições já significam uma invasão violenta na vida das pessoas na forma da propaganda eleitoral, nos muros, rádios e televisões. Ser obrigado a votar ainda? Natural que as pessoas votem com má vontade.

É importante frisar que a grande preocupação da maioria das pessoas não são questões políticas. É tocar a própria vida. Ninguém vai se preocupar em fiscalizar candidato tal.

Por fim, nenhum candidato governa sozinho. Há a influência de juízes, dos burocratas não-eleitos, etc. O que define, em grande parte, as eleições é a campanha eleitoral dos candidatos. Paga com “contribuições” das empresas. É totalmente anti-capitalista querer que as empresas gastem dinheiro sem pedir nada em troca: é óbvio que elas vão querer um retorno dos candidatos eleitos após a eleição.

Logo, poucas coisas podem ser mais fantasiosas e falsas que o discurso do “voto consciente”.

Fim de ano

Quando minha mãe dizia que detestava a época de final de ano quando eu era criança, eu não conseguia entender. Só fui entender a razão muito depois: começaria a surgir aquele papo clichê de época de amor, compreensão e harmonia(Caralho, o ano inteiro deve ser de amor, compreensão e harmonia), uma festa bizarramente estrangeirizada e com pouca relação com a crença original(Como se nevasse aqui no Brasil ou na Palestina), com reuniões familiares forçadas, que não raro se tornam chatas. Reuniões desse tipo deveriam ser espontâneas. Sentimentos que se tornam ainda piores com a extensiva e invasiva rede de propaganda.

Reveillon também não são animadores: todo mundo, ano após ano, faz uma festa para xingar e insultar o ano que se vai, enquanto faz odes de paixão ao ano que se vêm. Invariavelmente, um ano depois, o mesmo ano que foi celebrado é insultado e xingado da mesma forma. E assim, ano após ano.

O ano que vêm, 2006, assume um signifcado especial para mim. Muita gente, seja ela conservador, liberal ou progressista prevê uma recessão violentissíma para muito em breve. Pode ser pelos déficits do governo federal, pode ser pelo petróleo. Se pensarmos que quase todo o crescimento dos EUA desde do final do milênio passado foi causado pelo ramo da construção civil, que há uma gigantesca bolha no mercado imobiliário(Talvez a maior de todos os tempos) e que ela tende a estourar, meus pensamentos não conseguem deixar de ser os mais pessimistas possíveis.

Não, não seria uma recessão como em 1988 ou como o choque do petróleo dos anos 70. Seria muito pior, algo próximo da quebra da Bolsa de 1929. Já nem me pergunto “se” isso vai ocorrer, mas sim quando. Sim, há grande probabilidade disso ocorrer em 2006.

A economia dos Estados Unidos quebra, o mundo inteiro vai pelo mesmo ralo. Talvez com a ascensão de regimes fascistas, guerras, e tudo mais.

Na verdade, estou apenas observando as nuvens cinzas no céu, esperando a tempestade chegar. Não é uma sensação muito agradável. 2006 irá começar de forma bastante pessimista para mim. Ainda mais pessimista que o normal, quero dizer.

Reclamações

Um hábito comum a todas as pessoas detestáveis é ficar pertubando as pessoas do seu convívio com reclamações a respeito do seu trabalho. Ora bolas, ninguém é obrigado a trabalhar. E, em especial, ninguém trabalha a toa. Se tal pessoa trabalha mais de oito horas por dia, creio que é em troca de um bom salário. Provavelmente, essa pessoa tem bens e dinheiro que as pessoas que não trabalham tanto não têm(Curiosamente, as pessoas pobres, que de fato são afetadas pelo excesso de trabalho, são as que menos reclamam). Também é possível escolher trabalhos mais agradáveis em troca de uma remuneração menor.

O mais curioso é que as pessoas, independente da profissão que têm, encontram motivos para reclamar. Mesmo aquelas com rotinas um tanto quanto agradáveis arranjam motivos para reclamar do trabalho que tem. Mesmo que não tenham que se submeter a esforços repetitivos, pressão e muito menos esforço físico.

O grande motivo que leva boa parte das pessoas a reclamarem tanto é simples: para dar uma sensação de superioridade frente aos pobres coitados que ouvem tanta reclamação. Como se as outras pessoas não tivessem problemas, levassem vidas totalmente agradáveis e não tivessem que trabalhar.

Por isso que não acho que exista alguma coisa mais detestável que gente que reclama, sistematicamente, do trabalho, para outras pessoas.

***

Na verdade, há uma coisa pior que pessoas reclamando do trabalho: pessoas que moram ao lado de uma estação de trem/metrô, trabalham ao lado de uma estação de trem/metrô e reclamam que passam duas horas diariamente no trânsito. Ora bolas, uma pessoa que fica duas horas no trânsito quando pode ficar apenas cerca de quarenta minutos no metrô é no mínimo idiota ao meu ver.

E até pela poluição desnecessária que causa, merece sofrer no trânsito.

Bagunça mental

Eu tenho uma tendência natural a manter minhas coisas desorganizadas. Livros, CD´s, revistas e até arquivos no computador. Tudo bagunçado, de forma que eu sempre tenho dificudlade para encontrar as coisas. Para meu terror, estou descobrindo que mantenho também meus pensamentos de forma totalmente desorganizada.

Fatos passados, coisas novas, conhecimentos e fatos totalmente inúteis pululam juntos. Coisas como as gêmeas do ginásio da escola em que eu fiz o primário em Mogi das Cruzes, a evangélica insuportável da minha classe da faculdade, fatos históricos totalmente irrelevantes, alguma nota cretina relacionada alguma ferrovia que muitas vezes nem existe mais, alguma pessoa pentelha com quem eu já trabalhei, algum comentarista político americano que ninguém aqui conhece.

O pior é que muitas vezes não consigo encontrar as informações que eu preciso. Muitas vezes preciso usar o pai dos burros para encontrar o nome de algum pintor ou personagem de um livro.

O pior? Essa bagunça é muito díficil de ser arrumada. É pior que qualquer quarto.

Amizades e romances

Jake Barnes, o protagonista do “O Sol também se levanta”, de Ernest Hemingway, num certo momento diz que você nunca se torna amigo de uma mulher sem antes se apaixonar por ela. Acho que ele tem toda a razão do mundo. A gente sempre se torna amigo de uma mulher tendo a tola esperança de um dia lhe dar beijos apaixonados na sua boca, em dormir a cada dia abraçadinho com ela, em escrever loucas cartinhas de amor.

Claro, geralmente a gente é obrigado a se satisfazer em apenas dar beijinhos no rosto, trocar confidências, olhar para aquele rostinho e enxergar apenas uma irmãzinha. Como uma irmãzinha de dez anos, ocupada com seus ursinhos de pelúcia e bonecas.Pura, inocente. As vezes, no fundo do nosso coração, aceitamos esse papel, sabendo que, na verdade, era um romance sem futuro. Que certas coisas estão destinadas a isso mesmo. Outras vezes enterramos nossa desilusão num canto bem fundo do nosso coração. De modo que ninguém veja.

Mas é sempre uma amizade que nada mais é que uma paixão fracassada, um romance sufocado, um amor que nunca prosperou.

Mas, definitivamente, não se poder ter tudo que se quer na vida.

  • "Ser da esquerda é, como ser da direita, uma das infinitas maneiras que o homem pode escolher para ser imbecil: ambas, com efeito, são formas da hemiplegia moral. Ademais, a persistência destes qualificativos contribui não pouco a falsificar mais ainda a "realidade" do presente, já fala de per si, porque se encrespou o crespo das experiências políticas a que respondem, como o demonstra o fato de que hoje as direitas prometem revoluções e as esquerdas propõem tiranias."

    Ortega y Gasset

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