Toyotas sem controle, imprensa sem noção
Brian Ross é o correspondente investigativo da ABC News, e o primeiro a bater forte na questão da aceleração brusca dos Toyotas depois que uma familia morreu em San Diego ano passado em agosto. Ele relata que uma das primeiras coisas que a montadora fez foi procurar o departamento comercial da emissora. A montadora se envolveu em problemas justamente por insistir em soluções pouco convincentes para o problema, primeiramente por causa de tapetes, depois por causa de problemas com aceleradores presos. Esta semana, outro motorista se viu com um Prius descontrolado em San Diego(Este foi salvo pela patrulha rodoviária).
A imprensa brasileira, claro, fez cara de ninguém viu, ninguém disse nada. Ninguém se perguntou se poderiam ocorrer problemas similares em carros da montadora vendidos no Brasil. Ninguém questionou a montadora, nem explicou como o motorista deveria proceder em casos. O problema é que, bem, agora estão sendo registrados casos de aceleração involuntária no Brasil, que não sofreu nenhum recall. Felizmente não se registrou mortes, mas o potencial de mortes de um Corola descontrolado numa via de muito movimento não são pequenos.
Fica a dúvida sobre o potencial risco de vida que os motoristas brasileiros foram submetidos pela covardia e falta de articulação da imprensa brasileira. Certamente, um Brian Ross faz falta.
1 CommentThursday, March 11th, 2010...2:09 am
Eric Massa: As esquisitices que matam um político
Eric Massa, um congressista democrata que representa um distrito no interior do Estado de Nova York, é o assunto da hora nos Estados Unidos. Massa teve que renunciar depois de que um assessor entrou com uma reclamação no Comitê de Ética da Casa de Representantes, alegando assédio sexual. A coisa ficaria bizarra com os detalhes, como a descoberta de que Massa teria se agarrado e estrangulado vários assessores(O mais bizarro seria Massa dizendo a Glenn Beck na Fox News que isso era normal, apenas uma brincadeira por causa do seu aniversário. Na MSNBC o apresentador Joe Scarabough, um excongressista, fazia piada, perguntando o que teria ocorrido no seu aniversário de quarenta anos). Na entrevista com Larry King, este foi seco e direto, perguntando na cara se ele era gay.
Um ponto em comum entre as histórias de políticos americanos que caíram em desgraça é que o público tende a ser conivente com escândalos, mas não com esquisitices. Nos dois escândalos sexuais que abalaram o mundo político ano passado(Os casos extraconjugais do governador Mark Sanford da Carolina do Sul e do expresidenciável John Edwards), o que pareceu chocar foram os detalhes sórdidos. No primeiro, o governador que some sem nenhum aviso, que pede autorização à esposa para se encontrar com a amante depois de tudo descoberto, as cartas melosas e ingênuas. No segundo, a amante hippie, a esposa com câncer, as possibilidades de fitas com sexo, as negativas.
O congressista James Traficant(D-Ohio), que acabou preso por sete anos, era particularmente conhecido seus discursos pouco coerentes, pelo seu estilo esfarrapado de se vestir e pelo seu cabelo bisonho. E o caso Jim McGreevey(Em 2004, o governador de Nova Jersey teve que renunciar após admitir a homosexualidade e de que havia colocado seu amante israelense no cargo de Conselheiro de Segurança Doméstica) não foi pobre em detalhes sórdidos, incluindo orgias(Com o amante e a esposa).
O público americano é bem mais tolerante com escandalos que com bizarrices.
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Paulo Skaf: socialista e presidente da FIESP
Eu tive um sonho bizarro. Estava na esteira da academia e havia visto Gabriel Chalita e Paulo Skaf juntos numa propaganda partidária. Os dois falavam alguma coisa sobre colocar ensino integral em todas as escolas da rede estadual(Faltaria recursos financeiros, pessoal e estrutura física)…. ei, pera aí. Isso não foi sonho, era verdade.
Desde de que Alckmin absorveu dentro do PSDB os malufistas e os quercistas em 2002 e o PT do estado se desfragmentou de vez que as eleições em Sâo Paulo ficaram entediantes, parecendo alguma coisa relacionada com a monarquia britânica(Só se fala em escândalos matrimoniais e divórcios). Mas a disputa em São Paulo caminha para um circo de horrores, com o presidente da FIESP e uma exvj da MTV.
Claro que é particularmente bizarro e coisa exclusiva de Brasil um candidato que se mostra como empresário concorrendo pelo Partido Socialista Brasileiro. Outro ponto importante que Paulo Skaf precisaria notar é que administrar indústria têxtil, o SESI(Que anda com reputação em baixa) e o SENAI são uma coisa, um estado com quarenta milhões de habitantes outra. E claro que toda esta reputação de tecnocrata eficiente cai por terra quando Skaf defende o uso do ensino integral em todas as escolas de uma rede de ensino particularmente problemática.
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A Pollyanna da Vila Madalena
A Pollyanna da Vila Madalena escreveu o seguinte sobre a greve dos professores estaduais:
Não vou discutir aqui o pedido de aumento salarial (30%). O problema gritante é que, entre as reivindicações que levaram à decretação da greve, estão o fim das normas que reduziram a falta dos professores (podia-se faltar até 130 dias por ano), o exame para professores temporários, a nota mínima para os concursos, a escola de formação de professores (o novo professor tem de passar num curso de quatro meses antes de dar aulas) e, enfim, o programa que oferece aumento salarial para quem ir bem em provas.
Bobagem. Quem faz greve não é sindicato, mas uma categoria de profissionais. O Sindicato pode colocar uma pauta de reinvidicações confusa(Que, aliás, coloca reajuste salarial em destaque), mas não é isso que motiva os grevistas em si. O que a Pollyanna quer é desviar a atenção para as reinvidicações salariais, talvez porque possam ser consideradas justas.
E as medidas que nossa Pollyanna cita como sacrossantas para a educação tem eficácia bem mais limitada. O governo ainda não detalhou a forma de funcionamento da Escola de Formação de Professores, mas isto obviamente demandaria dinheiro e cursos do gênero não são unanimidade entre especialistas(Inclusive entre os parceiros ideológicos da nossa Pollyanna). E numa rede com alto numero de temporários ter que aplicar um curso de quatro meses para se efetivar acaba limitando a capacidade de se efetivar professores, uma medida sabe-se lá salutar.
2 CommentsSunday, March 7th, 2010...6:27 pm
Diálogos Imaginários
- Ei, você já fez as apostas para o Oscar?
- Ainda não. Tem algum filme sobre homosexuais na lista de concorrentes?
- Não que eu me lembre.
- Então, a próxima pergunta que sobra é: há algum filme sobre judeus ou Holocausto?
- Tem aquele filme do Tarantino. Mas este filme se centra mais em judeus torturando alemães até a morte, não no Holocausto em si.
- Tem razão. Mas é o que mais chega perto do gênero? Não é?
- Tem o Avatar, do James Cameron. Tem muitos críticos que afirmam que aqueles bichinhos azuis seriam uma metafóra para indígenas ou coisas parecidas. Cameron ganhou uma porrada de estatuetas com aquela bomba dentro do navio com um ator principal limitadíssimo em parte por causa do aspecto técnico. E na parte técnica Avatar é mais inovador que um navio cheio de água.
- Não sei. Achei a argumentação de um crítico do BAFTA convincente, falando que os dramas humanos eram mais interessantes que os Smurfs.
- Tem razão, você está falando naquele filme do esquadrão antibombas que ganhou um título bisonho aqui no Brasil, né? Mas os críticos do BAFTA não votam no Oscar, além de serem mais inteligentes que a média do pessoal que vota nos Oscar.
- Certo. Então, apostado no filme dos Smurfs.
- Bem, ao menos daí a gente não ouviria a lamentação aqueles chatos que ainda chiam que Guerra nas Estrelas só ganhou nas categorias técnicas. Ou ouviria?
- Ouviria, creio eu.
****
(Na manhã seguinte)
- Ei, o filme dos bichinhos azuis perdeu…
- Será que após tanto tempo a Academia ganhou bomsenso?
- Acho que na falta de judeus e homosexuais prefiriram fazer boa imagem com a mulherada premiando uma diretoria.
- Se bem que já era tempo, né?
3 CommentsSunday, March 7th, 2010...4:48 pm
Jon Stewart e o Chatroulette
| The Daily Show With Jon Stewart | Mon - Thurs 11p / 10c | |||
| Tech-Talch - Chatroulette | ||||
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Eu sempre achei Jon Stewart meio superestimado, mas este escrete é genial. Jon entra no Chatroulette, um site que permite a pessoas papearem com pessoas de forma aleatória. Ele encontra várias pessoas, inclusive tarados mostrando o pênis, até que acha diversos reporteres, incluindo Katie Couric, Brian Williams e Diane Sawyer, que apresentam os telejornais noturnos das emissoras abertas, mostrando uma atuação humorística de primeira.
(Williams é um entusiasta de humor. Fez uma pontinha na série 30 Rock, e um escrete hilário com Willie Geist da MSNBC, em que este “gruda” em Williams para uma volta pela noite de Vancouver durante as Olímpiadas).
Alguém imaginou alguém fazendo uma escrete destas no Brasil, com âncoras de cinco canais diferentes? Impossível, né?
1 CommentSaturday, March 6th, 2010...1:30 am
Pergunta ao Observatório da Imprensa: Quem foi o presidente McArthur?
O Observatório da Imprensa publicou um artigo para lá de ruim sobre a violência na Turma da Mônica(Sério), mas um ponto que me chamou particularmente a atenção é este:
“Sim, Disney foi um histórico conservador, conhecido por delatar aqueles que lhe pareciam comunistas na época do presidente McArthur.”
Ei, ei, espera aí: QUEM FOI O PRESIDENTE MCARTHUR? Os presidentes americanos durante o tempo de vida de Walt Disney foram William McKinley, Ted Roosevelt, William Howard Taft, Woodrow Wilson, Warren Harding, Calvin Coolidge, Herbert Hoover, Franklin Roosevelt, Harry Truman, Dwight Eisenhower, Jack Kennedy e Lyndon Jonhson. Não há nenhum McArthur aí. Tirando o general(Que era MacArthur), não me lembro de nenhum McArthur, aliás.
O Observatório da Imprensa não pode esperar ter credibilidade publicando artigos com erros desta envergadura. Já li muito texto ruim na internet, mas nada próximo de inventar um presidente….
8 CommentsThursday, March 4th, 2010...11:08 pm
Sobre a visita de Hillary Clinton
1-) Precisou um terremoto para Hillary Clinton dar atenção à América Latina. Pelas minhas contas, na entrevista com Candy Crowley na CNN foi a primeira vez que ela citou o Brasil numa entrevista na TV como secretária de Estado, e no caso, rapidamente.
2-) Talvez por uma semana relativamente cheia em acontecimentos políticos(Com Obama pedindo o voto pela reforma da saúde e com o Representante Democrata Charles Rangel de Nova York, que presidia uma das comissões mais importantes da Casa de Representantes, renunciando a presidência da comissão por causa de acusações de corrupção) a visita recebeu pouca atenção nos EUA. Nem foi citada nos telejornais noturnos.
Ou talvez seja o caso de que Hillary viaje tanto que os jornalistas já não tem mais saco para acompanhar.
3-) Pelo pouco que eu vi, o townhall meeting na Universidade Zumbi dos Palmares foi patético. A maioria das perguntas foram fáceis, muitas perguntas sobre cotas e ações afirmativas(Pelo visto ninguém citou casos recentes da Suprema Corte americana em direção contrária). Numa perspectiva razoável parecia um convescote de comadres, numa perspectiva cínica e grosseira um grupo de pessoas de um país em desenvolvimento pedindo verbas e atenção para uma gringa.
4-) Ouvir o William Waack falando em inglês é de doer os ouvidos.
2 CommentsThursday, March 4th, 2010...12:57 pm
Perdendo mais uma eleição
O PT parece disposto a perder mais uma eleição para o governo do Estado de São Paulo, preparando uma chapa Mercandante/Marta Suplicy. Os dois já lideraram campanhas particularmente ruins, os dois são excessivamente associados à capital num partido particularmente vulnerável no interior do Estado e na periferia da Grande SP. Não são dois candidatos que poderiam ser vendidos no Pontal do Paranapanema nem na Zona Leste da capital. Para piorar, Mercadante é pouco carismático e acadêmico demais.
(A chapa que seria mais eficiente na minha opinião? O prefeito Emídio, de Osasco, e o deputado estadual Major Olímpio).
6 CommentsThursday, March 4th, 2010...12:26 pm
Por que os tucanos escolheriam Serra como candidato?
Qualquer tentativa dos tucanos de retomarem a presidência precisaria começar pelo mapa da eleição de 2004. Somando as regiões CentroOeste temos uma região bastante esparsa, com uma população menor que de São Paulo. E nesta região Alckmin foi razoavelmente bem, vencendo em Roraima e nos dois Mato Grossos. Não sobraria muito espaço para avançar. Com o Nordeste ainda mais alinhado com os petistas, sobraria as regiões Sul e Sudeste. Rio de Janeiro ficaria fora de questão, com a euforia em torno das Olimpíadas(E estamos falando de um estado em que o PSDB é inexistente). Em São Paulo, Serra enfrentaria um eleitorado um pouco mais desgastado com o seu partido, após quatorze anos de governo do seu partido(Explicado mais pelo desmoronamento dos seus oponentes que pelos seus méritos). Alckmin perdeu ou venceu por relativa pouca diferença em muitas cidades na região do entorno de 150 km da capital, e venceu com folga no resto do interior. Justamente a primeira região seria mais vulnerável aos índices de aprovação menores de Serra e Kassab, o pior cabo eleitoral que alguém pode imaginar.
Há o Sul, mas Dilma Rousseff, uma mulher de origens de classe média seria culturalmente mais palpável que Lula na região. Claro, é virtualmente impossível ver Dilma Rousseff vencendo em cidades como Londrina e Joinville por margens confortáveis. Mas também seria dificil ver Dilma perdendo por margens maiores que Lula. E claro, Yeda Crusius é o tipo de político que seria facilmente associado a Serra. O que sobra, basicamente? Minas Gerais. Em tese, seria possível limitar a diferença de derrota no norte do Estado, e jogar para o lado dos tucanos o Sul de Minas e o Triângulo Mineiro(As partes paulistas do Estado, e aonde a diferença de Alckmin no primeiro e segundo turno em 2006 se mostrou mais clara). Na prática, Minas Gerais é o swingstate definitivo. E claro, seria possível abrir um pouco de espaço no interior do estado do Rio.
E sim, uma coisa é quando é necessário pesquisar para se criar propagandas negativas para os candidatos. No caso de Serra, apenas as manchetes dos jornais já forneceriam material. Aécio Neves pode ter vários problemas, mas é um candidato em que poderia ser definido pelos tucanos. Serra seria definido pela oposição, e poderia ser facilmente pintado como o político insensível que quer destruir toda rede de proteção social(Ele já disse ter se orgulhado de ter sido chamado de avarento numa entrevista) e faiclmente associado a FHC, de quem foi ministro. E ele é carismático como um sabonete de coco, como o discurso em homenagem a Tancredo Neves desta semana demonstra. Pessoalmente, acho inacreditável que alguém que queira ser presidente faça um discurso enfadonho desta forma.
E eu sou paulista, e realmente gosto do meu estado. Mas certamente fica a pergunta: porque apenas paulistas podem ser presidentes? Claro que colocar o leite na política do Café com Leite não é uma idéia muito melhor, mas também é uma pergunta que será feita em outros estados. Fica a dúvida: se Aécio Neves é mais carismático, se ele tem espaço maior no estado mais importante numa eleição presidencial, se ele tem aprovação em seu estado maior, porque diabos os tucanos escolheriam Serra como candidato?
8 CommentsWednesday, March 3rd, 2010...12:58 am
Carlos Azenha e a Escola Estadual Roberto Marinho
Semana passada, o site do jornalista Carlos Azenha publicou um artigo, de um leitor, sobre uma Escola Estadual Roberto Marinho, que, horror dos horrores, teria a marca da Rede Globo nas suas camisas. Eu não sou fã do José Serra e muito menos da Globo - pessoalmente, acho que é uma empresa que deveria ser dividida em quatro partes, mesmo que fosse para Rupert Murdoch, Sam Zell ou Conrad Black. Dito isso, o artigo é pura politicagem.
Primeiro, é comum no Brasil se dar o nome de alguma personalidade conhecida que tenha falecido a escolas e outras obras públicas. Há escolas com o nome de Franco Montoro e Mário Covas por todo estado, assim como uma avenida em homenagem ao mesmo Roberto Marinho. Claro que por motivos obvios, como a própria reputação da Escola Estadual Roberto Marinho demonstra, não existe fila para se dar nome a escola estadual, em especial na periferia de Campinas.
Segundo, quem define os uniformes que cada escola usa é a propria escola, não o governo estadual. Pode-se alegar que a escolha dos uniformes é infeliz, mas isso é problema da diretora e do Conselho de Escola, não do governo ou da Rede Globo. O texto fala que é a única escola em que o autor do texto conhece que tem elevador, mas também é um caso raro de escola nova com três andares. Por fim, o autor do texto diz: “Trata-se de uma escola da periferia de Campinas e sabemos como os alunos, principalmente os de periferia, respondem à opressão do corpo burocrático escolar: com pichações, depredações,”.
Deveriam é colocar quem escreveu aquilo e Azenha para darem aula na periferia de Campinas para eles que eles conheçam quem oprime quem.
1 CommentMonday, March 1st, 2010...12:28 am
Uma eleição para Dilma Rousseff perder
José Serra, assim como Geraldo Alckmin já fez, tenta ser eleito presidente na base, quase exclusiva, do tecnocrata ultraeficiente. É uma tática um tanto quanto perigosa, em especial quando seu adversário não colabora. Lembra a campanha presidencial americana de 1988, quando o governador de Massachusetts, Michael Dukakis, quis usar a força econômica do seu estado(Era tempo do “Massachusetts Miracle”) para ser presidente. Seria destroçado pelos republicanos, que usariam casos de presos que usariam indultos de final de semana para de forma violenta para destroçar esta imagem.
O problema de Serra é que com problemas como enchentes, educação e segurança pública não seria preciso Lee Atwater e Roger Ailes para destruir a imagem de tecnocrata eficiente. Claro, muita coisa pode ainda andar debaixo da ponte, mas esta é a eleição para Dilma, não Serra perder.
*****
Nos EUA, pesquisas de opinião nesta etapa não são levadas de forma tão conclusiva justamente por estes vários fatores. Mas considerando que as pesquisas erram de forma sistemática no Brasil, inclusive errando para ambos os lados é de se assustar que os jornalistas brasileiros tratem estas pesquisas como tabua sagrada…
1 CommentSunday, February 28th, 2010...12:14 am
Notas sobre o terremoto no Chile
1-) É absurdamente curioso que nenhuma emissora brasileira tinha um escritório no Chile e que as emissoras brasileiras tenham se valido do quase mesmo material que as emissoras americanas, que era o material das emissoras chilenas(Malia Patria, da emissora americana ABC, estava no país fazendo uma reportagem para o Nightline quando o terremoto ocorreu).
Considerando o fato de ser um país quase vizinho e com uma razoável colônia no país é um questionamento importante, inclusive pela forma de como noticiamos o que ocorre na nossa vizinhança.
2-) O mais bizarro? As redes americanas parecem ter dado muito mais espaço para o terremoto que as redes brasileiras. Mesmo a Fox News interrompeu boa parte da programação para falar do terremoto, enquanto nossos a BandNews e a Globo News mantinham o terremoto em segundo plano. Pessoalmente, em especial no caso da GloboNews, não sei para que diabos aquilo serve. É simplesmente horrível: um âncora pior que o outro(Todos parecem alunos de Ensino Médio lendo seminário na escola), cenografia horrível, mesas redonda de debate sem noção nenhuma e especiais soporíferos sobre música e outras pautas frias.
3-) A CNN foi favorecida pelo fato de ter um canal no país, a CNN Chile. Mas fica sempre a dúvida sobre a razão de não existir algo como a CNN Brasil(Dez anos atrás se chegou a discutir um serviço em português). Provavelmente, por causa do monopólio no setor de TV paga que criaram numa bandeja para vocês sabem quem…
4-) Acredito eu, é pobreza de espiríto se limitar a analisar a cobertura da imprensa quando ocorrem tragédias.
2 CommentsWednesday, February 24th, 2010...12:01 am
Tiger Woods, Serena Williams e a hipocrisia
Semana passada, o golfista Tiger Woods fez uma pequena conferência de imprensa, que na verdade era um pequeno discuso. Nada de perguntas, apenas um pequeno grupo de convidados. Mas o discurso ocuparia quase todo o espaço dos três principais telejornais noturnos dos EUA, seria visto por milhões no meio da tarde. Até a movimentação da Dow Jones deu uma parada durante o discurso, em que Tiger pediu desculpas. Um incauto pode achar que Tiger Woods havia matado alguém ou alguma coisa parecida. Na verdade, teve uma sequência de amantes. Pode ser condenável, mas também é muito aquém do necessário para se culpar alguém por ser viciado em sexo.
O golfe, apesar de ser um esporte popular e que movimenta boas fortunas(Em especial pelos empreendimentos imobiliários no entorno de campos), sempre foi um esporte de nicho. Nunca movimentou as mesmas fortunas que as duas modalidades conhecidas como futebol nos dois lados do Atlântico nem que as categorias mais populares do automobilismo. Por outro lado, Tiger Woods construiu de forma meticulosa do esportista calculista e bonzinho, o que o transformou numa máquina de vendas.
Brasileiros sempre insistiram na bobagem de que os brasileiros tinham mania pelo bonzinho. Bobagem. É nos EUA que esportistas se transformam em exemplos imorais impecáveis, com obras de caridade e tudo. O problema de Tiger Woods é que suas amantes demoliram esta imagem, da mesma forma que a foto com um cachimbo de maconha demoliu Michael Phelps. Claro que há o mero detalhe que por padrões americanos Tiger seria considerado um negro. Os outros atletas negros que conseguiriam status de ídolos nacionais eram atletas com imagem calma e comedida: Michael Jordan, Magic Johnson. Muhammed Ali, apesar do posto de maior boxeador entre os entusiastas pelo esporte, nunca teve a mesma fama e glória no público em geral.
Venus e Serena Williams são duas negras que conseguiram espaço num esporte de nicho, mas nunca obtiveram a mesma fama, glória e contratos que Woods, em parte porque nunca se preocuparam em manter a mesma imagem. Vestiam-se de forma extravagante, faziam tiradas com adversárias. Suas vitórias sempre foram vistas de forma um tanto quanto fria pelos seus compatriotas, e quando Serena perderia o controle na final do US Open veria seus próprios compatriotas pedindo por longas suspensões do circuito da WTA e multas.
Claro, isso não é exclusividade americana. Uma revista sensacionalista brasileira usou uma acusação de assédio contra o futebolista Robinho(Em que este seria inocentado) para perguntar porque jogadores de futebol nunca crescem. Mas os exames de hipocrisia que Tiger Woods oferece são irresistíveis.
2 CommentsTuesday, February 23rd, 2010...12:03 am
Kassab: um prefeito pequeno de um partido pequeno
Da Folha:
O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), disse na manhã desta segunda-feira que o pedido de cassação de seu mandato não irá afetar a imagem do governador José Serra (PSDB) durante a provável campanha do tucano à Presidência da República.
O pedido de cassação talvez não. Mas o fechamento de albergues que infestou a cidade de semtetos, os problemas com lixo e limpeza urbana e principalmente à resposta às enchentes são outra história.(O bônus da reportagem é descobrir que Kassab torce para o…. São Paulo).
****
Eu não sou fã da Justiça Eleitoral, mas sou fã da separação de poderes. Goste-se ou não da decisão ela deve ser cumprida. Não cabe ao Ronaldo Caiado e nem ao filhote do Flagelo do Rio de Janeiro criticarem a decisão nos termos em que os dois fizeram: isto, francamente, é chantagem política sobre o Judiciário que não tem lugar no mundo civilizado. Uma coisa é discordar da decisão, outra é atacá-la nos termos de “incoerente”, “eleitoral”, “irresponsável” e “criminosa”.
O DEMO parece querer assumir que o “Democratas” do nome é novilingua.
Comments OffSunday, February 21st, 2010...2:05 pm
Sobre a cassação de Kassab
1-) Se não é ilegal a doação de campanha por parte de empreiteiras para candidatos isso é algo que deveria ser. E definitivamente dentro da politica brasileira o principal problema do ponto de vista ética é justamente o do aporte de dinheiro de forma ilegal. Qualquer um que tenha defendido alguma plataforma de “etica” e “respeito a lei” que atacar a decisão vai soar um tanto quanto hipócrita.
2-) Os valores envolvidos não são triviais. No Brasil, os candidatos não pagam por um dos pontos mais caros de uma campanha, que é a propaganda na TV. Os valores contestados de Kassab são de dez milhões. Nos EUA, uma campanha disputada para o Senado num estado como o Texas sai por dez milhões de dólares. E isso gastando muito em mercados caros para TV, como Houston e Dallas/Fort Worth.
3-) Kassab em si nunca foi uma pessoa apropriada para governar a cidade. Há problemas, como a falta de cargos eletivos no executivo fora governadores, presidentes e prefeitos(Cargos eletivos menores nos EUA, como o de Procurador Geral nos estados, tesoureiros, city controllers, comissários de condado, entre outros, são ótimos celeiros de governadores e prefeitos. No Brasil, a chance de se ter um prefeito com alguma experiência eletiva em nível de executivo e pequena), mas Kassab competia contra um exgovernador e uma exprefeita da cidade. Desde de quando Serra fugiu do cargo em 2006 se dizia que Kassab não tinha capacidade para o cargo, e isso ficou claro quando ele expulsou uma pessoa
O mesmos jornalistas que reclamam que o povo não sabe votar apoiaram uma pessoa totalmente incapacitada para a prefeitura da maior cidade do país.
4-) Pessoalmente? Que seja feita uma eleição especial. Seria uma oportunidade de se rediscutir a cidade, que há muito tempo enfrenta um ciclo de eleições medíocres.
5-) É um golpe de misericórdia para o DEMO, cada vez mais restrito a rincões eleitorais em estados rurais(Em São Paulo, o partido perdeu a prefeitura de Atibaia e Bragança Paulista, os últimos rincões eleitorais importantes sob mando do partido), e vê um show de horrores no dois únicos membros do partido com um papel eletivo em nível de Executivo.
6-) Serra corre o risco de ganhar dois cabos eleitorais involuntários muito desagradáveis. Se os petistas tiverem QI de três dígitos vão usar Kassab para sangrar Serra em São Paulo e Yeda Crusius no Rio Grande do Sul.
E isso pode ser fatal.
7-) Por fim, sabe porque é particularmente asinino dizer que quem vota nulo numa eleição não tem direito de reclamar? Porque mesmo um prefeito lame duck cassado pode alegar que sua cassação vai contra a “confirmação da vontade popular.”
Quem vota que não tem direito de reclamar.
*Correção: o hipócritamor escreveria um texto histérico, falando em tirania judicial e exigindo a participação da OAB. Coisa de gente pequena, que nunca hesitou em exaltar o trabalho do Judiciário quando lhe convém.
2 CommentsSaturday, February 20th, 2010...12:22 am
Malvinas: O pente dos dois carecas ganha petróleo

Jorge Luis Borges dizia que a Guerra das Malvinas era como uma briga de dois carecas por um pente. A rigor, foi uma guerra com um imenso custo humano por causa de uma ilha no meio do nada com uma população próxima a de um prédio de condomínio. Foi a guerra que deu o golpe de misericórdia na ditadura de Leopoldo Galtieri, e que em caso de derrota britânica teria dado um golpe fatal a Margaret Thatcher. Mas ainda era um pequeno pedaço de nada, e para diletantes que se espantam com o conflito na Palestina por causa de pequenas faixas de terra fica a pequena lição de que pequenos territórios(Como a Alsácia e a Lorena) trazem grandes guerras.
Só que agora surge o pequeno detalhe: os ingleses estão instalando uma plataforma para exploração de petróleo na área. Não há nenhuma reserva confirmada ainda, mas isso cria possibilidades para o futuro: se um pedaço no meio do nada motivou uma guerra em 1982, imaginem o que petróleo não poderia provocar. E isso daria motivos para nacionalistas dos dois lados da fronteira em Uruguaiana se exaltar(Obviamente, brasileiros em geral não teriam muito motivo de conforto na massiva presença britânica na região que isso motivaria).
1 CommentTuesday, February 16th, 2010...11:43 pm
Veja e o Kisuco, digo, o chá
A Veja desta semana tem um texto curto sobre Sarah Palin e o discurso na tal Tea Party Convention, aonde ela diz algo como somente nos EUA que se veria gente protestando contra o déficit público e que em qualquer outro país as pessoas estariam disputando uma fatia do bolo. Hmmm… Não é bem assim. Primeiro porque nos protestos das tea parties há protestos de todos os tipos, e cartazes sobre o déficit são clara minoria. Principalmente por um mero detalhe: é extremamente fácil atacar déficits estando na oposição. Na pior das hipóteses, isso significa menos gastos(E menos prestígio) por parte de políticos que você se opõe: por isso mesmo que Paul Krugman(Yep, Paul Krugman) era um forte crítico dos déficits de Bush.
Bruce Bartlett, que trabalhou na administração Reagan, resume bem a questão quando coloca: aonde estavam as Tea Parties durante a Administração Bush? Em especial considerando que Bush aprovou um caríssimo benefício de remédios sob prescrição para os participantes do Medicare, a cobertura de saúde para pessoas com acima de 65 anos(Que é junto com a Previdência Social o maior dreno ao déficit). George Will, talvez o mais prestigiado colunista conservador do país, resumiu bem quando disse que a diferença entre a China e os EUA era que enquanto o primeiro investia no seu futuro o segundo investia no seu passado, referindo-se à razoável cobertura social aos idosos.
Por isso mesmo que nas tea parties ninguém se refere a nenhum dos programas governamentais para idosos: é um grupo em que a idade média dos participantes é muito maior que a média da população. O Representante Paul Ryan(R-Wisconsin) apresentou um plano detalhado para combater o déficit, que incluia cortes violentos tanto no Medicare quanto na Previdência Social. Foi ignorado pelas tea parties e pelo seu partido.
É natural que a revista Veja tenha um certo fetiche pelas tea parties, que são basicamente um movimento “Cansei” que conseguiu reunir uma quantidade razoavel de gente. O que as tea parties querem é diminuir o déficit dimuindo gastos públicos que não os afetem diretamente, e claro, há uma boa dose de sentimentos nativistas não muito agradáveis. Porém, um pouco de realidade não faz mal a ninguém(É vero que na mesma edição Marco Aurélio Garcia aparece numa fotomontagem como personagem da série Lost, o que demonstra um distanciamento insano da realidade. Aliás, alguém no alto escalão deveria mandar apagar todas as cópias do Photoshop na redação da revista. Urgente).
1 CommentTuesday, February 16th, 2010...3:04 pm
A polícia verde
O anúncio da Audi acima tem aparecido com frequência em colunas de jornais. Foi veiculado no Super Bowl, o espaço mais caro para se anunciar nos EUA. Coloca uma tal “Polícia Verde”, que prende pessoas por usar sacolas de plástico nos supermercados, lâmpadas incadescentes(Uma cena impagável é com um monte de policiais mexendo na lata de lixo de uma residência, até que um acha uma pilha jogada no lixo e todos partem para invadir o lugar). Conservadores adoraram a analogia orweliana da primeira parte do anúncio, mas odiaram o final: em que mostra uma blitze “verde” na estrada, em que os guardas vêem um sujeito com um Audi. “Nós temos um TDI aqui, senhor”. “Clean diesel”. “Você pode ir, senhor”, apenas para mostrar o motorista indo embora sendo cumprimentado pelos guardas.
Tanto Jonah Goldberg quanto Jeff Jacoby odiaram o anúncio pela idéia de se justamente endossar uma polícia verde como mostrada no anúncio. Pessoalmente, acho genial, em especial para se vender carros para pessoas que não gostam da Polícia Verde mas não ligam de apoiar o ambiente.
Comments OffMonday, February 15th, 2010...2:36 pm
Os fantasmas de 1994
Dentro dos estados da região do Meio Oeste dos EUA, o estado de Indiana é disparado o mais conservador. Só votou quatro vezes num presidente democrata por todo o século passado. Evan Bayh, um senador democrata, era uma espécie de raridade, um senador relativamente conservador, mas que conseguia ser o político mais popular do Estado.
Não mais. Bayh anunciou que não irá concorrer para a eleição de novembro, o que é um péssimo sinal para os democratas. É mais uma cadeira praticamente perdida no Senado, e demonstra problemas sérios para a liderança democrata. Ao contrário de muitos senadores que se aposentam, Bayh não apresentava problemas nas pesquisas. Mas enfrentava problemas num Congresso polarizado: ele reclamou de uma comissão bipartidária para lidar com a dívida pública que não foi aprovada no Senado, além de um plano para lutar contra o desemprego que sofreu com críticas de ambos os partidos.
O pior é que isso demonstra falta de liderança. O primeiro requisito para se lidar com uma campanha senatorial é justamente o de se diminuir o número de aposentadorias entre incumbentes de estados competitivos. Em 2006 e 2008, o Comitê de Campanha senatorial dos democratas estava nas mãos do senador Chuck Schumer, de Nova York, uma raposa política. Sem Schumer, e dependendo de uma opção bem menos brilhante(Robert Menendez, de Nova Jersey), o futuro dos democratas no Congresso é tenebroso. Desde do ano passado não se tem acertado uma, permitindo-se a aposentadoria de senadores em estados em que os democratas tinham pouca chance de ganhar e perdendo uma cadeira numa eleição especial em Massachusetts.
Quanto a Obama, ele corre o risco de iniciar o terceiro ano do seu mandato sem controle do Congresso. Para os liberais de esquerda do seu partido, um cenário terrível. Obama, que já está se movendo à direita em assuntos como defesa nacional e armas, seria obrigado a mover ainda mais bruscamente. Seria algo muito mais próximo de Bil Clinton que da campanha.
É 1994 novamente.
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A economia da dívida
Dívidas públicas costumam ser um entrave ao desenvolvimento por vários motivos. O pagamento de juros transforma-se num estorvo para os orçamento público, os títulos da dívida acabam competindo por dinheiro de investidores que seria aplicado em bancos, ações e outros investimentos necessários à economia. E claro, uma dívida pública alta exige juros altos para que os títulos se tornem atrativos para investidores.
O Brasil enfrenta o desafio de várias dívidas. Primeiro, a sua própria dívida pública, segundo, a da dívida pública americana e terceiro, a dívida pública de parceiros comerciais importantes, como Argentina e os países da zona do Euro. O tamanho da dívida pública brasileira, algo em torno de 100% do PIB, representa um fardo para gerações futuras da mesma forma que ele o é para gerações atuais, apesar de vários problemas no horizonte, como o potencial de uma poupança interna menor e uma Previdência Social deficitária. O país também se beneficia da combinação de economia pouco aquecida e de juros artificialmente baixos nos EUA, e o aumento da dívida pública americana indica um cenário com juros altos no futuro, o que seria bastante ruim. E com países como Itália, Portugal e Espanha com seus próprios problemas na área o país, mesmo com países como Arábia Saudita, India e China compensando, o país se veria com um mercado exportador menor.
São questionamentos para o futuro.
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A subperfeita
Sábado passei pela região da Lapa em São Paulo. Vi considerável quantidade de lixo nas calçadas, a marca registrada na Administração Kassab - os semtetos pelas ruas, mato na altura da cintura(Da minha cintura. Deve cair no pescoço de pessoas mais baixas) e inclusive crianças vendendo DVDs pornográficos piratas na praça em frente da estação de trem.
Mas a região da Subprefeitura da Lapa não precisa se preocupar: tem uma subprefeita que posa pelada, para ajudar ciclistas. Sei, depois daquela foto os ciclistas de Sâo Paulo começarão a ser respeitados, finalmente.
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Sobre a prisão de Arruda
1-) A prisão em si não muda em nada o combate à corrupção. A prisão de Arruda mais demonstra a sua total falta de caráter que alguma mudança no sistema judicial para se condenar políticos. Ele realmente se esforçou para ser preso tentando subornar testemunhas.
2-) Considero Serra um político detestável, mas acho um tanto quanto desonesto tentar ligar Serra a Arruda. Candidato a presidente não escolhe seu candidato a vice no Brasil, que geralmente é cedido para um partido aliado para depois montar base no Congresso e ter espaço no Horário Eleitoral. Arruda, caso escolhido, seria imposição do DEMO, não escolha pessoal.
Se eu fosse estrategista de Dilma Rousseff adoraria que Serra tivesse Arruda de vice, mesmo sem o escândalo de corrupção(E atacaria as credenciais do vice de Serra para lembrar discretamente o eleitorado da promessa quebrada de não sair da prefeitura e ainda de Kassab). Aposto que muita gente dentro do time de Serra não veria Arruda com bons olhos também.
Há bastante coisa para se atacar Serra para se depender de ataques por associação.
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Recall jornalístico
O site da Folha está emparedando várias notícias de recalls de veículos da Honda e da Toyota, como se as notícias estivessem relacionadas. Não estão. Recalls de veículos são assuntos rotineiros, justamente porque as montadoras geralmente preferem corrigir problemas que podem causar acidentes antes que pessoas morram. A Toyota permitiu que o problema dos seus aceleradores se prorrogasse até que cerca de dezenove pessoas morressem e de que o assunto se alastrasse pela TV americana, enquanto que a montadora dava desculpas idiotas. Deu no que deu.
A notícia do recall do Prius, por exemplo, interessaria pouco aos brasileiros, uma vez que o carro nem se encontra a disposição de brasileiros e nem foram registrados acidentes. Claro que o assunto em si é de interesse bastante forte para estudantes de admnistração, por outro lado revela uma dependência muito forte da imprensa brasileira de agências de notícias quando o assunto é noticiário internacional.
Se o carros da Toyota vendidos no Brasil são seguros? Ninguém sabe, ninguém fica sabendo.
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Fernando Henrique chuta uma instituição combalida
Quando Barack Obama chamou George Walker Bush para liderar esforços de juntar donativos para o Haiti, muitos brasileiros ficaram estupefatos. O juiz Wálter Fanganiello Maierovitch chegou a traçar uma elaborada trama em que o objetivo seria de calar a ultradireita, ou alguma coisa assim. Bobagem. Bush pode ser criticado por várias coisas(E fala alguém que o criticava bem antes disso ser moda), mas ele teve uma boa atuação com questões humanitárias, inclusive ampliando ajuda humanitária para a África. Além do mais, Bush e Clinton são amigos pessoais(Bush revelou inclusive na ocasião que havia ligado para Clinton pedindo conselhos).
Por outro lado, a diferença é que americanos costumam enxergar presidentes como pessoas que servem ao seu país, não ao seu partido. Por isso que expresidentes costumam fazer trabalho humanitário e criam fundações e bibliotecas. E por isso que expresidentes mantém uma linha tenra com relação a seus sucessores - e mais importante, ninguém age como cheerleader do seu próprio partido. Jimmy Carter, justamente um dos poucos a atacar um dos seus sucessores é uma figura quase que nula no seu partido, inclusive sendo uma especie de ovelha negra rejeitada pelo seus lideres.
Aqui no Brasil, entre os presidentes que assumiram depois do período militar, Fernando Henrique Cardoso é o único que não ocupou um cargo eletivo depois da presidência. Por outro lado, age como uma espécie de cacique nãoeleito do seu partido. É natural que Fernando Henrique coloque o seu partido acima do seu país. Por outro lado, ele definitivamente agride uma instituição bastante combalida quando se intromete na escolha do seu sucessor, quando cria “fundações” que fazem adulação dele próprio com dinheiro público. Não a toa que com uma instituição tão combalida os brasileiros ficam confusos quando enxergam um presidente estrangeiro que conversa e traça planos com antecessores.
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O ônus de Serra
A maioria das análises preguiçosas que circula por aí sobre a possível eleição presidencial se centram em Dilma Rousseff. Lemos e escutamos na imprensa todo tipo de análise preguiçosa sobre questões sobre como o quanto de votos que Lula transferiria para Dilma, alguma coisa sobre o carisma da mulher, entre outras coisas. O que no fundo é besteira porque o ônus que Dilma Rousseff é da continuidade: os eleitores já esperam de antemão que ela siga os mesmos caminhos de Lula. Serra que trabalharia com alguma quantidade desconhecida.
Carisma, aliás, não decide eleição. Alguém pode citar Barack Obama, mas este tinha um ambiente bastante favorável, com um incumbente extremamente impopular do outro partido e várias vezes mais dinheiro. E venceu por uma margem relativamente pequena. E carisma funciona se este está em sintonia de um projeto de governo claro(Que é o caso de Reagan). Além do mais, Dilma não concorreria com Hubert Humphrey, Ronald Reagan ou de Barack Obama, mas contra José Serra.
O grande fator que costuma decidir uma eleição é a popularidade do partido do incumbente. Há outros fatores, como desgaste após um período longo de determinado partido no poder(O que explica o caso chileno). E Serra entraria na disputa com dois problemas. O primeiro, o de enfrentar uma administração popular em período de economia forte. Ele precisaria convencer o eleitor de que as coisas estão ruins e que ele é uma alternativa. Seria muito dificil fazer isso sem parecer excessivamente pessimista ou negativo, o que seria fatal.
E claro, Serra entraria na disputa com uma bagagem e tanto: histórico dos mais terríveis em dois dos assuntos mais caros aos eleitores - educação e segurança, além do problema das enchentes. Não é Dilma Rousseff que tem o ônus da dúvida ou do desafio.
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De colônia em colônia
O Tiago Thuin escreveu um texto nesta semana comparando a relação do Sul/Sudeste do país com o Norte do país com relação entre metropóles e colônias. Creio que isso é mais complicado. Pode-se alegar que a França, país com maior extensão de territórios ultramarinhos dá a mesma representação política a seus territórios, inclusive com cidadania para seus habitantes. Mas colonialismo sempre funcionou no sentido da dominação política e no caso(Puerto Rico, que é mais que quase a metade dos estados americanos, mas não tem voto no Congresso nem no Colégio Eleitoral, que o diga), e no caso brasileiro temos um sistema político com bias em prol de estados pequenos. Tanto que a região tem uma delegação com o exato tamanho da delegação da “metropóle” no Senado, mesmo com população mais de cinco vezes menor.
Se as elites do Pará ou do Norte como um todo fossem contra a Usina Belo Monte ou contra Carajás não faltariam instrumentos políticos para impedir. E claro, obras desastrosas do ponto de vista ambiental para beneficiar outras regiões não são exclusividade de regiões de população esparsamente povoada e de ocupação recente. O exemplo mais chocante deste tipo de dinâmica ocorre na região da Appalachia, nos Estados Unidos, aonde a exploração do carvão para suprir as necessidades energéticas da Costa Nordeste do país devasta a saúde dos trabalhadores e montanhas inteiras(A Virgínia Ocidental, que só perde a posição de estado mais pobre da federação para o Mississipi, tem uma das maiores taxas de emissão de carbono por causa de termoelétricas que fornecem energia para fora do estado). E creio que soaria um tanto quanto bizarro chamar a Virginia Ocidental e o oeste do Kentucky de colônias de Nova York ou algo parecido.
O sistema político brasileiro, aliás, é bizarro: permite que o Congresso seja controlado pelos estados pequenos do Norte/Nordeste, enquanto que em termos de eleições presidenciais Minas Gerais e São Paulo tem muito mais poder que deveriam ter(Quem se dá mal são estados que não são nem grandes para definir a eleição presidenciel nem pequenos para serem superrepresentados no Congresso). E há o bizarro terceiro maior colégio eleitoral do país, que apesar desta posição(E de ter a sede da Petrobrás e do BNDES) costuma ter poder nulo tanto no Congresso quanto nas eleições presidenciais. Logo, definir quem seria colônia e quem seria metrópole é bem complicado.
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Gripe: O crime que a Novartis, a OMS e a imprensa cometeram contra o público
Por todo 2009 o grande assunto da hora era a gripe: ora gripe suína, ora gripe A, ora H1N1. Escolas tinham atividades suspensas, durante abril o México chegou a entrar por semanas em paralisia, porcos foram mortos no Egito e no Afeganistão. Uma vacina foi produzida às pressas, e logo países como a França e a Alemanha se veriam com estoques em excesso da dita. Quando chegou o inverno no Hemisfério Norte, o que supostamente traria o retorno da Gripe Espanhola, bem, não tivemos absolutamente nada. Nada de mortes em larga escala ou mesmo em quantidades superiores à da gripe comum. Niente, nada, nadica de nada.
Hoje, há bons indícios de que, pressionada por laboratórios, a Organização Mundial de Saúde tenha exagerado os alertas sobre a pandemia. Laboratórios que lucraram centenas de milhões de dólares com vacinas que muitos países não conseguem vender. O que se viu em 2009 foi um verdadeiro crime perpetrado pela Novartis, GlaxoSmithKline e pela Organização Mundial de Saúde. Não só há o risco de que uma nova epidemia seja ignorada como que este pânico inflado de forma artificial causou prejuízos gigantes.
No Brasil, tanto a imprensa(Que aproveitou a ocasião inclusive para incentivar o uso indiscriminado do tal do Tamiflu) quanto autoridades de saúde devem uma explicação ao público. A imprensa, que fez uma cobertura histérica, preguiçosa e exagerada em especial.
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Os aceleradores da Toyota funcionam no Brasil?
Na revista Veja desta semana há um artigo de uma página sobre os problemas de *marca* e reputação da Toyota, com direito a todo tipo de refrão que a gente escuta sobre empresas japonesas. O problema? A Toyota se viu nessa situação depois de uma sequência brutal de centenas de acidentes que deixaram 19 mortos. As vidas humanas são irrelevantes, o que importa é a marca.
O maior problema? Um dos carros que a Toyota mandou para recall é o Corolla, bastante popular no Brasil. A PSA Peugeot Citroen fez um recall de carros que produz numa fábrica conjunta com a Toyota e os consumidores brasileiros deveriam ter o direito de saber sobre os riscos que correm e inclusive sobre o que fazer nestes casos(Nota: Ao contrário do que eu já sugeri, a melhor coisa é colocar o carro em ponto morto, guiar para o acostamento , frear e desligar o carro).
A imprensa brasileira, para variar, está negando este direito aos consumidores.
(Não que a Toyota no Brasil esteja se saindo melhor).
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A tragédia mexicana que se espalha pelo continente

Um relatório da DEA e do Departamento de Justiça dos Estados Unidos revela que os carteis da droga do México estão espalhados por todo o continente, registrando operações de Buenos Aires ao Alasca a Sidney, na Austrália. Os traficantes dominam várias cidades dos Estados Unidos, contam com operações na Europa. Na Argentina, os traficantes produzem efedrina e metaentaminas(O país é o terceiro maior produtor do mundo), usam a Venezuela e Porto Rico como ponte para entrada de drogas para os Estados Unidos.(Segundo este gráfico, registararia-se atividades do Cartel do Golfo/Zetas no Brasil)
O tráfico se transformou numa tragédia mexicana: este final de semana o país ficou chocado com a brutal chacina dentro de uma festa de aniversário em Ciudad Juárez, Chihuahua, em que morreram 13 adolescentes, o assassinato de jornalistas se tornou tão frequente que um jornal(O Zocalo de Saltillo, em Coahuila) anunciou que não mais noticiará sobre violência do tráfico para não arriscar a vida de seus repórteres, depois que um jornalista apareceu morto com sinais de tortura. Tragédia que não se restringe mais a Baja Califórnia, Sonora, Chihuahua, Nuevo Léon, Sinaloa e Taumalipas - os estados próximos a fronteira com os Estados Unidos. E cada vez mais próxima de se transformar numa tragédia em níveis continentais.
1 CommentFriday, January 29th, 2010...10:13 pm
Serra, Kassab e as enchentes
Ano passado, quem acompanha o noticiário internacional deve ter notado a profusão de notícias sobre enchentes em diversos países desde do ano passado, incluindo Reino Unido, Estados Unidos(Flórida, Georgia, Dakota do Norte, Califórnia) e Taiwan. Enchentes são um fenômeno da natureza e por isso mesmo governantes desses lugares não recebem a culpa. Claro, não há nenhum bairro de nenhuma cidade da Flórida inundado ficou inundado por quase três meses. Serra e Kassab têm sofrido bastante ataques por causa das enchentes que castigam São Paulo neste ano, com ataques de todos os tipos. Há varios pontos aí.
Primeiro, até as conchinhas de Ubatuba sabem bem que quando há o El Niño a região sudeste sofre com enchentes(Isso ficou claro no período de 1982/84 e no final dos anos 90). Seria de se esperar que as cidades se preparassem para o pior. Isso não ocorreu em Sâo Paulo, inclusive com falta de coordenação total durante as enchentes. O problema não são os indices pluviométricos, mas o fato de que estes eram totalmente previsíveis. E claro, no caso da Marginal Tietê tivemos a idéia imbecil de retirar o pouco de cobertura vegetal para colocar ainda mais asfalto: e nem o poste do Palacio dos Bandeirantes nem o poste da Prefeitura podem alegar ignorância porque não faltaram críticas à idéia quando o projeto foi anunciado.
Segundo, nenhum dos dois postes podem reclamar de uso político das enchentes porque os dois se cansaram de fazer uso político das mesmas enchentes contra Marta Suplicy. Cidades de qualquer lugar são suscetíveis à enchentes, e São Paulo fica no delta de dois rios. O uso que tanto Kassab quanto Serra fizeram das enchentes empobreceu o debate justamente porque ignorou que várias regiões da cidade estariam sujeitas de uma forma ou de outra a enchentes. Com ou sem El Niño. E se Atlanta, Miami e Los Angeles estão sujeitas a enchentes, São Paulo não é exceção. Definitivamente os dois merecem os ataques que estão sofrendo. Serra em especial por largar a prefeitura na mão de um total desconhecido.
Por fim, num caso específico, das enchentes nas bacias dos Rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí, bem Serra, através da SABESP pode ser muito bem responsabilizado diretamente pela falta de cuidado com a abertura de comportas. De qualquer forma, é um exemplo crasso: Serra não serve para ser presidente da República.
4 CommentsFriday, January 29th, 2010...12:17 am
Serra e a “dona” Paula Souza
Num artigo bizarro da Agência Estado, Serra aparece quase que claramente assumindo que está fazendo um monte de inauguração com cunho eleitoral. Ao falar da construção de uma escola técnica em Belém, na capital, que ficaria pronta em 2011 Serra chega a dizer: “Queria que fosse em 2010, viu?” Argh.
Mas um ponto que me chama particularmente a atenção é este: “O governador reclamou ainda do nome do Centro Paula Souza, autarquia que administra as instituições de ensino técnico do Estado. ‘Há um problema de comunicação. O Paula Souza é totalmente do Estado. Não é privado, nem da tia Paula, uma senhora benemérita e rica’, disse. “A imprensa é louca para tratar assim.’ Serra já afirmou, mais de uma vez, que gostaria de mudar o nome para SPTec para deixar claro que os cursos são oferecidos pelo governo de São Paulo.”
O Centro Paula Souza não têm este nome por causa de nenhuma senhora benemérita e rica. Tem esse nome por causa de Antônio Francisco de Paula Souza, que fundou a Escola Politécnica de Sâo Paulo. Que Serra queira retirar o nome de um dos mais importantes professores universitários da história do país de um centro de ensino para colocar uma sigla medonha no lugar já é assustadora. A lógica por trás é ainda pior.
O Centro Paula Souza “não é totalmente do governo estadual”. É um serviço público pago com o dinheiro dos impostos que serve à população. Ninguém trata como privado justamente por isso. A lógica de mudar de nome apenas para poder ligar o centro às suas próprias ambições políticas é um absurdo. Não é de propriedade de quem governa o Estado. Depois de achar que é dono da OSESP Serra se acha dono do Centro Paula Souza. Pessoalmente? Tenho uma certa inveja dos países em que governador nem toca neste tipo de escola e aonde a própria administração do sistema é descentralizada.
Já Serra a cada demonstra cabalmente que não pode ser Presidente da República.
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O ataque
Vários congressistas americanos tiveram suas páginas hackeadas esta semana. O curioso? É a mensagem que eles colocaram no lugar do sites. Vejam a imagem neste link e tirem suas próprias conclusões.
(Sim, a maior parte dos sites atacados eram de congressistas republicanos, e a mensagem “Fuck Obama” não faria sentido nenhum. Mas são hackers brasileiros….)
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O discurso do Estado da União de Obama
- Foi um dos melhores discursos de Obama porque ao invés de simplesmente despejar frases com efeitos positivos de forma um tanto quanto desconexa, Obama mostrou uma linha clara de ação. Como uma mulher do grupo de pesquisa da CNN disse, ele mostrou liderança. Também não se notou erros factuais. Concorde-se ou não com o que foi dito o tom foi de fato presidencial, não professoral.
Também se valeu de um tom humano: fez piadas em vários momentos, inclusive pedindo aplausos ao canto em que os líderes republicanos estavam.
- Foi um discurso espertamente escrito também. Ele iniciou explicando e justificando o resgate aos bancos, que é bastante impopular, e atacou com sutileza os republicanos, detalhando a situação fiscal que ele encontrou e atacando o uso de táticas para bloquear legislação e indicações no Senado, num leve tapa com luva de pelica nos republicanos, que usaram bastante este tipo de tática este ano. Também falou na economia, usando exemplos reais para criar comoção e falou em déficits. Foi um discurso claramente voltado para os independentes que levaram a derrotas democratas em Nova Jersey, Virginia a Massachusetts. Ele também ressaltou bipartidarismo, outro ponto ressaltado pelas pesquisas, inclusive de boca de urna nos estados citados e o excesso de partisanship, elogiando o trabalho de Judd Gregg(R-New Hampshire) e de Kent Conrad(D-Dakota do Norte) para combater o déficit.
A ênfase em problemas da classe média foi inteligente, um caminho para manter boa popularidade em tempos de desemprego de dois dígitos.
- A palavra “Tax cuts” dominou todo o início do discurso, e ele falou bastante em déficit. O tom foi um tanto quanto jingoísta, exaltando os Estados Unidos a cada momento. E claro, em termos de segurança externa colocou uma postura agressiva(Em certos momentos, parecia com Bob McDonnell, o governador da Virginia que fez a resposta republicana). E ele ressaltou educação, em especial falando em ajuda a débitos estudantis e gratuidade para os community colleges, um ponto da campanha de Clinton de 1996. Santa Triangulação, Batman. O pessoal da esquerda do partido deve ter sentido um friozinho na barriga.
- Não deixou de ser curioso que a Fox News tenha colocado a sua recémcontratada colaboradora, Sarah Palin, para comentar o discurso.
- Por fim, a resposta republicana, do governador McDonnell, foi impecável. Ele é um orador de primeira linha, e o discurso, ressaltando a economia(Ou seja, sem linhas dramáticas sobre Bin Laden ou Iraque), foi claro e conciso, sem tanto abuso de clichês. Ele citou seus filhos de forma inteligente(Dizendo que seus filhos teriam pedido um discurso curto para ver o Sportscenter, elogiou a filha que serviu no Iraque) e usou de linhas de humor. Definitivamente material presidencial, e não duvidaria de ver o embate desta noite numa eleição.
Aliás, aposto um saco de bananinha que vai ter um monte de gente nas rádios AM do país dizendo que encontraram o novo Ronald Reagan.
(Se possível, este post vai ser revisado e ampliado após uma noite de sono)
Comments OffWednesday, January 27th, 2010...10:12 am
O inferno astral da Toyota
Menos de dois anos atrás, a Toyota era a queridinha de quem analisava o mercado automotivo. Seus carros tinham a avaliação máxima em revistas especializadas, e ela parecia o modelo ideal enquanto a GM, Chrysler e Ford sangravam prejuízos bilionários. Até que começaram a ocorrer acidentes terríveis, de carros da Toyota acelerando sem nenhum controle e sem que o motorista conseguisse parar, que mataram dezesseis pessoas até o momento e danificaram centenas de carros. A resposta da montadora foi a pior possível: primeiro, culpando os tapetes que ficavam presos no acelerador e os motoristas. Brian Ross, o reporter investigativo da ABC, foi particularmente incisivo.
Hoje, a coisa ficou mais feia: a montadora parou a venda e produção de oito modelos, incluindo Camry e o Corolla(O Prius não está no pacote, embora tenham sido registrados acidentes do gênero com o carro). Para uma empresa que já enfretava prejuízos, isto é um panorama terrível e que vai causar sérios danos à reputação da marca.
(Se você ver um Toyota a mais de duzentos por hora sem que o motorista consiga controlar, grite para que ele puxe o freio de mão, coloque o carro em ponto morto e que desligue o carro. É a única forma de se safar da situação sem bater o carro);.
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Qual o futuro da Abril?
Uma dúvida que surgiu na minha cabeça esses dias é sobre como o Grupo Abril vai fazer para pagar suas contas no futuro. Duas das principais revistas que a editora publica, a Veja e a Playboy, são baseadas em revistas publicadas nos Estados Unidos: a Veja, na revista de informação padrão nos moldes da Time, Newsweek e a US News & World Report, e a Playboy, na edição americana. Das revistas de informação, a Time, apesar dos ciclos de demissão, está no guardachuva da Time Warner, o que dá uma segurança financeira improvável de forma independente. A Newsweek, sangra centenas de milhões de dólares por ano e recentemente passou por uma reformulação editorial(A Washington Post Company, que é dona da revista, tem varias retransmissoras de TV no Texas, Michigan e na Flórida, uma operadora de TV a cabo, além do grupo educacional Kaplan, que é o grande sustentador financeiro do grupo). Já a US News & World Report teve a periocidade cortada para semanal, e se concentra na versão online. E oh sim, Mortimer Zuckerman, o dono da revista, é um bilionário do setor imobiliário, o que permite certos luxos, como manter jornais e revistas deficitários.
Revistas de informação sofrem pela dificuldade em competir com a internet. São revistas impressas basicamente no final de cada semana, e por isso mesmo um evento de grandes proporções que ocorra num final de semana faz com que a edição em bancas pareça desatualizada. A edição desta semana da revista, com uma capa bizarra, com um depoimento de um repórter da revista descrevendo a situação no Haiti(sim, o que deveria ser um meio visual virou meio verbal) e isto depois de umas duas semanas de cobertura contínua do país, com horas do Sanjay Gupta na CNN fazendo cirurgias em crianças, de Katie Couric no meio dos orfãos e depoimentos e mais depoimentos com locais.
Uma idéia é a de oferecer análises mais detalhadas, o que explicaria a tiragem crescente, apesar de relativamente pequena, de revistas como The Economist e a New Republic. O problema é que revistas de opinião a la The Nation ou National Review nunca emplacaram por estas bandas(A edição local do Le Monde Diplomatique depende de patrocinio da Petrobrás, o público de revistas como a Carta Capital e a Caros Amigos é relativamente pequeno e são exceções que explicam a regra, outras tentativas deram com o burro n´água) . Claro, como o pessoal do fundo pode dizer, a Veja lembra mais as revistas italianas como Panoramae a L´Espresso(E a classe média brasileira lembra mais a classe média italiana), em situação financeira menos pavorosa. Por outro lado, temos uma revista vista como piada entre designers, e que tomou a decisão bizarra de procurar o máximo de ódio entre eleitores de um presidente eleito com folga(Os méritos de Lula podem ser discutidos, mas a quantidade de gente que vota nele não).
E com relação à Playboy, a matriz americana anda com vários problemas, inclusive tendo a venda cogitada. Em parte pelo conservadorismo de Hugh Heffner, ainda preso ao modelo de pin ups dos anos 50, mas em parte porque é muito dificil concorrer com mulher pelada de graça na internet em privacidade com material impresso que é vendido com mulher pelada. E sim, apenas um terço do dinheiro da matriz americana vêm da revista em si. Sim, há revistas como a Superinteressante(Cuja parte considerável do público irá ou está preferindo informações pela internet) e as revistas femininas(Sndo que muitas destas trabalham com um público de renda bem baixa, e pouco atrativo para anunciantes), mas fica a pergunta se elas sustentam o barco. Ao contrário da Newsweek, da Time e da US&WR não há um grupo com investimentos lucrativos sólidos fora da area editorial para fazer isso.
É um questionamento interessante para o futuro. Em especial se a solução para isso envolver ajuda estatal(Aporte de grana, não apenas apostilas) ou dinheiro estrangeiro.
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Obama: Um ano

Tanto Richard Nixon quanto Ronald Reagan e Bill Clinton enfrentaram anos muito difíceis no início do seus mandatos. Nixon enfrentava a Guerra do Vietnã, uma economia com resultados tímidos e protestos em casa, mas conseguiu se sobrepor graças a a aproximação com a China e um partido democrata dividido para impôr um massacre contra George McGovern em 1972. Reagan enfrentou uma recessão violenta no primeiro ano de mandato, mas favorecido por um partido democrata dividido e por altos níveis de crescimento apartir de 1983 imporia um massacre contra Walter Mondale no ano seguinte. Já Bill Clinton enfrentou um primeiro ano muito díficil, com um partido democrata dividido, perdendo o Congresso numa eleição de meio de mandato particularmente sangrenta, mas com os exageros dos Republicanos no Congresso e uma atuação econômica mais disciplinada imporia uma vitória bastante convincente sobre Bob Dole em 1996.
Os dois primeiros anos de governo de um presidente oferecem um panorama pouco preciso. Tanto Nizon quanto Reagan quanto Clinton enfrentaram números de aprovação baixos e foram vistos por jornalistas(Bob Woodward, no Meet The Press da NBC, citou Lou Cannon, correspondente do Washington Post, em que este escrevia em 1982 que Reagan não concorreria novamente à presidência). É muito tentador pensar que Obama pode sofrer o mesmo processo. Por outro lado, tudo se reduz à economia. Nixon foi trucidado em 1973 pela economia, e seria a estagnaflação que custaria a carreira de Ford e Carter. O problema é que a estagnaflação foi justamente o único período na Segunda Metade do Século XX de problemas econômicos a longo prazo. Os ciclos recessivos em si eram mais curtos. Herbert Bush foi trucidado em grande parte porque a recessão do seu mandato ocorreu no final, enquanto Clinton e Reagan foram beneficiados por recessões no ínicio.
O problema para Obama é que ele não enfrenta um ciclo recessivo como em 1982/83 e 1991/93. Enfrenta um processo bem mais complexo, com o país enfrentando uma porcentagem de endividamento crescente e um setor industrial em retração. Poucos economistas prevêem uma recuperação a curto prazo. Obama é o primeiro democrata nãosulista e o primeiro senador em exercício a ser eleito presidente desde de Kennedy, por isso mesmo traz alguns dos mesmos problemas que Kennedy tinha, em especial inexperiência administrativa. Foi com Kennedy que se começou a construir o Muro de Berlim, que houve Invasão da Baía dos Porcos e o início da Guerra no Vietnã. Obama certamente teria vida fácil e popular em tempos menos turbulentos.
Já os eleitores de Obama? Convivem com a dura realidade que Obama, no fundo, no fundo é um político.
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A Pollyanna da Vila Madalena
A Pollyanna da Vila Madalena nos brinda com o seguinte trecho de sabedoria:
Mesmo assim –e por falta de alternativa– muitos deles vão dar aulas. Essa notícia é pior (muito pior, diga-se) do que enchente. As enchentes vão e voltam, mas o professor sem capacitação fica, causando danos diários.
Creio que quem perdeu tudo o que tinha em enchente ou mesmo pedeu entes queridos vai discordar. Mas poderia ser pior: ele poderia ter falado em terremoto ao invés de enchente.
(Nota: O governo de São Paulo tentou várias soluções advocadas por Dimenstein, incluíndo uma tentiva canhestra de criar um currículo apostilado e provas de seleção. Como se vê, funcionou que é uma beleza).
2 CommentsThursday, January 21st, 2010...11:48 am
PT e PSDB
O Hermenauta comenta um post do NPTO em que este levanta a hipótese de uma aliança entre o PT e o PSDB, ou que os petistas no início do governo Lula poderiam ter escolhido se aliar aos tucanos. Hmm… Esse típo de fantasia pode ser bastante bonitinho, mas ignora um ponto chave em política: partidos são definidos pelos grupos de interesse e faixas sociais que o sustentam, não por ideologia. Os dois partidos americanos até 1968 são dois exemplos claros: ambos os partidos tinham políticos bastante conservadores e políticos bastante liberais, em muitas eleições presidenciais as diferenças entre os candidatos eram mínimas, mas no fringir dos ovos a diferença costumava ser que os democratas tinham uma base de sustentação socialmente mais humilde, com uma coalizão entre protestantes rurais de classe baixa no Sul e católicos urbanos de classe baixa enquanto os republicanos como um todo tinham uma base de classe média alta. Por isso mesmo que mesmo políticos conservadores democratas tinham um ar geralmente populista, por isso mesmo que políticos republicanos liberais eram de uma certa forma elitizados.
São variações do que ocorre em cada país, dependendo da composição social, entre outras coisas. A diferença entre o PT é que este tende a assumir o papel de defesa das classes mais baixas, o PSDB da classe média(Que, claro, aqui cai mais no conceito francês de pequena burguesia que do conceito americano de classe trabalhadora). Por isso mesmo que pode-se chiar sobre neoliberalismo, mas por isso mesmo que os tucanos não ousam mexer na gratuidade do sistema universitário público. E por isso mesmo que a diferença entre tucanos e petistas no tocante a programas sociais é a quantidade de dinheiro que deve ser alocada nestes, justamente porque a classe média brasileira prefere que estes programas sejam gastos com alguma outra coisa. E quando se reclama de que não existe direita no Brasil é justamente porque dentro da classe média brasileira não existe espaço para small government conservatives a la Barry Goldwater. É uma classe média que vê governo como algo afável a parte dos seus interesses.
E ha um ponto pouco notado sobre a ascensão do PSDB atual: ele se deu, basicamente, em cima dos cadáveres do quercismo e do malufismo. Quércia e Maluf construíram considerável capital eleitoral porque sabiam como ninguém manipular um eleitorado basicamente bastante à esquerda em economia, mas conservador socialmente. Pode-se criticar e satirizar o quanto o quiser quando Maluf falava em colocar a Rota na rua, mas esta era uma solução para um problema que a população enfrentava e que se valia do ponto comum na época, que era o uso da força. E assim como Ademar de Barros, os dois sabiam da necessidade de se atender às diversas regiões do interior e do uso de obras públicas de grande porte como forma de construir capital político.
O quercismo caíria em desgraça quando elegeu um sucessor inepto, Fleury, em 1990, assim como a eleição de Celso Pitta como sucessor para a prefeitura de São Paulo em 1996 colocaria o malufismo em panos quentes. Por outro lado, em 1998 Mário Covas só foi eleito governador porque ele pegou um primeiro turno dividido entre ele, Marta Suplicy e Paulo Maluf. Maluf então tinha votos para ir ao segundo turno, mas ao mesmo tempo rejeição o suficiente para perder. E Covas foi ao segundo turno por causa de uma vantagem muito pequena frente a Marta. Em 2000, um fenômeno semelhante levou Marta Suplicy à prefeitura de Sâo Paulo. Marta poderia ter sido governadora, Alckmin prefeito da capital ainda em 2000.
A virada de mesa ocorreria em 2001, com a morte de Mário Covas, então um governador extremamente impopular. Geraldo Alckmin, ao assumir o governo dá um novo rumo mais à direita, ressaltando bastante a questão de segurança, com uma presença mais perceptível da polícia(em 2002, uma ação contra um ônibus supostamente infestado por assaltantes, que foi fuzilado na entrada de Sorocaba, seria presença na propaganda eleitoral. Assim como as obras públicas inauguradas no mesmo ano, em especial a nova pista da Rodovia dos Imigrantes. Ajudado por uma campanha ruim de José Genoíno, Alckmin traria malufistas e quercistas desencantados para a nova casa, e Maluf nunca mais chegaria próximo de um segundo turno na prefeitura da capital ou no governo do estado.
Certo, é uma historinha meio longa, mas que se prende a São Paulo. Mas este é o maior colégio eleitoral do país(Misture aí o Sul de Minas, Triângulo Mineiro e Norte do Paraná e você tem uma população próxima de um terço do país). E no resto do país, é uma história que se mistura em parte com a falência de outro sistema político, o antigo PFL. Não só o PSDB cresceu com espólios do antigo PFL, como o seu sucessor, o DEMO, precisa do PSDB para ter alguma relevância.
O PT e PSDB podem ter origens semelhantes, podem ter semelhanças ideológicas. Mas estão em pólos opostos do ponto de vista social e político. Aliás, lugar aonde o PSDB tem força mesmo(Nacos inteiros do interior de SP) é lugar aonde o PT tem dificuldade em eleger vereador.
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Sobre o Decreto Nacional de Direitos Humanos
1-) Eu particularmente sou contra qualquer tipo de julgamento contra os acusados por tortura durante o regime militar(O modelo da Segunda Guerra Mundial, que criou situações bizarras como de um sujeito com OITENTA E OITO ANOS sendo deportado de Ohio para ser julgado quase que na cama na Alemanha, é justamente o modelo que não deve ser seguido). Mas, obviamente, os militares devem seguir o presidente, não o contrário.
Dizer “crise militar” soa um tanto quanto infantil. Se os generais estão insatisfeitos com o decreto que entreguem seus postos ao presidente.
2-) Com relação ao aborto, é irrelevante o que o decreto diz, pela simples razão de que o assunto é tão impopular politicamente que jamais passaria pelo Congresso(A maioria das pesquisas registra forte oposição, com fortes margens). Não é por religião, por mais que as doutrinas religiosas mais fortes do país se oponham ao aborto. Mas basicamente porque as pessoas tendem a enxergar fetos como uma forma de vida, num país que coloca ênfase na figura materna. E claro, nos anos 60/70, quando os países da Europa e América do Norte aprovaram leis liberalizando o aborto os métodos anticoncepcionais tinham acesso bem mais difícil e a figura de jovens mães morrendo em abortos ilegais no México era comovente. Hoje, bem, esse tipo de gravidez não raro ganha uma imagem de descuido(Em parte por isso que nos EUA as pesquisas tem registrado número crescente de pessoas que se dizem contrárias á pratica).
Por isso mesmo que político que recebe votos, gente que depende de eleitor para manter cargo não toca no assunto ou é discreto(Como a cúpula inteira do PT paulista o é). Este é o third rail mais famoso da política brasileira. O que nos leva ao ponto que o problema não é o decreto falar em aborto: mas sim de que o aborto é tão impopular que esta é uma forma fácil de se atacar o presidente.
O que é todo o problema da discussão sobre o assunto.
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Os sinais de fumaça em Massachusetts
Semana passada, o Representante Barney Frank(D-Massachusetts) havia dito que se Martha Coakley, a candidata democrata à eleição especial pelo Senado desta terça a reforma da saúde estava morta. Coakley perdeu, no coração da Nova Inglaterra, no mais puro território democrata. É a terceira eleição seguida em nível estadual que os democratas perdem num estado vencido por Obama. O problema, mais que questões estaduais, são os sinais de fumaça.
Durante os seus doze anos de controle da Casa de Representantes, em especial quando Newt Gingrich era o speaker, a maior parte dos membros das comissões e outras funções com poder eram sulistas de distritos bastante conservadores. Isso dava ao Congresso um ar um tanto quanto extremista e distante do resto do país, o que permitiu a Bill Clinton usar isso para atacar Bob Dole em 1996. Nancy Pelosi, a atual speaker, vêm de um distrito de San Francisco, um dos maiores rincões liberais do estado, e quase todos os seus principais líderes vêm de distritos bastante liberais também. O Congresso de Nancy Pelosi cada vez mais parece um espelho do Congresso de Newt Gingrich e Tom DeLay. Assim como os republicanos a turma de Pelosi recebe toda a acusação de corrupção. Charles Rangel(De Nova York), que chefia a comissão que escreve o código tributário no Congresso é acusado de sonegar impostos, por exemplo.
Cada vez mais se mostra possível ver os republicanos dominando as duas casas do Congresso em 2011. Uma coisa é certa: veremos Obama falar por mais tempo em economia, e menos em plano de saúde.
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Os fantasmas de 1994

Nos Estados Unidos, pela Constituição, sempre que um senador morre ou renunciar, a prerrogativa de escolher o substituto até a proxima eleição é do governador do Estado. Há nuances estaduais, claro. No Wyoming, o governador escolhe apartir de uma lista triplice feita pelo partido do senador morto, no Arizona o substituto deve ser do mesmo partido do senador morto. Em Massachusetts tinha tudo para ser simples para a cadeira do falecido senador Ted Kennedy: o governador democrata Deval Patrick escolheria um nome, e em novembro deste ano ele seria confirmado.
Mas em 2004 John Kerry, o outro senador do estado, tinha grandes chances de ser eleito presidente. E o governador do Estado, Mitt Romney, era um republicano. Então, para manter a cadeira em mãos democratas, estes, que dominam o legislativo estadual, instituiram uma eleição especial para futuras vacâncias. Eleiçoes especiais em países sem voto obrigatório são um assunto complicado. Como pouca gente se anima a votar, o resultado vai para o lado com maior moral.
Marta Coakley, a candidata democrata, é uma candidata terrível. Tem o carisma de uma batata. Chegou a dizer que Curt Schilling, o lançador do Boston Red Sox que tirou o time de um jejum de 96 anos na World Series seria torcedor do New York Yankees(O Red Sox é uma instituição no estado, e poucas rivalidades esportivas superam a rivalidade entre os torcedores do Boston Red Sox e dos Yankees). Tem um histórico ruim como promotora. Além do já citado por aqui caso dos Amiraults, ele estava na acusação do caso de Louise Woodward(A babá inglesa condenada por matar o filho da patroa, mesmo com indicios de morte natural) e do Padre Paul Shanley(Um dos padres da Arquidiocese de Boston, condenado por estupro contra menores apenas pelo testemunho de uma das supostas vítimas, que havia sido submetida à técnica de “memórias recuperadas” quando adulto). Scott Brown, o oponente republicano, é um político telegênico e habilidoso. Ele lidera todas as pesquisas até agora.
Para os democratas é um doloroso sinal de alerta. Por pior candidata que seja Coakley, ainda é a Massachusetts dos Kennedys, Michael Dukakis, John Kerry e Barney Frank. Um democrata derrotado em Massachusetts demonstra um ambiente hostill no resto do país, ambiente que pode ser fatal numa eleição de meio de mandato. A mensagem parece ser: aprovar o que der na reforma da saúde, torcer para todo mundo esquecer aquilo até novembro e ver no que dá.
Nada muito inspirador. Aliás, a cada tentativa de se arrumar apoio dentro dos democratas para a reforma, a coisa fica mais feia(A última idéia foi a de isentar membros de sindicatos de uma proposta de taxação para planos de saúde de alto custo. Sério).
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Deixa de ser criança, Record
A Folha publicou o seguinte texto:
“A Record foi obrigada a exibir ontem no “Domingo Espetacular” um trecho de um documentário sobre o garoto Sean Goldman em que a Globo e a cobertura do “Fantástico” são citadas. A informação é da coluna Ooops!, da UOL.
(…)
A emissora paulista comprou os direitos exclusivos de exibição do documentário, produzido pela NBC, sem perceber que o mesmo continha as imagens da concorrente.
De acordo com a coluna, o departamento de Jornalismo da Record entrou em contato com a NBC para pedir permissão para cortar o trecho, o que não foi consentido.
Com isso, a Record teve que exibir o material na íntegra. ”
Alguém precisa dizer isso: essa rejeição de uso de material jornalístico por parte de outras emissoras no Brasil é tosco e infantil. Quando o âncora Charles Gibson da ABC se aposentou ele foi cumprimentado, no ar, pelos seus dois concorrentes diretos, Brian Williams e Katie Couric. Os telejornais americanos sempre exibem trechos de entrevistas feitas em programas de concorrentes. A pendenga por causa da decisão da NBC de colocar Jay Leno no horário nobre no lugar de seriados e colocar Conan O´Brien no The Late Show, para depois reverter, apareceu em todos os canais(Inclusive na NBC).
As emissoras brasileiras precisam colocar padrões jornalísticos acima de orgulho ou interesses próprios geralmente pequenos.
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Os fantasmas de 1994
Edward Brooke foi o primeiro negro a ser eleito Senador nos Estado Unidos por voto popular. Foi o último republicano a ser eleito senador no estado de Massachusetts, isso em 1972. Os democratas não só tem maioria nas duas casas da Legislatura estadual: tem cerca de 90% dos membros das duas legislaturas. No pós-guerrra, o estado só votou num republicano para presidente três vezes, perdendo somente para Minnesota na quantidade de vezes que votou num democrata no período.
Não existe estado mais improvável para ver um republicano sendo eleito senador. Por isso mesmo a eleição especial para preencher a cadeira do falecido Senador Ted Kennedy têm chamado atenção. Scott Brown, o candidato republicano, tem se mostrado bastante competitivo contra a candidata democrata, Martha Coakley, a procuradora geral do Estado. Coakley tem sido criticada por causa da sua campanha apática e pela sua atuação como promotora para manter Gerald Amirault, o dono de uma escola preso por abuso de crianças com base em provas basicamente inexistentes, preso, quando em 2002 a então governadora do estado, Jane Swift, considerou comutar sua pena.
Uma candidata rejeitada pela base, uma oposição energizada. Um ambiente tão tóxico que inclusive atraiu a atenção de Obama e Bill Clinton, ambos fazendo campanha para Coakley. Por outro lado, estamos falando de Massachusetts. Se em Massachusetts democratas estão com problemas, imagine-se na Dakota do Norte(Aonde o Senador Byron Dorgan anunciou a aposentadoria depois que pesquisas indicavam que ele estava aatrás do governador do estado, John Hoeven, por dois dígitos) e no Arkansas.
O Arkansas é um caso a parte. Junto com a Virgínia Ocidental é um dos estados do Sul em que os democratas mantém forte presença em nível estadual, um estado de tradição democrata conservadora que apesar de rejeitar candidatos a presidente liberais e urbanos como Walter Mondale, Michael Dukakis e Barack Obama costuma votar no tipo certo de democrata(tipo Carter ou Clinton). É um estado em que apresenta problemas para os democratas. A senadora Blanche Lincoln, que concorre a reeleição este ano, apresenta números anêmicos. Vic Snyder, um congressista que representa a capital Little Rock, anunciou aposentadoria prevendo uma disputa dificil.
Detalhe: Scott Brown, que concorre em Massachusetts(Yes, Massachusetts), não tem escondido, em campanha, oposição a proposta de Obama de reforma na saúde. Entre democratas de distritos conservadores, quem se opôs a propostas de Obama apresenta números bem mais favoráveis que quem apoiou. Obama certamente vai se deparar com um Congresso mais hostil em 2011: se não for um Congresso controlado por republicanos vai ser um Congresso com democratas mais dispostos a enfrentá-lo.
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Sobre o Haiti
- O aeroporto de Port-au-Prince está lotado de suprimentos vindos de todas as partes do mundo, e falta estrutura para-se distribuir os mantimentos.
- Falta na ilha equipamentos médicos básicos, como raio x. Por isso mesmo grandes quantidades de médicos podem ser inúteis.
- O governo do Haiti é historicamente um dos mais corruptos do mundo, portanto, grandes injeções de dinheiro via ajuda governamental teriam um destino pouco grandioso.
- Sim, muita gente de organizações de caridade ocidentais morreu ou ficou soterrada. Não é um lugar particularmente ignorado por este tipo de gente.
Basicamente, há muito lugar comum entre brasileiros como solucionar a crise(Já vi gente que comparou a ajuda financeira aportada ao país com o TARP para os bancos brasileiros). Mas são tão distantes da realidade como são lugares comuns.
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A política da dívida

Em 1988, George Herbert Bush, ao aceitar a nomeação republicana naquele ano disse a seguinte frase num discurso: “Leiam meus lábios: nenhum novo imposto”. Em 1990, ele teria que aceitar um grande pacote de aumento de impostos, e em 1992 esta seria uma das principais peças de ataque da campanha de Bill Clinton. Obama na campanha eleitoral fez, repetidas vezes, a promessa de que não aumentaria os impostos de quem ganhava menos que 250 mil dólares. Só que ele enfrenta um panorama dificil.
As projeções de déficit público nos EUA giram atualmente em torno de 1,4 trilhão de dólares, o que dá algo em torno de dez por cento do PIB americano, e alguma coisa um pouco menor que o tamanho do PIB brasileiro e um pouco maior que o PIB canadense. Como Pat Buchanan detalha, não há muito espaço para cortes. Os cinco maiores elementos do orçamento federal são Previdência Social, Medicare(A assistência de saúde para quem tem mais de 65 anos), Medicaid(Assistência de saúde para os pobres), defesa e pagamento de juros da dívida.
Com juros numa taxa historicamente baixa pode-se esperar que eles aumentem. Com Obama sob fogo cruzado dos idosos por causa da proposta de cortes no Medicare por causa da reforma na saúde, o grupo etário mais poderoso dos EUA, cortes na Previdência Social e no Medicare ficam fora de questão. Defesa? Bem, há o desgaste de equipamento em dez anos de guerras e Obama está aumentando a presença no Afeganistão. Medicaid? Obama teria que enfrentar seu grupo político mais fiel. Além disso? Em coisas como FBI, Segurança Doméstica e CIA é inviável mexer depois da quase tragédia em Detroit. Educação, que Obama prometeu aumentar verbas? Cortar coisas como vales para alimentos e auxílio desemprego em tempos de recessão? Dificil.
A recessão costuma oferecer desafios de gastos pouco animadores, ainda mais num país com baixos índices de poupança pessoal e estrutura social relativamente magra. As TV´s pipocaram com casos de pessoas com bom padrão de vida que acabavam num trailer depois de perder emprego. Isso demanda uma maior rede de apoio social. Numa recessão há pressões para se aumentar o déficit, que já conta com bastante pressões. É dificil aumentar impostos sem ampliar a recessão. E os problemas não estão apenas em Washington DC: a situação calamitosa do ponto de vista fiscal de estados como Califórnia, Nova York, Flórida, Nevada e Nova Jersey implica que o governo vai ter que cedo ou tarde entrar com pacote de auxílio(Mesmo que talvez a maior parte do pacote de estímulo tenha sido destinada a isso).
Politicamente, um problema para Obama é que historicamente, desde dos anos Reagan, o déficit é uma preocupação mais democrata que republicana, e senadores democratas como Evan Bayh(Indiana) e Kent Conrad(Dakota do Norte) ja deixaram claro que querem o problema resolvido. Obama pode pagar tão caro quanto o primeiro Bush no tocante a sua promessa de não criar novos impostos.
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Cadê os jornalistas brasileiros no Haiti?
É impressao minha ou nenhuma emissora de TV brasileira enviou correspondentes ao Haiti? Eu dei uma zapeada básica na GloboNews e o máximo que eu vi, além de material requentado da CBS e da CNN, foi de repórteres numa base da FAB no Brasil, além de material antigo sobre Zilda Arns. Pô, todas as redes mandaram vários correspondentes(Katie Couric, Brian Williams e Diane Sawyer, que apresentam os três jornais noturnos das três grandes emissoras foram para a ilha). Não é das tarefas mais dificeis, já que a República Dominicana, que é outro lado da ilha, ainda recebe vôos.
Vá lá, eu não espero ver o Boris Casoy ou o William Bonner apresentando seus telejornais do Haiti, em especial porque são nomes que não podem ser comparados com os jornalistas estrangeiros citados(Ao menos estes são jornalistas de verdade, o que não pode ser dito de Bonner e Casoy). Mas considerando a quantidade de brasileiros na ilha(Fato ressaltado hoje por Obama) a cobertura que a crise recebe da imprensa brasileira é vergonhosa.
P.S: Só depois de escrever isso eu notei que a Globo mandou uma equipe, com mais de dois dias de atraso.
5 CommentsThursday, January 14th, 2010...9:50 pm
A Pollyanna da Vila Madalena
“Podem me chamar de ingênuo ou até desinformado, mas considero que o cenário retocado, limpo, do centro de São Paulo apresentado em ‘Tempos Modernos’, a nova novela da Globo, está muito longe do real –mas tem tudo para ser o nosso futuro.”
Sério, daqui a pouco o Dimenstein escreve uma coluna sobre o fato de nunca ninguém broxar em filme pornô…
Wednesday, January 13th, 2010...3:38 pm
Previsões sobre a eleição deste ano
- Pessoas do circuito Vila Madalena-Lagoa Rodrigo de Freitas-Granja Viana(tm), e que NUNCA viajaram para a periferia ou para o interior inventarão algum banco de dados com informações sobre campanha geralmente pouco relevantes. Ninguém irá consultar esses bancos de dados, apesar de seus criadores proclamarem que eles serão o fim de todos os problemas institucionais do país.
- Em São Paulo, o deputado federal mais votado será um nome com bastante reconhecimento por nome, provavelmente uma celebridade representada por um partido nanico que construirá uma votação expressiva com pequenas quantidades de votos nas milhares de seções do Estado com quarenta milhões de habitantes. De três a cinco deputados dos mais votados serão celebridades do mundo artístico. Dos 70 deputados que a cidade elegerá, cerca de cinquenta terão base na região central de São Paulo, com a periferia,a Grande São Paulo e o interior elegendo todo o resto. No interior, as regiões que conseguirão eleger deputados são aquelas em que se candidatam prefeitos com múltiplos mandatos e sem nenhum candidato local para fazer oposição. Regiões inteiras, incluindo toda a região norte da Periferia Norte de Sâo Paulo e pedaços inteiros do interior ficarão ausentes de representação.
- Muitas eleições serão decididas por juízes, não pelos eleitores. As restrições à campanha por gente fora da campanha ajudará a criar um clima de apatia.
- O circuito de Vila Madalena-Lagoa Rodrigo de Freitas-Granja Viana(tm) ficará escandalizado com a eleição do que chamam de “mensaleiros” e outros acusados por corrupção, enquanto que pessoas que moram fora deste seleto circuito irão passar por cima de coisas como currículo e propostas para tentar eleger candidatos da sua cidade.
- A esmagadora maioria dos eleitores ficará confusa ao votar ao mesmo tempo para deputado federal, deputado estadual, dois senadores, governador e presidente. Muitos verão milhares de placas de candidatos candidatos a deputado e não saberão se são candidatos a deputado federal ou estadual.
Outros votarão na legenda, o que permitiria vida fácil a um pequeno número de eleitores com identificação partidária, mas pouco interesse dentro da população.
- A eleição para governadores será deixada para segundo plano, e não haverá uma discussão sobre o que deve ser feito em nível estadual. Candidatos relativamente inexpressivos ganharão eleição para governador em muitos estados grandes. Pior, estados grandes com população heterogênea que em tese deveriam ter eleições disputadas elegerão governadores no primeiro turno.
Pior, o princípio democrático da alternância no poder sofrerá baques, com governador iniciando um terceiro ou quarto mandato. e estados sendo governados pelo mesmo partido de forma ininterrupta por vinte ou dezesseis anos. A imprensa, obviamente, ignorará esses problemas em cima de algum ponto sem a menor relevância.
- A quase totalidade da população votará porque se sentirá obrigada a isso.
- Fora das capitais os candidatos a deputado utilizarão da plataforma de terem nascido ou que moram em cidade tal.
- A imprensa investirá em algum tipo de análise preguiçosa, provavelmente falando sobre a divisão do país. Diferença de votação por regiões, que em tese é natural, alimentaria essa
análise. Pessoas e analistas irão se referir a programas sociais de políticos que atacam como assistencialismo, e defender programas similares de políticos que estas mesmas pessoas defendem. A vitória dos políticos que estes analistas defendem seria a vitória do bomsenso e da democracia, enquanto que a vitória de políticos do lado contrário seria a vitoria da desinformação do eleitor.
- O circuito Vila Madalena-Lagoa Rodrigo de Freitas-Granja Viana(tm) emitirá julgamentos elitistas e discriminatórios contra o eleitorado, além de reclamar sobre alguma coisa.
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A ditadura militar acabou
Quando eu nasci já fazia mais de dois anos que a Lei da Anistia havia passado, a reabertura política estava a pleno vapor e sou um tanto quanto grandinho. Não falta gente mais nova que eu por aí. Passei a maior parte da infância sobre uma presidencia civil, assisti cinco eleições presidenciais desde de então. Convenhamos, sobre todos os efeitos, a ditadura militar acabou. A maioria dos membros da guerrilha que não morreu está aposentada curtindo os netos ou cuidando dos filhos na universidade. A maioria dos presidentes e governadores de vulto da época estão mortos.
Algum incauto que visite o Brasil pode achar que a ditadura militar ainda persiste, e de que os generais governam o país. Ou pior, de que os tais terroristas de esquerda, não a violência urbana, sejam o problema de segurança do país. Fala-se da tortura na época como se ela não existisse hoje e como se o histórico de direitos humanos do país fosse limpo. A cada momento se encontra um pretexto para se discutir alguma coisa do regime militar, seja sobre os arquivos da ditadura, seja sobre a tortura ou mesmo o pagamento de indenizações a vítimas da guerrilha na época(Juro que adoraria ver alguém defendendo isso para crimes comuns).
O país precisa ser libertado do regime militar. Em 2016 fazem trinta anos que o último general governou o país. Se a questão é direitos humanos, ganharia-se mais se discutisse temas como a Chacina de Queimados ou tenebrosos problemas com forças de segurança no país que com DOI-CODI. Se a questão é segurança e justiça há outros problemas mais importantes. O que não dá é o país(Ou melhor, meia dúzia de jornalistas e politicos) ficar ad naseaum discutindo se o Coronel Ulstra deve ser julgado ou se a família de um policial que foi morto por guerrilheiros quarenta anos atrás deve receber indenização.
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