Peixe pequeno
Posted on May 16, 2008
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Chávez encontrou um novo adversário: a Interpol, que confirmou que o computador de Raul Reyes não foi manipulado e que portanto os anúncio de que Chávez teria financiado as FARC. A Interpol compactuaria com o assassinato e a invasão de terras estrangeiras. Hmmm. Não é tão simples assim.
Eu nunca fui lá muito favorável ao fato da Colômbia ter feito um ataque contra um país vizinho. Mas isso me parece peixe pequeno perto de se financiar e armar um grupo com as FARC - com foguetes anti-tanque e lança-granadas. As FARC é famosa pelo uso de crianças como soldados, tem mantidos alguns dos mais horrendos sequestros em tempos recentes no hemisfério ocidental e aterroriza os camponeses nas áreas em que controla. E sim, num país vizinho.
Se Chávez quer desviar a atenção das acusações que está sofrendo deveria mudar o disco. O ataque dos colombianos na fronteira entre os dois países é fichinha perto de se financiar e armar um grupo terrorista do porte das FARC. O relatório da Interpol lança por terra qualquer suspeita de falsificação por parte dos colombianos: o computador não teria sofrido alterações desde do ataque e a quantidade de arquivos(37.872 documentos de texto, 452 planilhas de cálculo, 210.888 imagens, e 10.537 arquivos multimídia) parece tornar quase que impossível a tarefa de se forjar tanta informação…
(Aliás, Chávez usou o Brasil para dizer que a Venezuela pode substituir a comida importada da Colômbia).
Os petistas e a ponte
Posted on May 15, 2008
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Parece que os petistas do IG(Incluindo Gustavo Petta e o marido da Marta Suplicy) estão atacando a Folha de São Paulo pelo fato do jornal ter mudado de opinião sobre a ponte estaiada no Rio Pinheiros na região da Avenida Jornalista Roberto Marinho em São Paulo. Três anos atrás o jornal atacou o projeto como projeto desnecessário, hoje a dita, que recebeu o nome do fundador do jornal, é elogiada.
Hmmm. Eu sei que vou soar repetitivo, mas uma ponte estaiada naquele local não é só um projeto caro e extravagante, mas um desperdício irresponsável de dinheiro público. É uma bela conclusão para a famigerada e antiga Avenida Águas Espraiadas, famosa por ter custado mais que uma linha de metrô. Não há NADA que justifique o uso de uma ponte estaiada ou qualquer ponte com o uso de estruturas metálicas no lugar.
Marta Suplicy deveria ser proibida de disputar qualquer cargo público por ter aprovado o projeto, assim como Serra e Kassab, que deram continuidade.
Macaquices
Posted on May 14, 2008
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Um bar em Marietta, Georgia, está vendendo camisas de Curious George(Um chimpanzé de uma série de livros infantis dos anos 40) com a inscrição Obama 2008. O dono do lugar nega racismo, e diz que só notou a similaridade entre Obama e o macaquinho dos livros(Ele diz que um cara da Nova Jersey queria encomendar cem camisas).
Hmmm… sei.
Uma noite ruim para os republicanos
Posted on May 14, 2008
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Hoje, Travis Childers, um democrata, venceu uma eleição especial pelo Primeiro Distrito do Mississipi. O distrito fica ao norte do Estado, e Roger Wicker, que foi para o Senado no lugar de Trent Lott têm ganhado fácil esta cadeira desde de 1994. Bush também venceu este distrito com 62% do voto. É um distrito conservador, em que negros são minoria. O que dá um significado especial à vitória democrata. Afinal, estamos falando do Mississipi.
E isso depois que vários republicanos de expressão estadual e nacional, como o governador Harley Barbour, o ex-senador Trent Lott, o senadores Thad Cochran e Roger Wicker foram fazer campanha no lugar. E depois que o partido nacional investiu 1,3 milhão na corrida.
Duas semanas atrás, quando Don Cazayoux, outro democrata, venceu a eleição especial pelo Sexto Distrito da Lousiana(Um distrito conservador historicamente republicano que abriga a capital Baton Rouge) colocou-se em questão o fato da região ter recebido muitos eleitores mais liberais de New Orleans e o fato de Woody Jenkins, o oponente de Cazayoux ser muito fraco. Isso depois da derrota dos republicanos na eleição especial no 14 distrito de Illinois(Nos subúrbios ao norte de Chicago), outro distrito historicamente republicano(Dennis Hastert, ex-Speaker da Câmara de Representantes representava o distrito).
Não são bons sinais para os republicanos.
Virginia Ocidental
Posted on May 14, 2008
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A Virgínia Ocidental é um estridente estado democrata. Os democratas dominam dois dos três distritos de deputados, as duas cadeiras do Senado, a casa do governador e as duas casas da legislatura estadual(Com folga, aliás). Só nas duas últimas eleições presidenciais que a casa virou para Bush(Demonstrando que o Partido Democrata nacional não é tão popular quanto o local). Também é um dos estados mais pobres do país, com uma população majoritamente branca e sem grandes cidades nem campus universitários.
A vitória de Hillary Clinton de uma certa forma é simbólica. As chances dela ganhar a nomeação presidencial são irrisórias. Mas o estado tem um significado maior. São cinco votos no colégio eleitoral que Obama começa a eleição sem grandes esperanças de conseguir. Pior, a Virgínia Ocidental representa uma demografia que se repete em boa parte da região da Appalachia. Pior ainda, essa é uma demografia muito importante em dois estados vizinhos chaves numa eleição geral: Ohio e a Virginia(No oeste deste estado, que Obama venceu, os seus resultados foram ruins. Somente em Floyd e Montgomery, que abriga a universidade de Virginia Tech, que Obama venceu) .
Sâo problemas mais sérios para Obama que Hillary Clinton.
Coisas mais jovens que John McCain
Posted on May 13, 2008
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Como muitas pessoas estão reclamando do viés anti-Obama deste blog ofereço um link sacaneando legal John McCain. Things younger than Republican Presidential candidate (oh, and did I forget to mention “war hero”?) John McCain
Hilário.
Uma eleição de primeiros
Posted on May 11, 2008
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A eleição deste ano nos Estados Unidos será uma eleição de vários primeiros. Começa por ser a primeira vez desde de Kennedy que um senador é eleito diretamente presidente(E a terceira em toda a história dos EUA). É a primeira eleição de 1948 que o eleito não tinha base política no Texas, Califórnia, Massachusetts ou no Deep South(Note-se que Kennedy foi a ÚNICA exceção nesta rotação de estados e que nenhum republicano fora do Texas e da Califórnia foi eleito desde de Hoover em 1928). Também pode ter não só primeiro negro ou a primeira mulher eleitas presidente, mas também o primeiro presidente de um dos estados do Sudoeste(Ou de toda a cadeia das Montanhas Rochosas) a ser eleito. Também pode marcar a primeira vez respectivamente de um presidente com base política em Illinois desde de Lincoln e a primeira vez que um presidente com base política em Nova York é eleito desde de Roosevelt. E ainda, também pode marcar a eleição do presidente mais velho em seu primeiro mandato.
E sim, pode marcar a primeira vez que o partido de um presidente com indíces de reprovação tão baixos elege seu sucessor, a primeira vez que um democrata é eleito depois de uma primária longa, a primeira vez que alguém com recorde de votação tão liberal como o de Obama é eleito. Também pode marcar a primeira vez desde de 1916 que um democrata ganha a presidência sem a Virginia Ocidental. Também pode marcar a primeira vez que um candidato seria eleito depois de perder quase todos os dez maiores estados nas primárias. Também pode ser a eleição do presidente com menor experiência depois de Warren Harding em 1920. Talvez seja esta uma das problemáticas de qualquer análise desta eleição: ambos os lados contam com vulnerabilidades demais e temos aí circunstâncias que não estamos acostumados a ver.
O pior problema de Obama é que ele começaria a brincadeira na difícil posição de não contar com nenhum dos estados do Sul, a não ser Maryland e Delaware que na prática não são estados sulistas. Nisso são 173 votos, o que deixa McCain a de 98 votos da maioria eleitoral. O pior é que estados cruciais aos democratas, como Ohio e Missouri são muito influenciados pelo o que ocorre no sul(Nisso, já se tem 204 votos). Isso gera um terreno arriscado, em que não há possibilidade de falhas.
Por outro lado, a idade de McCain se torna um problema. Fazer campanha é algo particularmente cansativo e bem, nem todo mundo é Reagan para se mostrar jovial com esta idade. A idade de McCain também faria com que suas idéias soassem ainda mais, uh, antiquada(Claro que este discurso pode incentivar que as pessoas da Terceira Idade votem em massa para McCain). McCain também teria que lidar com os péssimos índices de aprovação dos republicanos e de Bush em particular. E pior, sua campanha mostrou poucos sinais de brilhantismo desde do ano passado.
Pensando bem nesse ritmo há o perigo de Ralph Nader ser eleito…
O sociólogo do óbvio
Posted on May 10, 2008
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Constrangedoramente simples até: o brasileiro vota a favor do governo ou do candidato do governo se considera que sua vida está boa ou melhorou. E vota no candidato da oposição se considera que ela está ruim ou piorou. Questões como ética, corrupção, separação entre o público e o privado não entram nessa conta.
Seria interessante se o pessoal da Veja e nosso sociólogo nós dissessem um país em que esta lógica não é aplicada. A maioria das eleições americanas em que a questão da corrupção de fato pesou foram para o Senado, como a disputa entre Chuck Robb e Oliver North pelo Senado da Virginia em 1994(AMBOS tinham acusações fortes de corrupção). Clinton foi reeleito mesmo enfrentando todo tipo de acusação de corrupção, Reagan sobreviveu ao Irã-Contras, claro, porque em ambos os casos a economia mantinha bons índices. Nixon sofreu mais revezes por causa da economia que por causa do Watergate. É assustador que o sujeito tenha que ter pesquisado para achar essas coisas…
Nesse ritmo os sábios da Veja irão encontrar um sujeito dizendo que a água é molhada ou coisa do gênero…
El Pais: Confirmado envio de armas e dólares de Chávez as FARC
Posted on May 10, 2008
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Segundo documentos do computador de Raul Reyes em poder do jornal El Pais confirmaria-se de vez a tese de que Chavez teria enviado trezentos milhões de dólares para as FARC. Pior, Chavez teria enviado também armamento pesado, como lança-granadas e mísseis anti-tanque, oferecido à guerrilha participação no negócio de petróleo e que ainda treinasse grupos chavistas. O negócio teria sido fechado em novembro de 2007, por ocasião do fracassado acordo humanitário. Chávez teria oferecido fundos da estatal petrolífera PDVSA para pagar os advogados de Simón Trinidad, um comandante da guerrilha preso nos EUA, e ainda oferecido conexões com autoridades da Bielorússia para compra de armas no mercado negro.
O ponto aí, claro, é que não só há a possibilidade da Interpol confirmar de vez a veracidade dos documentos como, bem, o El País é um jornal espanhol de centro-esquerda. Não parece o tipo de jornal que forjaria documentos contra Chávez. E Juan Manuel Santos, Ministro da Defesa da Colômbia reclamou que os colombianos enviaram repetidamente à Venezuela as coordenadas de Iván Márquez, o secretário das FARC e esta não fez nada.
Hmm… Chávez tem bastante coisa para explicar. Ou não. E fica a questão de como lidar com um vizinho que patrocina diretamente um grupo violento como as FARC.
Irrelevância
Posted on May 9, 2008
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Ontem eu vi na sala de professores um exemplar da Folha de São Paulo e de novo, estava lá a tal polêmica do dossiê na capa, com uma, convenhamos bela tirada de Dilma Roussef em cima do Senador Agripino Maia(Convenhamos, foi uma tirada tão humilhante que fica a par do “Senator, you’re no Jack Kennedy” no debate à vice dos EUA em 1988: a cara de merda de ambos no final é parecida). Mas, há outro ponto que se destaca nesta questão de dossiê toda: ela é totalmente irrelevante. Não há ainda prova da tal chantagem, e bem, isso seria irrelevante.
Se os petistas estivessem, sei lá, juntado provas que desabonassem um juiz ou promotor seria uma coisa. Mas bem, os senadores e deputados da trinca DEMO-PSDB não são juízes nem promotores. Não é a prerrogativa legal deles investigarem isso e mesmo a acusação de extorsão no caso seria mínima perto de tantas acusações de abuso de poder e corrupção que existem por aí(Isso é bem mais brando que as acusações de assédio sexual, perseguição política e perjúrio sob juramento que Bill Clinton, o injustiçado favorito da imprensa brasileiro sofreu). Mas bem, francamente, isto é jogo político barato e é por isso que eu voto nulo.
O que a oposição quer, é bem, bloquear as ações do governo. O que se quer, aqui, é bem, sangrar o governo para que ele fique vulnerável numa eleição futura. É irrelevante a elevação do preço de alimentos básicos, os problemas de infra-estrutura ou problemas com vizinhos importantes como Bolívia e Paraguai. O relevante mesmo é o tal dossiê. Fala sério. Isto é ridículo, mesmo para os padrões brasileiros.
Pior que se os petistas continuarem falando de PAC, Bolsa-Família e todo tipo de obra enquanto a oposição ficar falando de dossiê Lula elege seu sucessor. Com facilidade. É fácil entender porque o DEMO e os tucanos têm tanto medo de que Lula aprove uma emenda constitucional permitindo a reeleição ilimitada.
Obama pode vir a significar o que a América tem de pior, não o que ela têm de melhor
Posted on May 9, 2008
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A narrativa convencional é que a quase certa vitória de Obama na primárias democratas serviria como uma espécie de expiação por anos de conflitos raciais ns Estados Unidos. Infelizmente, o mais provável é que ocorra o contrário: uma vez dono da nomeação, o candidato seria triturado por uma máquina de propaganda negativa que usaria as piores imagens possíveis relacionadas a negros. Ou ainda que Obama seria derrotado por um público que o acha muçulmano ou de que ainda que ele não faz o juramento à bandeira.
O anúncio acima é de uma propaganda eleitoral de Jesse Helms, um ex-senador republicano da Carolina do Norte que de uma certa forma representava tudo que o que se pode esperar de um ruim num político sulista republicano(Ele assobiava “Dixie land“, uma canção popular que era quase que um hino confederado para a senadora negra Carol Moseley Braun, foi o autor da Lei Helms-Burton, que endurecia o embargo a Cuba e sua rejeição a homosexuais era tão forte que foi aproveitada por Michael Moore, que colocou um coral gay para cantar na porta de sua casa em seu programa de TV). O anúncio virou um clássico não muito alentador da política americana.
Uma mão branca, de blusa xadrez, lê uma carta de rejeição de uma proposta de emprego. Ao fundo, a voz que diz: “Você precisava daquele emprego, e você era o mais qualificado, mas eles tiveram que dá-lo para uma minoria por causa de uma cota racial. Isto é realmente justo. Harvey Gantt diz que é. Gantt apóia a lei de cotas raciais de Ted Kennedy que faz a cor da sua pele mais importante que suas qualificações. Você vota nestas questões na próxima terça. Para cotas raciais, Harvey Gantt. Contra cotas raciais, Jesse Helms.”
Gantt era o ex-prefeito de Charlotte que era um oponente que mostrava forte resistências contra Helms, que, claro, venceu. Mas Helms de simples forma aproveitou-se de um ressentimento claro entre muitos brancos: que os negros de alguma forma estariam sendo beneficiados à custa dos brancos. O que, de uma certa forma, explica a forte rejeição à cotas mesmo em estados mais liberais como Califórnia ou Michigan.
Semanas atrás George Packer, da revista New Yorker, relembrou um fato não muito agradável: muitos americanos jamais votariam em Obama pelo simples fato dele ser negro. Packer inclusive encontra vários habitantes do Kentucky que assumem abertamente o fato.
Em 1928, Al Smith foi o primeiro católico a ganhar a nomeação presidencial democrata. Smith foi alvo de uma violenta campanha negativa em torno de sua religião: seria, inclusive alegando-se que sua oposição à Lei Seca seria imposição da Igreja. Tanto que esta campanha difamatória baseada em um forte preconceito contra católicos é a primeira coisa que se pensa quando se fala naquela eleição(”Rome’s Tattooed Man” e “Alcohol Smith’s Platform” são alguns dos bordões infames da campanha)
E claro, Smith poucas vezes é lembrado por ter sido o primeiro candidato democrata à presidência católico. Obama pode ser vítima do mesmo tipo de armadilha. Longe de ser o primeiro presidente pós-racial, ou mesmo da prova do fim do racismo Obama pode muito bem ser a prova final de que as questões sobre raça nunca estiveram resolvidas nos EUA.
Uma noite ruim para os democratas
Posted on May 7, 2008
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Foi o pior cenário possível para Obama: uma derrota em Indiana, que é vizinha de Illinois e uma vitória na Carolina do Norte por números menores que nas vizinhas Carolina do Sul(Na verdade, um ponto a menos, mas tendo um numero maior de oponentes) e Virginia totalmente dependendo do voto dos negros(Sim, Obama venceu com facilidade em Durham, Raleigh, Winston-Salem e Greensboro, cidades maiores e com universidades, e foi derrotado no oeste do estado). Em Indiana, Lake County, que abriga Gary, uma cidade de Indiana habitada majotariamente por negros e vizinha de Chicago não havia divulgado resultados, mas Obama perdeu em quase todos os condados que são vizinhos a Illinois.
É um cenário ruim porque confirma em grande parte que Obama foi danificado de forma até mais violenta que parecia pelo escândalo Jeremiah Wright já que o viés pró-Clinton se confirmou nas pesquisas nos últimos dias. Uma derrota numa eleição geral pode ser extremamente dolorosa para os democratas. Se Obama levar a nomeação e for derrotado seus partidários irão responsabilizar Hillary Clinton que com sua propaganda negativa mostrou as piores vulnerabilidades de Obama. Se Clinton levar a nomeação e for derrotada, bem, os partidários de Obama irão apontar que a responsável seria ela própria, com uma campanha pouco inovadora.
E sim, os resultados até agora têm mostrado que Obama se prende demais à coalizão de minorias e profissionais liberais das grandes cidades que não foram suficiente para que John Kerry vencesse. E outros dois fatores que levaram Kerry à derrota - baixo apoio entre hispânicos e católicos - se repete com Obama.
Lula e Reagan
Posted on May 4, 2008
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Todo mundo se pergunta por que Lula é popular, mesmo com todos os escândalos de corrupção? Daí, tive um claque e me lembrei de um dos mais eficientes anúncios de todos os tempos: o “Its morning in america again“, que Ronald Reagan usou na campanha eleitoral de 1984. É simples: pessoas sorrindo vão ao trabalho, dançando, um casamento, gente arrumando suas casas, enquanto o locutor anuncia os índices positivos do seu governo na economia e no emprego. A mensagem é simples: otimismo. Enquanto isso, a campanha eleitoral do candidato Walter Mondale só falava de coisas tristes, como desemprego e corrupção.
Não a toa, Reagan venceu com facilidade. E Reagan era espontâneo, com um humor simples, a ponto de perguntar aos médicos que o atenderam quando ele foi baleado se eles eram republicanos. São dois pontos que Lula acerta: ele fala errado, usa piadas fáceis e gosta de coisas que o povo gosta. Ele está alegre. E Lula rompe uma espécie de tradição entre a esquerda, que é usar um discurso negativo demais. A maioria dos assuntos de grande parte da esquerda é de problemas, seja da distribuição de renda, aquecimento global ou coisa do gênero.
Enquanto os tucanos ficam repetindo o mesmo discurso sobre cartões corporativos, Celso Daniel, mensalão e sei lá o quê, Lula sorridente apontava que o país estava melhor. Apontava para os indíces econômicos positivos e para o sucesso de seus programas sociais. Sim, o famoso “nunca antes neste País”. Na prática os resultados foram fracos? Sim, mas uma eleição se vence com personalidade e discurso certo.
Irônico que Lula foi o primeiro político brasileiro a emular a maior vantagem que Reagan tinha sobre seus adversários.
Começou
Posted on May 4, 2008
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Floyd Brown, líder do National Campaign Fund um dos responsáveis pelo anúncio com “Willie Horton” na campanha eleitoral de 1988 lançou o anúncio acima, que ainda não foi exibido em nenhuma TV. Ele relaciona Obama à sua recusa de aprovar uma legislação adotando a pena de morte para crimes relacionados a gangues quando estava no Senado Estadual de Illinois(Se você acompanha a imprensa de Chicago sabe que notícias ligadas a crimes de gangues são mais comuns que de tiroteio no Rio de Janeiro).
Algumas semanas atrás o partido republicano da Carolina do Norte lançou o seguinte anúncio, ligando Obama a Wright para atacar dois candidatos democratas no Estado. O anúncio foi criticado por republicanos, incluindo John McCain, mas foi ao ar assim mesmo. Enquanto isso o radialista conservador Rush Limbaugh canta Barack The Magic Negro no rádio.
A grande campanha contra Barack Obama começou.
Indiana e Carolina do Norte
Posted on May 4, 2008
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A região noroeste de Indiana é um dos estados da chamada Chicagoland, a região metropolitana triestadual de Chicago. Gary é vizinha da cidade, faz parte do METRA, o sistema de trens de subúrbio da cidade e como lembra Senador Evan Bayh 25% dos democratas do estado recebem sinais de televisão de Chicago. Já a Carolina do Norte é um estado de grande população negra e universitária, dois dos principais públicos-alvos de Obama.
Por isso que de uma certa forma as primárias nestes dois estados são chave. Obama precisa vencer com uma margem convincente e há pesquisas inclusive apontando uma vitória de Hillary em Indiana. John Brummett desenha o seguinte cenário: abalado pelo escândalo Wright, Obama perde e vence por pouco na Carolina do Norte, e Hillary ficaria de trás de Obama por pouco no voto popular e próximo se Michigan e Flórida entrassem na conta.
Daí, Hillary teria vencido quatro das últimas seis primárias e todas as mais importantes. Enquanto isso, as pesquisas mostrariam que Obama se mostraria ainda mais afetado por Wright, enquanto republicanos usariam a questão para atacar democratas pelo Sul. Daí, os superdelegados concluíriam que ela seria uma alternativa mais viável e encontrariam, não sem dor, um pretexto para um voto maciço nela em uma convenção. Aplaudiriam Obama pelo seu poder de transformação, mas alegaria que sua eleição seria impossível devido à sua associação a um pastor universalmente desprezado.
Difícil saber. A única certeza é que McCain irá enfrentar um oponente democrata extremamente desgastado. E claro, que considerando a idade de McCain poucas coisas serão mais importantes que seu vice.
O Ministro da Discórdia
Posted on May 3, 2008
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Silvio Berlusconi nem montou seu gabinete e já corre o risco de enfrentar uma crise diplomática pela possibilidade de Roberto Calderoli, aquele que usou uma camisa com aquelas charges medíocres da Dinamarca com Maomé. Saif El Islam, filho de Muamar Kadafi disse entender que esse tipo de assunto é assunto interno da Itália, mas que poderia ter repercussões catastróficas entre as relações entre os dois países. A Liga Árabe emitiu condenação, Massimo D´Alema, Ministro das Relações Exteriores reiterou que isto é assunto interno da Itália.
Minha impressão é que se Calderoli não for nomeado Berlusconi fica com a imagem de fraco. Se for nomeado, os italianos ficariam à mercê de todo tipo de boicote no mundo árabe. Dureza.
O Vestibular
Posted on May 3, 2008
Filed Under Educação | 1 Comment
Há dois pontos quando se fala sobre o vestibular no Brasil. Primeiro, a indústria do vestibular só existe no Brasil porque há duas opções quando um sujeito quer fazer uma faculdade: procurar o ensino público ou ir a uma faculdade particular pagando um bom dinheiro - valores que tranqüilamente ultrapassam a faixa dos quarenta, cinqüenta mil reais - geralmente sem NENHUM apoio do governo. Daí, é óbvio que fazer três, quatro anos de cursinho torna-se financeiramente rentável.
Outro problema é que como esse sistema incentiva os alunos de boa formação a procurarem uma pública as particulares se vêem às voltas com o público de pior formação, sem bons alunos a contrabalancearem. Não só não são incentivadas a investirem em qualidade, como claro, sem alunos de bom nível em boa quantidade para contrabalancear os alunos sem formação suficiente. É uma segregação por níveis de formação, que é terrível para os resultados gerais.
E claro, isso tudo explica o absurdo que são oitenta pessoas disputando uma vaga, por exemplo. Claro que todo método para selecionar alunos neste sistema não será perfeito. Por outro lado, o vestibular é muito ruim como forma de seleção. Primeiro, ele não testa habilidades específicas, mas sim conteúdos. Os exames de interpretação de texto são subjetivos demais, em detrimento de testes de habilidade de linguagem(É só comparar o SAT, usado pelas universidades americanas como uma das formas de avaliação e o da FUVEST).
Isso sem contar coisas bisonhas, como o estudo de literatura, em que os alunos são obrigados a decorar textos a respeito de autores de relevância específica, as pegadinhas e o excesso de atividades envolvendo fórmulas em detrimento do raciocínio lógico na área de exatas. E sabe qual o principal problema? Na maioria dos países exames de admissão são feitos tendo como base o princípio de se escolher os alunos mais aptos para os cursos. Aqui, bem, muitas universidades aplicam a MESMA prova independente do curso. Não é feito para funcionar.
E enquanto no colegial os alunos americanos fazem cursos prepatórios para as habilidades que serão exigidas em uma faculdade, por aqui se decora resuminho de romances e fica-se decorando fórmulas de química com música de violão.
Pff.
O etanol sofre mais um baque nos Estados Unidos
Posted on May 3, 2008
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Duas dúzias de senadores republicanos(Como a Senadora Kay Baily Hutchinson, do Texas e inclusive John McCain) e dois governadores do mesmo partido(Rick Perry, do Texas, e Jodi Rell, do Connecticut) atacaram o uso do etanol feito do milho. Todos pediram o relaxamento das exigências da quantidade de etanol a ser misturada à gasolina. Suspeita-se que a Kraft Foods e a Kellog Co. estariam fazendo lobby contra o etanol por causa do aumento dos preços das commodities agrícolas.
Se John McCain está disposto a enfrentar a ira dos produtores de milho em Iowa, Missouri e outros estados chave na eleição a coisa está feia. Semana passada o Kansas City Star(Jornal distribuído na região entre Kansas e Missouri, dois dos estados que mais produzem milho no país) relatava de consumidores reclamando do teor energético do etanol. Apesar de mais barato, o etanol teria um rendimento menor.
Os tories abrem alas
Posted on May 2, 2008
Filed Under Reino Unido | Leave a Comment
Foi o pior resultado possível para os trabalhistas, incluindo a derrota em Londres. Por todo o país a turma de Gordon Brown foi derrotada pelos conservadores nas eleições municipais. Minha suspeita é de que mais que as políticas, a personalidade de Tony Blair que levantava os trabalhistas. Sem Blair, e com um líder dos menos carismáticos eles ficam vulneráveis.
Que venha a turma de David Cameron, pelo visto.
A fraude do vestibular
Posted on May 2, 2008
Filed Under Educação | 3 Comments
Dias desses eu estava pensando sobre um dos aspectos do Vestibular: em tese, a exigência da leitura de certos livros é uma exigência fundamental para medir as habilidades de leitura, cultura geral e de compreensão de texto do candidato. Claro que na prática isso não acontece: a maioria decora resumos feitos pelos cursinhos e claro, não há habilidade nenhuma sendo testada aí. Não ocorre coisas muito diferentes em outras áreas, como física e matemática, mas bem, o que ocorre com os livros é mais gritante.
Lendo um post no blog da jornalista americana Joanne Jacobs, especializada em educação, vi o seguinte comentário neste post sobre escolas coreanas para alunos que queriam tentar uma vaga em universidades americanas de elite:
“Na verdade, esses garotos na Coréia do Sul estão cometendo algo próximo de uma fraude com ajuda destas academias. Eles passam horas e horas memorizando palavras sem nenhuma habilidade para usá-las numa sentença. Eles memoriam blocos inteiros de sentenças para um ensaio.
Aqueles que entram em Harvard estão tão abaixo das suas habilidades testadas em inglês que o presidente de Harvard enviou uma carta ao diretor de uma dessas academias protestando.”
Uma das coisas que me assusta na sociedade brasileira é nossa aceitação à isto que praticamente equivale a uma fraude. Apesar de alguns afirmarem que o vestibular seria meritocracia(O que explicaria o fato de muitos candidatos serem reprovados em alguns e aprovados com mérito em outro?) ele é uma péssima forma de se selecionar alunos. E nossa aceitação do circo que ele se transformou explica muito de nossa sociedade.
Cesar Maia e o Federalismo
Posted on May 1, 2008
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César Maia, lame-duck mayor e blogueiro nas horas vagas faz um longo texto sobre o federalismo no Brasil. Segundo o Flagelo da cidade do Rio de Janeiro, o problema é que ” Federação -tanto nos governos FHC como Lula- vem sendo atropelada pela saga centralizadora federal.” Hmmm… Não.
Uma das virtudes do federalismo como forma de governança pública é que isso permite que os cidadãos possam fiscalizar melhor os gastos publicos, em especial porque, bem, são os recursos oriundos dos próprios impostos que eles pagaram. O federalismo não funciona no Brasil porque os municípios ganharam ou estão ganhando um sem-número de poderes, mas financeiramente sua estrutura financeira é atrelada a um sem-número de repasses do governo federal, incluindo coisas como FUNDEF, empréstimos do BNDES e o Fundo de Participação dos Municípios. Daí, estados e municípios tem liberdade para gastar, mas não a responsabilidade para tal.
Pior, isso gera um troca-troca de responsabilidades em que na prática ninguém tem responsabilidade sobre coisa nenhuma. Quando ocorreram os ataques do PCC em 2005 em Sâo Paulo ocorreu aquele lenga-lenga de se culpar o governo federal por não ter repassado verba. Idem para os atrasos na construção do Rodoanel e claro, da epidemia de dengue na cidade do Rio de Janeiro.
E a idéia do prefeito maluquinho de fortalecer o Senado é terrível. O Senado é a mais desigual das casas do Legislativo pelo fato dos estados terem a mesma representação, independente da população. Considerando que São Paulo tem cerca de quarenta milhões de habitantes contra os trezentos mil de Roraima não há solução para a questão que consiga tratar as coisas de forma mais ou menos uniforme. Basicamente, Maia defende que o Rio de Janeiro, terceiro maior colégio eleitoral do país perca poder político para Roraima, Tocantins e Sergipe, estados pequenos que são favorecidos pelo formato do Senado.
As grandes esperanças do DEMO devem estar em estados pequenos uma vez que a base política nos estados maiores ruiu. E idéia de Maia é mais um motivo para os eleitores dos estados grandes fugirem ainda mais rapidamente do partido.
Obama e Wright, Dukakis e Willie Horton
Posted on April 29, 2008
Filed Under As eleições presidenciais, Estados Unidos | Leave a Comment
Os partidários de Obama não gostam da comparação com Michael Dukakis. Alegam que o candidato seria extremamente carismático enquanto Dukakis seria extremamente sem sal e sem graça. O ponto não é aí. Primeiro, claro, Obama não é George McGovern, nem Walter Mondale(Ou Gary Hart), Michael Dukakis ou John Kerry. Mas todos se prendem ao mesmo tipo de armadilha demográfica. Ou seja, são candidatos que conseguem os votos nas grandes cidades(Aonde se concentram as pessoas solteiras), nas cidades com grandes campus universitários e nos condados com minoria. É batata.
Por outro lado, são candidatos que perdem feio na maioria dos subúrbios, das cidades menores e da zona rural. O grande fator que explica a caída de Illinois nas mãos dos democratas é o grande crescimento de Cook County, que engloba Chicago. Claro, a demografia de hoje é bem diferente. A maioria dos subúrbios ricos de Nova Jersey e Maryland que votavam nos republicanos passaram a votar nos democratas. Mas ainda assim os democratas, como as eleições de 2000 e 2004 apontam precisam dos votos dos eleitores mais velhos, casados, de etnia branca e que moram estados mais ao sul e ao oeste. Na verdade, foi justamente diminuindo a desvantagem entre esses eleitores em 2006 que os democratas ganharam o controle do Congresso.
Carisma não é o suficiente para se ganhar uma eleição. Atores e jornalistas da TV, que são carismáticos por excelência, não têm carreira garantida em nenhuma casa política. E bem, Rick Santorum e George Allen, dois dos senadores mais carismáticos do Senado foram derrotados em 2006. O ponto, mais que carisma, é a capacidade do eleitor confiar no candidato e se identificar com ele. Obama oferece uma identificação fácil para eleitores jovens com nível superior pela sua formação e para negros. O problema é que este já é um público que já vota nos democratas.
E qual o ponto de se relembrar 1988? Simples. Em 1988 os republicanos venceram porque apelaram para os aspectos mais irracionais do seu público. Eles pegaram um criminoso do mais assustadores possíveis - Willie Horton - e o colocaram na TV associando a Dukakis, em tempos em que o medo da violência urbana era grande. Eles pegaram um fator básico na sociedade americana - segurança - e jogaram dúvidas na possibilidade de Dukakis prover isto. Seja com um anúncio simples e assustadoramente eficiente do ponto de vista visual, seja por meio da foto atrapalhada ao tanque.
Racionalmente, não eram pontos que faziam muito sentido. Massachusetts tinha taxas de criminalidade relativamente baixa, Willie Horton era a exceção e a foto no tanque, bem, era uma foto. Mas emocionalmente eram pontos muito fortes. E foram suficientes para ganhar a eleição. Obama lembra assustadoramente Dukakis em vários pontos: seja numa certa imagem de fraqueza, seja na farta quantidade de material para campanha negativa, seja na inépcia em contratacar.
Semana passada divulgou-se o seguinte anúncio feito pelos republicanos na Carolina do Norte com os “sermões” de Jeremiah Wright. O anúncio é primário, mas reforça um ponto perigoso: as imagens de Wright são um material facinho para campanhas negativas. São imagens fortes e emocionalmente carregadas. E Wright voltou à tona esta semana, com declarações ainda mais polêmicas(A ponto de, urgh, levantar a hipótese de que cérebros de negros e brancos serem diferentes).
Obama percorre a mesma estrada que levou Dukakis à derrota. Vinte anos depois, paralelos não muito agradáveis.
IPVA: Piorando o que já é ruim
Posted on April 27, 2008
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Eu sou um forte crítico do sistema de sustento da infraestrutura viária do país porque com exceção dos trechos privatizados não há uma fonte fixa de financiamento. Há o IPVA, um imposto sobre patrimônio que ignora o uso que uma pessoa faz do seu carro(Seja você um usuário ocasional, seja você um motorista diário, o IPVA é o mesmo), a CIDE e o ICMS sobre a gasolina, tudo num patamar bem mais baixo que na Europa e em outros países. No final, você tem uma estrutura viária ruim e um sistema que é custeado em grande parte com recursos do Tesouro, o que é uma forma estúpida de fazer com que todos, tendo carro ou não, paguem pela manutenção de rodovias.
O deputado estadual petista Antonio Mentor, de São Paulo, aprovou um projeto de lei que piora ainda mais a situação ao permitir que pessoas físicas abatam 30% do IPVA com o dinheiro pago pelo pedágio, empresas 10%. A idéia é ruim porque a concepção de pedágio no Brasil sempre foi de cobrá-lo em estradas duplicadas, de manutenção mais cara. Em tese, o IPVA serve para a longa rede de vicinais que não são pedagiadas. E quem usa rodovias pedagiadas não o faz porque deixa de usar vicinais, mas sim porque usa com mais frequência a rede viária como um todo. Muitas vicinais custeadas pelo DER são vias de apoio importantes à vias pedagiadas(Exemplos: a Mogi-Dutra, Rodovia dos Tamoios, etc).
Certo, alguma forma de cobrança pela quantidade de uso dessa infraestrutura seria salutar ao invés do bisonho IPVA(Não que o imposto sobre a gasolina seja uma boa idéia, mas seria melhor que o sistema atual). Mas esta é uma estrutura que tem que ser paga por alguém. Ou Mentor quer que estes custos sejam pagos numa proporção maior pelo contribuinte(O que faria com que a velhinha de Espirito Santo do Turvo subsidiasse as transportadoras numa proporção maior) ou quer uma proporção menor de gastos às rodovias.
Populismo barato para a classe média, que de uma certa forma virou marca registrada do PT de São Paulo.
Aonde que Obama pode perder
Posted on April 25, 2008
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Imagine a seguinte situação: você é um pré-candidato à presidência americana pelo Partido Democrata e está num diner em Indiana, um estado bastante conservador e que irá realizar uma primária importante em poucas semanas. O dono do lugar te oferece uma xícara de café. Você:
a-) agradece, bebe o café e sorrindo elogia o dono do lugar.
b-) educamente recusa a bebida, agradecendo sorrindo a boa vontade do dono do lugar.
c-) recusa o café, diz preferir suco de laranja e vai cumprimentar os fregueses do lugar.
Adivinhe qual opção que Obama recentemente escolheu. São gafes que a primeira vista são irrelevantes. Mas reforçam a imagem de elitista e artificial de Obama e certamente podem lhe custar a presidência, num reflexo cruel da campanha de Michael Dukakis em 1988.
E até arranjaram três Willie Hortons(O assassino violento que recebeu um indulto de final de semana do então governador de Massachusetts Dukakis para cometer crimes na vizinha Maryland, e que os republicanos usariam para demolir a vantagem do candidato Dukakis nas pesquisas em 1988) para Obama: o pastor Wright e os ex-terroristas William Ayers e Bernardine Dohrn.
Ridículo
Posted on April 25, 2008
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A cidade de Tietê, São Paulo, mostra que nem tudo é tão ridículo que não possa piorar. O prefeito chama os vereadores da cidade de “incompetentes” que se reunem para cassá-lo.
Hmmm. A democracia brasileira é patética.
O Alabama é aqui
Posted on April 25, 2008
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Domingo eu fiz um post delimitando uma comparação meio brincalhona entre o Brasil atual e o sul das leis Jim Crow. Pela reação do Euler creio que a comparação ficou meio no ar e então, bem, irei aprofundar. Claro, em primeiro lugar a comparação é entre o Sul dos EUA pré-1964 com o Brasil de agora porque isso é tremendamente injusto com o Sul dos EUA de hoje. Claro, todo mundo conhece histórias escabrosas do sistema legal do Mississipi com relação aos negros(Vide o caso Cory Maye) e os rincões de pobreza, em especial nos condados habitados por negros na Lousiana, Arkansas, Carolina do Sul, Tennesse e Kentucky são vergonhosos.
Mas, não adianta: a polícia de Atlanta e de Bilóxi, por mais que seja violenta e autoritária, não chega perto da violência deste tipo no Brasil. É coisa de amador. Além do mais, a maioria das cidades do Sul dos EUA têm negros em seu city council e muitos estados do sul têm negros no Congresso. É mais fácil achar negros no metrô de Estocolmo ou na estação ferroviária de Vladivostok que entre os vereadores de qualquer cidade pobre brasileira em que a maioria da população é negra.
A comparação, sim, é política. Culturalmente a região com menor proporção de católicos do país, de colonização irlandesa/escocesa e fervorosamente evangélica não tem muitas semelhanças com o Brasil. Por outro lado, a combinação comum de populismo econômico e de conservadorismo social é uma constante tanto entre o Sul das leis Jim Crow. Isso sem contar a estratificação social e as aristocracias políticas. Um dos erros ao se analisar a política da região é se prender à questão da segregação, o que me parece ser um erro. Nas biografias do governador da Lousiana Huey Long, talvez um dos políticos do período, isso assume um carater menor.
George Wallace não fez uma campanha presidencial em cima da segregação, mas sim em torno de temas como segurança, lei e ordem. E sim, isso geralmente significa esquecer uma série de políticos famosos, como o já citado Huey Long e do senador pelo Tennessee Estes Kefauver, que ficaram famosos principalmente pelo populismo econômico. E claro, a maioria mantinham um amplo discurso de manutenção de uma ampla rede de serviços estatais. Harry Byrd da Virginia talvez fosse exceção, mas o seu racionalismo de gastos não deixava de ser uma declaração de boa fé em boa governança(E assim como no caso da dobradinha Serra/Alckmin, Byrd também comparava seu estado com uma empresa. E os indíces educacionais da Virginia foram muito ruins durante seu governo).
Aliás, o caso da filha negra de Strom Thurmond(Fruto de uma relação ilegítima com uma empregada doméstica de dezesseis anos quando este tinha vinte e dois anos) é uma historinha tipicamente brasileira. Não é difícil traçar paralelos com figuras populares no Brasil, como Jair Bolsonaro ou a chamada bancada da bala de São Paulo. Ou mesmo com boa parte do antigo PFL no Nordeste.
E ah, por fim, a segregação. O principal problema da discriminação racial é que ela é casada com a discriminação social de forma intima, então, é difícil separar os dois. O que eu vejo é uma forma velada de discriminação nas análises feitas na “imprensa” sobre o fato de Lula ter tido um bom desempenho no Nordeste ou ainda que um shopping como o West Plaza de São Paulo ser taxado pejorativamente de “Nordeste Plaza”. E claro, que em boa parte do interior os pobres são despejados em bairros distantes e escondidos. Não acredito que seja simplesmente por custos que os prédios da CDHU são construídos nos piores lugares possíveis.
Sempre é mais agradável fazer vilanizar os outros, sejam os americanos, sejam os muçulmanos: isso nos poupa de um doloroso exame de consciência.
A coisa vai longe
Posted on April 23, 2008
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A não ser que Howard Dean e outros figurões democratas resolvam intervir, a vitória um tanto quanto convincente de Hillary Clinton indica que a disputa irá continuar por um tempo. Sorte de John McCain e claro, dos humoristas, que contam com duas máquinas de gafes para suas piadas.
E Obama conta com uma sina não muito boa: ele só venceu em um estado com mais de vinte votos no Colégio Eleitoral. Illinois.
Pensilvânia
Posted on April 21, 2008
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Amanhã, na Pensilvânia, a corrida pela nomeação democrata pode terminar. A primária é importante em grande parte pelo fato do estado ser tremendamente importante numa eleição geral(São vinte votos no colégio eleitoral) e dele servir como um termômetro do voto em outros estados próximos, como Ohio, Virginia Ocidental e Michigan). O estado é um dos maiores redutos de católicos do país, um grupo que Obama não têm conseguido resultados expressivos.
Daí, o ponto nem é vencer ou não, mas sim em provar o potencial para os superdelegados. O fato das vitórias de Obama terem se concentrado demais em jovens eleitores e negros e em estados pequenos que não votam nos democratas(Como Idaho e Wyoming). Se Obama vencer ele liquida a fatura. Se ele perder por uma margem pequena, bem, fica próximo de fechar a coisa. Se ele perder por mais de quatorze pontos tudo pode acontecer: Hillary fica próxima de garantir vitória no voto popular, um argumento e tanto pelos super-delegados.
Mas minha impressão é que muitos democratas e independentes estão de saco cheio desta primária que perdura há quase um ano e meio e muitos farão o possível para que ela acabe. Isso em grande parte explicaria a grande quantidade de amigos do Casal Clinton(Bill Richardson, Robert Reich, David Boren e Sam Nunn) declarando apoio a Obama.
O sul é aqui
Posted on April 21, 2008
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Uma das coisas que me fascina no Sul dos Estados Unidos pré-Lei de Direitos Civis é que aquilo é o lugar mais próximo do Brasil que se pode encontrar. A mistura de um certo gosto pela aristocracia - os vários filhos de outros políticos que fizeram carreira política não me deixam mentir - e a defesa apaixonada de um forte conservadorismo moral com um estado forte não me deixam mentir. Os Dixiecrats, os democratas do Sul de então, quando não lembram políticos brasileiros lembram políticos que se dariam bem aqui nos dias de hoje.
As vezes, George Wallace me lembra um Paulo Maluf com um pouco mais de eloquência, um pouco mais de intelecto e claro, tirando a defesa da segregação, uma honestidade maior. Huey Long é o típico populista brasileiro que se vale do dito assistencialismo para angariar votos entre os pobres. Ou ainda Orval Faubus, que vivia com acusações de corrupção e nepotismo? Harry Byrd, como uma versão segragacionista do estilo “eficiência ao governar” dos tucanos? E Estes Kefauver, de estilo populista, despojado e imagem de “íntegro” não faria sucesso por aqui?
E claro, o caso Isabella Nardoni me faz lembrar de outra forte semelhança com o Sul das Leis Jim Crow.

(Nota: A foto acima foi feita em Marion, Indiana, por mais que se tornasse símbolo dos linchamentos, mais comuns no Sul)
O Ombudsman da Folha e os blogs
Posted on April 21, 2008
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O novo Ombudsman da Folha, Carlos Eduardo Lins da Silva , disse o seguinte sobre os blogs na eleição americana:
Nos EUA, sim. Essa influência está sendo sentida na eleição presidencial. No entanto, eu acho que é uma influência ruim, perniciosa. Os blogs tendem a acirrar as divisões. Por exemplo, eu acho que essa disputa entre a Hillary Clinton e o Barack Obama está sendo prejudicada pela divisão que os blogs atiçam entre negros e brancos, entre mulheres e homens, entre trabalhadores industriais e profissionais liberais, que é a divisão que se estabeleceu na demografia eleitoral da Hillary e do Obama.
Hmmm. Os blogs não atiçam as divisões entre negros e brancos nem entre homens e mulheres. De fato há uma rixa meio feia entre blogs pró-Obama(Daily Kos, Huffington Post) e pró-Hillary(Talkleft, MyDD, The Left Coaster), mas é ingenuidade achar que isso é atiçado pelos blogs, não por uma primária dividida.
E não há nada de ruim nem de pernicioso em ver grupos sociais diferentes defendendo candidatos diferentes. Eu hein.
As mensalidades das públicas
Posted on April 21, 2008
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Doni escreve um texto que me cita sobre privatização das universidades públicas e é preciso colocar uns pingos nos “is”. Não defendo a privatização das universidades públicas: defendo o fim da gratuidade. São coisas diferentes: ao meu ver, nada impede que as universidades tenham autonomia ao mesmo passo sendo estatais. E tanto o Ensino Superior quanto o fundamental são importantes, e bem, não defendo que os recursos do Ensino Superior devam ser jogados no Ensino Fundamental.
O primeiro problema da gratuidade é que ela atinge uma fatia pequena da população e garante um tratamento diferenciado. Enquanto parte da população não paga nada, outra parte paga o valor de uma casa para cursar o que as vezes é o mesmo curso. Simplesmente é um tratamento diferenciado e injusto, e aceitar o argumento(?) de que as pessoas que passaram pelo vestibular fizeram por merecer é continuar a fixação pelo fracasso que é jogar toda a educação brasileira na indústria do vestibular.
Outro problema é que isso gera uma segregação meio que velada. Eu costumo brincar que a PUC-Campinas é o lugar para quem é burro demais para entrar na Unicamp e orgulhoso demais para ir para a Unip, mas isso não deixa de em grande parte de ser verdade. A concentração de alunos de desempenho ruim nas particulares menos caras cria um ambiente intelectualmente pobre, uma vez que todos os bons alunos preferiram o curso gratuito das públicas.
São pontos que independem de uma privatização do sistema. E claro, tanto o sistema de ensino fundamental quanto superior precisam de investimentos - não me parece tão simples assim deixar de colocar dinheiro público no sistema. Até porque o que se precisa fazer é criar universidades que de fato sejam de ponta - por exemplo, capazes de competir em pesquisa com universidades de médio porte do interior dos EUA(Isso em ranking sério, não em conversa de botequim) e colocar uma proporção maior de jovens no Ensino Superior.
O volume de investimentos no Ensino superior brasileiro não é alto. Ele é alto se você considerar os resultados. Claro, isso mascara o fato de que na prática o país não investe trinta por cento da arrecadação com educação, mas mais que falta de dinheiro o problema do Ensino Fundamental é estrutural. Bem como o Superior. E o país precisa tanto de um Ensino Superior bem estruturado que gere cérebros como um sistema de Ensino Fundamental nem estruturado. Além de claro, pesquisa.
Claro que os problemas do ensino como um todo não serão sanados pelas mensalidades nas públicas. Mas seria um bom começo. Mais que recursos, as mensalidades serviriam para que se incentivasse competição no sistema de ensino brasileiro. Se nos EUA as universidades disputam bom professores à tapa por aqui o sujeito esconde que tem mestrado ou doutorado para não ser demitido. As universidades saberiam que reputação se constrõe a ferro e fogo, e não por ser pública ou particular. A indústria do vestibular perderia o gás, e faculdades particulares seriam obrigadas atrair o bom estudante, não apenas a raspa de tacho dos vestibulares. E claro, poderíamos expandir o sistema público ao invés de jogar a maior parte dos estudantes para um sistema privado sem estrutura.
Ar comprimido é o maior barato
Posted on April 20, 2008
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Alguém se lembra do “jogo” dos adolescentes franceses que virou notícia alguns anos atrás, em que o sujeito era asfixiado, desmaiava e depois era acordado à tapas? (Muitos morriam porque brincavam sozinhos). Pois bem.
Adolescentes mexicanos criaram uma variante mais maluca da brincadeira: eles inalam ar comprimido usado para limpar computadores até desmairem. No México, a coisa já assumiu caráter de droga, com clínicas de reabilitação. Há adolescentes que consome quatro latas por dia, os efeitos variam, podendo levar a infarto.
O senado estadual de Nebraska perde uma figuraça
Posted on April 20, 2008
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Ernie Chambers, uma das figuras mais polêmicas da política em nível estadual dos EUA irá se aposentar. Chambers representa North Omaha, o subúrbio negro de Omaha aonde Malcolm X nasceu no Senado Estadual(Um dos braços do Legislativo estadual, não o Senado Federal). Uma agnóstico num estado bastante conservador, Chambers ficou conhecido aqui no Brasil quando entrou com um processo contra Deus num protesto contra processos fúteis. Chambers atraía o ódio e amor de seus colegas pelo seu conhecimento sobre bloquear legislações alheias. Ele, por exemplo, bloqueou o fim da cadeira elétrica(Que segundo os juristas viola a Oitava Emenda, que proíbe castigos cruéis) em prol da injeção letal para impedir que a pena de morte fosse usada no país.
Sim, o Senado Estadual de Nebraska é totalmente irrelevante, mas Chambers é uma figuraça. Eis sim um negro que eu gostaria de ver recebendo a nomeação democrata.
O circo em torno de Isabella
Posted on April 19, 2008
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Eu trabalho no Ensino Médio com conceitos de diagramação de jornal. Entre os exemplares que mostro aos meus alunos está de uma primeira página do Daily Telegraph com a foto de Madeleine, a agora famosa Madeleine. Foi uma coincidência(Eu preparei a maior parte do material deste bloco de atividades em maio de 2007, quando o caso ainda esta no seu início), mas sempre tem alguém que me aponta “Oh, Madeleine”. Mesmo que sejam pessoas que não leiam jornais.
O caso é citado de forma exaustiva na imprensa não que uma menina sequestrada/morta em Portugal seja de particular importância, mas sim que pelo simples fato de que bem, é um material disponível das agências. E bem, é uma forma fácil de se vender jornal: pega-se crianças - e oh, céus, quem não gosta de crianças - um mistério não solucionado e vilões fáceis. Pode ser a clássica figura do criminoso sem rosto, o pai violento ou assassino.
A imprensa brasileira encontrou seu caso Madeleine na figura de Isabella Nardoni. O caso dentro de uma perspectiva geral é irrelevante: não fala de nenhum fenômeno criminoso específico. Não é natural imaginar que exista uma onda de pais e madrastas pretendendo matar crianças. Mas bem, é uma forma fácil de se criar empatia. Quem não tem uma menina como Isabella no seu rol de entes queridos? Qual melhor vilão que um casal de um pai supostamente violento e uma madrasta? Ironia das ironias, dádiva das dádivas, uma madrasta. Como em desenho da Disney.
O ponto aqui não é de se explorar uma tragédia. O ponto é que isso é jornalismo(Jornalismo?) barato. Seria plenamente possível fazer reportagens boas com vítimas dos mais diversos tipos de tragédia, como os familiares de vítimas de chacina na Zona de Norte de São Paulo ou com familiares de acidentes de trânsito. Mas o que ocorre aqui é o uso da morte de uma criança para a criação de um dramalhão barato, com toda uma aura de mistério e duas pessoas que ainda não tiveram culpa comprovadas alçadas à posição de vilãs.
Claro que os palhaços do circo que se formou não incluem somente a imprensa(Por mais que o artigo da Veja sobre o “mal” seja uma das coisas mais bizarras que poderiam sair da rotativa de uma gráfica). Há o Padre Marcelo, que fez uma missa em homenagem à menina, a multidão que pedia o linchamento do casal, com requintes de crueldade.
Mas temos aí a marca de um jornalismo barato(Segundo a Folha de sexta, os telejornais teriam tido um aumento de até 46% da audiência com o caso). Jornalismo que cede um centímetro em troca do lucro fácil. E o jornalismo que montou o ridículo circo em torno do caso.
Hillary: Acabou
Posted on April 18, 2008
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David Boren, ex-senador democrata por Oklahoma, e Sam Nunn, ex-senador democrata pela Geórgia declararam apoio à Obama. Se há algum sinal que Hillary não tem chance nenhuma de ganhar a nomeação democrata, bem, não há nada melhor que isso.
Boren e Nunn são dos dois dos ex-membros mais conhecidos do grupo de democratas moderados chamado de Democratic Leadership Council, o DLC, que a própria Hillary faz parte e que foi uma peça-chave na eleição do seu marido(O DLc foi fundado na aurora do massacre de Walter Mondale frente a Reagan em 1984 como uma forma de se tentar nomear candidatos mais moderados socialmente nas primárias democratas). Clinton foi eleito como o candidato do DLC.
Se nem amigos do seu marido a apóiam mais a coisa está feia.
O terrorista, o médico e o candidato a presidente
Posted on April 18, 2008
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Um dos problemas de Obama em lidar com a máquina de ataque republicana ficou claro nesta semana, no debate da ABC. Obama foi perguntado sobre sua amizade com William Ayers, um professor universitário com carreira de terrorista no Weather Underground, um grupo radical dos anos sessenta.
Invés disso, Obama saiu-se com esta:
A verdade é que eu também sou amigo de Tom Coburn(R-Oklahoma), um dos mais conservadores republicanos no Senado, que uma vez durante sua campanha disse que seria apropriada a aplicação da pena de morte para quem executasse abortos. Eu preciso me desculpar pelas declarações de Coburn? Porque eu também não concordo com estas”.
A questão é complicada. A declaração de Coburn foi citada numa coluna de Maureen Dowd, colunista do New York Times, e citada inclusive numa coluna da Veja. O problema é que ela está fora do contexto. Coburn de fato disse: “Eu sou a favor da pena de morte para abortistas e outras pessoas que matam”, mas ele reconheceu que não apóia a pena de morte para pessoas que não tenham violado a lei. E bem, o aborto é legal nos Estados Unidos, querendo ou não.(Aliás, Coburn, um médico, já fez abortos em situações que a vida da mãe estava em risco).
Mas o problema é que Obama, ao invés de condenar Ayers reduziu a questão à discordância, quase que comparando um médico e senador com um ex-membro de um grupo terrorista que tentou explodir vários prédios de Washington com bombas de pregos(Um tipo de bomba particularmente cruel contra civis).
É um tipo de emenda pior que o soneto.
O elitismo de Obama
Posted on April 18, 2008
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Eu tenho citado várias vezes aqui que um dos problemas de Obama seria sua percepção como “elitista” por grande parte da população. João Marcelo cita Bush, que seria herdeiro de uma grande empresa de petróleo. Hmmm. O ponto não é esse. Claro que aí há o problema que Bush sempre venceu de forma apertada, dependeu do 11 de setembro e do início do Iraque para ter picos de popularidade e que o seu primeiro oponente era o filho de um senador que sempre teve a vida confortável enquanto o segundo não só tinha uma vida confortável como era casado com uma das mulheres mais ricas dos EUA.
O ponto é a percepção, a imagem. Bush é um fanático por caça e esportes ao ar livre(Coisas que são populares nos estados que venceu de forma convincente) e seu ar casual(Como na frase que entrou no vocabulário político dos EUA, o “cara que todos gostariam de convidar para beber cerveja”) ajudava. E claro, nem Al Gore nem John Kerry ajudavam neste aspecto. E sim, há a questão da identificação.
Nelson Rockfeller, John Kennedy e Franklin Roosevelt, por mais ricos que fossem conseguiam manter uma imagem de uma certa simplicidade e uma identificação com a população. Nenhum dos três se prendia a longos debates intelectuais ou utilizava discursos com estruturas longas. Eles também tentavam manter uma certa espontaneidade. Pontos que Obama parece ter dificuldade.
E sim, o ponto não é se Obama é de fato elitista, mas sim se os caipiras e rednecks irão vê-lo como tal.
A escória da Terra
Posted on April 17, 2008
Filed Under Colômbia | Leave a Comment
Há vários motivos que me levam a ter repulsa das FARC: o sequestro por anos de reféns, o uso de crianças como soldados e a forma cruel que tratam os civis das áreas que atuam. Mas há um ponto que me choca em relação à Ingrid Betancourt: Betancourt não é uma política de extrema direita ou antagonista aos guerrilheiros. Não é uma Jeane Kirkpatrick ou uma Margaret Thatcher, mas uma política de centro-esquerda, com uma certa aproximação à ideais que as FARC deveriam compartilhar.
Para os guerrilheiros, esta mulher é um mero objeto de escambo para atingir Uribe e para conseguir uma zona desmilitarizada(Aonde eles submeteriam os camponeses ao seu mando cruel). As FARC são a escória da Terra, talvez mais que a Al-Qaeda ou qualquer cartel do tráfico.
A amargura de Obama
Posted on April 16, 2008
Filed Under As eleições presidenciais, Estados Unidos | 1 Comment
Uma pesquisa da Bloomberg/LA Times demonstrou um cenário que demoliria de vez as pretensões presidenciais de Hillary Clinton: uma vitória de Obama em Indiana, uma derrota por cinco pontos na Pensilvânia e uma vitória confortável na Carolina do Norte. Mesmo com uma gafe virulenta de Obama. Caso confirmado, a campanha de Hillary perderia força de vez.
Por outro lado, os comentários “amargos” de Obama sobre os moradores das cidades pequenas da Pensilvânia irão lhe custar muito caro. Um ponto pouco notado é que os dois ultimos democratas eleitos presidentes eram(Ou são) conhecidos por termos pejorativos, como “Plantador de amendoim da Georgia” e “Caipira do Arkansas” e muitos analistas políticos nunca engoliram as vitórias de Carter em 1976 e de Clinton em 1992.
O problema é que justamente essas características de Carter e Clinton que faziam com que estes fossem candidatos formidáveis. Clinton, com seu sotaque carregado do interior e Carter, com seu jeitão calmo e simples de pastor conseguiam se identificar com facilidade com muitos eleitores na zona rural e nos subúrbios de estados do Oeste e do Sul, coisa que gente como Michael Dukakis e John Kerry, graduados em Harvard e Yale tinham muitas dificuldades em fazê-lo. E com isso Carter e Clinton conseguiram vencer uma forte rejeição a democratas entre muitos independentes.
Por outro lado, os candidatos que normalmente ganham as primárias democratas têm um background menos humilde e mais sofisticado. Isso cria personalidades mais dificeis de serem vendidas fora dos democratas mais liberais. E é justamente neste grupo que Obama se encaixa. Os republicanos irão utilizar das declarações de Obama para reforçar a sua imagem de elitista e distante do americano médio, de um liberal com desprezo pela religião da população e sem respeito a valores. Contra um republicano que muitos democratas moderados consideram bastante aceitáveis isso certamente será muito perigoso.
O fantasma da Itália
Posted on April 15, 2008
Filed Under Europa, Itália | Leave a Comment
Um dos fantasmas que assolam a Itália se chama Silvio Berlusconi. Em abril de 2001 a The Economist colocou uma capa com os dizeres “This Man is Not Fit to Run Italy’” levantando as acusações de corrupção e lavagem de dinheiro. Vai e volta, Berlusconi volta ao país que ficou famoso pela máfia e pela cosa nostra e cujo os imigrantes que foram para os Estados Unidos sempre reclamaram da imagem de ligação com o crime organizado.
E Berlusconi é sempre a lembrança de uma imagem que os italianos querem esquecer.
A Câmara dos inúteis
Posted on April 14, 2008
Filed Under Brasil | 1 Comment
Semana passada eu comentei sobre a quantidade de vereadores nas cidades brasileiras e Gabriel Mendes comentou que o número nem era tanto o problema Há dois adendos aí: primeiro, ao menos para os municípios menores, o número de vereadores é indecente sobre qualquer aspecto. Nove vereadores, considerando que a organização política brasileira permite municípios com menos de mil habitantes é mijar no dinheiro do contribuinte. Segundo, claro, isso deveria ficar a cargo dos municípios. Cidades com povoamento mais esparso(como Botucatu ou Mogi das Cruzes) não deveriam ter o mesmo número de vereadores que cidades mais compactas. Mas vamos ir ao direto ao ponto: Câmara de Vereadores não serve para porcaria alguma.
A concepção de Câmara de Vereadores é a de um legislativo em nível municipal, uma espécie de mini-Congresso. O problema não só que na prática a Carta dá pouco poder de legislação para as cidades como não há muita coisa a ser decidida em nível municipal. Isso explica, claro, o fato da maioria das coisas que se discute dentro de uma Câmara Municipal serem coisas idiotas, como proibição do uso de capacete na entrada de estabelecimentos comerciais ou ainda a proibição(Inconstitucional) à pílula do dia seguinte.
Mas isso não deveria ser assim. O vereador deveria ser o representante da população em nível municipal. A voz da população frente a serviços como transportes, educação e saúde, a pessoa que analisa as reclamações e problemas de cada cidadão. Isso, não existe, em grande parte pelo fato de que toda vez que o cidadão se vê com alguma demanda ele se vê frente a mais de nove vereadores. A sabedoria recorrente é de que o sujeito deveria procurar o sujeito em que votou, mas isto é estúpido. Não só subordina a participação democrática ao voto como(E ignora que a maior parte dos eleitores vota na legenda), bem, na estrutura atual é difícil que um voto(Ou conjunto deles) faça muita diferença.
Se um cidadão quiser fazer uma campanha negativa contra um vereador teria que arcar com custos para atingir uma população esparsa, e pior, sem garantia nenhuma de eficácia. Isso sem contar que bem, é o voto na legenda que acaba decidindo grande parte dos candidatos. Aliás, o fato de uma campanha para a eleição de vereador exigir uma quantidade enorme de dinheiro explica a grande quantidade de empresários e endinheirados no ramo.
Uma solução seria o voto distrital. Isso permitiria que campanhas fossem feitas num espaço limitado, gastando menos dinheiro. Também permitiria um contato mais direto e uma maior fiscalização por parte do eleitor. E ainda há uma questão de decência: isso permitiria que a periferia pudesse eleger representantes também. É gritante como que praticamente toda a periferia da maioria das cidades que eu conheço não consegue colocar um dos seus na Câmara de Vereadores.
Do jeito que está, sinto muito, mas seria talvez melhor fechar e cimentar tudo que Câmara de Vereadores não serve para nada.
Nassif e o etanol
Posted on April 13, 2008
Filed Under Midia | 1 Comment
Luis Nassif colocou o seguinte parágrafo sobre o conflito entre etanol e alimentos:
Hoje em dia é o argumento recorrente contra o etanol. Especialmente na União Européia considera-se que o advento da energia vegetal criará conflitos com alimentos. Em parte poderá ocorrer na própria Europa e nos Estados Unidos, não no Brasil.
Hmmm. Isso já está ocorrendo. Em São Paulo, muitos criadores de bovino abandonaram a criação em prol do plantio de cana, o programa americano de etanol levou o preço do milho às alturas, influindo em outras commodities agrícolas e é irrealista dizer que a produção de etanol em alta escala não afetaria a produção de alimentos.
E achar que o etanol não só não afetaria a produção de alimentos(ao menos com os obscenos programas de subsídios que eles exigem até agora) como que o Brasil seria capaz de derrubar os subsídios americanos me parece um tanto quanto ingênuo.
Pois é…
Posted on April 13, 2008
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Oscar Niemeyer faz escola…
Obama: Não será fácil
Posted on April 13, 2008
Filed Under As eleições presidenciais, Estados Unidos | 3 Comments

A campanha pela nomeação democrata têm sido marcada até agora por um show de gafes de ambos os lados, que têm feito a alegria dos humoristas. Mas uma gafe recente de Obama certamente será comentada por anos se ele perder a eleição. É uma daquelas coisas que marcam a eleição. Em San Francisco, Obama declarou o seguinte:
“Você vai para estas cidadezinhas na Pensilvânia, assim como de várias cidades do Meio-Oeste, os empregos foram embora e nada os substituiu. E eles passaram pelas administrações Clinton e Bush e cada administração disse que de alguma forma estas comunidades iriam regenerar e isso não ocorreu. E não é surpreendente que eles fiquem amargos, que se prendam à armas, religião, antipatia a pessoas que não são como eles, um forte sentimento anti-imigrantes ou anti livre comércio como forma de explicar suas frustrações”.
A declaração pegou mal, claro, porque não só atacou os moradores do interior da Pensilvânia como “amargos”, fanáticos religiosos e por armas, além de pintar um panorama exageradamente depressivo do lugar, como, bem ressaltou a distância de Obama da realidade dos americanos de classe média, em especial da zona rural e dos subúrbios. Esta é a imagem que se faz dos americanos de classe média destes lugares no círculo de liberais-democratas mais endinheirados, é uma imagem que muitos americanos acham ofensiva como distante da realidade.
Esqueça por um momento que Obama é negro. Lembre-se agora que ele é filho de uma liberal de esquerda do Kansas, que teve uma vida confortável e que estudou e trabalhou em Harvard, uma das universidades mais caras do país(E fez carreira política em Cook County, um dos maiores recantos liberais do país). É justamente o tipo de personalidade que soa menos digerível para a fatia do que se chama de americano médio, a do elitista ultra-intelectualizado. E eleições são vencidas em grande parte pela facilidade com que um candidato cria empatia com o seu público.
Algumas semanas atrás Michael Barone fez um exercício interessante: comparou os condados vencidos por Obama e por Hillary e apontou que as grandes vitórias de Obama ocorrerram em condados com universidades, capitais estaduais(Com bom número de funcionários públicos) e grandes cidades, enquanto suas maiores derrotas ocorreram em condados na zona rural habitados em grande parte pelos descendentes de irlandeses e escoceses que Barone chama de “jacksonianos”(Em relação ao presidente Andrew Jackson, fundador do partido democrata, que se calcava nos passos Thomas Jefferson).
E isso tudo reforça uma fraqueza pouco discutida de Obama: os votos dos donos de armas. Como Roger Simon lembrou logo após os ataques de Virginia Tech, a lei assinada por Clinton que baniu rifles automáticos em grande parte custou o Congresso aos democratas em 1994, os pedidos de Gore por controle de armas após um massacre numa Igreja do Texas em grande parte custou a Gore a presidência(Isso foi um fator chave na derrota de Gore no seu estado natal, Tennessee, no estado natal de Clinton, Arkansas ou na Virginia Ocidental, um rincão democrata. Se Gore tivesse vencido UM destes estados teria vencido sem a necessidade da Flórida).
Em estados como Arizona, Montana, Colorado e Novo México os democratas eleitos tinham uma forte relação com este público: alguns colecionam armas, e a maioria recebeu a nota máxima da NRA. Fica difícil imaginar um candidato com um histórico desses ganhando estados aonde a questão é extremamente forte e a caça é um esporte popular. Obama parece embarcar no mesmo barco que Johh Kerry mostrou ser frágil: uma coalização de eleitores jovens e urbanos.
De novo: Lula não é Chávez
Posted on April 13, 2008
Filed Under Brasil | 1 Comment
A não-notícia da semana é o suposto desejo de Lula de se reeleger indefinidamente. Lula já disse reiteradamente que não quer, ele nunca teria os votos para aprovar uma suposta PEC e nem por meio de plebiscito Lula teria uma garantia de aprovação já que ninguém apresentou nenhuma pesquisa indicando que a proposta seria aprovada desta forma(E sim, não há garantia que Lula seria reeleito pela segunda vez). É uma não-notícia, mas é uma não-notícia que aparece na capa de duas revistas semanais desta semana. Mas claro, nossas revistas semanais nem o nosso debate político não suportam muito a realidade.
O problema é que nosso debate político sempre caiu no mito de que Lula seria autoritário. Lula pode ter todos os defeitos do mundo, mas a rigor, bem, não é autoritário. Lula, ao menos desde da Queda do Muro de Berlim, demonstra mais simpatia pela social-democracia européia e sua forma de governar, baseada numa forma extrema de consenso lembra mais a social-democracia européia que Hugo Chávez ou Fidel Castro. Claro que como comparar Lula com Massimo D´Alema ou Gerhard Schröder não têm graça nenhuma nem assustam ninguém, bem, sobra a comparação com Chávez.
Não que eu seja fã de Lula. Não sou fã do Bolsa-Família, o Pro-Uni me parece uma forma de inflar o número de inscritos num sistema de Ensino Superior em que a qualidade dos cursos, mais que a quantidade de inscritos, seja o problema. Em duas áreas que o país tem desempenho precário(Pesquisa

