Um velho fantasma e um debate necessário

Para a classe média latinoamericana, as imagens dos militares tomando as ruas de Tegucigalpa são assustadoras, porque relembram um passado não muito distante e não agradável. Claro que a América Latina em si nunca teve um histórico muito forte de democracia: por mais que todo mundo goste de demonizar(Com razão) Rafael Videla, Augusto Pinochet e Ernesto Geisel(Provavelmente o pior presidente do Brasil de todos os tempos), é duro lembrar que no México, aonde não houve golpe militar, que foi palco de alguns dos mais iconicos massacres políticos do período.
(Ironicamente, Luis Echeverria, peça chava tanto no Massacre de Tlatelolco de 1968 quanto no Massacre de Corpus Christi de 1971 continua vivinho da silva, e nunca foi alvo do mesmo escrutínio pela esquerda que, bem, digamos colegas militares mais discretos de outros países ao sul).
Claro que o caso hondurenho não é tão simples. Para começar, bem, ainda há previsão de eleições gerais em novembro. Pode-se discutir sobre a legalidade ou não do evento(Não que as ações de Zelaya sejam bastante procedentes do ponto de vista legal), mas bem, não é muito pior que seus vizinhos. Carlos Alberto Montaner(Sim, o próprio) enumera ações que seriam semelhantes: Gonzalo Sánchez de Losada na Bolivia (2003), Abdalá Bucaram (1997), Jamil Mahuad (2000) e Lucio Gutiérrez (2005) no Ecuador e Jorge Serrano in Guatemala (1993). Outro detalhe bastante chato é que as pressões econômicas dos países vizinhos, dos Estados Unidos e da União Européia podem ser simpáticas, mas não deixam de ter um certo ingrediente neocolonialista. Se a quartelada de domingo foi golpe ou não, bem, talvez isso deveria ficar a cargo dos hondurenhos, não de Obama ou de Chávez. O mais bizarro é que o país é tão pobre que provavelmente será incapaz de resistir por muito tempo.
Por fim, bem, Zelaya estava longe de ser um líder popular. Seus índices de aprovação popular orbitavam em níveis, aham, bushianianos, e ele não tinha apoio nem do Congresso ou do seu próprio partido. A BBC World Service colocou no ar um sujeito que reclamava de Chávez, dizendo que haveria nova eleição e coisa tal. Quando o jornalista fala alguma coisa sobre divisão entre pobres e ricos ele diz que Zelaya havia deixado os professores por seis meses sem pagamento. Claro que isso não justifica ditaduras, mas coloca toda a coisa em outro contexto. No mais, desconfio que talvez fosse hora de um debate mais apurado na América Latina sobre instituições democráticas. Não só há a extensa relação de episódios pouco engradecedores(Que vão desde da guerra contra traficantes no México ao reinado dos Kirchner na Argentina) como há uma visão maniqueísta, para ambos os lados, como o episódio hondurenho demonstra.
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Kassab a favor da poluição e dos congestionamentos
Eu sempre vi os ônibus fretados como os grandes heróis nãoreconhecidos do transporte brasileiro. Se os sucessivos governos vêem a demanda por transporte de massas ora como forma de patronagem política, ora com desprezo, os fretados atendiam uma demanda nunca atendida. Eles retiram carros das ruas numa escala inimaginável para as amadas bicicletas, por exemplo. E sem custos ao erário. Do ponto de vista ambiental e social, nenhuma mente sã poderia ser contra os fretados, poderia?
Bem, infelizmente o Kassibinho não é uma mente sã. O prefeituzinho de São Paulo inventou de proibir a circulação dos fretados numa área gigante no entorno da cidade. É genial, porque ele incluiu as áreas em que se concentram os empregos de maior renda: são os locais aonde o usuário seria mais compelido a usar o carro. O molequinho fala em tirar 1300 carros nas ruas, quando que um simples calculo apontaria uma quantidade que poderia chegar fácil de dez ou vinte vezes mais isso em carros pelas ruas. Não, meu filho: o sujeito que sai de Bragança Paulista para ir trabalhar na Berrini não vai pegar o metrô. Vai simplesmente usar o carro. Nos casos em que os usuários dos fretados contam com baixa renda a regressividade da medida é absurda.
Não vi manifestação da nossa socialista de butique fanática por bicicletas sobre o assunto, mas obviamente Soninha Francine deve esperar que os usuários dos fretados pedalem da Granja Viana e de Indaiatuba para São Paulo.
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Um golpe contra a ação afirmativa
A Suprema Corte americana anunciou, na segunda, que decidiu por cinco votos a quatro que se alinhou em prol dos bombeiros brancos e de um bombeiro hispânico em Ricci v. DiStefano. A coisa funcionou mais ou menos assim: a cidade de New Haven, no Connecticut, decidiu fazer uma prova escrita para as promoções entre 118 bombeiros, com 27 negros entre eles. Quando os resultados foram anunciados, surpresa: nenhum dos negros havia passado. Sofrendo pressões de um ministro negro, a cidade decidiu simplesmente cancelar a prova(Há uma interpretação da Lei de Direitos Civis de 1964 que pode tornar inválidos processos de seleção que favoreçam uma etnia), e os sujeitos que passaram entraram na Justiça com uma ação por discriminação racial. As duas cortes federais que analisaram o caso se alinharam com a cidade(Como Sonia Sotomayor, que foi nomeada por Obama para a Suprema Corte, tendo sofrido fortes críticas por isso).
É uma decisão relevante porque a longo prazo significa um gradual enfraquecimento das cotas raciais. A repercussão da história toda foi muito ruim, em parte pelos elementos dramáticos - o encabeçante na ação, Frank Ricci, era um disléxico que pagou mil dólares em livros, abandonou um segundo livro e contratou alguém para ler os livros para ele. Mas também demonstra uma menor disposição, mesmo entre liberais, em apoiar meios de ação afirmativa, e coloca as cotas num terreno legal incerto. Nada impede que uma corte menor(Uma corte de apelações como a do Sétimo Circuito, de Chicago, bastante conservadora) use esta decisão como forma de impedir que um asiático ou branco com altas notas no SAT perca uma vaga numa universidade para uma minoria. Ou mesmo que a Suprema Corte o faça.
E aqui no Brasil as cotas perderiam um importante ponto de defesa argumentativo.
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Honduras: o canário na mina para a democracia na América Latina
Parece uma cena digna dos anos 70: os militares fazem um golpe de estado contra um presidente populista que tentava-se valer de métodos populistas para se manter no poder. Claro que agora o caso nas Honduras não é tão simples: Manuel Zelaya queria um referendo para permitir reeleição que não só tinha oposição do Congresso, mas que havia sido declarado inconstitucional pela Suprema Corte do país(Pessoalmente? Esse tipo de ampliação de mandatos nunca deveria valer para quem já está no poder). É mais um desafio para Obama, e tambem demonstra um ponto um pouco sobre a grave questão da fragilidade das democracias pelo continente latinoamericano, com governantes de todas as vertentes flertando abertamente com terceiros mandatos ou com manipulações da imprensa. A maioria dos países, aliás, demonstram políticas de direitos individuais fraquissímas.
As ditaduras mais famosas do continente surgiram ora por meio de governantes populistas fracos que não conseguiam manter o poder(Pinochet) ou por governantes eleitos de forma legitima que manipulavam a vontade popular(Porfírio Diaz). No mais, a discussão sobre as instituições democráticas deveria ser mais forte no continente. Se obtiver sucesso o golpe militar em Honduras será o primeiro desde da Guerra Fria, mas isso não quer dizer que a democracia não seja frágil pelo continente(Os países em que conseguiram a façanha, como Uruguai e Chile, são a exceção, não a regra).
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Thurgood Marshall e Luis Nassif
Thurgood Marshall foi o primeiro negro a assumir uma cadeira na Suprema Corte Americana, assim como foi o advogado da NAACP durante o julgamento de Brown v. Board of Education of Topeka, a decisão da Suprema Corte americana que derrubou a segregação racial nas escolas americanas. Ele não era alguém alheio às suas origens: foi um dos maiores oponentes da pena da morte(Notem que há uma forte elevação no número de execuções depois de 1991, quando ele se aposenta). Marshall também fazia parte da Suprema Corte quando ela decidiu, de forma unânime, a favor de um membro da Ku Klux Klan que havia sido filmado com seu grupo emitindo bordões racistas de sempre, inclusive falando em “vingança” contra negros e judeus.
Marshall colocava um princípio - a defesa da liberdade de expressão - acima de qualquer restrição pessoal. Era um negro que por causa desse princípio havia votado pela libertação de um racista. E ele oferece lições que seriam muito bem absorvidas por muita gente aqui no Brasil, que vê a questão com tons insuportáveis de cinza. Em especial, claro, o Luís Nassif.
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De jornalistas e nãojornalistas
Do ponto de vista político, o uso que se viu no Irã das redes sociais e de sites como Youtube, Twitter e Facebook é fascinante. Uma tecnologia destas nos tempos de Mao Tsé Tung teria gerado uma fonte inestimável de informações que poderia modificar todo o debate intelectual sobre a China comunista, assim como certamente teria afetado uma détente com Nixon. Imaginem os tipos de imagens que seriam filmadas durante a Revolução Cultural. Isso, progressivamente, vai isolando cada vez as ditaduras. Vai ser cada vez mais dificil suprimir movimentos de massa. Claro que nem tudo é perfeito: não há acesso ao Twitter em larga escala no Congo nem na Coréia do Norte, por exemplo. Em termos de jornalismo, isso significa mudanças significativas? Menos que se acha.
O Rafael Galvão, por exemplo, chega a escrever:
“Pode-se citar como exemplo a figura do correspondente estrangeiro. Pode-se perguntar: e para que correspondentes estrangeiros, mesmo? Eles fizeram sentido (e ainda fazem, embora bem menos) em um tempo em que a distribuição da notícia era cara e complexa. Isso acabou. A formação de redes sociais cada vez mais intrincadas e consistentes elimina essa necessidade. Qualquer pessoa com um mínimo de conhecimento do mundo, alguma técnica de investigação de fatos e acesso a outros blogueiros ou pessoas no Facebook ou no Twitter pode narrar com precisão e talento determinado fato acontecido no Azerbaidjão ou no Sri Lanka ou em Cabrobó. O Pedro Dória está fazendo justamente isso na cobertura do resultado das eleições no Irã; o Idelber fez durante os ataques israelenses à Palestina.”
Hmmm. Bem, Richard Engel, correspondente da NBC, perdeu seu casamento por causa do tempo que ele ficava viajando nesses lugares desconhecidos. Há duas jornalistas americanas provavelmente fazendo trabalhos forçados na Coréia do Norte, Robert Fisk, do The Independent, que entrevistou(Sim, pessoalmente, não por email) Osama Bin Laden foi espancado uma vez por uma multidão no Paquistão. Daniel Pearl, bem, este foi morto de vez por terroristas. Coletar vídeos pelo Youtube e encarar uma zona de guerra são coisas bem diferentes(E se a questão é resultados, bem, não compararia, por exemplo, o trabalho de Fisk com de qualquer blogueiro, quanto mais do Pedro Dória).
E há vários pontos que poucos notaram com relação ao trabalho do jornalismo cidadão no Irã. O primeiro, e bem, chato, é que tecnicamente você não compara, em especial as fotografias, tiradas via celular, com o trabalho de qualquer agência de notícia. A maioria das fotos tem enquadramento muito ruim, muitas totalmente tortas. Claro, isso é um recurso excelente quando jornalistas e fotógrafos não têm acesso a um determinado local, mas não creio que depender de transeuntes em detrimento de profissionais seja uma opção viável para qualquer ocasião. Há outros problemas, como o fato de que esse tipo de informação funciona numa base do disse-que-disse: como foi levantado no programa Reliable Sources da CNN do último domingo enquanto a imprensa dependia de dados via Twitter e similares a coisa funcionava na base do “há rumores de…”, “provavelmente”, etc. Claro que para nós, brasileiros, acostumados a uma imprensa que chega a comprar informações via telefone sem checar dados isso parece trivial, mas, bem, as coisas não funcionam assim.
Por fim, obviamente, os autores das imagens não eram partes isentas, eram partes com forte interesse político. Claro que há outros fatores que afetam os correspondentes, como o fato de que correspondentes internacionais são caros e há demanda cada vez menor por notícias dentro da população(Rupert Murdoch, por exemplo, construiu uma das maiores TVs abertas dos EUA colocando um único programa de notícias, semanal).
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Nunca acaba
Do Estadão, sobre o protesto ridículo contra a exigência legal do diploma para jornalista:
Segundo o estudante Felipe Gomes Camargo, da Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC-Campinas), a decisão do STF “desvaloriza” a profissão do jornalista. “Já sabíamos que o jornalismo era desvalorizado, mas o que aconteceu é inadmissível.”
Peraí: o cara estuda na universidade em que os alunos popularizaram o lema “No Aula, Yes Padoca” e reclama da decisão do STF alegando que isso desvaloriza a profissão? Dá um tempo.
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O acho mais bizarro é neguinho dizendo que o STF teria dexado os diplomas sem valor. O que desvaloriza os diplomas é o fato da maioria dos alunos acharem que faculdade tem “F” de festa, além da obsessão com assuntos sem nenhuma relação com a vida universitária, como choppadas, trotes, pedágios, festas, consumo ou não de maconha dentro dos campi, etc. Há também o hábito de muitos alunos de assinar listas de chamadas por outros colegas, gente que passa o curso inteiro sem ler um único livro(Ou le de forma torta apenas os livros curtos pedidos pelo professor), o fato da maioria dos alunos serem coniventes com currículos frágeis e professores pouco exigentes(Muitas vezes brigando contra quem quer ir na direção contrária).
No mais, como papelmoeda, diploma exige lastro para ter qualquer valor.
8 CommentsSunday, June 21st, 2009...3:33 am
Ignorando a realidade
Hoje passei pelas bancas de jornais e vi a capa das revistas semanais. Confesso que levei um susto: tirando a Época, TODAS as revistas ignoraram que neste exato momento, em Teerã, páginas dos livros de História do futuro estavam sendo escritas. A Veja fez mais uma montagem sobre indignação com políticos, numa sequência de capas sobre o tema que estão ficando tão over quanto as vinhetas sobre política da MTV - e não cita o Irã em nenhum momento na capa(Bem, ao menos não tem nenhuma pobre coitada toda torta vestida de alface na capa). A Carta Capital coloca o Sarney, enquanto uma tal “Revista da Semana” coloca alguma coisa sobre comportamento e gerações. Eu juro que não entendo: a questão do Irã apareceu nas manchetes e no destaque dos telejornais do mundo inteiro. A demanda por informação era tanta que a CNN foi severamente criticada pela percepção de falta de cobertura.
Juro que não entendi. Será que a classe média que lê essas revistas é tão alienada da realidade e estúpida que só consome notícias sobre comportamento e dietas enquanto ignora o mundo? Será que estas revista são editadas por gente que vive totalmente fora da realidade? Até os anos oitenta as capas das revistas semanais serviam como um forte registro histórico: hoje é dificil descobrir quando que a revista sobre dietas ou consciência política foi publicada semana passada ou ontem. Numa era em que se discute sobre o excesso de informação, filtra-se o máximo possível da informação das revistas. De qualquer forma, isso deixa claro como nenhuma das três revistas citadas merece ser levada a sério.
3 CommentsFriday, June 19th, 2009...1:22 am
Ainda é a economia, estúpido
Algumas semanas atrás, David Gregory do programa Meet the Press da NBC entrevistou Christina Romer, uma das economistas da Casa Branca. Foi divertido, porque Gregory encurralou Romer de forma certeira, perguntando várias vezes sobre por que diabos John McCain havia sido tão criticado por ter dito que “os fundamentos da economia estavam fortes” enquanto Obama havia dito mesmo a coisa naquela semana. Touché. Claro que se para um candidato um retrato cruel da economia costuma costuma render votos, enquanto para um presidente eleito, bem, isso é um risco em potencial. Obama se vê na mesma situação que Bush na economia: tenta argumentar com números, enquanto há a percepção de que a situação está bem pior que parece(Se bem que no número que mais importa, que é o do desemprego, a coisa está desagradável, com número numa média nacional de quase dois dígitos, e já nesse patamar em muitos estados).
Ontem foi anunciada uma pesquisa NBC/Wall Street Journal que colocava a aprovação de Obama em 56%, uma queda de seis pontos frente à pesquisa anterior. Não é muito melhor que Bush em 2004, quando um candidato democrata terrível com uma campanha terrível ficou muito perto de derrotá-lo. Há preocupação maior com o déficit, e muitas críticas com relação aos bailouts de bancos e das montadoras, que por motivos óbvios atraem a ira de eleitores de ambos os lados do espectro político(Pior, em duas prioridades de Obama, energia e reforma da saúde, há pouca atenção dos eleitores) . Um sujeito no Nightly News with Brian Williams da NBC parecia resumir a situação no tocante a economia: não mudou muita coisa. Os telejornais noturnos, em especial o Nightly News e o CBS Evening News ainda são recheados com histórias e temas tocantes, como desempregados que dependem da internet de bibliotecas para mandar currículos, crianças que passam fome, gente comprando coisa usada ou mesmo cortando viagens ao exterior.
Em novembro de 2010 Obama enfrenta seu grande teste: as midterms elections. É tradicional o partido que comanda a Casa Branca perder cadeiras no Congresso nas eleições de meio mandato, mas muitos democratas ficaram traumatizados com 1994, quando perderam o controle das duas casas, além de vários governadores….
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Touché
O blog inglês “Guido Fawkes”, ao falar do anonimato entre blogs, defende que os editoriais do The Times, de propriedade de Rupert Murdoch, sejam assinados. Daí:
Qual empregado do líder supremo da BSkyB James Murdoch defendeu uma BBC menor e contra dar dinheiro da licença de televisão para o Channel 4? Quem escreveu o último editorial pedindo por cortes nas taxas de juros? Foi o próprio Rupert Murdoch? Todos os jornais da News Corp pelo mundo inteiro, sem exceção defendem por cortes nas taxas de juros? Dificilmente surpreendentemente quando você descobre que a News Corp tem dificuldades em pagar os juros de 14 bilhões em dívidas…
Perfeito.
Comments OffThursday, June 18th, 2009...12:24 am
Uma discussão jurássica
Com o julgamento do STF, a discussão sobre a obrigatoriedade ou não do diploma para jornalista começou de novo a discussão sobre o assunto, que pendura por uns dez anos. Eu já escrevi bastante isso, mas comecei a notar o quão paradoxal o assunto se tornou. Bem, o grande problema é que discutir atualmente sobre a obrigatoriedade ou não do diploma faz tanto sentido como debater sobre os padrões VHS ou Betamax, ou mesmo discutir se o som do vinil é melhor que do CD. Os defensores do diploma visualizam um modelo econômico que fazia sentido uns vinte anos atrás, mas que hoje é bem mais descentralizado, mas é comum ver gente que ataca a obrigatoriedade citando gente do arco da velha, como Cláudio Abramo e Nelson Rodrigues.
A tal obrigatoriedade é coisa que sempre foi mais coisa para inglês ver, já que muitos jornais de pequeno porte no interior não tinham gente com diploma e mesmo nos jornalões das capitais os sindicatos nunca conseguiram derrubar o pessoal não formado. Na prática, isso só serviu para complicar a vida trabalhista de muita gente. Na selva da internet, aonde as fronteiras entre amadores e profissionais são menos definidas isso é impossível. Claro, no Brasil a internet mostra uma dependência preocupante dos grandes portais, mas na prática não dá para se colocar em prática uma obrigatoriedade dessas sem destruir qualquer provisão, mesmo que mínima, de liberdade de expressão. E policiar todo blog no Wordpress, por exemplo, seria muito dificil(E muito blog badalado usa estrutura simples, como, por exemplo, o de Guido Fawkes, no momento talvez o blog político mais badalado do Reino Unido).
O irônico é que enquanto no Brasil se discute sobre o diploma no resto do mundo se discute sobre o futuro do jornalismo e sobre impacto das mais variadas ferramentas digitais. Por exemplo, das três principais revistas semanais dos EUA, uma(A US News & World Report) ganhou tiragem mensal e passou a dar mais atenção à versão digital da revista, outra(Newsweek) deu uma reformulada total tanto em termos gráficos quanto de orientação tanto no seu site quanto na edição impressa(A idéia é fazer uma revista mais cara e sofisticada para um público menor) enquanto se indaga sobre o futuro da terceira(Time). Na verdade, na transição para o jornalismo impresso pouca gente sabe ao certo qual o modelo que será adotado.
O fato de que se discuta tanto sobre isso, enquanto no Irã todos os princípios mais básicos do assunto são desafiados demonstra como nossa discussão sobre imprensa está defasada.
(O fato de muitos “jornalistas” formados insistirem no assunto só demonstra como diploma não é garantia de nada).
7 CommentsWednesday, June 17th, 2009...2:09 am
A continuação da Revolução de 1979
A maioria dos correspondentes estrangeiros não está mais no Irã. Richard Engel, da NBC, comentou que os vistos não estão sendo renovados, e que mesmo aqueles com visto válido escutam a recomendação para darem o fora. No entanto, as redes de televisão mundo afora continuam a exibir imagens e mais imagens - todas feitas por amadores, geralmente via celular. Os iranianos - ao menos na classe média - tem uma certa familiaridade com tecnologia, não somente em redes sociais como o orkut, mas com o uso, por exemplo de metodos clandestinos para assistir à BBC via satélite. Fica a dúvida se o potencial da internet como ferramenta contra governo pode ser repetido em outras ocasiões. Mas é apoteose de tudo que os entusiastas maiores da rede mais esperavam, tanto em organização quanto em termos de jornalismo participativo.
Pode-se perguntar se os aiatolas não estão apenas esperando que a imprensa internacional desvie a atenção para promover um massacre, com tanques e tudo. Mas a grande certeza é de que os aiatolás estão perdendo força. Ahmadinejad se encaixa mais no formato do populista padrão dos países em desenvolvimento, e por mais que hajam diferenças fortes entre os apoiadores de ambos os candidatos ambos os lados parecem concordar na eleição do Líder Supremo do país, numa maior abertura com o Ocidente e em rejeitar a elite religiosa que governa o país. A revolução de 1979 foi um pacto entre fundamentalistas e liberais, em que os últimos foram marginalizados progressivamente, especialmente os comunistas. Talvez a época do acerto de contasl tenha chegado.
2 CommentsSunday, June 14th, 2009...1:04 am
Pelas ruas de Teerã

Policiais Militares enfrentam grevistas da USP em São Paulo,…. Ops, isto é outra coisa.
As informações são desencontradas sobre o Irã: há registros de bastante pancadaria entre tropas do governo e manifestantes, em especial jovens, depois que o Secretário de Estado anunciou a vitória de Mahmoud Ahmaninejad. Não só em Teerã, como em outras cidades iranianas, como Rasht. Havia depredação, e muitos policiais tomavam pancada(Uma cena magnífica foi um sujeito da polícia secreta que quis tomar a câmara da BBC, e foi afastado pela multidão). A multidão cantava “Oh, Mahmood, o traidor/ Você nos deu miséria/Você contou grandes mentiras/Oh, Mahmoud, o mentiroso“, da mesma forma que cantaram contra o xá trinta anos atrás.
Juan Cole acha os resultados suspeitos. Há uma vitória uniforme para Ahmaninejad, mesmo em locais(Como as grandes cidades e Tabriz, capital da província de origem de Mousavi, seu maior oponente) em que ele deveria ter perdido, assim como absurdamente baixo número de votos para os outros dois candidatos. Claro que há sempre a suspeita de que imprensa teria ignorado o interior e a periferia das grandes cidades, aonde Ahmaninejad seria mais forte - Mousavi é o típico herói da classe média. Não faltam comparações, como a eleição de Bush contra Kerry em 2004, aonde imagem de quem lia a imprensa internacional mostrava uma vantagem para Kerry.
(A crítica Pauline Kael é famosamente citada porque teria dito em 1972 que não acreditava que Nixon - que imprimiria uma vitória esmagadora contra George McGovern naquele ano - tivesse vencido porque não conhecia ninguém que tivesse votado nele, embora não haja registros disto).
1 CommentSaturday, June 13th, 2009...6:56 pm
Dificil de entender
Os americanos que tentaram acompanhar o caso do menino Sean Goldman devem estar doidinhos. Não devem ter entendido, por exemplo, o que diabos a Constituição(Aquele tijolão) diz sobre os direitos de padrastos se sobreporem aos de pais, por exemplo. Não devem ter entendido ainda uma Suprema Corte que impede uma decisão judicial, para apenas depois julgar que não contam com jurisdição.para tal. Não devem ter entendido menos ainda a proibição que a imprensa divulgue informações sobre o caso, nem o fato de partidos terem entrado no ação na mais alta Corte do país.
Agora, para falar a verdade, eu também não entendi. Mas confesso que sinto saudades do tempo em que o partido do Maluf, o DEMO e os juízes causavam vergonha apenas no Brasil, não em todo tipo de programa de notícias nos EUA, do Good Morning America ao Larry King Live.
2 CommentsFriday, June 12th, 2009...2:34 am
O Irã vota

Nesta sexta-feira o Irã vota nas suas eleições presidenciais(Ahmadinejad é um tirano tão bom que, bem, enfrenta eleições e inclusive corre o risco de perder) e a dinâmica parece lembrar as eleições brasileiras. Há um sujeito meio engomadinho que promete reformas e que tem base na classe média(Hossein Mousavi) e o velho populista com base nos pobres de estilo mais desleixado e agressivo(O nosso “tirano”). Claro que é uma dinâmica muito comum em países em desenvolvimento, mas Mousavi poderia falar mais em questões econômicas, num país que sofre com recessão. Parece meio com um Gabeira iraniano…
Eu torço por Mousavi só para tirar sarro dos brasileiros que chamavam Ahmadinejad de “tirano”, mas as imagens na TV mostram um pleito animado, com grandes comícios e um bom debate. Os iranianos parecem ter aprendido como se trabalha com democracia, e este é um mérito unico e exclusivo dos iranianos. As recentes eleições na semana passada no Líbano mostram que a democracia se fortalece na região, e isso é um mérito de uma classe média educada e de redes como Al-Jazeera, não de Bush nem de Obama.
1 CommentThursday, June 11th, 2009...2:11 am
Kadafi vai a Roma

O líder líbio Muamar Kadafi fez sua primeira visita oficial à Roma, e foi recebido com todas honras e regalias que, bem, provavelmente não tem direito, pelo presidente Napolitano e por Sílvio Berlusconi. O ex-decano número um do terrorismo internacional* trocou figurinhas com o primeiroministro italiano, que já foi acusado inclusive de ligações com a máfia. Kadafi dizia que a Itália de hoje não era a mesma de ontem, dizia que os italianos eram amigáveis e acolhedores, mas demonstrava uma obsessão com o passado colonial dos dois países(Ele apareceu com uma foto de Omar al Mukhtar, líder contra a ocupação do seu país por Mussolini, e comparou seu enforcamento pelo italianos com a cruxificação de Cristo). Num momento Òleo de Peroba reiterou sua oposição á imigração ilegal, que comparou com o terrorismo e o tráfico de drogas, dizendo que o povo ia para Europa não por motivos políticos, mas pelo dinheiro.
No momento puxa-saco disse que Berlusconi era um homem de ferro e corajoso e ainda defendeu a entrada da Itália, junto com Japão e Alemanha, como membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU(Justo agora, com a economia italiana atrás da espanhola). Além da imigração ilegal, ambos os países acertaram colaboração no tocante ao Chifre da África(em especial pirataria) e claro, questões econômicas e de energia. Em troca de obras de infraestrutura e de uma indenização pela colonização o plano é de que a Líbia forneça mais de 60% das necessidades energéticas da Itália. O que parece uma forma de fugir da dependência da Rússia, que fornece a maior parte do gás consumido na Europa, mas que ao mesmo tempo usa esse fornecimento como forma de pressão. Mas há sempre o risco de se trocar um demônio por outro.
*Eu sei de que William Casey, que dirigia a CIA durante a maior parte da Admnistração Reagan tinha uma obssessão com Kadafi e seu papel nos atentados é exagerado, mas a hipocrisia disto tudo é divertida
Comments OffWednesday, June 10th, 2009...12:45 am
A mala direta da Petrobras e os jornalistas por email
Eu não sou fã da Petrobrás. Se para a esquerda mundial empresas como a Dutch-Shell e Exxon-Mobil são o diabo reencarnado, bem, a Petrobrás é em grande parte exatamente meio como uma Dutch-Shell e uma Exxon-Mobil, só que com um marketing ambiental melhor e menor lucratibilidade. São empresas gigantes, que cuidam de todas as etapas da produção e distribuição de petróleo, mas com a cruel diferença que a Dutch-Shell e a Exxon-Mobil ao menos contam com competição nos campos em que atuam. No caso brasileiro, a Petrobrás produz quase todo petróleo consumido no país e não há refinaria que não seja de propriedade da empresa. Certo, é uma empresa mais eficiente que a Pemex e a PDVSA, mas isso é mais pelos problemas das primeiras que méritos da segunda. O capital misto é algo que eu acho preocupante: os acionistas contam com a segurança de uma empresa que não pode ir à falência, enquanto que o controle que o Presidente da República tem sobre a empresa é tão grande que é uma ameaça à democracia.
Para piorar, a gasolina que a empresa vende no Brasil é cara. É geralmente mais cara que na Califórnia(Estado com custo de vida altíssimo), e bem, isso sem os altos impostos da Europa que permitem uma boa infraestrutura de transportes. É cara por ser cara. E o mais bizarro? A empresa precisa de capital externo para explorar o pré-sal. Dito isso, juro que não entendi todo o fuzuê em torno do blog da empresa. O tal blog é uma apenas uma mala direta, com os motivos que sempre tive medo da Petrobrás, que é o uso de discurso nacionalista para manipular a opinião. Transparência? Blog com autores anonimos? Por favor. Transparência é quando Hillary Clinton vai ao This Week with George Stephanopoulos da ABC sabendo de antemão que vai ter que responder várias perguntas dificeis. Uma conferência aberta e com perguntas ao público seria transparência.
E a crítica sobre a publicação de emails que a diretoria da empresa recebe de jornalistas? Bem, há vários pontos aí: francamente, isso deixa o blog ainda mais com cara de mala direta, já que tudo fica com cara de coletiva de imprensa(E sem direito à tréplica). Mas o que realmente me assusta é o seguinte: email é uma comunicação um tanto quanto indireta e pessoal. Tipo, eu que sou um merda total aqui no Brasil uso o email para mandar elogios e impressões para a Debra Saunders, colunista do San Francisco Chronicle e leio suas respostas. Claro, é um recurso natural para consulta de especialistas, em especial estrangeiros(Também é um recurso natural para fanzineiro entrevistar desenhista de quadrinhos), mas estamos falando de uma das maiores empresas do país. Tipo, não tem telefone no Estadão? Não tem gente para ir até a sede da empresa? É esse o questionamento que a imprensa deveria fazer.
(Notem que sempre que ocorre uma catastrofe invariavelmente há “artigos” sobre comunidades no orkut sobre o ocorrido, e claro, sem contar os clippings de sites de jornais estrangeiros. Argh).
***
Um outro ponto que me veio à mente: a grande razão pela qual o blog é anônimo é que deve ser um tanto vexaminoso descobrir que a diretoria de uma empresa como a Petrobras tem tempo para isso tudo. Ou claro, isso tudo na verdade é coisa de assessoria de imprensa ou algum aspone e claro, isso teria bem menos glamour.
Comments OffTuesday, June 9th, 2009...12:55 am
Um jogo frio
Semana passada a revista Veja publicou uma capa sobre a Coréia do Norte. Falava algo sobre “Loucos Nucleares”, com um desenho de Kim Jong-il com vários desenhos de mísseis nucleares, o que sugeriria uma Coréia do Norte com algo como mais que algumas centenas de armas nucleares, o seria mais que o arsenal do Reino Unido ou de Israel. São duas percepções perigosas: claro que Kim Jong-il é um tirano excentrico, que faz com que Enver Hoxha ou Papa Doc pareçam discretos, e escrutínio do país com o uso de fotos de satélites revela um panorama absurdo e bizarro. Também é plausível que a Coréia do Norte esconda um panorama tão absurdo como um outro regime maoísta que chegou ao poder com apoio da China, que é Khmer Vermelho no Camboja.
Mas os norte-coreanos não são loucos, pela simples razão de que o padrão de ação dos nortecoreanos é prevísivel: que é de inflar a capacidade bélica do país a ponto de assustar o Ocidente e com isso obter vantagens econômicas. Os testes com mísseis de longa distância(Todos com espaço de vários anos entre um e outro, e nenhum realmente obtendo sucesso) assustam pelo seu relativo alcance, mas há dúvidas com relação à precisão, à produção destes em larga escala e claro, da resistência dos ditos. Apesar do país ter anunciado dois testes nucleares não há imagens, o que sugere um blefe ou uma potência extremamente baixa. Claro, é um tipo de know-how não muito confortável nessas mãos, em especial num regime que pode traficar estes dados para outros países ou organizações terroristas.
Por outro lado, é preciso entender o jogo. A sentença absurda que duas jornalistas americanas, presas na fronteira com a China acusadas de tentar entrar ilegalmente no país, obtiveram(Doze anos de trabalhos forçados) sugere o mesmo tipo de joguinho. Na prática, é um sequestro de larga escala, e deve ser um dos testes que Biden falava na campanha(Quando ele disse que o mundo iria “testar” Barack Obama).
2 CommentsSunday, June 7th, 2009...2:24 am
Carta aberta ao DEMO e ao PP
(Email enviado ao antigo PFL e ao PP. Postarei aqui a resposta, se obtiver)
Eu gostaria de saber qual a real intenção do partido em impedir que um pai possa conviver com seu filho - independente do pai ser nascido ou não no Brasil. Não falo dos parlamentares do partido, falo do partido em si, que está menos submetido ao escrutínio dos eleitores que os representantes eleitos(Também não conheço um país em que partidos façam intervenções diretas à Suprema Corte em casos que não envolvem eleições, mas bem, estamos no Brasil).
O caso de David e Sean Goldman não só é revoltante a nós, brasileiros, como o centro do episódio está em Nova Jersey, talvez a maior colônia de brasileiros dos Estados Unidos. Não duvidaria que isso afetasse diretamente nossos compatriotas por lá, que poderiam ser alvo de discriminação ou mesmo ter negócios boicotados.
E para piorar, o deputado que representa o distrito de David Goldman está defendendo sanções comerciais para o Brasil. O país corre o risco de perder dinheiro por causa de um episódio que envolve algo que vai além de ativismo judicial - é uma verdadeira engenharia do ponto de vista judicial - e claro, o vosso partido como sempre se alinha frente aos interesses de uma família de poderosos em detrimento do país.
Mas para um partido que tem em seus quadros membros como Cesar Maia e a Família Chedid, bem, isso nada mais é que business as usual, não é?
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Vinte anos

Os registros sobre as atrocidades que os comunistas chineses fizeram desde dos tempos pré-Revolução sempre foram escarsos. Os registros, em especial visuais, sobre a Guerra da Coréia, da fome generalizada durante o Grande Salto para a Frente e sobre os horrores da Revolução Cultural são raros. O Massacre da Praça de Tiannenen(Ou, ironicamente, da Paz Celestial) foi um registro raro da truculência do regime que Mao construiu. Se as manifestações começaram com uma ardor de esperança, com jovens cantando o hino da Internacional e fazendo uma estátua de papel da “Deusa da Democracia” terminariam com um massacre que muitos acreditam tenham ultrapassado a casa dos quatro dígitos. A imagem que marcaria o mundo seria do pobre estudante tentando frear uma coluna de tanques.
Nesta semana, quando se completaram vinte anos do Massacre, as equipes ocidentais que tentaram filmar o local encontraram guardas bloqueando o local e vários sujeitos com jornais bloqueando as câmaras. A China basicamente continua como um estado policial gigante, da mesma forma que em 1989. A diferença, claro, é que hoje umas centenas de bilhões de dólares em títulos da divida americana e uma Olimpíada dao uma certa legitimidade que o regime não tinha em 1989.
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As boa vida de Berlusconi
O jornal El País publicou ontem fotos de Silvio Berlusconi e amiguinhos e amiguinhas bem, digamos, à vontade(Isso é ironia. Na verdade, fica a dúvida o que Berlusconi fazia lá dentro? Filmes pornô?). Há uma sucessão de beldades com jeito de modelo, e inclusive um sujeito peladão, nas fotos tiradas na área externa(Imagino o que rolava lá dentro) de Villa Certosa, a fabulosa mansão de Berlusconi na Sardenha.
Eu sei que há alguém aí no fundo da sala que pergunta porque diabos um jornal espanhol, não um jornal italiano, publica as fotos. Bem, o sujeito que obteve os registros, Antonello Zappadu, tentou vender as fotos para a revista Panorama, ligada a Berlusconi, por um milhão de euros. A revista, claro, negou e acionou legamente o fotógrafo(O primeirobimbador quer processar os jornais El Pais e La Repubblica, que publicaram as fotos). Zappadu, o fotógrafo, que é casado com uma colombiana reclama que tem mais medo de Berlusconi que da guerrilha colombiana. E claro, Berlusconi só fala na sua violação de privacidade.
(As fotos são relevantes porque Berlusconi teria usado aviões oficiais para transportar seus convivas.)
De qualquer forma, a Itália parece se esforçar em não ser um país sério, pelo visto. Desconfio que quem defenda que ela perca sua vaga no G-8 para a Espanha têm razão.
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Dez citações desgastadas que ninguém mais aguenta
1-) É a economia, estúpido(Cartaz da campanha presidencial de Clinton de 1992, escrito por James Carville).
2-) Duas coisas são infinitas: o universo e a estupidez humana. Mas, no que respeita ao universo, ainda não adquiri a certeza absoluta(Einstein)
3-) Toda unaminidade é burra(Nelson Rodrigues).
4-) “Posso não concordar com nenhuma das palavras que você disser, mas defenderei até a morte o direito de você dizê-las.”(Voltaire, por mais que se atribua a Descartes)
5-) “Aqueles que não conseguem se lembrar do passado estão condenados a repetí-lo”. George Santayana
6-) “O meio é a mensagem”, Marshall McLuhan
7-) “Não existe almoço grátis” Milton Friedman
8-) “De tanto se repetir uma mentira, ela acaba se transformando em verdade.”/”Uma mentira muitas vezes repetidas, torna-se verdade”(Citação atribuída a Josef Goebbels, embora ele nunca a tenha dito).
9-) Qualquer citação de Paulo Francis.
10-) “Quando eu tinha essa idade sabia desenhar como Rafael, mas precisei uma vida inteira para aprender a desenhar como as crianças”/ “Quando criança, eu desenhava como Rafael. À medida que fiquei mais velho, passei a desenhar como criança”(Citação mal traduzida de Picasso, que originalmente teria tido: A los doce años sabía dibujar como Rafael, pero necesité toda una vida para aprender a pintar como un niño.
BONUS:
Primeiro levaram os judeus,
Mas não falei, por não ser judeu.
Depois, perseguiram os comunistas,
Nada disse então, por não ser comunista,
Em seguida, castigaram os sindicalistas
Decidi não falar, porque não sou sindicalista.
Mais tarde, foi a vez dos católicos,
Também me calei, por ser protestante.
Então, um dia, vieram buscar-me.
Mas, por essa altura, já não restava nenhuma voz,
Que, em meu nome, se fizesse ouvir.
[Sermão do Pastor Martin Niemoller, geralmente com variações que fogem da forma original, e quase sempre atribuido erroneamente a Bertolt Brecht]
BONUS 2: “É preciso endurecer sem perder a ternura”/”Endurecer sim, perder a ternura jamais”(Che Guevara).
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Suprema Infâmia
A CNN está dedicando um bom espaço da sua cobertura ao caso do menino Sean Goldman(Um bom bloco do Newsroom apresentado nos EUA, além de blocos no The Situation Room e entrevista no Larry King Live), assim como outros orgãos, em que os magistrados brasileiros chegaram à brilhante conclusão de o namorado/viúvo de uma mãe falecida teria maior direito sob a guarda do filho que o próprio pai da criança. A situação, além de tão ridícula revoltar muitos brasileiros é bem pior, porque, bem, afeta a própria imagem do país nos EUA. Na verdade, é tudo ainda pior porque descobrimos que além de decidir sobre o uso de algemas em prisões e demarcar reservas indígenas o Supremo também decide sobre guarda de crianças.
(E juro que não entendi o interesse tanto do DEMO quanto do PêPê em manter o pai longe do filho. E juro que achava que partidos agiam dentro do Legislativo, não nos tribunais nesses casos. Legislate from the bench? Oh, yeah!)
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Até o The Guardian
O The Guardian publicou um editorial pedindo pela renúncia de Gordon Brown.
Sim, o The Guardian.
Quando um primeiro-ministro trabalhista tem o The Guardian pedindo sua renúncia a coisa está feia. É um editorial um tanto quanto sincero, dizendo que Brown claramente não demonstra capacidade de liderança(O que é verdade). Mesmo considerando os escândalos com os gastos dos parlamentares e a crise econômica Brown sempre teve baixos índices de popularidade, que o cachorrinho de Bush nunca conseguiu.
Claro que os editorialistas do The Guardian sabem que se livrar de Brown é a única forma dos trabalhistas evitarem uma surra na próxima eleição geral, em 2010.
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O verdadeiro feioso
Simon Cowell é um dos juízes do American Idol, famoso pelos comentários ácidos contra calouros e pelas brincadeiras grosseiras com sua colega de juri Paula Abdul(O programa é um tem toques um tanto cruéis: a produção do programa permitiu que uma fanática que perseguia Abdul aparecesse no programa. A moça acabaria se matando perto da casa de Abdul). Cowell também é produtor do programa Britain´s Got Talent, que revelou a suposta mocreiosa Susan Boyle ao mundo. O vídeo, que virou fenõmeno no You Tube, tinha cara de armação; parecia um tanto quanto que forçado que a mulher fosse apresentada de forma tão desleixada, e a apresentação da mulher como “desempregada” era um tanto quanto over.
O desandar da história, com uma Susan Boyle claramente abalada com a pressão e a fama repentina e as notícias de que os programas teriam persistido, mesmo com os produtores sabendo que ela não se alimentava direito, com a mulher acabando num hospital, só demonstram o tamanho de merda que Cowell é. A diferença é que Cowell não se limitou a fazer de palhaço Abdul e os calouros, mas o planeta inteiro.
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E se foi uma bomba?
Um piloto da Air France levantou ao Le Figaro a hipótese, bastante repetida aqui no Brasil, de que uma bomba teria explodido o Airbus sobre o Atlântico. Vale lembrar que esse tipo de incidente geralmente não é esclarecido de cara: os primeiros relatórios sobre a queda do Jumbo 747 da Pan Am em Lockerbie em 1988 não falavam sobre explosivos(A culpa foi atribuída à Líbia, mas nenhum analista sério hoje costuma acreditar). Pessoalmente? Acho dificil.
O único tipo de explosivo que é pequeno o bastante para ser embarcado numa avião sem ser notado seriam explosivos plásticos, são pouco acessíveis. E mesmo estes teriam dificuldade em passar pela segurança. De qualquer forma, pela descrição da forma que os destroços foram encontrados a tese de que o avião explodiu no ar parece plausível. E vale lembrar: nem todo atentado terrorista é assumido por alguma organização. O já citado atentado de Lockerbie, por exemplo, o maior atentado ocorrido em solo europeu nunca foi assumido por nenhuma organização. Falta de motivações? Não sei. Um atentado contra um avião partindo para os Estados Unidos ou para Israel seria mais plausível, mas vale lembrar que os franceses são alvo de terroristas também, em especial de grupos baseados na Argélia(Em 1994 um vôo da Air France foi sequestrado por terroristas argelinos ao decolar de Algiers, e no final da década de 90 vários alvos na França seriam alvo de atentados).
O problema é que a maioria das explicações sobre a queda do avião, como raio, parecem pouco plausíveis(Como o Nightly News da NBC explicou bem ontem). Também era um avião relativamente novo(Quatro anos) Desconfio que o acidente vai custar caro para alguém. Pode ser a Airbus, pode ser a Air France. Ou podem ser os responsáveis pela segurança aeroportuária no Brasil.
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A disputa na TV
Uma boa representação dos problemas do partido republicano pôde ser vista no domingo, quando em todos os programas de entrevista um senador do partido assistia uma fita de Rush Limbaugh dizendo que Sonia Sotomayor era racista e comparando a mulher com David Duke. Explicar o que diz um radialista obeso, ô dureza(Mitch McConnell no State of the Union da CNN se mostrou bastante irritado, dizendo que não era responsável por policiar o discurso de ninguém). Aliás, os senadores de ambos os partidos foram colocados à parede nestes programas(David Gregory no Meet the Press da NBC foi particularmente cruel com os senadores Jeff Sessions, do Alabama, e Patrick Leahy, de Vermont, ambos do comitê Judiciário), o que dá um tiquinho de inveja em nós, brasileiros. Os republicanos também soaram pouco convincentes quando diziam que precisavam ler as decisões de Sotomayor para definir o que deveriam fazer(Sotomayor era a favorita à vaga desde de que Souter anunciou a aposentadoria… Se não deu tempo para ler nada desde de então….).
Afinal de contas, esse tipo de programa, na TV ABERTA, permite uma discussão franca sobre assuntos de interesse público e permite que os políticos sejam submetidos à opinião pública.
***
As redes de TV estão citando bastante o blog Scotus Blog, um blog de advogados e juristas que fez um levantamento sobre as decisões de Sotomayor ligadas a raça(Descobrindo que ela raramente se colocava do lado da vítima em caso de discriminações raciais).
Então, é justamente esta diferença que eu sempre apontei entre os blogs americanos e os brasileiros.
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As cidades da Copa
A FIFA lançou as dez cidades que serão sede dos jogos da Copa: Porto Alegre, Curitiba, São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Cuiabá, Manaus, Salvador, Natal, Fortaleza e Recife. Pessoalmente, tenho uma certa dificuldade em entender algumas das escolhas. Campo Grande talvez fizesse mais sentido que Cuiabá e claro, Belém do Pará me parece mais óbvio que Manaus, talvez a cidade de grande porte mais isolada do mundo. De qualquer forma, esse daria uma boa desculpa para implementar um projeto que defendo faz tempo, que seria o de adaptar a malha da Ferronorte para transporte ferroviário de passageiros. Seria apenas prolongar a linha até Cuiabá, modernizar o trajeto entre Santa Fé do Sul/São Paulo e voilá, um trem de passageiros entre as duas cidades. Outro projeto que não seria de todo ruim seria de alargar a bitola do trecho da antiga Mogiana/Estrada de Ferro Goiaz entre Campinas e Brasília, criando outro trem de passageiro sem grandes custos, com tração a diesel. O trecho entre Araguari e Boa Vista,em Campinas, é moderno. Mesmo no padrão que a Amtrak usa nos EUA, nas linhas sem atrasos(Como o Southwest Chief) daria para fazer São Paulo a Cuiabá/Brasilia em pouco mais que doze horas.
(E tem gente que fala em TAV).
Também me pergunto se haverá um esforço no detalhe que é a interligação entre as grandes cidades, tanto por ar quanto por terra, por trem e rodovia. A não ser que todo mundo espere para ver um monte de turista com cara de bosta em sagão congestionado de aeroporto. Desconfio que o governo federal não será tão inteligente.
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O Congresso não é o espelho do povo
O mais bizarro sobre as intermináveis polêmicas sobre passagens aéreas e gastos de parlamentares é que, bem, é tudo uma gota de água no oceano. Concordo que há aspectos odiáveis na cena em si, mas bem, há uma citação genial de um antecessor da cadeira de Obama no Senado, Everett Dirksen”Um bilhão aqui, um bilhão ali e logo você está falando em dinheiro de verdade.”) Dinheiro em governo geralmente se mede na casa das centenas de milhões aos bilhões e trilhões. Pode parecer odioso, mas bem, mesmo se todo parlamentar fizesse uma viagem anual ao redor do planeta num cruzeiro de luxo(como avó, tia e o diabo) isso não faria grande impacto sobre os cofres públicos.
O problema do Congresso brasileiro é que ele é uma elite por si que funciona independente da vontade dos eleitores e que é incapaz de representar a população. Por exemplo, peguemos a União Democrática Ruralista, que é um caucus no Congresso que abertamente defende os interesses de uma classe empresarial restrita. Por mais que os interesses dos plantadores de batata tenham sempre se valido sobre o senadores de Idaho ou claro, o lobby de milho em Iowa, bem, mas isso nunca foi feito de forma tão aberta. E o pior? A UDR mantém no Congresso uma participação que é inclusive maior que a proporção de habitantes na Zona Rural. Em todos os indicadores socioeconômicos e raciais o Congresso oferece um perfil totalmente distante da realidade nacional.
As regras, que foram feitas pelos próprios congressistas, são uma forma perversa de se perpetuar este poder. Foram eles que perpetuaram o perverso bias em favor dos estados de menor população: os cinco maiores estados brasileiros tem 53% da população, mas apenas 239 deputados de 513 e QUINZE senadores de oitenta e um. Em parte porque é mais fácil controlar o sistema político em estados pequenos que em estados maiores, em parte porque isso garante a perpetuação do poder da atual elite partidária. O sistema também garante poder total aos caciques dos partidos. Os chefões contam com poder para expulsar dissidentes(Na prática, qualquer um que vote fora da linha do partido) e na prática controlam os processos de escolhas de candidatos, além de terem o poder de retaliar adversários no uso da propaganda eleitoral gratuita. E claro, tirando contribuições de bancos e empreiteiras, os partidos não precisam se preocupar com coisas como uma base de eleitores que faz doações. Os maiores gastos de uma campanha, televisão, são custeados pelo contribuinte(O fato do espaço ser dividido, mesmo em eleições locais, pela representação do Congresso, além de favorecer o status quo dá poder a partidos como PMDB em locais que ele não tem representação).
A ênfase que se dá no Brasil ao poder dos partidos, com aberrações como voto na legenda e coeficiente partidário, fidelidade partidária mantida à força e outras aberrações(A maioria das propostas de reforma partidária piora ainda mais a situação, como listas partidárias fechadas), reflete justamente a vontade das elites políticas de se valer destas instituições como forma de poder. Por isso que o parlamentarismo, por mais que seja rejeitado pela população encontra defensores fiéis. O Congresso brasileiro não são os políticos que o brasileiro merece: são uma aristocracia que se mantém no poder e que conta com tanta legitimidade como o Politiburo da antiga União Soviética. E justamente por isso que o discurso de “voto consciente” e “analfabeto político” são tão prejudiciais: eles dão uma legitimidade ao Congresso que ele não têm, e ainda criam ilusões de que apenas o voto teria poder de ajustar o sistema político do país. Como não é este problema, a ênfase na crítica ao eleitor, além de elitista, garante que as coisas permaneçam quando estão.
Justamente por isso, ninguém notou como as classes “intelectuais” do país prejudicam o Brasil com esse tipo de discurso puramente moralista.
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Do Bronx para o mundo
Robert Gibbs, o portavoz da Casa Branca, toda vez que alguém pergunta sobre alguém comentando sobre as qualificações de Sonia Sotomayor simplesmente pergunta sobre qual a posição do sujeito na sua classe em Princeton, elencando que ela foi a segunda de sua classe lá. Ad Hominem baratissímo, mas ao mesmo tempo eficiente. O que de uma certa forma demonstra como o debate sobre a sua nomeação ficou bagunçado, com gente, em especial conservadores acusando a mulher de ser racista(Caso de Newt Gingrich) e pouco inteligente(Caso de Pat Buchanan, entre outros). Já Mike Huckabee viraria motivos de piadas ao errar seu nome, atacando-a como Maria Sotomayor. Aliás, o fato de muitos republicanos reclamarem que a tal empatia que Obama falaria sobre juízes seria código para “ativismo judicial” criou a piada em círculos políticos de que o partido seria o Partido contra a Empatia.
O mais bizarro é que, como vários comentadores apontam, Sotomayor não é uma esquerdista ardoz. Ela foi indicada para uma corte federal por Bush Pai em 1991, fruto de um acordo com o Senador democrata Daniel Moynihan, que dificilmente pode ser classificado como um liberal radical. Na verdade, E. J. Dionne tem razão quando diz que as posições pró-empresariais de Sotomayor mereciam um escrutínio maior por parte de liberais. De uma certa forma, é a melhor escolha que conservadores esperariam de um presidente democrata com uma vantagem de quase sessenta senadores(Em outro ponto-chave, aborto, Sotomayor não tem uma posição clara).
E o que reforça um pouco Sotomayor é sua história de vida. Tanto a CBS quanto a NBC mostraram adolescentes hispãnicas do Bronx dizendo que se ela conseguiu, elas também conseguiriam. Um ponto pouco notado é que a devoção que Sotomayor costuma demonstrar pela sua mãe, um ponto que certamente ganhará pontos com latinos em geral. Obama ganha pontos com a comunidade hispânica sem muito esforço, e claro, há o simbolismo do primeiro presidente negro nomeando a primeira hispânica para a Suprema Corte.
4 CommentsWednesday, May 27th, 2009...11:55 pm
Fiscalizar uma ova
Um dos mitos mais bizarros do discurso político nacional é o “fiscalize seu deputado”. Há um batalhão de gente pela imprensa que insiste na idéia, mas poucos notaram o quanto é ridículo. Há vários problemas por aí, mas um dos principais é que quando você sai das grandes cidades e você vê a campanha para deputados, bem, invariavelmente vai ver gente cuja a única plataforma é defender determinada cidade ou região no Congresso. Isso, claro, é compreensível. Não só é a única forma de se fazer campanha considerando o tamanho de muitos estados como o eleitor também se preocupa com uma voz que possa defender sua região. Não é a toa que há tanta celebridade de currículo político sendo eleita em São Paulo. A única forma de um sujeito conseguir uma votação expressiva da Grande São Paulo ao Rio Paraná, do Pontal do Paranapanema ao Vale do Paraíba é sendo conhecido de antemão pelos eleitores. É impossível fazer campanha por tanto local, e quem é conhecido numa única região fica numa concorrência desleal.
E sim, há um sem número de regiões sem NENHUM deputado sendo representado. Se você mora numa cidade que conseguiu eleger um deputado não vai ter incentivos para fazer qualquer coisa que possa ameaçar a releeição do pulha, pelo simples fato que isso simplesmente irá na maioria dos casos impedir que a região seja representada no Congresso ou na Assembléia Legislativa. E no mundo real esse tipo de representação é bem importante que toda a coleçao de discursos da Soninha Francine ou do Pedro Dória sobre o assunto. Justamente porque os moradores do mundo real sabem que coisas como a localização de uma universidade ou de uma estrada afetam diretamente sobre seus salários. Na verdade, quando você sai dos grandes centros em tempo de eleição nota que a única plataforma dos candidatos é justamente representar determinada cidade no Congresso. O Idelber sugere o não-voto em membros da bancada ruralista, mas aí a gente cai exatamente nesse problema.
O sistema político brasileiro, na verdade, é tão confuso que impede qualquer fiscalização efetiva. Para começar, o sujeito vai à urna e encontra uma caixinha branca em que o único dispositivo de entrada é um teclado numérico, num país em que o costume de se guardar nomes não é tão forte assim(Note que geralmente nos referimos a estradas pelo seu nome ou rota, não pelo seu número). Ninguém decora números ou anota, mas leva santinhos(O que é um bias que deveria ser intolerável a candidatos com mais dinheiro) ou vota na legenda. E quando o sujeito vota na legenda ele não sabe para aonde vai o voto dele. Há aquelas fórmulas complicadas, e claro, “fiscalizar” a legenda é uma idéia insana. Por fim, claro, a idéia básica da democracia moderna é justamente que as pessoas não são perfeitas e que o sistema político deve funcionar à despeito da falta de instrução da população, não funcionar esperando a falta desse problema. Se você quer um sistema que dependa de tanta ação da população, bem, que espere pelo anarquismo.
(E juro que sempre pensei que o voto fosse o direito de se escolher os representantes, não o dever patriótico de tom quase fascista de se fazer um processo de seleção)
O Idelber tem falado bastante na República Morumbi-Leblon: eu não vejo muito sentido no uso do Morumbi(Este é um termo usado para uma ampla área que inclusive inclui favelas e muitos pontos de classe média baixa entre a Avenida Francisco Morato, a Marginal Pinheiros e a região da Capela do Socorro, não de um bairro de classes abastadas), mas é fato de que a discussão política no Brasil é feita por um viés de bairro de classe média alta de uma capital(Invariavelmente São Paulo ou Rio). Claro que infelizmente Soninha Francine e Marcelos Tas não são os únicos que caem nessa armadilha.
*****
E sim, nos EUA há uma forma eficaz de se fiscalizar seu deputado. Como o papel do sujeito é representar o seu distrito ele tem que estar em sintonia com as posições de seus eleitores. E como todo deputado mantém escritórios regionais, bem, esse contato direto acaba sendo uma forma de “fiscalização”. E claro, isso o faz com que ele tenha oponentes diretos, o que não existe aqui no Brasil.
3 CommentsTuesday, May 26th, 2009...11:52 pm
Sotomayor!

Foi tudo tão prevísivel que nem teve tanta graça. Se se especulava sobre quem Obama escolheria para a Suprema Corte os sinais eram óbvios. Obama precisava de uma mulher e que fosse hispânica. Kim Wardlaw, do Nono Circuito da Califórnia tinha ascendência hispânica, mas, bem, isso era bem menos claro que no caso de Sonia Sotomayor, do Segundo Circuito de Nova York. E Sotomayor, por mais que não conhecesse pessoalmente o presidente(O assustador é que as outras finalistas eram amicissimas do presidente) tinha vários patronos poderosos no Senado, incluindo Patrick Leahy(D-Vermont, o todo poderoso presidente do Comitê Judiciário) e Chuck Schumer, de Nova York. E claro, Obama falou tanto em “experiência de vida” que Sotomayor, a única da lista que de fato conheceu a pobreza, era aposta fácil.
Também é uma armadilha deliciosa para os republicanos. O caso em que Sotomayor foi mais criticada é Ricci v. DeStefano, o famoso episódio dos bombeiros(A cidade de New Haven fez uma prova para promoção entre seus bombeiros, em que um terço dos candidatos eram negros. Todos os aprovados foram brancos, com exceção de um hispânico - incluindo um disléxico que pagou para que um conhecido lesse os livros. A cidade decidiu simplesmente descartar a prova, os bombeiros aprovados entraram com um processo por discriminação e Sotomayor votou contra eles, junto com a maioria). Pode-se alegar ou não sobre os méritos da ação, mas é um ataque que pode reforçar a pecha de protetores dos “homens brancos” dos republicanos, como Stuart Taylor diz no National Journal. Idem para a citação de Sotomayor de 2001, “uma mulher latina com sabedoria e a riqueza de suas experiências pode chegar muitas vezes a uma melhor conclusão que um homem branco que não viveu aquela vida”.
E como juíza? Tudo indica que Sotomayor seria uma juíza com filosofia judicial mais próxima dos atuais liberais da corte que os liberais mais ardentes de outros tempos, como William Douglas ou Thurgood Marshall. Por mais que seu registro de liberdades civis pareça ser bem melhor que a média da Corte atual.
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Um AI-5 inútil
Se você acessa a internet deve saber da Lei Azeredo, que seria a grande ditadura na internet, o AI-5 digital e o fim total da liberdade de expressão. Há anos que blogs fazem campanha sobre o assunto. Olhando com mais calma? O caso é aquele que a gente tipicamente conhece muito bem como brasileiros:é uma lei enorme, escrita de forma complicada e que na prática…. vai ser completamente ignorada se aprovada. A lei parte do princípio de identificação por IP, e não faltam ferramentas como proxies permitindo a publicação anônima. Mesmo ditaduras sofisticadas, como a chinesa ou a Burma, encontram dificuldades para barrar o fluxo de informações pela rede. Na prática, os provedores seriam obrigados a manter registros de dados gigantes, desperdiçando recursos e isso não teria utilidade alguma.
A própria propagação de recursos de acesso sem fio à rede irão fazer a lei se tornar inútil. De um lado, você tem o avanço do acesso via wireless e óbvio que os lojistas irão perceber que é vantajoso oferecer acesso: o sujeito entra numa loja para checar emails e acaba se interessando por alguma coisa. Há planos cada vez mais de se oferecer acesso público em cidades, e bem, mesmo o acesso via celulares é mais dificil de ser controlado(Considerando o fato de boa parte dos brasileiros se prender ao email o acesso sem fio é ainda mais atraente). Claro, há o prospecto de que gravadoras usem a lei para tentar processar de forma aleatória os usuários de redes de compartilhamento de arquivos(Claro que a inexistência de uma estrutura próxima da do sistema universitário americano, aonde os estudantes dormem na universidades e usam sua rede torna a brincadeira mais dificil).
O pior ponto da lei é que ela não é criada para combater os criadores de vírus nem pedófilos, mas por pressão dos bancos, que pressionaram para que os correntistas usassem o homebanking de forma a economizar com estrutura física, mas sem pensar nesses aspectos triviais de segurança. No mais, num país aonde as eleições para senador são feitas a cada oito anos, exclusivamente em ano de eleição para presidente, o episódio mostra bem para quem os senadores trabalham.
2 CommentsTuesday, May 19th, 2009...11:57 pm
O flagelo do Rio de Janeiro
César Maia, o Flagelo do Rio de Janeiro, saiu da prefeitura, mas não largou da sua mala direta que ele chama de blog. Nela, encontramos a seguinte pérola, com um neologismo de doer(”Centralidade Cultural”):
A centralidade cultural que o Rio deteve por muitas décadas começou a ser atingida com a semana de arte moderna de 1922, quando por circunstâncias adjetivas foi para SP. Anos depois, essa mesma centralidade sofreu outro golpe com o fechamento da Universidade do Distrito Federal, criada por Anísio Teixeira e Pedro Ernesto. Nomes como Cecília Meireles, Hermes Lima e Candido Portinari foram perseguidos. Candido Portinari migrou para SP, onde depois foi candidato a senador.
Bobagem. Em primeiro lugar nunca houve “centralidade cultural” em nenhum lugar do Brasil justamente pela diversidade cultural do país. Coisas como o forró ou fandango não dependiam em nada do Rio de Janeiro antes de 1922. Claro que tirando locais em uma fatia absurda do poder econômico e a população de um país se concentram numa única cidade(Exemplo, Paris ou Londres) não existe a tal de “centralidade cultural” em quase nenhum país do mundo.
Segundo: se havia impressão de que o Rio de Janeiro era um centro cultural, bem, isso era porque a economia e o poder político se concentravam na cidade. Por exemplo, os grandes pintores do Império e dos primeiros anos da República, com exceção de nomes como Oscar Pereira da Silva eram nascidos em outros estados(Almeida Júnior, Benedito Calixto e Pedro Alexandrino eram paulistas, Pedro Américo paraibano, Victor Meirelles catarinense, Giovanni Battista Castagneto e Eliseu Visconti italianos) que vieram a fazer carreira no Rio de Janeiro basicamente porque os grandes clientes e a Academia Imperial de Belas Artes ficavam no Rio. Claro que, bem, Almeida Júnior, o mais importante pintor brasileiro da época fez carreira basicamente na Europa e em São Paulo.
A experiência internacional indicava que a recuperação da centralidade cultural exigia equipamentos de alta qualidade que cumprissem esse papel aglutinador. Um exemplo mais recente foi o Museu Guggenheim de Bilbao. Com isso, na campanha eleitoral de 2000, a associação do Rio à Fundação Guggenheim foi apresentada como programa de governo e aprovada pelo eleitor carioca.
Ah, tá explicado. É uma forma de tentar explicar as cacas que CM fez na área.
” Enquanto isso, em SP constrói-se o Museu da Língua Portuguesa, de alta qualidade e sofisticação. E o Museu do Futebol, da mesma forma. Em Vitória um Centro Cultural Múltiplo, da mesma forma.”
Certo, e o que CM fez na área da “centralidade cultural” nos seus doze anos de prefeitura, além projetos faraônicos de pouca eficácia?
4 CommentsMonday, May 18th, 2009...11:44 pm
O que Chiquinho Scarpa explica sobre o Brasil
A primeira vista, a obssessão da imprensa com Chiquinho Scarpa é dificil de entender. Não estamos falando do típico ricaço, que enriquece com trabalho, oferece à sociedade algum melhoramento técnico e quando fica velho monta uma universidade ou uma fundação de caridade. Diabos, não estamos falando do empresário que mais atrai ódio, que é aquele que se vale da força do governo para esmagar a concorrência e enriquecer. Estamos falando de um sujeito que herdou uma fortuna, gastou o dinheiro da forma mais absurda possível, gastou ainda mais. Diabos, estamos falando de um sujeito que se autointitulava conde. Agora está na fila da morte por alguma coisa insuportavelmente idiota, que foi o de se submeter a uma cirurgia de redução de estômago, uma medida extrema, mesmo tendo um índice de massa corporal bastante baixo. Isso é perfeito, já que é provável que usem o episódio para impôr maiores restrições à cirurgia e pessoas que realmente precisem fazê-la sejam prejudicadas.
A segunda vista, bem, Chiquinho Scarpa é fascinante porque ele é um espelho perfeito da sociedade brasileira. Alguns meses atrás, quando Luciano Huck foi assaltado e escreveu um op-ed debilóide na Folha de São Paulo a imprensa(em especial a Época) quis usar a reação de Férrez e meia dúzia de gatos pingados para tentar explicar as mazelas brasileiras. Havia um argumento de que parte do país teria rejeição a pessoas bem sucedidas. Não me parece que um país em que alguém como Chiquinho Scarpa seja visto com alguma coisa de admiração tenha ojeriza ao sucesso. Claro que Scarpa não é um Samuel Klein da vida, é apenas alguém que faz parte do clube do esperma sortudo. Vale lembrar que nos EUA ricaços que nunca fizeram fama por si só não são exatamente bem vistos(Vide a reação que Caroline Kennedy, a filha do presidente, obteve quando começou-se a cogitar seu nome para a cadeira de Hillary Clinton no Senado. E Caroline, envolvida com ações ligada a escolas, era uma trabalhadora ardaz perto de Scarpa).
O Brasil é um país fascinante: se o presidente do país fala em elites as pessoas não pensam num grupo de restrito de poderosos. Elas, pensam, bem, nelas mesmo, mesmo que, ahã, a pessoa ganhe menos de mil reais por mês e tenha carnê nas Casas Bahia. Justamente porque o brasileiro como um todo gosta de se identificar com figuras da realeza e da nobreza, aquelas figuras estranhas que não trabalham. A fascinação com nulidades como Jorginho Guinle e o já citado Scarpa são exemplares. Um americano se identifica com Jeff Bezos ou Warren Buffet justamente porque enxerga numa pessoa que constrói sua riqueza como o seu grande objetivo, o grande sonho de consumo. O nosso sonho é ser alguém que herda uma fortuna e não trabalha. Isso que explica aberrações como a Daslu ou a Oscar Freire, locais aonde basicamente se vê produtos de luxo a preços superfaturados. Estamos mais interessados em como gente rica gasta dinheiro(E pior, idolatramos pessoas notórias por gastar, não ganhar dinheiro) que na forma que elas ganham dinheiro.
Mark Shields escreveu semanas atras que torcer para os New York Yankees no beisebol, um time que ele associava à Wall Street era como torcer para Rupert Murdoch ou Donald Trump vencerem o bingo na igreja, ou torcer pela OPEC no inverno gelado da Nova Inglaterra contra uma família pobre de tanque vazio. Eis uma metáfora que soaria incompreensível em muitos lugares aqui no Brasil.
Se bem que acho Rupert Murdoch e Donald Trump muito mais palatáveis que o Chiquinho Scarpa.
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A glória vai para a égua
Sempre tem um engraçadinho que reclama que no hipismo os méritos sempre vão para o jockey, não para o cavalo, mas bem, há uma égua que está dando o que falar no circuito do hipismo desta semana. Rachel Alexandra é uma égua de três anos, que seus donos na época não permitiram que ela concorresse no Kentucky Derby, por acharem que éguas devem competir com éguas e cavalos com cavalos. Rachel competiria na Kentucky Oats, uma competição exclusiva para éguas de bolsa menor aonde ela venceria por uma diferença tão grande que muitos se perguntaram se ela venceria o prestigioso Kentucky Derby.
Rachel foi comprada depois de vencer o Oats, e os novos donos e treinados decidiram colocar a equina no Preakness Stakes, que junto com o Kentucky Derby e o Belmont Stakes formam a Triplice Coroa, as três competições mais importantes do hipismo. Neste sábado ela venceu o Preakness em Baltimore e reforçou seu status de sensação do esporte. No mais, é bizarro como esta é uma batalhas não vencidas da luta feminista.
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Certos pelos motivos errados
O DEMO, o Pepeesse e o Pessedebê tem razão em criticar a proposta do governo federal de tributar a poupança. Infelizmente, eles o fazem pelos motivos errados. O problema é que nem a oposição nem o governo não notaram que o problema não é que a poupança seja um refúgio da poupança popular nem que se queira confiscar a poupança. O problema não é que o limite de cinquenta mil exclua ou não populares. Há outros problemas: muitas pessoas usam a poupança para abrir pequenos negócios e cinquenta mil não cobrem os custos, por exemplo, de um Franz Cafe ou um curso de línguas da vida. E criar no Brasil um mais sistema com regras complicadas não me parece inteligente.
No mais, juro que pensei que houvesse um instrumento para desincentivar o uso da poupança como investimento, que é a taxa de juros. Felizes os banqueiros, que viveriam no melhor dos mundos, cobrando juros altos dos empréstimos e vendo seus investidores maiores sendo forçados a aderir a fundos de investimentos, entre outros….
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A lista para a Suprema Corte
Segundo a Associated Press, a equipe de Obama já teria uma relação de uns vinte candidatos para a vaga de Souter na Suprema Corte. Sete nomes que vazaram são: Carlos Moreno(Da Suprema Corte estadual da Califórnia), Elena Kagan(Solicitor General, quem representa o governo federal em casos perante a Suprema Corte), Jennifer Granholm(Governadora de Michigan), Janet Napolitano(Ex-Governadora do Arizona e Secretária do Departamento de Segurança Doméstica) and Sonia Sotomayor(Da Corte de Apelações do Segundo Circuito em Nova York) e Diane Pamela Wood(Da Corte de Apelações do Sétimo Circuito em Chicago e da Universidade de Chicago). Curiosidades? Não tem nenhum homem branco, assim como nenhum afroamericano(A Presidente da Suprema Corte estadual da Georgia, Leah Ward Sears, o nome mais citado, não aparece).
Cada grupo de interesse parece pressionar por algum nome. Kathleen Sullivan(Da Universidade de Stanford) e Virginia Linder(Da Suprema Corte estadual do Oregon), duas lésbicas assumidas, são indicadas por grupos GLBT. Democratas e membros da ACLU pressionam por James Cormey, o alto oficial do Departamento de Justiça de Bush que se rebelou contra programas de escuta doméstica, enquanto negros do Congresso pedem por Bob Scott, deputado da Vírginia.
De qualquer forma, bom um país em que esse tipo de nomeação é discutida e não se vê nulidades(Oi Ellen Gracie), gente com currículo quase criminoso(Oi Gilmar Mendes) sendo nomeada.
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Desculpas esfarrapadas
A turminha do Serra parece intrigada com o recente aumento no número de crimes violentos pelo estado de São Paulo. Eles parecem querer culpar a crise econômica(Não me parece uma explicação crível: como levantou Mark Kleiman, da UCLA, numa crise há menos coisa para ser roubada). Realmente é dificil saber. Talvez tenha alguma coisa a ver com o fato de que a coisa é tão bem administrada que ainda pululam acusações de grupo de extermínio por policiais e que tenha se permitido uma batalha campal entre policiais em São Paulo(Porque o governador se recusava a negociar com os grevistas, por birra). Pode ser também porque à noite se veja uma grande quantidade de policiais perto de locais com baladas, mas nada perto de locais com histórico de ocorrência de crimes.
Mas juro, é esse cara que Soninha Francine quer ver como presidente? Caramba….
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Cotas para que te quero
Segundo a Folha, os reitores das Universidades Federais estariam defendendo cotas para alunos locais. O medo é que universitários do Sudeste, sabendo que contam com desempenho insuficiente para universidades locais tentem universidades no meio do Sertão ou de estados mais pobres. Francamente? É uma caipirice que só reforça o problema que a maioria das pessoas vê as universidades públicas como uma política social que tem seu fim no Ensino Superior aos alunos(Daí se vê gente de classe média que se diz “afrodescendente” brigando pelo seu pedaço de sempre com os tradicionais branquelos de sempre). Ora bolas, uma escola com um corpo discente diverso, com pessoas de todas as partes do país ,certamente terá um ambiente acadêmico mais rico.
Mas claro, é esse o problema quando o Ensino Superior Público, ao invés de ser uma opção de investimento no futuro para o estudante se transforma num brinde dado pelo governo.
13 CommentsSunday, May 10th, 2009...3:36 am
Porque o impostometro ajuda a manter a carga tributária elevada
Algumas semanas atrás, Pedro Sette Câmara escreveu no Individuo e no Ordem Livre reclamando que as notas fiscais emitidas no país não costumam relacionar o total de impostos pagos. É comum ver gente reclamando que pelo fato de grande parte dos impostos cobrados no pais serem indiretos as pessoas não teriam noção de quanto o imposto elas pagam(O que motiva aquelas feirinhas esquisitas com produtos e a média de impostos que cada produto é tributado). Francamente? Não entendo o motivo. É fato que as pessoas no Brasil não têm noção de quanto que elas pagam de impostos. O problema é que, bem, elas costumam errar superestimando, não substimando a carga tributária do país.
É comum ver gente dizendo que a carga tributária do Brasil seria a mais elevada do planeta, o que é falso. É fato que a carga tributária é elevada, talvez a maior dos emergentes(Vale lembrar que justamente pela elevada informalidade o percentual de impostos sobre o PIB pode ser menor). Por outro lado, ainda é menor que em maior parte da Europa Ocidental, e é bem menor que na Escandinávia. Claro que vai ter espertinho falando que os serviços públicos são muito inferiores ao da Suécia, mas bem, estamos falando de países com renda per capita bem maior que a nossa. Não é preciso desenhar para explicar que a 30% da renda de um sueco é mais dinheiro que o mesmo percentual do brasileiro. Os impostos no Brasil são altos? São, mas também se prevê uma série de gastos: há uma dívida pública elevada(Fruto em grande parte da pirâmide financeira que Delfim fazia para sustentar o “Milagre Brasileiro” e dos projetos malucos que os militares, em especial Geisel, fizeram), um sistema de saúde público bastante abrangente e razoável para um país em desenvolvimento, além de um sistema previdenciário que prevê pagamentos para pessoas que nunca contribuíram para o sistema. Há outros mimos, como um sistema universitário público gratuito. Pode-se querer estrutura social de país liberal com impostos de país liberal, ou estrutura social de país socialdemocrata com impostos de país socialdemocrata, mas impostos de país liberal com serviços de país socialdemocrata fica dificil.
O problema? As pessoas não usam a alta tributação para pedir pela sua redução, mas sim como pretexto para exigir mais coisas do governo, o que, na prática garante que a carga tributária continue a mesma(Ou maior). Todo mundo costuma ser socialista na hora de pedir benefícios do governo, por mais que o seja liberal na hora de pagar impostos. Insistir na idéia de que a carga tributária do país seja elevada por si só, não pelos diversos gastos sociais exigidos, é garantia que exista o velho sonho de uma Suécia tropical idealizada enquanto não se toca na carga tributária do país. Em tempo: sem um debate sobre o sistema tributário do país e sem sugestões de impostos a serem abolidos ou diminuídos que a coisa não rola(Eu sugeriria uma simplificação do ICMS e dos impostos relacionados ao consumo, além do fim da divisão dos tributos federais entre estados e municípios).
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Eles querem uma bolha no mercado imobiliário
O Brasil resistiu com alguma força à crise, que devastou a maior parte do planeta. Infelizmente, tanto banqueiros quanto o governo federal parecem querer mudar a situação, mexendo, hmmm, com a poupança. Um dos poucos fatores que o Brasil é de fato mais organizado financeiramente que os Estados Unidos é o fato de tanto a população quanto o governo manterém níveis razoáveis de poupança, o que permite que coisas como pequenos negócios e casas serem financiadas sem necessidade de empréstimos(Isso não joga na rua professionais liberais de boa renda que fiquem desempregados por muito tempo também). E claro, dá uma maior solidez aos bancos. A idéia de se mexer no rendimento da poupança não faz muito sentido(Transferir estes investimentos para fundos? Tipo, eles querem um Madoff brasileiro?). Imagino que Lula irá contratar Paulson, Greenspan e Bush para que eles repitam as besteiras feitas nos EUA aqui.
A pérola, claro, vêm de Roberto Setúbal, do Itaú-Unibanco:
Como exemplo, ele citou os Estados Unidos, país em que os juros dos financiamentos imobiliários são dedutíveis do Imposto de Renda. “No Brasil, não estamos prontos para liberar todo o mercado, mas a etapa de tributar a poupança é inevitável”, reafirmou.
Mas que diabos, o Itaú quer uma bolha no mercado imobiliário brasileiro? Não tinha um exemplo pior não?
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Fugindo da realidade
George Will levantou um ponto interessante no programa This Week da rede ABC semana passada: o nível da dívida pública que se prevê nos EUA no final do mandato de Obama, cerca de 17 trilhões de dólares, é incompatível com os juros baixos atualmente praticados. Will têm a mesma previsão pessimista que eu: a volta da estagnaflação, o que em tese também exigiria um remédio amargo, que seriam uma taxa de juros a la Paul Volcker. Se por um lado as taxas de juros recessivas de Volcker derrotaram a inflação, por outro lado foram o prego no caixão na presidência de Carter. O que me faz pensar que ninguém vai querer seguir o mesmo caminho.
Por outro lado, a crise atual surgiu em grande parte pela insistência tanto de Bush quanto de Greenspan de fugir da realidade, criando uma taxa de juros artificialmente baixa quanto aumentando déficits. Obama e Bernanke vão pelo mesmo caminho, mesmo se precisarem de juros negativos para isso… E da mesma forma que Hillary Clinton consegue disfarçar que é uma pessima Secretária de Estado com truques de publicidade desconfio que o caráter estelar de Obama(E a falta total de tato político da oposição) vai impedir que esses problemas sejam vistos…
(Em tempo: como pobrista declarado eu estava radiante com o prospecto de que Sonia Sotomayor -filha de imigrantes nascida num conjunto habitacional - fosse para a Suprema Corte, mas cada vez mais torço para Hillary ganhar o cargo. Ela resolveria o problema de falta de diversidade em termos de biografia dos atuais juizes - praticamente todos graduados em Yale ou Harvard, sem vida política em cargo eletivo e com experiência nas Court of Appeals. E faria menos estrago que como Secretária de Estado)
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A procura pela substituta de David Souter
A grande especulação nos Estados Unidos, claro, é sobre quem Obama irá nomear para a Suprema Corte no lugar de David Souter. Grupos conservadores já atacam alguns dos nomes especulados, como o professor da Universidade de Chicago Cass Sunstein. A Juíza federal do Segundo Circuito, Sonia Sotomayor, era atacada por causa de declarações sobre a política no tipo de corte que ela trabalha no programa de Sean Hannity na Fox News. Sotomayor, uma mulher divorciada sem filhos que cresceu num conjunto habitacional no Bronx, filha de uma enfermeira e de um trabalhador braçal que estudou até a terceira série(E que morreu quando ela tinha oito anos). Keith Olbermann, da rede de TV MSNBC, o colunista Joe Conason já fazem , além de claro, os dois senadores por Nova York.
Claro que não é tão simples. Muitos liberais acham que precisam de um jurista articulado e influente, não apenas reconhecidamente liberal. Afinal de contas, o grande voto de Minerva da corte, Antony Kennedy, sempre se mostrou particularmente influenciável por seus colegas. Jeffrey Rosen, na The New Republic, escreve por meio do clássico disse que disse que Sotomayor seria uma jurista de pouco brilho e particularmente não muito inteligente. (Rosen também admite que não leu nenhuma sentença dela, o que imperdoável).
Meu ponto? O que torna a indicação de Sotomayor interessante é que isso seria justamente entregar a corda para os republicanos se enforcarem: imagine um bando de homens brancos tentando bloquear a nomeação de uma mulher hispânica e de origens humildes, que se formou com méritos em Yale e é juíza federal desde de 1992… E isso num partido que tem como uma de suas principais fraquezas o voto hispânico….
Vai ser divertido..
***
O senador Patrick Leahy (D-Vermont), que preside o comitê judiciário do Senado, defendeu na ABC a idéia de que o escolhido deveria ir além das cortes federais e ser um oficial eleito. O nome mais citado nesta categoria é o de Jennifer Granholm, governadora de Michigan, mas sempre falam em você sabem que quem, não é?
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A aposentadoria de David Souter: Obama irá escolher seu primeiro juiz para a Suprema Corte

David Souter, talvez o juiz da Suprema Corte americana mais odiado pelos republicanos, irá anunciar que irá se aposentar no final das atividades este ano, em junho, segundo a NPR. Souter, indicado por Bush pai por pressão de John Sununu pai, então seu chefe de gabinete(Kenneth Starr, do caso Monica Lewinsky, era o mais cotado, mas havia medo que ele fosse recusado pelo Senado controlado pelos democratas) foi vendido como um conservador, mas logo se alinharia com a ala mais liberal da Corte(Ele seria decisivo em Planned Parenthood v. Casey, de 1992, que na pratica salvou Roe V. Wade e proibição em nível federal à proibição do aborto pelos estados). Souter, solteiro com 69 anos, quereria voltar para New Hampshire, seu estado natal, já que nunca gostou de Washington.
Em termos políticos, isso em tese mudaria pouca coisa, já que Obama provavelmente escolheria alguém próximo de Souter. Claro que não é tão simples: na prática, desde de que foi indicado em 1990, Souter se mostrou um jurista completamente sem brilho(Ganha uma caixa de jujuba quem indicar uma decisão brilhante que ele escreveu). Se ele fosse substituído por um jurista mais impressionante isso poderia mudar o equilíbrio da corte. E em parte pelo histórico de Obama, a decisão será uma forma importante de se analisar a maneira em que ele trabalha indicações. É fato que William Jefferson Clinton era um professor de direito, mas ele nunca trabalhou nem estudou em universidades como Harvard e Chicago. Obama enfrenta pressões para escolher uma mulher, mas há vários amigos da academia entre os mais cotados, muitos já tendo sido indicados para algum posto na administração federal, como Elena Kagan, de Harvard, Cass Sunstein, de Chicago e Harold Koh, de Yale.
E há a favorita para o posto, Sonia Sotomayor, do Segundo Circuito da Court of Appeals em Nova York, que seria a primeira hispânica e a terceira mulher no posto(Seria uma forma fácil de se dar um agrado a hispânicos em geral e à influente comunidade portoriquenha do país). Ela é o tipo de juíza que os republicanos odeiam, mas qualquer tentativa de bloquear sua nomeação seria o equivalente a suicidio político. Querida de vários senadores(Inclusive de Pat Leahy, o poderoso presidente do Comitê Judiciário do Senado e Chuck Schumer, de Nova York), a escolha de Sotomayor também indicaria o grau de poder que os democratas do Congresso têm sob Obama.
Por outro lado, a escolha de Kagan ou Sunstein indicaria o grau do uso do critério de amizade para a escolha de indicações.
(Segundo o The Politico.com, um assessor não-identificado de Obama indicaria que o presidente estaria atrás de um candidato com credenciais profissionais e de experiência de vida impecáveis, não apenas diversidade de gênero ou étnica. Minha aposta é em Sotomayor).
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Cem dias
Assisti à coletiva de imprensa de Obama sobre os cem primeiros dias. Horrível. Ele não permitiu réplicas às questões, pareceu dar preferência à veículos liberais(Jonanthan Weizman do Wall Street Journal foi o único chamado de um jornal de linha editoral realmente conservadora), como Dick Morris indicou na Fox News(Também vi O´Reilly dizendo que Obama fazia uma má analogia ao citar Churchill por causa da SAS e do IRA. Sorte que mudei de canal).
As perguntas foram terríveis também. Jeff Zeleny do New York Times fez uma das piores questões que já vi num debate desses e quando alguem fazia uma pergunta pertinente(Como a pergunta sobre tortura e a Convenção de Genebra de Jake Tapper da ABC News) ele meio que fugia da raia. E pior, meio que gaguejava. O grande bom momento foi quando ele falou de aborto, de uma forma um tanto quanto equilibrada que sempre esperamos de um democrata de um assunto(Ou seja, sem soar de fato pró-aborto como grande parte da base do partido).
****
Há uma forte onda de se avaliar os cem primeiro dias de Obama, o que eu acho besteira, já que ao contrário dos tempos de Roosevelt é bem mais dificil montar um gabinete em cem dias, quanto mais passar reformas significativas. Por outro lado, Timothy Geithner têm parecido um Secretário de Tesouro terrível - só não parece pior por causa de Henry Paulson, que faz qualquer um parecer bom(Não só ele como boa parte dos assessores econômicos de Obama parecem não ter notado que o alto grau de endividamento dos americanos, não ativos podres ou tóxicos que criou a crise) . Hillary Clinton também não convenceu: ela pareceu combinar alguns piores defeitos dos seus três antecessores diretos(E dos seus antecessores diretos a mais próxima de algo mais ou menos próximo de sucesso é.. Madeleine Albright). Ela parece buscar mais os holofotes em Londres ou em Moscou ao invés de tentar procurar uma solução para casos como por exemplo, de duas jornalistas americanas presas na Coréia do Norte.
Rahm Emanuel também enganou todo mundo. Todo mundo pensava numa figura meio maquiavélica e sinistra liderando o gabinete de Obama, mas se mostrou extremamente atrapalhado nas suas entrevistas. Janet Napolitano, da Segurança Doméstica, parece a que se saiu melhor até agora. Suas performances públicas foram impecáveis e ela sobreviveu ao seu grande teste, a da gripe aviária.
Comments OffTuesday, April 28th, 2009...11:47 pm
Menos um

Arlen Specter, então Senador Republicano, perto do local da queda do vôo 93 dos atentados de onze de setembro.
As coisas já não pareciam boas para os republicanos. Os democratas mantinham uma vantagem no Senado e na Casa de Representantes que não tinham desde dos primeiros anos da Era Carter(Quando o Watergate mandou bastante gente nova para o Congresso) e para o próximo ciclo eleitoral, ao invés da esperança de se diminuir a diferença os prospectos eram ainda mais negativos, com vários senadores populares em estados importantes anunciando aposentadoria(Judd Gregg em New Hampshire, George Voinovich em Ohio, Kit Bond no Missouri), senadores assustadoramente impopulares(Richard Burr na Carolina do Norte, Jim Bunning em Kentucky, todos com péssimos números) e senadores que misturavam os dois fatores(Mel Martinez, na Flórida). Daí, hoje veio a calda ao bolo, com Arlen Specter, um popular senador republicano e moderado pela Pensilvânia, anunciando a troca de partido.
Os motivos que levaram Specter à decisão não são dificeis de entender. A Pensilvânia pode ser entendida pela velha citação de James Carville: o Alabama com Pittsburgh e a Filadélfia nos cantos(Ou seja, duas grandes cidades de tendência liberal em cada lado com um interior conservador no meio). A vitória era usualmente alcançada com os republicanos diminuindo a desvantagem nas duas cidades ou os democratas diminuindo a derrota no interior do estado. O problema é com o crescimento da Filadélfia a balança se desequilibrou: em 2004 Kerry venceu apenas nas regiões de Pittsburgh, Filadélfia e Erie, mas mesmo assim levou o estado. E na Pensilvânia, as primárias são fechadas a membros registrados de cada partido. Como o Partido Republicano no estado é bem mais conservador que o eleitorado, Specter se via numa saia justa.
Os republicanos do estado nunca engoliram os votos mais liberais de Specter e já haviam montado um desafio nas primárias de 2004, com Pat Toomey, do líder do conservadorismo fiscal Club for Growth, e quase haviam conseguido. Para o ano que vêm, as pesquisas já indicavam vantagens de dois dígitos para Toomey(É certo que ele seria derrotado na eleição geral, mas os republicanos pareciam não se importar). Se Specter votasse de forma conservadora ele corria o risco de ser derrotado na eleição geral, se ele pendesse para a esquerda ele seria derrotado nas primárias(Um ponto claro é na questão de card check, que permitiria a formação de sindicatos por uma lista de assinaturas, ao invés de uma eleição secreta, o que é defendido por sindicatos e atacado por conservadores. Specter, depois de apoiar a idéia passou a ser contra, como nota Jonathan Chait).
O episódio é problemático porque ressalta dois problemas entre os republicanos. O primeiro é a divisão do partido, com uma base fora de sintonia com o resto do eleitorado e que empurra o partido nesta direção(Para se ter uma idéia da coisa, no Arizona, um estado com alta proporção de latinos, aventava-se a idéia de colocar Chris Simcox, fundador de um grupo antiimigração, para desafiar McCain nas primárias). O segundo é uma falta total de liderança, com Mitch McConnell(Líder do partido no Senado), Michael Steele(Presidente do RNC) e John Cornyn(Líder do Comitê Eleitoral do Senado, o NRSC) falhando tanto em sufocar a primária contra Specter quanto em convencê-lo a ficar no partido.
O pior? A grande eleição que teoricamente favorecia os republicanos, que seria em 2012(Seis anos depois de 2006, bastante favorável aos democratas), coincide com a reeleição de Obama. Talvez por isso haja uma obssessão tão forte com comparações com Carter entre os republicanos, já que um fracasso cartenesco de Obama seria a grande esperança de sair da penúria…
2 CommentsMonday, April 27th, 2009...1:53 am
Domingo televisivo
Assisti à entrevista com Mahmoud Ahmaninejad no This Week with George Stephanopoulos da ABC. Dificil acreditar que ele seja a reencarnação de Hitler que a imprensa vende: a maior parte da entrevista foi sem sentido, com Stephanopoulos fazendo uma pergunta e Ahmaninejad indo para outro lado(Parecia conversa com surfista querendo fazer papocabeça). Ele começa a enrolar de forma inacreditável e pouco convincente se encontraria-se com Obama sem pré-condições, ele pergunta se os americanos reconheceriam a vontade dos palestinos se estes decidissem em referendo pela retirada de todos os judeus da Palestina quando perguntado se reconheceria Israel se os palestinos o fizessem ou aceitação uma solução com dois estados.
Os pontos mais ou menos altos do iraniano são quando ele recrimina o boicote de Obama da conferência sobre racismo em Genebra(”Sabe, tem aqueles judeus que costumam decidir eleições na Flórida e melhor não ofende-los com isso, sabe?”) e quando perguntado sobre sua rejeição ao Holocausto, um fato histórico comprovado, ele responde perguntando sobre o por quê de um fato histórico precisa ser algo sagrado e tão sensível.
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No State of The Union with John King da CNN, talvez o mais fraco dos programas matinais dominicais, uma entrevista razoável com Pete Souza, fotografo oficial da Casa Branca, sobre Obama(Não há muita coisa sobre o trabalho de Souza em si) e uma mesa redonda meio chocha com os senadores Dianne Feinstein(D-Califórnia), Joseph Lieberman(I/D-Connecticut) e Lindsey Graham(R-Carolina do Sul), aonde Lieberman tenta justificar seus ataques contra Obama na campanha e elogios depois, mostrando que não vale uma nota de três reais. Não que Feinstein soasse mais consistente, ou que Graham tenha deixado de ser o papagaio de McCain.
***
Meet the Press with David Gregory, da NBC: Duas entrevistas, e uma mesa redonda. A primeira foi uma entrevista rápida e amigável com Robert Gibbs, porta-voz de Obama, figuraça de sempre. Depois, a grande atração, que foi a entrevista com o Rei Abdullah, da Jordânia. Abdullah, surpresa, fala num inglês impecável, ainda melhor que de sua esposa Rania. Pena que não havia muita constância: a insistência na tese de que todos os problemas do Oriente Médio estariam ligados ao conflito entre Israel e Palestina soa um tanto quanto exagerada, seus elogios tanto a Obama quanto a Bush soaram um tanto quanto falsos e o moderador David Gregory o encurralou bonito no tocante à tortura de detentos no seu país. A mesa redonda com Doris Kearns Goodwin e Jon Meacham ficou meio com cara de entrevista e claro, um tanto quanto adulatória de Obama, mas mesmo assim interessante.
Face the Nation with Bob Schieffer da CBS: Duas entrevistas e uma mesa redonda. A primeira com John McCain, que soa um tanto quanto escorregadio ao mesmo tempo atacando o uso da tortura por Bush e ao mesmo tempo defendendo que a idéia seja deixada de lado(McCain muitas vezes acaba soando dividido quando deixa seu lado veterano de guerra-refém-torturado falar mais alto). Ele é um bom debatedor, mas parece que está no Partido Republicano errado. Soaria mais convincente no Partido Republicano do seu antecessor, Barry Goldwater.
Patrick Leahy, o presidente do Comitê Judiciário do Senado e senador por Vermont soa um tanto quanto cansativo na sua defesa do processo quanto os acusados de tortura, mas talvez seja o excesso de aparições no line-up noturno da MSNBC. Já a mesa redonda com Bob Woodward e com Tina Brown(Do ótimo site The Daily Beast) é boa. Tina é uma boa debatedora(Melhor que sua rival amigável Ariana Huffington) e Bob Woodward é Bob Woodward: seu ponto com relação à negativa de Obama em perseguir Cheney e cia pela tortura de detentos e a comparação com o perdão de Ford a Nixon(O primeiro teria dito que queria sua própria presidência e achava que o país precisa ir em frente) é certeiro.
Comments OffSunday, April 26th, 2009...12:47 am
A humanidade me assusta
O tal vídeo de Susan Boyle, a cantora supostamente baranga na Inglaterra que teria feito uma apresentação “genial” num programa de calouros e que o vídeo domina a imprensa e caixas de emails há semanas me faz perder a fé na humanidade. Primeiro? É um truque tão batido que me assusta que alguém tenha caído. Se alguém pegasse uma cantora como Irene Grandi ou Isabelle Boulay, colocasse uma roupa de mendiga, colocasse uma maquiagem horrível e um cabelo todo destrambelhado na televisão, também iria ter uma cantora com jeito de baranga para o padrões televisivos. Mesmo Margaret Thatcher ou Golda Meir, que estavam longe de serem símbolos de beleza, apareciam de forma apresentável na televisão(A apresentadora britânica Claudia Winkleman é um exemplo interessante de como pode-se divergir-se nas aparências off e on stage).
No mais, é assustador pensar no nível de educação musical da humanidade quando uma apresentação um tanto quanto melosa daquelas vira sinônimo de “perfomance arrebatadora”. E olha que um dos meus fracos musicais é justamente música melosa cantada por mulheres.
1 CommentSaturday, April 25th, 2009...11:58 pm
Cotas para que te quero
Ficou um discurso bonitinho dizer ser a favor das tais cotas sociais ao invés das cotas raciais. Pessoalmente? É uma idéia no mínimo perigosa pelo fato de ser muito dificil separar os alunos pobres dos alunos de renda mais rica. A não ser que se coloque assistentes sociais para supervisionar todo o processo(O que sairia caro, embora ainda não vi nenhum sistema nesse sentido) qualquer uso de indicadores automáticos para separar pobres de ricos tem problemas. Um dos fatores mais citados para separação, que são cotas para alunos de escolas públicas, me parece particularmente asinino(Ou seja, para famílias de classe média bastaria colocar seus filhos na escola pública, isso sem contar pobres que conseguem bolsas, escolas particulares que servem majoritariamente gente de baixa renda e escolas públicas que servem particularmente a classe média).
O problema passa pelo seguinte ponto: se fulano passa no vestibular de uma universidade pública ele recebe do governo um bem que pode alcançar a casa das centenas de milhares de reais, em alguns casos(Isto é o cerne da questão sobre cotas, já que cada um defende políticas que o deixem bastante próximos deste prêmio). Como isto também cria um número alto de interessados, e bem, é um prêmio cobiçado, isso exige um método de seleção visto como imparcial, ou seja, sem estar submetido à manipulações pessoais. O que nos leva ao instituto de uma série de provas para escolher quem entra, na prática, uma das poucas formas de se fazer essa seleção de forma impessoal.
Uma das fantasias mais persistentes da mitologia nacional é a de que uma prova (Ou seja, o vestibular) é sinônimo da meritocracia. Claro que nem sempre é assim(É uma das razões pela qual se vê gente sem muito conhecimento de funções administrativas ou do uso de computadores nas repartições públicas: foram escolhidos pelos acertos numa prova). Também é algo que pode ser manipulado já que as pessoas podem ser treinadas especificamente para a prova, não para os conhecimentos que ela examina. Mas o principal problema é que uma sequência de provas como o vestibular é uma forma pobre de se escolher alunos para uma universidade. Ela não seleciona por fatores como personalidade, capacidade de liderança, realizações prévias na área do curso, por exemplo.
Nos EUA, por mais que notas no SAT, um exame padronizado, sejam levadas em consideração, a peneira costuma ocorrer mesmo na fase de entrevistas e currículo, o que permite escolher estudantes mais próximos da filosofia e dos objetivos almejados pela universidade. O que nos leva a um ponto chave: isso permite uma escolha de alunos de renda mais baixa de forma relativamente mais fácil, e pode-se ampliar o leque social de várias formas. Pode-se procurar por alunos inteligentes de origens sociais mais baixas, mesmo que sem notas espantosas. Por exemplo, há suspeitas que discretamente as Ivy Leagues estejam dando preferência a alunos de backgrounds mais humildes.
(De qualquer forma, as cotas são mais uma discussão sobre benefícios que sobre raça)
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