Alguém precisa salvar o PSDB do Serra
Alguém precisa salvar o PSDB do Serra. A gestão estrambótica do sujeito tanto na Prefeitura quanto no governo estadual deram trunfos desnecessários aos petistas, e a campanha absurdamente ruim (com direito à inédita citação ao principal oponente no jingle) foi outro baque ao partido. Serra, agora, ataca com uma representação eleitoral bizarra pedindo a cassação do registro eleitoral, com mais um escândalo de linhas bizarras ao invés de falar em coisas como economia.
Daqui a quatro anos, os petistas estarão mais desgastados que hoje, e candidatos como Aécio Neves ou algum tucano com alguma emplumatura terão chances reais de vencer. Aécio Neves precisa se levantar para não perder a chance de assumir o Palácio do Planalto daqui a quatro anos. Os jornais também precisam ter noção que precisam ser salvos de Serra. Mais alguns meses com um escândalo chato e de difícil compreensão como este e daí que não sobra nenhum leitor.
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Thursday, September 2nd, 2010...12:36 am
Eu não votarei em Netinho de Paula
Há um certo ânimo entre o pessoal à esquerda deste blog com a eleição de Netinho de Paula ao Senado por São Paulo, o que poderia dar ao governo os três senadores do estado. Eu não votarei em Netinho, por vários motivos. O primeiro é meu inerente e natural machismo: em mulher não se bate nem com flor, e o histórico de Netinho no assunto é tenebroso. A agressão contra o humorista do Pânico não é muito melhor. Certo, Netinho compete com Quércia, Romeu Tuma e um tucano desconhecido, mas colocar alguém com este histórico de agressão no Senado significa endossar este tipo de comportamento. Pode-se alegar que Netinho pediu desculpas, mas isso soa tão convincente como aquele vídeo do John Edwards se desculpando pelo seu apoio à Guerra do Iraque.
Certo, concordo que faltam negros no Senado. Mas a mensagem de que negro precisa ser celebridade para entrar no Senado não é muito melhor, e claro, creio que seria plenamente possível achar um que não fosse um crápula espancador de mulheres. O Vicentinho seria bastante interessante como Senador. Hélio de Oliveira Santos, o atual prefeito de Campinas, não seria de todo ruim também.
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O fator Café com Leite e Rapadura

O desempenho desastroso de Serra como candidato presidencial tem feito muitas pessoas questionarem não somente sobre o futuro do PSDB, mas sobre o futuro do PT, ou da chamada dobradinha PT-PSDB. Essa é uma questão bem mais complexa que parece, por um motivo bem simples: as eleições presidenciais no Brasil, por serem de voto direto, favorecem os estados maiores, enquanto que as eleições parlamentares favorecem os estados menores. No Congresso, não existe nenhuma dobradinha PT-PSDB, pelo contrário: no Senado, os dois partidos, juntos, não conseguem um quarto do Senado. Um quinto da Câmara. Num país em que o Congresso é particularmente poderoso, soa como bobo falar em dobradinha PT-PSDB.
O futuro de ambos os partidos, na verdade, depende de um único fator: São Paulo. Em qualquer sistema de voto direto, as unidades federativas maiores obviamente serão favorecidas, e isso não é exceção no Brasil. Desde 1989, apenas dois candidatos que fizeram carreira fora de São Paulo foram para o segundo turno, e ambos são exceções. Com cerca de um sexto da população São Paulo escolhe os candidatos (Some-se aí as partes “paulistas” de Minas Gerais e do Paraná e a proporção aumenta), em especial porque um político conhecido em São Paulo será conhecido por muito mais gente que um político de outro estado. Os dois partidos quase que monopolizam a vida política deste estado(Isso fica mais claro na capital), em especial depois da derrocada do malufismo e do quercismo dos anos 90.
Claro que nada impede que isso permaneça assim. Pode-se tranquilamente surgir algum grupo político que suplante o PSDB ou o PT em São Paulo, embora o PT tenha a natural vantagem de ter um quinhão bem maior e estável do voto de esquerda. A posição do PSDB parece bem mais vulnerável em SP que se quer acreditar, e imagino eu que qualquer político capaz de aproveitar o eleitorado conservador e populista do estado teria um filão e tanto a abocanhar. Caso o PMDB suplante o PSDB em São Paulo poderia tranquilamente liderar uma chapa presidencial contra os petistas.
E claro, há a equação mais importante: o Nordeste, região com maior participação no Congresso, e com participação importante nas eleições presidenciais. As eleições naturalmente trabalham com a aliança entre partidos fortes no Nordeste e em São Paulo justamente por isso: o PSDB de FHC trabalhava com o PFL, então um partido bastante enraizado nesta região. Hoje, o PT de Lula trabalha com o PMDB exatamente pelo mesmo motivo. É justamente de quem se destacar nesta região que terá a segunda parte da equação, e a virada ideológica que a região sofreu nesta década demonstra um cenário bem mais instável que parece.
Nesta configuração de Café com Leite e Rapadura tudo pode acontecer.
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O melhor trabalho de Tiririca como humorista
Tiririca é um palhaço profissional. Ele nunca foi um daqueles palhaços sofisticados, mas o tipo de palhaço com trejeitos simples sobre medida para atender ao público infantil. Mesmo que nunca tenha tido a inteligência política de um Jon Stewart, Tiririca conseguiu, mesmo que involuntariamente, demonstrar com precisão os problemas do sistema político brasileiro.
Tiririca causa pânico na classe média alta brasileira pelo simples fato de que ele demonstra invariavelmente que o rei está nu. Há aqueles que criticam a falta de qualificação do sujeito, como se qualquer deputado federal escolhido aleatoriamente tivesse alguma qualificação. E claro, a função do deputado é representar o povo, não ser qualificado em alguma coisa. É fácil enganar o sistema: você pega uma celebridade ridícula, consegue um tantinho assim de votos de cada urna entre Presidente Prudente a Queluz, Andradina a Ubatuba, englobando um eleitorado apático que só vota obrigado e você elege uma bancada inteira.
Tiririca, no seu maior trabalho como humorista, demonstrou plenamente o que todo mundo já sabe: o sistema político brasileiro é caótico, e todos os jornalistas que choramingavam sobre o fato do brasileiro não votar obviamente estavam choramingando sobre o problema errado.
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O problema do unicameralismo
Há certa obsessão entre a esquerda brasileira pela questão do unicameralismo. Não é tão simples quanto se aventa aí, e há uma razão pela criação de duas câmaras: a câmara baixa, dominada pelo voto popular, é mais instável e mais dependente da vontade popular, enquanto que a câmara alta serviria para coibir os excessos da câmara baixa. Foi justamente pela experiência com uma única câmara de representantes nos Estados, que eram bastante instáveis, que motivou a criação do Senado Americano. O problema, claro, é que todo mundo se lembra das legislações que gosta quando pensa nas legislações barradas pelo Senado. Mas, por exemplo, a tentativa de se aprovar uma emenda constitucional banindo a desecração da bandeira nos EUA passou na Casa de Representantes, mas foi barrada no Senado.
Outro problema é que as câmeras baixas são mais vulneráveis a pressões vindas de cima, seja por chefes do partido, seja pelo Executivo. Por isso que Assembléias Legislativas estaduais no Brasil costumam aprovar tudo que é proposto pelo governador, que governa sem oposição.
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Um estranho (E brutal) casal: Berlusconi e Muamar Kadafi

De um lado, o grande campeão do socialismo do mundo árabe, acusado pelos americanos de ser o maior patrocinador do terrorismo internacional nos anos 80. Do outro lado, um dos campeões da direita italiana. Muamar Kadafi e Sílvio Berlusconi formam um horrendo e cínico casamento de conveniência: os italianos enriqueciam com investimentos na Líbia, com as reservas de petróleo e gás natural e ainda receberam de Kadafi a promessa da prisão dos imigrantes ilegais para a Europa. Já o expária recebia investimentos, dinheiro e reconhecimento internacional. Berlusconi passaria a se desculpar pelo passado colonial da Itália com um afinco impensável a qualquer político de esquerda, Kadafi, o suposto campeão dos árabes e dos africanos, iniciaria uma guerra brutal contra os imigrantes africanos. O Arizona viraria fichinha perto da Líbia.
Esta semana, os dois países comemoram o casamento, iniciado em 2008. Kadafi, em visita presidencial à Itália, causou comoção e polêmica quando num encontro com quatrocentas atrizes e modelos disse que a mulher era melhor tratada na Líbia que no Ocidente e nos Estados Unidos, e pediu que as moças se convertessem ao Islã. A esquerda italiana, a grande opositora do casamento, chegou a dizer que a Itália era a Disneylândia de Kadafi. O que não deixa de ser mentira. Kadafi e Berlusconi se merecem.
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O grande prêmio
A pesquisa Ibope para governador de São Paulo tem apontado um ponto interessante: Alckmin, que anda com dificuldade de ultrapassar o percentual de cinqüenta porcento, teria a maior vantagem por causa do interior. Natural, já que o pindamonhangabense sempre teve um bom rincão eleitoral no Vale do Paraíba, e regiões como a Alta Paulista e Vale do Ribeira sempre foram mais hostis ao PT. Por outro lado, é na região da capital que se localiza a maior parte dos alunos da Rede estadual de Ensinio. Também é na capital que os problemas de segurança ficam mais claros, e é também na capital que Serra deixou um prefeito inapto e lame duck.
O grande prêmio desta eleição estadual para o PT provavelmente seja a prefeitura da capital.
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O Estadão e o antiislamismo
“Khan comete uma confusão importante. De forma deliberada, ela toma como ódio aquilo que nada mais é do que uma opinião fundamentada em princípios democráticos: a de que o respeito a uma religião não pode pressupor a negação do interesse público e das normas do Estado. Trata-se de uma tentativa de desmoralizar qualquer crítica ao islã, mesmo aquelas que evidentemente têm como base a defesa do respeito ao Estado democrático de direito.”
Olha, a norma do Estado que se pode ler é a seguinte:
“O Congresso não deve fazer leis a respeito de se estabelecer uma religião, ou proibir o seu livre exercício; ou diminuir a liberdade de expressão, ou da imprensa; ou sobre o direito das pessoas de se reunirem pacificamente, e de fazerem pedidos ao governo para que sejam feitas reparações por ofensas.”
Não há fundamentação legal para se proibir uma mesquita naquele lugar. Qualquer proibição por motivos triviais poderia ser inclusive facilmente contestada nos tribunais. Além do mais, existe aquele princípio básico de qualquer sociedade moderna, que é o da propriedade privada.
Daisy Khan de fato pareceu bastante amarga durante sua entrevista à Christiane Amanpour na ABC(Khan estava ao lado de uma… rabina que apoia a construção do centro), mas definitivamente não estamos falando de uma pessoa predisposta à desqualificar qualquer crítica ao Islã. Khan não reclamou de diversos programas e livros de viés definitivamente antiislâmico, e estamos falando de uma pessoa que sofreu ataques pessoais por causa da falsa polêmica. Pamela Geller continua a aparecer na TV, mesmo sendo uma pessoa com discurso claramente antiislâmico. Ligue uma estação de rádio AM nos EUA e tem gente falando mal do Islã.
Além do mais, esta lógica seria maravilhosa se aplicada ao judaísmo. Imaginem ler num jornal algo assim: “Trata-se de uma tentativa de desmoralizar qualquer crítica ao judaísmo, mesmo aquelas que evidentemente têm como base a defesa do respeito ao Estado democrático de direito.”
Mas, estamos falando de um jornal que tem a pachorra de pegar um op-ed curto do Los Angeles Times, publicar numa folha em formato standard INTEIRA, com uma foto ocupando todo espaço.
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Blogueiros vs. Revistas que ninguém lê
Uma dessas revistas sensacionalistas vendidas por aí tem um correspondente nos EUA, sediado em Nova York, que escreve cerca de meia ou uma página sobre o que ocorre na cidade. A revista em si não tem lá muita predileção pela verdade factual – já chegou a dizer, ah, ah, ah, que Kennedy, morto um ano antes da Lei de Direitos Civis de 1964 teria criado as cotas raciais nos EUA, mas o que surpreende é que além de meia ou uma página por semana ser insuficiente para estabelecer qualquer cobertura internacional, o que sai neste espaço é algo absurdamente, moralmente e insidiosamente ultrajante. Durante a ocasião do acidente da BP, o bravo correspondente(Que pela assinatura do artigo ficou em Nova York mesmo, sem se deslocar ao Golfo) defendeu a brava empresa dos ataques de Obama. Os pescadores e os albatrozes que se danem. Semana passada, após os protestos contra a construção de um centro cultural islâmico em Nova York o artigo não se focou nos pontos naturalmente discriminatórios da idéia, mas nas declarações rápidas de Obama sobre o assunto.
Obviamente, seria de se esperar grandes ondas de críticas por algum grupo diante de tal conteúdo bizarro. Nada. Ninguém reclamou, em parte porque provavelmente ninguém leu a revista. Talvez meia dúzia de gatos pingados no trem da CPTM ou na Supervia. Agora, você dá uma passada pelos blogs alinhados ao PT e vê uma obsessão com estas revistas e jornais, que basicamente ninguém lê. Fotomontagens e fotomontagens com a capa da revista, ataques e mais ataques. Até criaram o nome mais pomposo possível: Partido da Imprensa Golpista. Isso para um grupo que tem a pachorra de mandar um correspondente para Nova York e conseguir falhar ao escrever sobre um assunto que ocupava dois terços dos telejornais americanos da época, e que está desesperadamente correndo atrás do ramo educacional para não ir à falência.
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O Brasil precisa de expresidentes
A maioria dos presidentes norteamericanos, quando se aposentam, resolvem se atuar como expresidentes, geralmente fazendo trabalho diplomático ou algo que o valha. Harry Truman famosamente viveu uma vida das mais frugais possíveis em Independence, Missouri, depois de passar o bastão ao presidente Eisenhower(Sua aparição pública mais famosa depois foi na ocasião da assinatura do Medicare em 1965). Jimmy Carter passou a se dedicar a missões diplomáticas, talvez com maior eficiência de quando presidente. Clinton não só construiu a maior biblioteca do Arkansas como criou uma das maiores organizações de ajuda humanitária do planeta.
Os brasileiros foram constantemente privados do direito a um expresidente. Da reabertura até agora, todos os expresidentes assombram o país como fantasmas. Dois deles iriam para o Senado, um terceiro seria eleito governador de Minas Gerais. Um quarto se transformaria numa figura partidária forte, sempre agindo nas sombras. Lula poderia muito bem assumir o papel de expresidente. Fundar uma biblioteca presidencial em São Bernardo ou em Pernambuco, fazer trabalho humanitário, divulgar o nome do país no exterior. Os brasileiros mereceriam um expresidente, não um fantasma nem um cacique partidário.
Infelizmente, Lula parece indisposto a atender este anseio brasileiro. Pena.
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O que Serra poderia ter aprendido com Reagan
Sempre que alguém cita desempenho em debates eleitorais um nome que sempre aparece é o de Ronald Reagan, que tanto contra Jimmy Carter em 1980 como contra Walter Mondale em 1984 se destacou por um desempenho impecável, com tiradas precisas do seu adversário. Todo mundo se lembra do “Lá vêm ele de novo” ou ainda “Não utilizarei da juventude e da inexperiência do meu oponente para ganhos políticos”, depois que Mondale no debate anterior havia atacado Reagan pela sua idade avançada. O ponto clássico? Reagan ficou na defensiva o tempo todo nos dois debates. Tanto Carter quanto Mondale partiam para algum ataque e Reagan respondia de forma tranqüila(Embora, de fato, Mondale ficou com a leve impressão de vitória depois do primeiro debate).
Serra, obviamente, não entendeu a mensagem, em especial depois de 2002. Os ataques de Serra contra Dilma permitem que a ultima mantenha o alto manto moral, enquanto Serra transparece como antipático e arrogante. É uma lição que poucos no Brasil aprenderam.
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O Horário Eleitoral Gratuito precisa ser debatido
Eu nunca fui fã do Horário Eleitoral Gratuito. Por um lado, ele dá uma antidemocrática vantagem aos partidos grandes já existentes, que ficam com o grosso do tempo. Na verdade, basicamente é impossível qualquer competição fora dos partidos já existentes, que não raro funcionam com os mesmos líderes desde da Constituinte de 1988. Por outro, incentiva a criação de um tipo bizarro de extrema esquerda, que tenta a todo custo se moldar na onda do voto cacareco para conseguir espaço no horário eleitoral. Certo, a turma do fundão deve estar já apontando: “Certo, mas no Brasil não existe Primeira Emenda, e ninguém quer uma Carly Fiorina basicamente comprando uma cadeira no Senado. Aliás, nas primárias da Flórida semana passada tivemos DOIS bilionários gastando fortunas pela nomeação*“.
Verdade, no entanto, o PMDB virou uma espécie de divindade política no Brasil, e o espaço no horário eleitoral virou moeda na formação das coligações(Pior, mesmo em eleições regionais o espaço é dividido de acordo com a bancada eleitoral de cada partido no Congresso). O PMDB vira rei mesmo em estados em que ele não detém uma grande bancada de deputados: por isso que Quércia, que não exerce cargo público há vinte anos, é um dos reis da política de São Paulo. Por isso que a turma de Michel Temer e José Sarney é bajulada por qualquer Presidente da República. O Horário Eleitoral mereceria um debate mais aprofundado.
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A triste piada que o Tribunal Penal Internacional foi transformado
Esta semana, Omar Al-Bashir, o Presidente do Sudão, esteve em visita oficial ao Quênia, na ocasião da assinatura da nova constituição do país. Bashir tem um mandato de prisão emitido pelo Tribunal Penal Internacional por crimes contra a humanidade. Tribunal no qual o Quênia é signatário, o que significa que Bashir deveria ter sido detido assim que desembarcasse no país. Nada. Bashir na verdade ampliou suas viagens pela África depois que o Tribunal emitiu o mandato em janeiro de 2008, numa decisão condenada pela União Africana, pela Rússia, China e pela Liga Árabe. Bashir esteve na Nigéria, no Qatar, no Chade, entre outros signatários do Tratado de Roma, que criou o dito e ninguém deu muita bola. Os africanos, na verdade, nunca se sentiram lá muito confortáveis com o fato de que os únicos chefes de estado condenados sejam do continente.
O Tribunal Penal Internacional nunca conseguiu ser levado a sério, em parte porque os Estados Unidos e Rússia nunca ligaram para o tribunal. Claro que ultimamente a coisa ficou muito pior que o imaginado. Não só Bashir desdenha abertamente do Tribunal como o julgamento do expresidente da Libéria Charles Taylor, responsável por uma das mais brutais guerras em tempos recentes, entrou para o noticiário não pelo julgamento em si, mas pelo depoimento de Naomi Campbell e Mia Farrow, numa bizarra briga de celebridades.
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Lembrem-se da frase de James Carville
A campanha de José Serra descobriu a fórmula para a vitória: falar em dossiês e sigilo fiscal. Economia, emprego, essas coisas não importam. O que importa é um escândalo de feições complicadas e detalhes obscuros. Afinal de contas, deu certo com Alckmin em 2006 e, ei, espera aí: Alckmin perdeu aquela eleição. E não foi por uma margem de votos pequena(Tipo, Herbert Hoover no auge da Depressão em 1932 obteve uma proporção maior dos votos).
De fato, é isso que é trazer ao povo o que ele precisa.
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Explorados nos EUA, esquecidos pela América Latina

A primeira vista, o brutal massacre perpetrado no rancho em Tamaulipas, México, ontem, é apenas mais um capítulo da violenta guerra do tráfico no México. A segunda vista, é um mais um capítulo de uma história vergonhosa em que nenhum dos países latinoamericanos se saí muito bem: a rota dos imigrantes ilegais da América Central para os Estados Unidos pelo México, viajando nas costas de trens cargueiros, sujeitos a abusos por agentes da imigração e da polícia, sujeitos a seqüestros e a inclusive serem escravizados pelos cartéis, sujeitos ao calor escorchante do deserto. Os mexicanos, sempre ansiosos para criticar o tratamento que os imigrantes recebem nos EUA, nunca deram muita bola para o vergonhoso tratamento que os imigrantes recebem no seu próprio país(Que na prática e na teoria dá menos proteção legal a imigrantes que os EUA). Os brasileiros parecem mais preocupados com alguma coisa no Oriente Médio, com uma diplomacia tristemente conivente com os problemas na região e uma imprensa obcecada sobre Israel. Mesmo que quatro dos mortos do massacre fossem brasileiros, eles não mereceram muito espaço na primeira página dos jornais.
O jornal El Universal chama o massacre de “matança anunciada”: todo mundo sabia que imigrantes legais sofriam com a anarquia no sul do país e com a extorsão pelo crime na região de Tamaulipas, e traz o relato de uma salvadorenha que foi seqüestrada pelos Zetas: como ela não tinha parentes nos EUA nem dinheiro para pagar o resgate exigido de três mil dólares foi obrigada a ficar por três meses seqüestrada fazendo serviço escravo para o grupo. Ela relata inclusive um quarto com os imigrantes que não conseguiam pagar o resgate, amarrados, até que fossem mortos. Discriminados e explorados nos EUA, extorquidos e assassinados no México e ignorados pelo resto do continente, os imigrantes ilegais enfrentam uma chaga cruel.
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Mais uma vítima da sindrome de historinha
No início do mês, Fernando Gonzalez, um dos estrategistas da campanha de Serra, disse: “Nosso japonês é melhor do que o japonês dos outros. Vamos comparar as biografias de Serra e Dilma”. Duas semanas, obviamente, as coisas não deram muito certo, e o ocorreu o contrário. A grande razão? Os petistas lançaram a mesa os programas de obras e programas sociais de Lula, a campanha de Serra resolveu comparar as duas biografias. Ninguém vota em biografias. Isto é uma burrice sem tamanho, mesmo que seja popular entre os ditos “entendidos” brasileiros, como este blog já apontou.
Claro, Lula recebeu um bônus tremendo por causa da sua espontaneidade que cria uma identificação fácil com o brasileiro de classe média baixa. Mas isso tem pouca relação com biografia.
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Gender gap brasileiro
Entre os estudiosos de política nos EUA, um termo comum é o chamado gender gap, que é a diferença de votos por gêneros entre os dois partidos. Os democratas costumam obter uma maior proporção de votos femininos que masculinos – 1964 é o último ano em que o partido obteve maioria absoluta dos votos dos homens. O Brasil parece estar criando sua versão bizarra do gender gap: a primeira mulher candidata a presidente, por um partido de esquerda, obtém uma proporção maior das intenções de voto entre homens que entre mulheres.
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A mais desprezada subclasse de cidadãos da Europa

Um clichê bastante comum é aquele de que as grandes vítimas de discriminação na Europa tendem a ser os muçulmanos: Paquistaneses e outros vindos da Ásia no Reino Unido, turcos na Alemanha e os magrebinos na Espanha e França. Não é exatamente verdade: a etnia mais discriminada da Europa são os chamados roma(Também conhecidos por ciganos ou gypsies, mas este blog, de boa ídole, não utiliza estas classificações). São abertamente discriminados no Leste da Europa, e vivem em grotões miseráveis em boa parte da Europa. Muitos morreram nos campos de concentração, outros sofreram em pogroms, embora, claro, como nenhum deles conseguiu ser dono de estúdios de cinema seu drama nunca teve maior alcance.
A França recebeu uma injeção de doze mil roma, todos estes originários da Romênia e da Bulgária, quando estes dois países entraram para a União Européia. Os roma não conseguem emprego nestes dois países, e também não conseguem trabalho na França por não terem autorização para isso. Sarkozy decidiu eliminar os acampamentos roma ilegais na marra mesmo, colocando todos num avião para a Romênia, e fornecendo 300 euros para cada um. Não foi a melhor solução. Muitos franceses reclamaram que os roma simplesmente retornariam. Outros reclamariam de discriminação, incluindo Rachida Dati, ex-Ministra da Justiça e amiga pessoal de Sarkozy(Que também atraiu críticas do ex-Primeiro Ministro conservador Dominique de Villepin. A Igreja Católica foi particularmente dura, com direito a intervenção do papa, o que gerou outro debate num país particularmente fanático pelo dito secularismo e a separação Igreja e Estado.
Na prática, os europeus ainda são obrigados a lidar com uma verdadeira subclasse de cidadãos, sem nenhuma perspectiva de integração. E Sarkozy, altamente impopular, com um violento déficit público e propostas de aumentar a idade para aposentadoria, continua com a tradição de envolvimento nos escândalos mais esquisitos.
1 CommentMonday, August 23rd, 2010...11:31 pm
Hipócritas sem graça nenhuma
Por vários ciclos eleitorais, este blog protestou contra a relação da Legislação Eleitoral e dos tribunais eleitorais com relação a liberdade de expressão, que basicamente fica refém tanto dos juízes quanto das leis. Artigos de jornal eram interpretados como propaganda política, e bem, qualquer um se expressando a favor ou contra tal candidato poderia ser considerado propaganda política. Protestou basicamente sozinho. A não ser quando um blogueiro se via nas garras dos tribunais, mas isso mais movido por tribalismo que por princípios. Claro, quase ninguém lê este blog. Mas seria de esperar que alguém com dois neurônios em algum veículo com mais leitores notassem o problema. Ninguém notou, em parte porque tudo era muito conveniente quando atingia basicamente o andar de baixo.
Agora, vemos que os humoristas estão furiosos porque descobriram que a lei eleitoral vedaria sátiras a candidatos. Algumas pessoas reclamam de que a lei estaria sendo aplicada somente agora (Falso. Os poucos programas do gênero em ciclos passados ignoravam o assunto). A proposta de uma manifestação, claro, em Copacabana, como os chiques do Rio adoram, de gente como Nani(Aquele mesmo que ficou notório por causa de um cartum de malgosto e pessimamente desenhado) soa como a coisa mais hipócrita e cínica que eu já vi, basicamente porque eles tem a cara de pau de pedir pela extinção do artigo em específico que trata de programas de humor na TV. Defender a liberdade de expressão de forma tão limitada é o cúmulo da covardia. Uma daquelas citações de Noam Chomsky que ficaram batidas em correntes de email é a de que se você não defende liberdade de expressão para pessoas que discordam de você, você não defende liberdade de expressão nenhuma. Mas os nossos gracinhas encontraram um parâmetro ainda mais limitado para o assunto. Em especial porque conveniente quase todos os programas de humor na TV estão alinhados no mesmo campo político.
Reduzir a questão da liberdade de expressão à possibilidade de se contar ou não piadas é tosco e infantil. O problema não é que estejamos sendo privados de cartuns e programas de televisão, muitos deles muito ruins. Mas sim de que o direito básico de cada cidadão de poder protestar contra seus governantes, o direito básico de liberdade de expressão e imprensa garantidas pela Declaração Universal de Direitos Humanos e pela Constituição. E claro, os mesmos engraçadinhos que defendem os humoristas não acham que delegados de polícia ou professores representados por sindicatos devam ter o mesmo direito. Hipocrisia pouca é bobagem.
1 CommentMonday, August 23rd, 2010...1:06 pm
Da Faria Lima ao Solimões
O chamado Centro Expandido de São Paulo é o espaço que fica entre o Minianel Viário da Capital. É uma região com alta concentração de pessoas e riquezas, nesta compacta região entre as duas Marginais, a Avenida dos Bandeirantes e a Avenida do Estado. Conta com a Faria Lima, a Avenida Paulista, a BOVESPA e todo o centro financeiro do país. Esta região guarda uma desconcertante semelhança com a região Norte e parte da região Nordeste do pais. Toda a região da Amazônia Legal conta com a mesma população de Minas Gerais, uma população menor que a Grande São Paulo, mas ao mesmo tempo vinte e sete senadores, que é o mesmo número do Sul-Sudeste inteiro.
Num sistema sem Colégio Eleitoral, a cidade de São Paulo acaba privilegiada por sua alta população(Esta é a principal defesa feita do Colégio Eleitoral nos EUA). Mas São Paulo conta com outra vantagem: entre os setenta deputados federais que deveriam ser distribuídos pelo Estado de São Paulo, a maioria que acaba sendo eleita conta com sede na capital. Nacos inteiros do interior não elegem deputados, toda a região Norte da Grande São Paulo, tirando Guarulhos idem. Esta sempre foi minha crítica ao sistema proporcional vigente no Brasil: são as regiões mais pobres que acabam ficando sem representação.
O Brasil não é o único país com disparidades políticas. No entanto, as diferenças demográficas entre as principais regiões beneficiadas com estas disparidades, e o fato que todo mundo que fica no meio ficar bastante subrepresentado são no mínimo bizarras.
Comments OffMonday, August 23rd, 2010...1:32 am
De Tiririca a Jack Kemp
Em 2008, o estado americano da Minnesota elegeu Al Franken, da série Saturday Night Live como senador. Tirando o fato de que Franken guarda a distinção de ser menos engraçado como comediante stand-up que sua colega de estado, a senadora Amy Klobuchar, ninguém morreu nem o mundo acabou. A gestão de Jesse Ventura, um ex-campeão de luta livre, como governador daquele mesmo estado, foi bastante elogiada. Jack Kemp, um exjogador de futebol americano sempre foi um dos congressistas mais respeitados dos EUA. Kennedy, aliás, colocaria um exjogador de futebol americano(Byron White) na Suprema Corte do país. E claro, nem citamos ainda Arnold Schwarzenegger, Ronald Reagan e Fred Thompson.
Há uma certa rejeição entre formadores de opinião brasileiros sobre celebridades na política. Mas celebridades, assim como qualquer outro grupo de pessoas, tem o direito à concorrer a um cargo eletivo. Claro que é muito mais fácil reclamar do Tiririca que apontar que nosso sistema eleitoral caótico favorece este tipo de gente. E por fim, há um tantinho de hipocrisia: quando uma certa exVJ da MTV decidiu entrar para a política, as mesmas pessoas que reclamavam do Tiririca apontavam esta mesma exVJ como a salvação da política brasileira.
O que nos leva ao ponto que o problema do Tiririca, acima de tudo, seja de ser a celebridade oriunda da classe social errada.
1 CommentFriday, August 20th, 2010...10:56 pm
Tiririca é o mal menor
Digamos que você queira ser um representante federal (O equivalente ao nosso cargo de deputado federal), senador estadual ou mesmo representante estadual nos EUA. Basicamente, o que você precisa conseguir é escolher um distrito qualquer em um estado qualquer. Mesmo que para a maioria das análises os distritos para o Congresso sejam grandes demais, você tem distritos com no máximo uns oitocentos mil habitantes, geralmente com extensão territorial limitada(Mesmo nos casos em que há distritos maiores, casos dos estados com um único distrito, como Montana ou a Dakota do Sul, isto é contornável), o que significa facilidade para se fazer campanha. Pode-se comprar anúncios numa mesma base de TVs e jornais, e fazer corpo a corpo com os eleitores com facilidade(Detalhe: para Legislativo estadual é tudo mais fácil). Claro que com distritos de tamanho desproporcional, gerrymandering e um alto número de advogados no Congresso, além do vai e vem entre Congresso e o mundo dos lobistas. Por outro lado é possível ser congressista se ter nascido em berço de ouro, e a maioria dos congressistas provém de origens relativamente humildes.
Digamos que você queira ser um deputado aqui no Brasil. O que você precisa é de um percentual variável de votos, que as vezes varia de alguns milhares a centenas de milhares. Com um detalhe: sem área definida. No caso de Minas Gerais e São Paulo, isso significa trabalhar com uma área do tamanho e com população do tamanho de países. Se você tem competição demais em determinada área, suas chances são nulas. Então, a melhor coisa possível é monopolizar a máquina política de determinado lugar. Se sua família tiver acesso a órgãos de imprensa, melhor ainda. Seja, em resumo, o coronel. Sem um rincão eleitoral, suas chances são quase que nulas. Você tem outras chances também: ser sindicalista ou ligado a um sindicato, ser alguma figurinha carimbada entre os eleitores de um determinado partido ou ainda ser uma celebridade, que ao contrário de pessoas comuns não precisam se tornar conhecidas entre milhões de pessoas. Fora destas categorias, suas chances são mínimas.
Fala-se em Tiririca, mas a maioria dos colegas já eleitos dele cai nas categorias pouco louváveis acima. Note-se, não há defesa nenhuma de nenhum sistema de distribuição parlamentar, por mais que eu seja partidário do voto distrital puro. Por outro lado, a simples pergunta – o que você precisaria fazer para ser eleito deputado – é de uma resposta desconcertante.
5 CommentsFriday, August 20th, 2010...8:57 pm
Qual o futuro da dobradinha PSDB-PFL?
Se estivesse enfrentando Aécio Neves, Dilma Rousseff não teria a vida tão fácil. Hoje, obviamente, ela simplesmente faz uma campanha cautelosa e correta enquanto assiste o seu adversário implodindo a si próprio – os blogueiros petistas andam faturando visitas não atacando ou comentando sobre Serra, mas com piadas e motivos para risos. Claro que contra Aécio seria outra história: os votos em Minas Gerais precisariam de fato serem conquistados, no resto do Sudeste a imagem do Aécio poderia ser construída do quase do zero, de forma positiva, e mesmo no Nordeste você teria uma imagem menos elitista a ser trabalhada(Seria possível inclusive colocar um vice nordestino). E sim, não haveria o peso de Fernando Henrique Cardoso nas costas, e as alegações de fim do Bolsa Família soariam menos críveis. Resta a pergunta: porque os tucanos escolheram Serra, um candidato com uma bagagem bem mais pesada? Claro, pelo controle paulista do partido.
O que nos leva a seguinte pergunta: confirmada a vitória de Dilma Rousseff, quem lideraria a oposição e a dobradinha PSDB-PFL? Serra fez um estrago tremendo no PSDB, tanto pelo seu mandato no Palácio dos Bandeirantes como pelo desempenho dukakisnesco como candidato a presidente, duas vezes. Insistir no mesmo grupo na liderança me parece ou masoquismo, burrice ou falta de opções. Uma oposição engrenada faz falta.
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O martírio de Charles Rangel
Charles Rangel(D-Nova York) até poucos meses atrás era um dos democratas mais poderosos do Congresso. Ele não só era um dos mais influentes congressistas dos EUA, mas presidia o poderoso Comitê de Meios e Fundos, talvez a principal entidade orçamentária das duas casas do Congresso, responsável por alocar fundos e escrever legislação tributária. Hoje, Rangel é o mais próximo possível de um político em desgraça, acusado de um sem número de desvios éticos, que vão desde de não declarar uma casa na República Dominicana e outros valores ao fisco(Detalhe: isto vindo da principal pessoa por escrever legislação fiscal nos EUA) a fazer favores por doadores de campanha.
Rangel também é um dos líderes dos negros no Congresso americano, um grupo tão problemático quanto clássico. Quase todos os congressistas negros são oriundos de distritos com forte participação de negros, não raro com distritos detalhadamente desenhados para isso(O Décimosegundo distrito da Carolina da Norte é infame pelo seu desenho em ziguezague, com regiões dispares cuja a única semelhança é a quantidade de negros). Isso é garantia de reeleição quase que eterna. Isso só se quebra em casos extremos: William Jefferson (D-Lousiana) só conseguiu ser derrotado numa eleição depois de ser preso com 90 mil dólares na geladeira da sua casa. Rangel não é o único membro do grupo com problemas com a lei: Maxine Waters(D-Califórnia), está sendo julgada pelo Comitê de Ética da Casa de Representantes por ter favorecido um banco em que seu marido tinha participação durante a operação de resgate dos bancos em 2008.
Ironicamente, justo depois da eleição do primeiro negro presidente, os negros americanos sofrem com índices obscenos de desemprego, e falta total de lideranças. As que existem, como Rangel e Waters, são invariavelmente corruptas. Para Obama e Pelosi, os dois são duas pedras que deverão ser carregadas naquela que promete ser a pior eleição parlamentar para o partido desde de 1994.
Comments OffWednesday, August 18th, 2010...12:36 am
Obsessões irrelevantes
A imprensa encontrou duas novas obsessões, que são os ditos indecisos e o horário eleitoral político. Os dois pontos são bem menos relevantes que a imprensa quer dizer. Primeiro, se os jornalistas acham que ninguém que já declarou voto vai mudar de voto até a eleição, bem, preciso urgente começar a vender viadutos ou máquina de fazer dinheiro em alguma redação por aí. Segundo, a audiência da TV aberta anda caindo bastante, parte da tendência natural de segmentação do mercado, que ocorre em nível mundial, tanto por causa da internet quanto por causa da TV por assinatura. Em outros países, é possível se valer da segmentação a seu favor, criando anúncios especificamente para determinados canais e determinados públicos. Isto, obviamente, não se encaixa no formato do Horário Eleitoral Gratuito. A TV a cabo vai permitir que boa parte da população ignore o Horário Eleitoral.
De qualquer forma, apesar do esforço em se pintar uma disputa equilibrada, isso não existe e nunca existiu. Dilma Rousseff tem mantido a campanha mais conservadora possível porque sabe que só perde a eleição com erros muito fortes, e enquanto isso ela observa Serra demolindo a si próprio, numa novela deprimente (Os últimos capítulos incluem a bisonha opção por citar Lula no jingle da campanha e a patética tentativa de se retratar como homem do “povo”. Note-se, de alguém formado numa Ivy League).
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*Lipstick*
O ponto mais bizarro deste eleição é a facilidade com que Dilma Rousseff foi premiada com uma base coesa e unida. Mesmo Lula nunca teve uma base tão unida, e políticos de esquerda tão diversos como Hubert Humphrey, Massimo D´Alema, Lionel Jospin, Jimmy Carter e Al Gore foram punidos de forma bem mais virulenta pela base de esquerda dos seus partidos por desvios menores que prometer vouchers no Ensino Médio. Dilma não é nenhuma carreirista no PT, au contraire, e nem o prêmio de consolação típico, que é a vaga de vice, a base do partido conseguiu. Também não é nenhuma queridinha clássica da base do partido. Como ela conseguiu a façanha?
Bem, primeiro, uma leve retrospectiva. Classicamente, as mulheres que se destacavam na política se encaixavam tipicamente em dois estereótipos: a da típica vovó de família, suave e ao mesmo tempo doce(Em uma certa escala, quase todas as senadoras e governadoras populares dos EUA até uns anos atrás) ou da tecnocrata relativamente masculinizada e sem nenhum apelo físico, como Golda Meir ou Margaret Thatcher. Tudo isso mudaria em 2008, quando um John McCain desesperado escolheria Sarah Palin como companheira de chapa. Se no inicio muitos críticos apontavam que a escolha cínica que buscava mulheres desiludidas com a derrota de Hillary Clinton nas primárias democratas logo surgiria a surpreendente descoberta que o grande público de Palin eram os homens da base republicana, que enxergariam numa ex-miss de Colégio, uma atleta voraz, de retórica agressiva e ainda uma adepta de caça e pesca uma espécie de símbolo sexual ideal. Rich Lowry, da National Review, viraria motivo de gozação quando escreveria“E eu sei que não sou o único homem na América, que, quando Sarah Palin deu sua primeira piscadela, sentou mais fundo no sofá e pensou: ‘Ei, eu acho que ela piscou para mim.’” Mas nada resumia melhor a relação da base republicana com Palin.

Logo, os republicanos, famosos pela sua maior base entre os homens, estariam elegendo mulheres por primárias por todo o país. Nikki Halley, vejam só, uma descendente de segunda geração de sikhs hindus seria escolhida candidata republicana ao governo da Carolina do Sul. Sim, a Carolina do Sul de Fort Sumter e do coração da Confederação. Heloísa Helena involuntariamente cumpriria este papel em 2006, embora ela nunca admitiria. O que isso tem a ver com Dilma? Simples.
Esta semana, uma dessas revistas sensacionalistas publicou a seguinte capa:

Em questão de horas, a seguinte imagem, criada apartir da capa, seria veiculada como um raio entre os petistas da internet:

Dilma Rousseff, mais uma subversiva que uma guerrilheira em si, e sem grandes dotes militares, como quase todo mundo do movimento armado na época, logo seria transformada na versão feminina do Rambo que combateu a ditadura militar. Na bad girl típica de filme americano, numa versão tropical de alguma heroína fatal de filme de ação. Logo, as supostas habilidades de Dilma com todo tipo de arma se tornariam lendárias e Dilma Rousseff, a mãe desquitada, de meia idade, não só se tornaria símbolo jovem e cool entre os petistas, como o histórico dela na resistência armada ao regime militar, inflado artificialmente pela imprensa, faria com que a base esquecesse que ela é uma candidata relativamente conservadora.
Até agora, a tal da imprensa golpista tem sido o melhor amigo de Dilma.
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O grande perdedor desta eleição
No inicio do ano, este blog apontou que a gestão Yeda Crusius no Rio Grande do Sul e o fato de Dilma Rousseff ter feito carreira política no Estado faziam com que Dilma tivesse possibilidade de obter muito mais votos que Lula, naquele que é o quarto maior estado da federação e o maior da região sul. Hoje uma pesquisa do Ibope aponta que Dilma Rousseff passou Serra neste estado, dentro da margem de erro. As pesquisas estaduais apontam um cenário em que Dilma perderia por pouco ou mesmo venceria em São Paulo, venceria em Minas Gerais e talvez no Rio Grande do Sul, enquanto provavelmente ainda venceria por larga vantagem de votos no Nordeste e no Rio de Janeiro. Digamos assim: a conta simplesmente não fecha.
A campanha de ambos os lados é medíocre, na maior parte porque o sistema eleitoral é tão aleijado e em parte porque a graça das eleições é que o sistema serve para que o eleitor expresse os seus anseios ou sinta que por um único período que o eleitor tem o poder em suas mãos. Não é o caso brasileiro, aonde a participação do eleitor é vedada ao mínimo. Aliás, notem que a terminologia política americana costuma colocar um foco central nos eleitores: os angry White males dos tempos de Nixon, a “fúria” do eleitor em toda eleição em que boa parte do Congresso é derrotada. Aqui, em TODA a eleição a única coisa que se lê é como o eleitor vota mal.
Dilma Rousseff faz uma campanha acanhada e conservadora, porque sabe que concorre com um candidato com um carisma de um batata, com resultados desastrosos nos dois cargos eletivos de Executivo que passou e mantendo índices econômicos invejáveis. Serra cometeu vários erros, com um vice absurdamente ruim e um ar arrogante nos debates(A única coisa que falta é aparecer em cima de um tanque de guerra). Claro que Serra não é o grande perdedor desta eleição, papel que cabe à imprensa, que martelou por meses asneiras sobre o potencial máximo de votos que Lula transferiria a Dilma e o bisonho exemplo chileno.
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Em defesa dos pedágios
Eu não gosto de José Serra. Ele é totalmente inepto e não existe nenhuma pessoa mais inadequada para qualquer cargo no Executivo, e certamente seria um desastre total como Presidente da República. Também concordo que há vários problemas no sistema de concessão de rodovias em São Paulo, com vários trechos em que há excesso de pedágios e falta de sistemas de compensação(São poucas as vicinais nãopedagiadas mantidas pelas concessionárias, por exemplo). Também é fato de que há uma espécie de “Síndrome de Edíficio” no imaginário paulista, e as rodovias do estado são bem menos modernas que se gosta de admitir. Dito isso, é preciso apontar alguma coisa: a maioria das criticas sobre pedágios que José Serra anda recebendo pela internet são infantis e toscas.
O primeiro ponto, que todo mundo convenientemente ignora, é que manter qualquer estrutura viária, incluindo ruas, é cara para dedéu. É um mundo aonde os custos são contados quase que sempre em milhões. O asfaltamento de trechos curtos de rodovias facilmente ultrapassa a casa dos dez, quinze milhões, e em quase toda a Europa viajar de carro significa pagar elevados impostos sobre gasolina e pagar pedágio. Entre os turistas americanos, os pedágios mexicanos são motivos de infâmia. Por outro lado, nos Estados Unidos os pedágios são muito mais limitados, o imposto sobre gasolina idem, e além de você ter vários pontos do país em que você simplesmente não se locomove sem os carros você tem um sistema bastante perverso, já que a população inteira subsidia os motoristas.
O sistema de concessões foi introduzido em 1996 no país basicamente porque se enfrentava sérios problemas de manutenção de algumas das principais estradas federais, incluindo a Presidente Dutra e a Ponte Rio-Niterói. Vários modelos de financiamento haviam sido tentados, sem sucesso. A concessão conseguiu fazer com que a Dutra tivesse finalmente padrões razoáveis de conservação, tanto que foi um medida sem grandes impactos políticos. Quando o governo paulista iniciou o seu programa de concessão, a medida teve um impacto maior porque ela foi mais motivada por motivos de caixa que de estrutura, já que a maioria das rodovias de alta capacidade do estado na época tinha excelente grau de manutenção, graças aos pedágios do DERSA, uma empresa de propriedade do governo estadual.
No entanto, por mais que houvesse críticas ao modelo, que realmente se mostraria oneroso aos moradores de várias cidades, é preciso reconhecer que ele se mostraria uma forma bastante eficiente de se duplicar rodovias. Superfaturamento, por exemplo, deixaria de ser um problema, e as obras teriam um ritmo de construção firme e constante - desde do início do programa a quantidade de rodovias sendo duplicadas em SP aumentou bastante. Sim, o pedágio nas rodovias federais é mais baixo, mas não estão previstas grandes obras de ampliação em muitos casos. A Índia tem valido do sistema de concessão para criar um sistema rodoviário impressionante. O Brasil deveria fazer o mesmo em escala federal.
7 CommentsThursday, August 12th, 2010...12:40 am
É a economia, estúpido
A imprensa brasileira tem uma certa obsessão sobre o tema entre a relação de Dilma Rousseff e Lula, e o potencial da primeira receber votos do segundo. Um ponto que é necessário dizer: isto é uma bobagem gigante. Lula não é popular por seu carisma nem por sua figura estética: ele é popular por causa do seu governo. Nisto, obviamente, qualquer membro do seu gabinete vai ser uma opção natural. E com índices econômicos fortes é natural que o partido do incumbente saía em natural vantagem.
Não é ponto de se transmitir votos, mas sim de que há menos frustração para ser descontada nas urnas e um maior desejo de continuidade. E sim, a idéia dos petistas de usar o governo de FHC ao invés do período desastroso em que Serra esteve à frente do maior estado do país é uma idéia de jerico, mas faz um certo sentido – você não pode querer se afastar de uma administração em que você ocupou cargo de gabinete.
8 CommentsWednesday, August 11th, 2010...11:04 pm
Serra, o elitista
O Estadão publicou a seguinte notinha:
Não é com a “cara do PSDB” que o candidato tucano a presidente, José Serra, vai se apresentar na entrevista desta noite ao Jornal Nacional da TV Globo e no programa eleitoral gratuito, na semana que vem. Serra quer que o PSDB tenha a cara dele na disputa presidencial - e não o contrário. Em reuniões com a coordenação da campanha, Serra e seus conselheiros avaliaram que, no embate com o PT, a acusação de representar um partido que defende menor presença do Estado na economia não é o que mais pesa. O problema maior é a suposta imagem elitista do partido que, na avaliação dos tucanos, não bate com o discurso nem com o perfil do candidato.
Olha, Serra não lançou a sua carreira como populista ou algo que o valha. Ele lançou sua carreira com base na classe média paulistana e na carreira de professor universitário, pontos inevitavelmente elitistas. Aliás, a carreira universitária, que inclui Cornell*, aquele rancho de pobretões, não ajuda. Aliás, segundo certas correntes de email que circularam por aí, a carreira acadêmica do sujeito seria a grande razão para se votar nele. O que obviamente nos leva ao ponto que é preciso se decidir, ué. Claro que ninguém nunca notou isso por causa da capacidade do PT paulista em colocar gente ainda mais elitista para competir com o moço.
E a campanha erra. Serra sofre não é pela imagem de elitista. Sofre pela imagem de arrogante. Foi assim que Lula se deu melhor contra ele em 2002, já que sempre o Serra lançava algum ataque quase pessoal, Lula desconversava e Serra achava que estava abafando. No final, ficava a imagem de arrogante. Imagem que eventos como aquela entrevista no Roda Viva reforçaram mais ainda.
*Mesmo que Serra tenha feito seu Ph.D pela Faculdade-Universidade de Agronomia e Ciências da Vida, uma escola estadual, de mensalidades mais baratas, isso não significaria falta de elitismo, francamente.
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O Magnolia contra o Lulismo
A USP foi o celeiro do PSTU, e tem uma certa tradição em produzir figuras intelectuais bizarras e que servem mais para humor que de reflexão(Assim como a USP presenteou o mundo com o PSTU também presenteou o mundo com o Nelson Ascher). A última grande novidade da universidade é o Demétrio Magnoli, que apesar de doutorando em geografia é tão repetitivo e cansativo quanto um aluno do primário(A palavra “lulismo” aparece onze vezes neste curto texto de jornal).
É deste texto que sai algumas das pérolas:
“Também é o país dos controladores da Oi, que erguem um semimonopólio a partir de privilégios concedidos pelo governo, inclusive uma providencial alteração anticompetitiva na Lei Geral de Telecomunicações, e se preparam para formar uma parceria com a Telebrás no sistema de banda larga.
O lulismo orienta-se na direção de um capitalismo de Estado no qual o BNDES, as estatais e os fundos de pensão transferem recursos públicos para empresários que orbitam ao redor do poder. Teria Serra a coragem de criticar o modelo em gestação, inscrevendo na sua plataforma a separação entre o interesse público e os interesses privados?”
Serra faz bem em não criticar este modelo em gestação (Que surgiu em grande parte com as privatizações e que tende a existir em qualquer lugar com grandes empresas industriais e fundos de pensão grandes o bastante para comprar ações nestas empresas. Vide o caso dos fundos de pensão britânicos, a BP e o governo daquele país) porque ele cairia no ridículo como faz quando fala no Ministério da Segurança Pública mesmo com números ruins nesta área. Sobre o lulismo que Magnoli critica ao menos se pode afirmar de que ele premia empresas nacionais, o que não é o caso da Alstom. Há outros problemas, como a porta giratória entre o Grupo Abril e o governo de São Paulo, e a doação da Sabesp ao Instituto Fernando Henrique Cardoso.
Um ponto importante que o Magnoli convenientemente deixa de lado é que o monopólio da Globo sobre o sistema de cabo do Brasil foi fomentado pelo BNDES durante a gestão FHC. Em 2002, o BNDES deu um aporte de 282 milhões de reais(Valores da época) na Globo Cabo, que sangrava dinheiro e ameaçava a estabilidade financeira da Globo como um todo. Aliás, no meio de tanta repetição de neologismos(Neopelegos e lulismo em especial) fica difícil entender exatamente o que o Magnoli quer dizer.
No país de alguns, os pobres não têm direito a escolas públicas e hospitais de qualidade ou à proteção do Estado diante do crime organizado. Teria Serra o desassombro de deixar ao relento os Eikes Batistas do mundo, comprometendo-se com um ambicioso plano de metas destinado a universalizar os direitos sociais?
Claro que não. Em especial porque um estado em que os pobres enfrentam uma situação particularmente dramática de acesso a escolas públicas de qualidade e à proteção do Estado contra o crime(Organizado ou não) é aquele que era administrado por Serra até poucas semanas atrás. Cada uma, cruz credo. Vai para o outro da Marginal Pinheiros, Magnólia.
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Memorando a César Maia: O Brasil não é o Chile
César Maia, o anão de jardim sai com essa na sua mala direta:
“E se popularidade do presidente fosse a pedra de toque, o presidente do Chile hoje não seria Piñera e Churchill não teria perdido a eleição 3 meses depois de terminada a segunda guerra.”
1-) Vamos combinar: as eleições chilenas do ano passado são tão relevantes ao contexto brasileiro quanto as eleições desta semana em Ruanda. O país todo é menor que dois estados brasileiros(Na verdade, o país é menor que a Grande São Paulo) e geograficamente bastante diferente do Brasil. E claro, o CM cita tanto as eleições chilenas porque é a exceção que faz a regra. Os dois únicos candidatos a presidente dos EUA que sucederam presidentes populares do mesmo partido o fizeram por muito pouco, tiveram campanha ruins, em condições nebulosas e sob acusações de fraude(Nixon em 1960, quando hoje é consenso que Kennedy só venceu com ajuda da Máfia e Al Gore em 2000). E claro, estar no lado vencedor da Segunda Guerra não era sinal de garantia de vitória(Embora os motivos da derrota de Churchill em 1945 são melhor detalhados aqui).
2-) O ponto não é tanto a popularidade do presidente, mas do partido do presidente em si. Um pontoi relevante é de que o PT conseguiu o governo de vários partidos do Nordeste e não é exatamente uma força irrelevante em Minas Gerais.
3-) Dilma Rousseff não enfrenta o grande flagelo de Frei no Chile em 2008, que foi uma base dividida e apática. Na verdade, o máximo que Plínio da Arruda Sampaio está conseguindo fazer é barulho nos debates, e Dilma Rousseff tem uma base de esquerda unida como quase nenhum candidato de esquerda têm. Mesmo em Cuba e na União Soviética havia maior dissidência entre a base que com Dilma Rousseff.
4-) Por fim, há um terceiro membro na disputa, que não se resume a Dilma Rousseff e Lula. Serra pode ostentar a sua “experiência” por todo canto, mas o que importa mesmo é a sua experiência como governador de São Paulo, quando os números de criminalidade estouraram e shoppings em São Paulo viraram fregueses de assaltantes. Dilma certamente teria sérios problemas concorrendo com Aécio Neves, que poderia construir sua imagem nacionalmente do zero e se aproveitar da sua popularidade no swingstate definitivo, mas Serra não é Aécio. E Serra se enterrou mais um pouquinho com um vice totalmente inapropriado e declarações negativas que pegam muito mal num país que sempre rejeitou propaganda negativa.
A sorte de Serra é que a imprensa brasileira nunca colocou o devido escrutínio em propostas absurdas como um Ministério da Segurança Pública.
5-) A conta segue intacta: os petistas tem uma base tão grande no Nordeste e no Rio de Janeiro que poderiam compensar uma derrota em praticamente quase todos outros estados, Minas Gerais pende a favor de Dilma Rousseff por largos números, em especial depois que Aécio Neves foi rechaçado a favor de Serra e a posição de Serra em São Paulo e no Sul é bem mais frágil que os jornalistas gostariam de admitir.
Serra precisaria ampliar, e bastante, os votos de Alckmin em 2006. E ele não tem aonde fazer isso.
6 CommentsMonday, August 9th, 2010...1:39 am
A nova Washington DC
Um dos pontos que sempre levantei sobre o Rodoanel de São Paulo é que obras do gênero, como a Interstate 495 em Washington e o Boulevard Périphérique de Paris vivem congestionados, logo, os cenários Pollyanna sobre os efeitos deste no trânsito são infundados. Mas passando pelo trecho sul pela primeira vez que pude ver que o cenário é bem mais complicado que parece, já que a pista tem relativa baixa capacidade e baixo espaço para expansão. O trecho oeste, mais antigo, já mostra claros sinais de saturação. É provável que já enfrente congestionamentos antes da obra toda ficar pronta.
E sim, para frear a ocupação imobiliária restringiram o acesso à rodovia. No final, os favelados do entorno acabarão tendo que conviver com a poluição e os riscos de uma obra que não trarão benefício nenhum a eles. E claro, o rodoanel vai puxar a ocupação urbana de São Paulo ainda mais para a periferia. Tanto pelo centro degradado como pelos subúrbios como pelo anel viário congestionado São Paulo vai ficando cada vez mais parecida com Washington DC.
3 CommentsFriday, August 6th, 2010...1:17 am
Debate para candidatos a governador ou a presidente?
Há um detalhe chato que nenhum dos candidatos a presidente notou: os ditos não estão concorrendo ao cargo de governador, mas de Presidente da República. Ninguém falou ainda em assuntos relevantes à tarefa do presidente, mas apenas sobre coisas como educação e segurança pública que são da alçada, na maior parte, dos Estados. “Serra chegou a dizer” “O combate ao crime não pode ser estadual, tem de ser federal. Para isso, vou criar um Ministério da Segurança“(O detalhe é que Serra estava na Constituinte, e ao que parece não leu o documento que assinou). Claro que Serra talvez seja movido pelo desastre que foi a segurança pública enquanto governador, mas além disto fugir totalmente da Constituição, não parece ser endossada por nenhum especialista. Aliás, Serra parece interessado em inchar a máquina pública. Além do Ministério da Segurança, ele prometeu também o Ministério da Defesa dos Direitos da Pessoa com Deficiência (sério). Serra também apontou “Hoje, andar em estradas no Brasil é um perigo público”. Verdade. O problema é que muitas destas estradas são estradas estaduais de São Paulo, como a Rodovia dos Tamoios, a Rodovia do Açúcar, a Rodovia Itatiba-Jundiaí, entre várias outras.(Não que Dilma Rousseff tenha se saído bem, já que poderia ter aproveitado várias brechas)
Questões como política externa e políticas macroeconômicas ficaram ao relento enquanto os candidatos discutiam temas que na sua maior parte são responsabilidades dos estados. Fraco, fraco.
8 CommentsTuesday, August 3rd, 2010...10:57 pm
O minúsculo metrô oferecido por Serra
Serra anda ostentando para lá e para cá as obras no Metrô Paulista. Infelizmente é uma obra que precisa ser analisada de forma bastante realista. Os ditos duzentos e quarenta quilômetros de metrô que os tucanos prometem soa risível porque a maior parte disso viria da simples absorção das linhas da CPTM, muitas delas por questão de localização incapazes de funcionarem como metrô. Mesmo sob esses padrões, soa risível porque ninguém está vendo obras na CPTM na escala necessária para esta modernização. Na verdade, em termos práticos Sâo Paulo vai continuar com um metrô menor que da Cidade do México e de Santiago no Chile, e não muito maior que do Rio de Janeiro e Buenos Aires, cidades menores.
A própria história recente do Metrô parece um tanto quanto esquecida. Vamos lá: em 1991, Fleury inaugurava a Estação Clínicas, a última do trecho inicial da Linha 2-Verde. Passados longos sete anos, Covas inauguraria cinco estações: Sumaré e Vila Madalena na Linha Verde, e Jardim São Paulo, Parada Inglesa e Tucuruvi na Linha 1- Azul. Prolongamentos relativamente curtos fora de regiões de maior densidade. Daí, em 2002, quatro anos depois, Alckmin inauguraria seis estações: Capão Redondo, Campo Limpo, Vila das Belezas, Giovanni Gronchi, Santo Amaro e Largo 13. Detalhe: a linha ficava a cerca de oito quilômetros da estação mais próxima, e na prática era uma linha de oito quilômetros na periferia isolada de tudo. E sim, entre 2006 e 2010 tivemos a sucessiva expansão do tramo leste da linha verde: Chácara Klabin e Imigrantes em 2006, Alto do Ipiranga em 2007 e Sacomã este ano, e do trecho inicial entre a Faria Lima e a Paulista da Linha 5-Amarela. Sim, tivemos a modernização de alguns trechos da CPTM, mas o único em que se realmente se alterou o trajeto foi o trecho entre Itaquera e Guaianazes, e mesmo aí não significou um novo modal de transporte pela região. Mas em quase vinte anos é possível descrever detalhadamente todas as inaugurações do metrô paulista num parágrafo de blog.
Uma das razões dos trechos em construção que Serra tanto se orgulha é que nesses vinte anos, boa parte deles em que o PSDB esteve no Palácio dos Bandeirantes, o ritmo de expansão foi bastante fraco. Todas estas linhas já apareciam no programa de governo do Covas de 1998, e na verdade são alterações de linhas já existentes no projeto original, de 1967. E tanto o projeto original quanto as linhas do programa de governo do Covas não foram concluídas ainda.
3 CommentsTuesday, August 3rd, 2010...10:06 pm
Eros Grau: um debate necessário
Eros Grau publicou uma entrevista bastante lúcida no Estadão, em que faz um resumo bastante interessante sobre os problemas do STF e do Judiciário como um todo. O interessante é que o tom todo se aproxima bastante de juristas conservadores americanos, em especial Antonin Scalia da Suprema Corte, que sempre alegou que fazer lei era uma premissa do Legislativo, não do Judiciário. É uma pena que Grau foi abrir este debate apenas ao sair do Supremo, porque ele é absolutamente necessário. Alguns comentários:
- Grau tem razão quanto às transmissões dos julgamentos pela televisão. Na maioria dos países câmara de TV não entra em tribunal e David Souter, da Suprema Corte americana, ficou famoso por dizer que as câmaras só entrariam nos julgamentos sob seu cadáver. É uma instituição tão bizarra quanto comprometedora ao próprio judiciário.
-Ele está absolutamente certo no tocante à Lei Ficha Limpa. É preciso que alguém, em escala nacional, seja a voz da razão sobre este assunto. Eu iria além: em termos utilitários, na melhor das hipóteses ela é inútil, na pior um afronte democrático.
- Ele está absolutamente certo no tocante ao papel do Judiciário, que deveria ser de conter os excessos dos dois poderes. Também está certo que várias posições contra pontos como habeas corpus levarão a linchamentos.
Pena que em muitos pontos os entrevistadores do Estadão ofereceram perguntas inanas.
Comments OffMonday, August 2nd, 2010...12:08 am
Lógica de piche e penas
Entre círculos de policiais civis sempre circulou a história de que aquele papo de que o PCC estaria controlado era lorota. De qualquer forma, a cara de pau de que os tucanos respondem ao PCC é surpreendente: se o PCC não ataca é porque a organização não existe mais, se ataca é porque, ah, ah, ah, de que os ataques contra o governo estão sendo tão eficientes que o PCC decide retaliar. É uma lógica tão cínica que seria respondida com piche e penas em qualquer lugar mais organizado.
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Nissan Leaf, Chevy Volt e o Toyota Prius: as disputas entre modelos

Nissan Leaf, Toyota Prius e o Chevy Volt
A General Motors sofreu um violento desgaste de imagem em 1999, quando descontinuou o EV-1, o primeiro protótipo de um carro elétrico, que sofria com altos custos e baixo desempenho. O problema para a GM do fim desastroso do projeto foi que ficou a imagem que ficou foi de um modelo popular entre os californianos(Basicamente o único lugar em que o carro foi emprestado a consumidores). Mas o fato é que o carro elétrico tinha seus próprios problemas, como baixa autonomia, dificuldade para ser carregado e altos custos.
Não são problemas que foram resolvidos com o Chevy Volt, o carro elétrico recém lançado pela empresa. É um carro de baixa capacidade, que carrega apenas quatro pessoas, basicamente a mesma versão do Cruze, um carro que custa 17 mil dólares. O Volt será vendido por meros quarenta e um mil dólares(Quase que o dobro que o modelo mais simples do Prius da Toyota e nove mil dólares a mais que o Leaf da Nissan, este totalmente elétrico). Há a proposta de um corte de impostos que cortaria o preço, mas estamos falando de um carro violentamente subsidiado, tanto por uma injeção de dinheiro público na empresa quanto a impostos. Parece mais o tipo de veículo para agradar a administração Obama, que para salvar a empresa(Edward Niedermeyer, do site The Truth About Cars, publicou um op-ed no NYT sexta em que deixa tudo claro: “Se a GM fosse honesta, venderia o carro como uma doação, e um voto de confiança, no plano de resgate das montadoras. Infelizmente, este não é o plano de marketing que faria do Volt um sucesso redundante”).
No caso do Volt, infelizmente, a realidade política não é muito agradável. Inicialmente, o plano do governo federal com relação à GM e a Chrysler parecia algo parecido com o caso da Conrail/Penn Central nos anos 70/80(A Penn Central foi formada em 1968 com a fusão da Pennsylvania e da NY Central, duas ferrovias rivais. Com a falência na década seguinte, a ferrovia seria nacionalizada em 1976, reestruturada, juntada com outras ferrovias menores e privatizada em 1987). Agora, cada vez mais parece com uma reestruturação próxima às velhas estatais industriais do mundo em desenvolvimento, com claras decisões políticas. O resgate da GM e da Chrysler se deu em grande parte pela importância de Ohio e de Michigan, que concentram a maior parte das fábricas das empresas, no Colégio Eleitoral. O que explica que num estado de mão de obra cara, Michigan, esteja produzindo o Volt, decisão mais facilmente explicada por motivos políticos que econômicos.
A Toyota sempre deu risada do modelo de carro elétrico, preferindo o modelo híbrido, utilizado no sucesso de vendas Prius, em que um motor elétrico utiliza a energia de um gerador que se aproveita da própria energia cinética do carro(O Volt é híbrido também, mas porque tem dois motores: um à gasolina, outro elétrico, o que aumenta o custo e sacrifica um dos lugares no banco traseiro). Resta saber qual modelo irá se impor: não só entre híbridos e elétricos puros, mas entre empresas com relativo baixo grau de interferência estatal e empresas com alta interferência estatal.
3 CommentsSaturday, July 31st, 2010...3:17 am
Lula está em parte certo sobre a Colômbia e a Venezuela
Uma velha piada, um tanto quanto batida, dizia que a única utilidade do Exército em país Latinoamericano é a de dar porrada na população. Não é o caso do Exército Colombiano atual, que conta com vários batalhões de elite (Ao ponto do país enviar comandos ao Afeganistão) e que demonstrou disciplina e poder de fogo no combate às FARC. Aliás, para se ter uma ideia, em número de soldados, numa estimativa grosseira, a Colômbia tem quase que três vezes mais soldados que a Venezuela. Os colombianos poderiam tranquilamente lavar o chão com a Venezuela num combate direto , e em caso de uma eventual declaração de guerra você teria soldados colombianos marchando por Caracas em questão de dias, sem envolvimento de Washington. E Chávez SABE disso, o que explica suas recentes compras de armamentos e suas bravatas.
É um ponto corretíssimo criticar a política externa brasileira, que se mete aonde não deveria e ignora problemas reais. Por outro lado, a histeria da imprensa brasileira no tocante às declarações de Lula sobre o episódio não se justificam, porque por mais atrapalhadas que elas possam parecer elas tem um fundo de verdade. Chávez faz jogo psicológico com a Colômbia porque não teria chance num confronto militar direto.
Comments OffThursday, July 29th, 2010...2:15 am
O fator Russomanno
Durante o período em que Serra foi governador, adotou-se uma postura de uma certa forma oposta no tocante a segurança pública de Alckmin. Havia uma presença menos ostensiva da rua, e ao invés do governo ostentar os mortos pela Polícia Militar na TV tentava punir de forma rigorosa os policiais tanto envolvidos como nem tanto envolvidos em casos famosos de mortes(Embora que esquadrões da morte tenham perdurado). Isso enquanto os números na área de segurança sofriam bastante. Ou seja, abriu-se um flanco gigante à direita de Serra que tornava tanto ele quanto Serra bastante vulneráveis. Mercadante poderia atacar apartir deste setor se tivesse o Deputado Estadual Major Olímpio de vice. Sem esta opção, o trabalho fica mais dificil.
Por outro lado, a entrada do Deputado Celso Russomanno tem o potencial de mudar completamente o jogo. Não só porque ao contrário de Mercadante ele pode atacar com bastante facilidade Alckmin pela direita como numa sequência de elitistas completamente bocejantes oriundos da capital Russomano é um autêntico populista de cunho conservador, como cai no gosto paulista como uma luva. No verdadeiro pesadelo que se transformou a campanha de José Serra ele correria o risco de ver um Geraldo Alckmin encurralado por todos os lados, e fugindo da única forma possível: competindo contra a atual administração do estado.
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O que nem todo mundo sabe sobre o vazamento do WikiLeaks
Ao contrário de que certos espertinhos estão dizendo, não é tudo que está nos documentos vazados pelo WikiLeaks é coisa que todo mundo saberia:
As vulnerabilidades de segurança da Inteligência Americana: Se o que parece ser um analista de inteligência de vinte e dois anos consegue vazar dezenas de milhares de páginas de dados você tem um sistema vulnerável. E bastante.(Embora, segundo Adam Weinstein, na Mother Jones, esse tipo de relatório seria coisa trivial no Iraque e Afeganistão).
A disponibilidade de misseis Stinger na mão dos insurgentes: Um dos fatores que definiu a derrota dos soviéticos nos anos oitenta foi o uso desses mísseis que funcionam por detecção de calor, presente de Ronald Reagan aos grupos que formariam o Taliban. Esta seria uma vantagem estratégica e tanto para os insurgentes, já que no Afeganistão você é dependente de dois modais de transportes: helicópteros e comboios em estradas precárias (Facilmente alvo de explosivos).
Esse tipo de arma na mãos dos talibans é uma vulnerabilidade e tanto para os americanos, como apontou a correspondente de guerra Lara Logan na CBS ontem. Sejam estes mísseis restos dos anos 80, sejam estes fornecidos pelos iranianos.
O suposto apoio dos iranianos aos insurgentes: Os xiitas iranianos nunca se deram bem com os sunitas pashtuns do país vizinho, quase iniciando uma guerra em 1998. E há uma certa vontade entre círculos militares e de inteligência dos EUA com relação ao Irã(Que não perdoam pelos fatos de 1979-1981). Além do mais, qualquer armamento iraniano fornecido aos insurgentes afegãos poderia ser usado contra os iranianos.
Por outro lado, a negativa de Ahmadinejad em entrevista ao CBS Evening News de ontem soou pouco convincente: a de que os iranianos apoiariam não o Taliban, mas o povo afegão. Sei.
O WikiLeaks em si: O suspeito do vazamento, Bradley Manning, só foi capturado por causa de uma conversa por chat que ele teve com um hacker na Califórnia. Se qualquer pessoa com acesso a determinada informação pode publicá-la anonimamente e sem medo de retaliação, qualquer organização de segurança tem um problema e tanto em mãos.
Claro, o grande problema de todo o caso é justamente o que todo mundo sabe: os americanos estão perdendo no Afeganistão. As baixas nas últimas semanas giram no entorno de dezessseis mortes por semana, e como Patrick Buchanan apontou na MSNBC os mais de cento e cinquenta mil soldados da OTAN no máximo conseguem um empate com o Taliban. Sem esses soldados, Kabul seria tomada pelo Taliban em instantes. Assim como no caso dos documentos do Pentágono que vazaram em 1971, os documentos confirmam algumas das piores suspeitas sobre a guerra: um Paquistão (armado com mísseis e armas nucleares) que não é bem um aliado, pontos em que se mostra claramente a falta de efetivos.
E sim, o ponto mais importante? Se você gosta de acompanhar o noticiário internacional e não sabe uma segunda língua, você precisa urgente aprender. Depender da imprensa nacional para isso definitivamente não dá.
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Wikileaks, o vazamento e o casamento esquisito
Durante a Guerra Fria, os americanos tinham no Paquistão como seu principal aliado na região do Oceano Indico, com uma Índia bastante indefinida, tendo tentado liderar um bloco de países nãoaliados. Nunca foi um casamento particularmente doce, mas funcionou. Ao menos funcionou até que a Índia se industrializasse e fosse transformada numa das mais importantes economias do planeta e aliada natural dos Estados Unidos. O casamento ficou bastante esquisito porque os paquistaneses nunca deixaram de ver a Índia como sua principal inimiga, e ficaria ainda mais esquisito depois da ascensão do Taleban, um grupo inicialmente patrocinado pelos paquistaneses. Seria com a invasão americana do Afeganistão(Possível apenas por causa da conivência dos mesmos paquistaneses) que a coisa ficaria ainda mais esquisita.
A coisa ficaria esquisita porque os membros da Al-Qaeda e do Taleban, depois da invasão do Afeganistão passariam a andar entre as fronteiras dos dois países. Os americanos não poderiam invadir o Paquistão, então passaram a adotar uma solução pior ainda: planadores militares (Pilotados por controle remoto desde de Nevada, vale lembrar, pela CIA, não pelo Exército) que logo se mostrariam bastante brutais no tocante à baixas civis. Logo, num país com armas nucleares (E mísseis de longo alcance) os americanos logo se mostrariam impopulares como a odiada Índia(Os americanos despejariam bilhões em ajuda ao país como modesto calaboca).
Os documentos que o pessoal do WikiLeaks, junto com os jornais The Guardian e The New York Times e a Der Spiegel, ajudaram a vazar, demonstra um cenário deprimente, confirmando o que todo mundo sabia: do apoio velado do Serviço Secreto paquistanês ao Taleban, inclusive fornecendo material para atentados, uma relativa frieza com relação à mortes de civis, planadores militares que perdem o link com satélite e se mostram descontrolados(!), de que o Taliban contaria com mísseis de detecção por calor, o que deixaria helicópteros particularmente vulneráveis(O pior: estes mísseis seriam sobra de material distribuído pela CIA durante a invasão soviética nos anos 80).
O momento é de estrelato não só para o pessoal do Wikileaks como para esses órgãos de imprensa antiquados, os jornais.
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O que fazer com os desempregados dos EUA?
Países da América Latina e da Europa Ocidental sempre se sentiram razoavelmente confortáveis com taxas de desemprego caminhando pela faixa dos dois dígitos porque esses países contaram tanto com uma rede de proteção social bastante boa quanto com índices de poupança interna maiores(Certo, em muitos casos na América Latina era simplesmente porque se tinha desemprego e não se sabia o que se fazer com ele). Não é o caso dos Estados Unidos, que sempre contaram com uma estrutura social relativamente pálida e índices baixos de poupança interna, ao menos recentemente. Perder o emprego é o suficiente para jogar uma família de classe média para um trailer, como as TVs exbiram
O país se vê com seu novo dilema, com uma taxa de desemprego perto dos dois dígitos, sem sinal de melhora. Isto fica claro a cada punhado de semanas, quando o prazo do SeguroDesemprego de um punhado de pessoas se esgota e o Congresso se reúne para votar para estender os benefícios. Republicanos tentam posar de caridosos com o déficit, e defendem que os democratas achem alguma coisa provisionada para pagar a conta. Os democratas, claro, aproveitam a ocasião para pintar os republicanos como monstros sem coração.
No entanto, economistas reclamam que o SeguroDesemprego serve de contraincentivo para que as pessoas procurem emprego e não faltam casos de pessoas desempregadas há mais de dois anos. E isto não é por falta de opção. O que fazer? Pagar indefinidamente o SeguroDesemprego? Os Estados Unidos se vêem no terrível dilema sobre o que fazer com seus desempregados.
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O Judiciário definindo quem pode ou não pode ser candidato
A Lei da Ficha Limpa foi ostentada pelos mesmos suspeitos de sempre como a grande redenção da política brasileira. No entanto, há um pequeno probleminha: quem exatamente define qual político tem a ficha limpa? Os americanos permitiram que a Suprema Corte decidisse uma eleição presidencial, mas os brasileiros desenvolveram um sistema eleitoral intricado, em que toda hora o Poder Judiciário – um dos três poderes – é convocado a decidir questões triviais, como se determinado artigo é propaganda eleitoral irregular ou se determinado político que mudou de partido deve perder o mandato por infidelidade partidária. Repetindo: o poder Judiciário, que tem interferência reduzida por meio políticos – a indicação ao STF é exatamente o único controle político que o Judiciário recebe – na prática interfere e decide os eleitos pelos outros dois poderes. A Ficha Limpa só piora o processo, com promotores e juízes decidindo sobre quem pode ou não pode ser candidato.
Claro, há o pequeno problema de que processos judiciais podem ser usados para fins políticos. A grande polêmica sobre os procuradores federais durante a Administração Bush foi justamente sobre o uso do Departamento de Justiça para coibir oponentes políticos (Don Spiegelman, o exgovernador democrata do Alabama foi preso num processo para lá de irregular movido pelo Departamento de Justiça, uma funcionária estadual no Wisconsin foi condenada e depois libertada num processo que mesmo Frank Easterbrook, um juiz federal bastante conservador nomeado por Reagan considerou uma fraude). Mesmo sobre o que talvez seja o político americano mais famoso a acabar na cadeia, James Traficant, também sempre restaram as mesmas suspeitas(Embora os grandes defensores de Traficant fossem gente tão esquisita quanto seu famoso penteado).
Até agora, os tribunais impugnaram centenas de candidatos pela Ficha Limpa, e para se ter uma ideia da coisa, em Alagoas TODOS os candidatos ao governo do estado tiveram sua impugnação pedida pelos procuradores. Eu não gosto do Collor nem do Ronaldo Lessa, mas esta não é uma decisão que deve ser feita pelo Judiciário. De qualquer forma, no bizarro sistema eleitoral brasileiro colocar ainda mais poder do Judiciário sobre a eleição do outros dois poderes não é nenhum progresso, além de ser brutalmente antidemocrática, num processo que não pode ter fim. Imaginem o Judiciário impugnando um candidato popular a presidência ou ao governo de um estado grande, por exemplo.
5 CommentsFriday, July 23rd, 2010...11:47 pm
Vontade popular? Para quê?
O blogueiro Leonardo Sakamoto nos brinda com a verdadeira pérola num longo diatribe reclamando que os candidatos à presidência não defenderem assuntos como casamento gay, acesso ao aborto, eutanásia, entre outras coisas :
”Parece que, para ser candidato nesta eleição, é necessário se despir de
qualquer opinião própria e desistir de ser si mesmo para seguir um
gabarito a fim de que a maioria dos eleitores se reconheça nele e dê seu
voto. Mas é isso o que se espera de um bom candidato, que seja alguém à
minha imagem e semelhança e não uma liderança política que possa
governar o país? Devo dar meu voto a alguém que pense exatamente como eu
ou que possa levar o país a um novo patamar de civilidade e de
qualidade de vida para todos? O que é democracia? Um governo totalitário
da maioria ou um governo da maioria em que as minorias são respeitadas? “
Hmmm. Na verdade, isso é mais complicado que parece. Um candidato que mude de opinião sobre um assunto como as pesquisas de opinião dizem vai ser tachado de inconstante ou sem princípios(Ou ainda flip flopper, como os americanos dizem), o que efetivamente custou a Casa Branca para muitos candidatos. Por outro lado, o princípio básico de uma eleição é justamente que os eleitores querem, tchadã, candidatos que sigam plataformas que lhe agradem. A não ser que o Sakamoto esteja falando nas eleições egípcias ou do Iraque de Saddam Hussein. Por todo mundo é justamente isso que os candidatos que vencem as eleições fazem(Imagem e semelhança é bobagem, uma vez que a biografia dos dois principais candidatos são distantes demais da média da população).
Sim, há um regime que coloca a “liderança” acima da vontade popular. Ele se chama fascismo. Pode-se defender o casamento gay dentro dos princípios de igualdade, por outro lado alegar que dentro de um sistema eleitoral a vontade da população deva ser rejeitada é um tanto quanto absurdo. E sim, alegar que dentro do sistema legal brasileiro os homosexuais sejam “oprimidos pela maioria” é pegar pesado(Uma das razões pela quala bandeira do casamento gay é bem menos popular no Brasil que nos EUA é que muitos dos direitos do casamento são estendidos aos gays de uma forma ou outra).
E de uma certa forma é irrelevante se o presidente defende direitos como o do aborto(não que ninguém que defendesse abertamente o aborto tivesse grandes chances de ser eleito) ou do casamento gay porque isso teria que passar pelo Congresso, e ao contrário da Argentina, não é possível se valer da máquina partidária e de pura pressão para forçar o Congresso a aprovar medidas fortemente impopulares.
2 CommentsThursday, July 22nd, 2010...12:32 am
O referendo do desarmamento e as eleições
Um raro momento em que o brasileiro saiu da sua já tradicional apatia por política foi em 2005, durante o referendo sobre o desarmamento. Eu na época defendi o voto nulo porque em grande parte era um referendo que não alteraria o que na prática era um quase banimento de armas, mas era possível ver pessoas discutindo estatísticas sobre o assunto e até faixas sobre o assunto. O referendo tinha uma grande diferença sobre as eleições: a população sentia, ironicamente, que o que seria votado de fato teria alguma diferença e de que uma vitória do “Sim” produziria um país substancialmente diferente de um em que o “Não” vencesse.
Um dos pontos mais criticados sobre o eleitorado brasileiro são os eleitos para o Legislativo, em que sempre figuram celebridades, pessoas com alguma condenação ou alguma coisa bizarra, de Netinho de Paula a Enéas. Só que, convenhamos, alguém entende a forma em que os deputados são eleitos no Brasil? Mesmo uma pessoa com alguma formação política não entende porque diabos um sujeito é eleito deputado, e outro sujeito com mais votos não é. Sempre que o listão sai em novembro tudo é uma surpresa mesmo para quem acompanha política, o que dirá o cidadão comum.Isso sem contar as disparidades regionais e a lambança que são as eleições para deputados nos estados maiores(Aonde qualquer cacareco obtém mais votos que um candidato com base regional).
Isso sem contar o total distanciamento dos candidatos dos eleitores, que não podem nem escolher os candidatos por primárias e aonde os eleitores a cada dois anos assistem os candidatos arruinarem a paisagem urbana com faixas e carros de som, ao passo que quase todo tipo de manifestação própria dos eleitores sobre o assunto é coagida. O povo não vota consciente pela mera razão de que ele não pode participar do processo, e qualquer um interessado no assunto deveria revisitar o referendo de 2005.
3 CommentsTuesday, July 20th, 2010...11:44 pm
Uma campanha muito esquisita
A campanha presidencial brasileira está um tanto quanto bizarra. Primeiro, que Dilma Rousseff parece mais uma versão feminina do típico candidato pemedebista de uns dez anos atrás. Dilma Rousseff andou até flertando com uma versão brasileira dos vouchers, só que para Ensino Médio, o que é um tanto bizarro para uma candidata dita da esquerda. O mais bizarro é que dentro dos sempre militantes trotkistas, stalinistas e todos os istas da esquerda brasileira não surgiu ninguém patrocinando nenhum outro candidato realmente forte.
E tem a ainda mais bizarra campanha de Serra, que parece misturar uma versão mais agressiva e escancarada da campanha de John McCain com o da sua própria campanha de 2002. Duas campanhas vencedoras, como se sabe. O ponto é fazer promessas vagas, fazer as acusações mais absurdas possível(como relações com as FARC ou sabe-se lá o quê) e ainda se pintar como vítimas de dossiês e sabe-se lá o quê. É uma estratégia vencedora, como se sabe. Logo Serra vai acusar Dilma Rousseff de envolvimento com a Al-Qaeda.
(O pessoal lá anda tão fora da realidade que andaram anunciando uma carta de compromisso social ou algo que o valha. Provavelmente, apenas para lembrar os eleitores disto)
E sim, tem o bizarro companheiro de vice de Serra. O Cavalo Louco . Aliás, aonde foi que acharam este cara? Ao menos ao contrário de Sarah Palin e Dan Quayle ninguém podera dizer que ele teria o maior arsenal nuclear do planeta à sua disposição caso Serra, se eleito, tivesse um ataque cardíaco…
3 CommentsMonday, July 19th, 2010...12:54 am
De Lincoln a Carter
Um ponto em comum entre as duas principais reformas que Barack Obama aprovou - as reformas da saúde e financeiras - é de que mesmo entre os especialistas haviam um consenso de que ninguém sabia explicar direito o que cada reforma faria. Alguns brasileiros chegaram a achar que Obama queria mesmo um SUS americano, embora não havia nada previsto em nenhum dos projetos. A reforma financeira vai pelo mesmo caminho, com mesmo Joe Biden concordando que quase ninguém entendia direito o que havia no projeto. São pontos que obviamente ajudam estas reformas a serem mais impopulares que deveriam ser - como alguém vai apoiar uma reforma que não entende direito? - e isso num ambiente de desemprego sempre rondando na casa dos dois dígitos.
Outro ponto foi levantado pela estrategista republicana Mary Matalin: Obama precisaria ser alguma coisa. Obama tenta agradar a todo mundo e não agrada a ninguém, tenta ser tudo ao mesmo tempo e acaba não sendo nada.Um dos ataques mais marcantes contra um político nos EUA é acusação de ser um flip flopper, um candidato que altera as posições o tempo todo por motivos políticos,como se estivesse manipulando os eleitores.Poucas coisas tiraram mais votos de John Kerry que as imagens dele numa prancha de windsurfe, ao som de Tchaikovsky, enquanto o locutor dizia que ele havia votado contra a guerra, a favor da guerra e contra novamente, e que ele votaria de acordo com a direção ao vento.
Não é uma imagem boa para um presidente eleito. Obama, que era comparado a Lincoln e Roosevelt nos primeiros meses de mandato precisa provar agora que não é Jimmy Carter.
Comments OffFriday, July 16th, 2010...1:23 am
Diga-me como blogas…
A pesquisa com linguagem falada já indicava uma forte relação entre a lingua e a personalidade. Por exemplo, neuróticos tem predileção por palavras negativas, tipos agradáveis com palavras ligadas à socialização, e por aí vai. Tal Yarkoni, do departamento de Psicologia da Universidade do Colorado, fez um estudo sobre a linguagem utilizada em blogs e descobriu que ao invés das pesosas se projetarem com uma imagem idealizada, como se imagina, havia uma forte correlação com a personalidade dos autores.Blogueiros neuróticos usavam mais palavras associadas com emoções negativas, blogueiros extrovertidos usavam mais palavras ligadas a emoções positivas, blogueiros com alto placar em agradabilidade evitavam palavrões, e usavam mais palavras relacionads a cordialidade.enquanto blogueiros mais meticulosos mencionavam mais palavras com conotações de realizações.
Segundo o estudo, uso ironia também era relacionada com neuróticos e extroversão com a categoria de palavras “bebidas”. hmmm
Comments OffThursday, July 15th, 2010...10:25 pm
A pandemia acabou
Margaret Chan - que como Presidente da OMS teve a definição final sobre os alertas sobre a Gripe H1N1 - admitiu que a agência cometeu vários erros durante a dita crise da dita gripe e de que uma comissão será criada para avaliar de “forma franca e crítica” a atuação da agência durante a “crise”. A OMS já havia sofrido fortes críticas de conflitos de interesse ao declarar a epidemia.
Bem, ao menos Chan admitiu as suas falhas, apesar de ainda ser desonesta. Seria interessante escutar as mesmas desculpas das autoridades de saúde no Brasil - que tomaram medidas muito mais violentas que as vistas em outros países- e em especial da imprensa brasileira, particularmente histérica durante a “crise“, fizessem o mesmo.
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