Thursday, August 21st, 2008...1:57 am
As eleições presidenciais, Estados Unidos, Internacional
Obama no Brasil

Os fãs brasileiros de Barack Obama podem ficar felizes porque há uma visita programada do Senador ao Brasil. Obama programou um tour pela América Latina: México e Brasil estão confirmados, Chile provavelmente entrará no meio. Obama não irá a Colômbia por causa da oposição entre sindicalistas a um tratado de livre comércio com o país(Blá).

Se Obama vai ficar no aperto de mãos com Lula ou encarar multidões ninguém falou nada ainda. Mas eu, francamente, perguntaria a ele sobre o seu apoio aos subsídios agrícolas se o encontrasse na rua…

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Wednesday, August 20th, 2008...11:22 am
As eleições presidenciais, Estados Unidos
A caminho de Denver

Obama ficou de anunciar seu vice esta semana, a ponto de ambos já terem campanha marcada para sábado. A escolha final ainda estaria para ser definida: segundo especulações o nome mais forte seria do governador da Virginia Tim Kaine. Obama marcou vários compromissos de campanha para o estado esta semana(E bem, o governador é um dos poucos especulados para o cargo que não foi perfilado aqui, falha nossa). McCain anunciaria em seguida.

Meu ponto foge um pouco da narrativa convencional: Obama deveria escolher um democrata com base no Oeste, com ranking impecável da NRA e alguma experiência administrativa. Um candidato com histórico tão ruim no assunto armas é muito vulnerável, ainda mais considerando que estados como Colorado e Michigan fundamentais para uma vitória de Obama. O problema de Tim Kaine é que ele foi eleito em grande parte porque a Virginia não permite a reeleição de governadores, e Kaine foi eleito como sucessor do extremamente popular Mark Warner.

Warner, que na convenção democrata em Denver será uma das estrelas.

***

Enquanto isso, a Zogby lança a primeira pesquisa em que McCain aparece na primeira posição, por cinco pontos, sem superar a marca dos 50%.

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Monday, August 18th, 2008...10:53 pm
As eleições presidenciais, Estados Unidos
É a economia, estúpido

Um grupo de quinze líderes democratas, incluindo governadores, congressistas e líderes partidários pediram a Obama que clarificasse sua mensagem de esperança e detalhasse sua proposta econômica. A maioria é de estados do Sul, aonde os democratas costumam misturar um discurso social mais pragmático e enfâse à economia para vencer. Phil Bredesen, Governador do Tennessee, diz de forma enfática: “Ao invés de grandes discursoos em grandes estádios ele precisa dar respostas diretas em dez palavras às pessoas no Wal-Mart sobre como ele pode melhorar suas vidas”. Ted Strickland, governador de Ohio diz:”Tudo bem falar às pessoas sobre esperança e mudança, mas você tem que ter muitas idéias concretas, pragmáticas que trazer esperança e mudança à vida”.

Strickland e Bredesen são dois governadores extremamente populares em estados não muito amigáveis aos democratas. Eles sabem o que dizem. Dave “Mudcat” Saunders, um estrategista da Virgínia que é responsável vitórias democratas no Estado(Desde de 2000 que os republicanos não vencem uma eleição para governador ou senador por lá) criticou o elitismo da campanha de Obama e foi mais enfático ainda: A campanha de Obama acha que isto vai ser vencido na internet. Mas aqui(Nota: a entrevista foi feita em Roanoke, no extremo oeste e rural da Virginia) às cinco e meia da tarde eles não vão para a maldita internet, eles assistem ao The Andy Griffith Show”.

Saunders admitiu que McCain pode vencer Michigan e ainda manter Ohio e Flórida(O que tornaria uma vitória quase que impossível) e que se Obama não mudar de rumo não vence na Virginia também. O estrategista ainda reclama que uns dezporcento dos caipiras acham que Obama é muçulmano porque ninguém disse a eles o contrário, que Obama deveria enfatizar justiça social e econômica.

Em maio, Harold Ford Jr., um ex-congressista(ele perdeu uma eleição concorrida para o Senado no Tennessee em 2006) e amigo pessoal de Obama já havia recomendado ao candidato democrata se encontrar com trabalhadores no Sul, dizer que ele entende eles e que pode fazer suas vidas melhorarem.

É um pessoal que parece conhecer as regiões em que vivem. Obama não faria mal em ouví-los.

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Saturday, August 16th, 2008...5:34 pm
Brasil
O tamanho de Brasília

Brasília é uma capital federativa particular porque não é uma cidade de grande porte que também é uma capital financeira ou uma cidade que concentra uma fatia desproporcional da população de seus países(Como Buenos Aires ou Ciudad de Mexico). É uma cidade administrativa, construída particularmente para isso, aonde uns 40% da população é empregada diretamente pelo governo. Só a população do Distrito Federal tem 2,4 milhões de pessoas, 3,2 milhões em toda a chamada região metropolitana da cidade. Mais que a população da Região Metropolitana de Campinas, não muito menos que da Baixada Fluminense e mais que a população de estados como Mato Grosso do Sul e Tocantins. Mais que Las Vegas, outra metrópole construída no meio do nada(Se bem que Las Vegas sempre foi um entrocamente ferroviário e depois rodoviário importante).

Pode-se alegar que a Região Metropolitana de Washington DC tem cinco milhões de habitantes, mas bem, falamos de uma cidade que fica na região mais populosa do país, um importante entrocamento viário. Boa parte da economia dos subúrbios da cidade não depende do governo federal. Por outro lado, bem, Brasilia fica no meio do cerrado, com Uberaba, Uberlândia e Goiânia, as grandes cidades mais próximas. E muitas das autarquias federais não são sediadas em Brasília.

O que claro, nos leva a pensar o que teria ocorrido se o Rio de Janeiro tivesse mantido a posição de capital federal(Talvez uma megalópe inadministrável entre São Paulo e Rio de Janeiro). Mas de qualquer forma, o tamanho que Brasília atingiu mereceria uma reflexão maior.

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Friday, August 15th, 2008...3:36 pm
As eleições presidenciais, Estados Unidos
Obama e o sujeito velho de cabelo cinza

Não é difícil encontrar defeitos em John McCain. O mais perigoso é que ele parece compartilhar o que talvez seja o maior defeito de Ronald Reagan: a idade avançada, o que fazia com que faltasse uma pessoa para controlar as coisas e dar um não quando necessário. Cada um tinha seu feudo pessoal: William Casey tinha o seu na CIA, levando sua obssessão pessoal com Muamar Kadafi e os Contras ao últimos limites(Casey só saiu do cargo da chefia da Inteligência ao morrer em 1987, sobrevivendo ao atentado contra os quarteis americanos em Beirute em 1983 e ao Irã-Contras), James Watts tinha o seu no Departamento do Interior enquanto Donald Regan tinha o seu parquinho no Tesouro e em boa parte do gabinete. Não é a toa que chegou um momento que Robert McFarlane traficava todo tipo de armas bem no nariz de Reagan.

McCain demonstra ser influenciado por seus assessores da mesma forma. Isso fica claro pela mudança sistemática de opiniões. Primeiro, quando McCain decidiu usar seu histórico militar na campanha(Coisa que era contra), depois pelos ataques contra Obama e ainda a questão da exploração de petróleo em alto mar(Percebam que quando a campanha de McCain toca no assunto McCain, originalmente contrário à idéia, parece perder todo pingo de originalidade). Basicamente, uma administração McCain seria um lugar em que gente como Carly Fiorina, Phil Gramm, Michael Goldfarb, entre outros, fariam o que quisessem.

Só que há um detalhe: Reagan era relativamente comedido ao usar o exército. Ele atacou uma ilhota no Caribe depois que suas forças militares sofreram o pior atentado terrorista até então(Beirute, 1983). Por mais que a invasão de Granada soe como uma coisa idiota, bem, poderia ter sido pior. Apesar da corrida armamentista e do apoio ao Talebã, Reagan sabia que não poderia enviar tropas para tudo quanto é canto gratuitamente. McCain, pelo contrário, parece não ver limites para isso.

McCain provavelmente seria triturado a la Bob Dole se o candidato democrata fosse um governador experiente de um estado relativamente conservador(exemplo, Phil Bredesen do Tennessee ou Katlhleen Sebelius do Kansas). Um governador com histórico claro na economia e que soubesse fazer campanha com todo tipo de gente. Como o candidato democrata é um sujeito que fez carreira política num dos bairros mais liberais de uma das cidades mais liberais do país(O seja, nunca enfrentou uma disputa séria) e tem experiência eleitoral quase nula os democratas têm que lidar com uma vantagem eleitoral mínima nas eleição geral(E uma vantagem que simplesmente se dissolveu em quase TODOS os swing states importantes).

McCain pode ser tosco? É. Mas é um tosco bastante próximo da Casa Branca.

***

E sim, não adianta negar: esta é uma eleição sobre Obama. Obama atraiu centenas de milhares de pessoas na Europa, McCain viajou praticamente incógnito na América Latina. McCain não aparece na capa da Veja, Obama sim. Logo, é claro que Obama, não o sujeito supervelho de cabelo cinza que acaba tendo mais atenção neste blog.

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Monday, August 11th, 2008...10:11 am
Brasil
O voto consciente me fez adotar o voto nulo

Eu tirei meu titulo de eleitor com dezesseis anos e me lembro de quase todos os votos que eu fiz desde de então. Mas de 2002 para cá fui atraído irrevogavelmente pelo voto nulo. Claro que descobriria que invariavelmente o sistema jogaria contra a minha pessoa: como eu não posso doar dinheiro diretamente para candidatos mas os bancos e outras empresas regulamentadas podem é óbvio que os candidatos preferem ouvir a Mendes Júnior e o Bradesco que eu. Ainda mais que o voto obrigatório e a Propaganda Eleitoral Gratuita fazem com que campanhas caras que trabalhem com marcas sejam mais importantes que o famoso corpo a corpo(Isso sem contar a inexistência de voto como “write-in”, da candidatura de independentes, de distritos, da existência do voto obrigatório ou ainda da força do voto na legenda).

Mas o principal motivo que me fez escolher o voto nulo é o discurso do voto consciente. Isso é a coisa mais insuportavelmente arrogante que eu já vi já que é o discurso de parte da classe média querendo se mostrar mais educada e “consciente” que o populacho. E claro, parte da ridícula idéia de que se a população soubesse votar(Como se fosse possível ter uma carga completa de informações sobre o candidatos antes de votar) todos os problemas estariam resolvidos. Isso sem contar que tem sempre um imbecil que reclama de falta da tal consciência política de quem vota nulo, como se os escritores anarquistas que defendem o voto nulo/não voto não tivessem uma doutrina política elaborada.

Vejam que coisa de gente pequena: o tal voto consciente é o voto de gente que com concorda com a gente.

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Sunday, August 10th, 2008...9:12 pm
As eleições presidenciais, Estados Unidos
McCain e os democratas

A campanha de McCain lançou o vídeo acima, em que uma série de democratas elogia John McCain, tentando reforçar a imagem de moderado. Isso mostra o toque de Steve Schmidt, um ex-protegido de Karl Rove, o novo gerente de campanha de McCain. Schmidt trabalhou na campanha de Arnold Schwarzenegger em 2006, reforçando a sua imagem de moderado num estado de tendência democrata. Deve fazer o mesmo com McCain.

Finalmente a campanha de McCain mostra maior organização. E Obama fica em situação mais vulnerável.

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Sunday, August 10th, 2008...8:11 pm
As eleições presidenciais, Estados Unidos
O Barack Obama que não existe

Vez ou outra apoiadores de Barack Obama reclamam sobre o tom que eu coloco sobre o candidato por aqui. Já discuti várias vezes sobre isso, mas há um ponto desconfortável: as pessoas basicamente idolatram um Barack Obama que não existe, A imagem que as pessoas tendem a fazer de Obama é de um político que não condiz com seu histórico de votação nem com seu governo(Se alguém aí acha que promessas e planos de candidatos são um espelho sincero, bem, tenho uma ponte baratinho para vender em São Paulo). Alguns tentam vender um Obama isolacionista, como se ele não tivesse votado pela manutenção do Patriot Act. Já vi gente que achava que Obama fosse acabar com os subsídios agrícolas, como se ele não tivesse apoiado isso por toda a sua carreira política.Aliás, sendo assessorado por Madeleine Albright(Que disse que o preço compensava quando perguntada sobre o meio milhão de crianças mortas pelas sanções contra o Iraque), Zbigniew Brezinski e Tom Daschle alguém ainda acredita em mudança? Mudança, que mudança?

Pode-se alegar que bem, Obama, filho de uma mulher branca de classe média e um imigrante de um dos grupos étnicos de melhor renda nos EUA(Os imigrantes de países africanos) com um sotaque que foge totalmente do sotaque dos negros americanos seria negro, mas a única justificativa para isso seria para reforçar a tese conservadora de que o racismo não existe nos Estados Unidos(Como se um dos estados com maior proporção de negros não tivesse um governador com ligação com grupos racistas ou ainda que Obama não estivesse entre um grupo de políticos que se conta nos dedos de uma das mãos de negros que se elegeram para cargos eletivos em nível estadual depois da Reconstrução). Obama? Movimento? Que movimento?

E vale lembrar que alguns dos mais sanguinários tiranos dos últimos cem anos foram negros.

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Sunday, August 10th, 2008...7:42 pm
Esporte
Os jogos da tirania

Talvez o pior aspecto do fato de um regime atroz como o chinês usar as Olímpiadas como forma de propaganda e promoção é que, bem, isso é tremendamente comum. Desde das Olímpiadas de Berlim em 1936 até as Olímpiadas de Moscou em 1980(Esta realizada após a Invasão do Afeganistão) e passando pelo fato de que países como Cuba, todos os países do Pacto de Varsóvia e a própria China terem utilizado os números de medalhas como propaganda. Há outros exemplos também: 1968 não foi somente o ano em que as Olímpiadas foram realizadas na Cidade do México mas também o ano do sangrento massacre de estudantes em Tlatelolco, que nunca se conseguiu estimar ao certo o número de vítimas(Por mais que se fale em centenas).

Um dos problemas é que os esportes aonde há maior abertura para se ganhar medalhas são justamente os esportes com ligas esportivas menos poderosas e ricas, como atletismo, natação, ginástica. São esportes com grandes números de adeptos, mas que não movimentam tanto entusiastas, telespectadores e em especial dinheiro que esportes como o golfe, futebol, basquete, ciclismo ou tênis. A glória para um corredor está nas Olimpíadas e por mais que se fale na Maratona de Nova York ela não atrai tanta atenção quanto o SuperBowl ou Wimbledon e aonde políticas públicas fazem mais diferença. A estrelas olímpicas nunca atrairam o mesmo dinheiro que os atletas de outros esportes.Se um governo, mesmo que de uma super-potência, quisesse criar um time de futebol campeão mundial teria que encarar as fábricas de craques que são as várzeas dos países europeus e a estrutura bilionária do esporte. No caso de esportes majoritamente popuiares nos Estados Unidos o máximo que os comunistas conseguiram fazer foi brigar por um nem sempre honroso segundo lugar. Não é de se surpreender que seria apenas depois da derrocada do comunismo que as chaves femininas do tênis seriam dominadas por russas, sérvias, croatas e outras moradoras dos países comunistas.

Por outro lado é muito mais fácil para Fidel Castro mostrar serviço na natação e no atletismo. O que, explica, em parte, dos Jogos Olímpicos se associarem com mais facilidades a alguns dos piores regimes do planeta do que com os famosos ideais olímpicos.

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Saturday, August 9th, 2008...11:01 pm
-São Paulo-
Soninha e as bicicletas

O rol de candidatos a prefeito de São Paulo é o mais horrendo possível. Há o prefeito atual, um sujeito que vive nas calças do seu Secretário de Sub-prefeituras, um ex-governador de histórico ruim, uma ex-prefeita histérica que alternava algumas boas idéias(Bilhete Único) com gestão financeira ruim e a nossa pequena aprendiz de Ralph Nader, Soninha Francine(Nader é um político mais interessante que Soninha, mas temos aqui uma ironia).

O fetiche da candidata por bicicletas já foi discutido aqui. Mas há outros pontos. O problema é que boa parte da visão de Soninha sobre assunto se assemelha a muitas campanhas ambientais como aquelas que pregam economia de água ou reciclagem: são assuntos que entram na pauta de discussão porque envolvem ações para que as pessoas se sintam fazendo um bem maior à comunidade, não porque sejam soluções a longo prazo. É meio o fator Al Gore: eu ando de bicicleta, não poluo, ao contrário de você, motorista. E claro, nem todos contam com a facilidade de se morar numa área central da cidade.

E bem, por mais que se fale em status, luxo ou o diabos carro acaba virando necessidade em qualquer cidade brasileira porque elas foram construídas visando os carros, não as pessoas. Por exemplo: ande pelas três, quatro horas da manhã da madrugada de sábado para domingo perto das estações de Metrô da Avenida Paulista ou da Vila Madalena e só se vê gente esparramada no chão esperando o metrô abrir. Conta-se nos dedos as linhas noturnas da cidade. Há a questão do tamanho minúsculo do metrô da cidade, entre outras coisas. Não adianta querer culpar quem compra carro se mesmo o mais ardoroso tree hugger se sente compelido a comprar um porque, bem, basicamente ele é tratado como cidadão de segunda classe se não for proprietário de um.

E há outros pontos: como construir ciclovias sem afetar o espaço dividido por ônibus e carros e as calçadas? Há a topografia também: não é por acidente que em cidades planas como Taubaté e nas cidades do litoral que seu uso está mais estabelecido. Claro que há medidas plausíveis no tocante ao assunto. A cidade têm falta de passarelas, faltam espaços para ciclistas. Mas a rotina de quem precisa se transportar dentro da cidade de São Paulo é infernal e bem, ela exige bem mais que bicicletas.

Por fim, outra idéia ruim da Soninha é o pedágio urbano no CENTRO da cidade. As duas últimas décadas foram justamente marcadas pela fuga de empresas da região central da cidade para as marginais e para o eixo Faria Lima-Berrini. Regiões da cidade que não são servidas pela metrô e que enfrentam problemas de trânsito. Não me parece que incentivar ainda mais esse processo seja razoável(E fazer isso numa área mais ampla pode simplesmente provocar a fuga de empresas para Alphaville ou para o interior).

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Saturday, August 9th, 2008...1:55 pm
Estados Unidos
John Edwards, o canalha

O assunto da semana nos meios políticos americanos é a descoberta de que John Edwards, o queridinho das menininhas liberais teria um filho com uma outra mulher que sua esposa. Detalhe-sua esposa tem câncer. Edwards está sendo criticado porque se ele tivesse obtido a nomeação democrata teria custado a presidência ao seu partido e por ter mentido. Não entendo. A maioria dos escândalos sexuais envolvendo políticos sempre teve fins mais dramáticos - Newt Gingrich, o ex-Presidente da Casa de Representantes entregou o divórcio para sua esposa quando estava definhando no hospital. E estamos falando de John Edwards.

Edwards começou sua carreira como advogado. Não um advogado qualquer, mas um advogado especializado em arrancar milhões de dólares de médicos por erros médicos e coisas do tipo e este tipo de processo é uma das razões que explicam o alto custo. Pior, Edwards sempre tratou o assunto como se fosse caridade. Depois, Edwards foi eleito senador pela Carolina do Norte, aonde ele se alinhava com os democratas mais conservadores do Senado, a ponto de patrocinar junto com John Lieberman a primeira resolução da Guerra para o Iraque. Depois que Edwards saiu do Senado e foi tentar a carreira como candidato à nomeação democrata, aonde se exige o discurso mais a esquerda possível. Daí, surpresa, Edwards descobre seu lado ultra-esquerdista.

Russ Feingold(D-Wisconsin), o único senador que votou contra o Patriot Act reclamou sobre Edwards: ” Ele usa meu histórico de votação como a plataforma dele, mesmo que ele tivesse o recorde oposto de votação. Quando você tem a oportunidade de votar de certa forma e você não faz, e há certamente vezes que você faz um erro, a noção de que você vota de certa forma quando você joga o jogo em Washington e de outra forma quando você está disputando a presidência há alguma coisa ai”.

Edwards, mentindo? Contem uma novidade. O cara é um pulha.

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Friday, August 8th, 2008...7:04 pm
As eleições presidenciais, Estados Unidos
O mesmo caminho de John Kerry

John McCain têm abandonado o terno e a gravata em suas aparições públicas. Ele só aparece de boné e camisa, como se fosse um proletário. Claro que pode parecer um tanto forçado para um sujeito casado com uma herdeira de uma distribuidora de cerveja, mas para boa parte do eleitorado americano aparências que contam. Os americanos, em especial os independentes de meia idade valorizam esse senso de identificação.

Obama também têm tentado parecer mais casual, adotando uma vestimenta mais casual e tons mais espontâneos, com menos multidões e mais contato direto com os eleitores. Mas infelizmente ele parece ainda soar um tanto que urbano e menos pessoal que Obama. Obama parece cair na mesma armadilha que John Kerry: um eleitorado jovem demais, que na maioria dos estados não é o suficiente para superar o eleitorado mais velho(A molecada parece ter qualquer desculpa para ficar em casa em dia de eleição, enquanto o pessoal de meia idade que vota de forma fiel). E claro, alta rejeição entre o público mais velho e uma certa imagem de elitista e arrogante.

As pesquisas, aliás, também parecem repetiri a mesma oscilação que em 2004.

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Friday, August 8th, 2008...6:53 pm
Europa, Russia
Começa a Guerra

Enquanto Bush e Putin assistiam à soporífera cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos tropas russas e da Geórgia entravam em confronto aberto na região da Ossétia do Sul na que talvez seja uma das maiores crises da Europa desde da Guerra da Iugoslávia. Na verdade, é um confronto bastante próximo ao ocorrido na região dos Balcãs: uma província separatista de população distinta do resto do país e que simpatiza mais com um país vizinho que com o país de origem. E claro, uma possibilidade de um banho de sangue maior que em Kosovo e na Tchechênia.

E por mais que a OTAN apóie a Georgia, bem, as potências ocidentais estão amarradas. Os russos fornecem boa parte do gás natural para a Europa e estamos falando de uma potência nuclear com um dos maiores exércitos do planeta. E isto tudo se desenrrolou enquanto Bush combatia guerrilheiros em países de poder militar mínimo.

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Saturday, August 2nd, 2008...11:13 pm
América Latina
Paga-se poucos impostos na América Latina?

Coluna de Andrés Oppenheimer, no The Miami Herald.

Agora é oficial: os latino-americanos pagam menos impostos de que os habitantes de quase todas as outras regiões do mundo.

Dois novos estudos da Comissão Econômica para a América Latina e Caribe(CEPAL) das Nações Unidas dizem que a arrecadação dos governos latino-americanos não é somente inferior à dos 30 países mais industrializados do mundo, mas também é inferior ao do Sudoeste Asiático e da África.

Muito bem, muitos de vocês devem estar esboçando um sorriso neste momento e pensando: “Oppenheimer, descobristes a roda! Não sabia que a sonegação de impostos é um dos esportes prediletos da região há séculos? Nunca se perguntou sobre o dinheiro para a compra das torres de apartamentos de luxo em Miami?”

Certo, muitos dos economistas assinalam os baixos níveis de arrecadação de impostos na América Latina. Atribuem, em geral, ao tratamento preferencial que empresários amigos do governo da vez obtém, a evasão fiscal generalizada(”Para que pagar impostos, é igual a roubar funcionários corruptos”) e uma enorme economia clandestina - 43% da economia latino-americana, segundo o CEPAL - que por definição não paga impostos.

Mas estes novos estudos têm informações interessantes. Deles se descobre que em uma das regiões com maior nível de desigualdade do mundo - aonde convivem os pobres com um dos três homens mais ricos do mundo, o magnata mexicano das telecomunicações Carlos Slim - os pobres estão pagando por uma parcela da arrecadação tributária.

Isto ocorre porque a maioria dos países da região arrecadam muito pouco com impostos diretos sobre a renda e propriedade e os governos recorrem a impostos diretos, como o imposto de valor agregado aos bens de consumo. Estes impostos, proporcionalmente, pesam muito mais no bolso dos mais pobres que dos mais ricos, dizem os estudos.

Entre os pontos mais interessantes dos estudos da CEPAL:

* Enquanto os estados europeus arrecadam uma média de 16,4% do produto interno bruto com impostos de renda e propriedade, Estados Unidos arrecadam 17% com estes impostos, os países do sudesta asiático uns 7%, os países africanos cerca de 6,3% e os países latino-americanos apenas 5,6%.

*Enquanto os impostos sobre a propriedade são em mais de 4% do produto interno bruto da França e 3% dos Estados Unidos, representam apenas 0,8% do Produto Bruto Latino Americano. (Argentina e Brasil arrecadam cerca de 3% do Produto Interno em impostos sobre a propriedade, mas o México, Peru e Equador arrecadam apenas 0,3% e El Salvador apenas 0,1%.

* Enquanto os 30 países mais industrializados do mundo arrecadam mais de 70% de seus impostos na renda e propriedade dos índividuos e 29% das corporações, na América Latina ocorre justamente o contrário. Os 65% dos impostos sobre a renda das empresas e apenas 35% sobre os indíviduos.

“Muitas empresas transferem estes preços e transformam em imposto sobre consumo, em que termina pagando o consumidor” assinalou o economista da CEPAL Juan Pablo Jiménez.

A CEPAL recomenda, além de se reduzir a evasão fiscal aumentar a porcentagem de impostos sobre as pessoas, em lugar das empresas. Isso aumentaria a arrecadação, assinala.

Minha opinião: estou de acordo. Mas a prioridade da região deveria ser aumentar o número de pessoas que trabalham na economia formal, pagando impostos diretos. Atualmente, mais da metade dos latino-americanos trabalham na economia clandestina, em grande parte porque as atuais leis trabalhistas fazem com que as empresas não queiram contratar novos empregados.

Segundo o Banco Mundial, na Venezuela e na Bolívia as empresas não podem demitir um empregado, algo que não ocorre nem na China comunista - por mais que o trabalhador exagere na siesta. A Argentina exige que as empresas paguem 139 semanas de salário a um empregado demitido, mesmo quando as empresas podem demonstrar que o trabalhador não cumpriu seu dever. Comparativamente, Estados Unidos, Dinamarca e Nova Zelândia permitem demitir um empregado incompentente sem pagar um centavo, para incentivar o aumento do emprego.

Enquanto grande parte da economia latinoamericana permanecer no setor informal não se poderá elevar a arrecadação e não será um mistério que os países não tenham mais sucesso em melhorar seus índices de educação, saúde e desenvolvimento economico.

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Saturday, August 2nd, 2008...2:27 am
-São Paulo-, Brasil
Soninha, a elitista

Eu não sou muito fã da Soninha Francine. Primeiro, porque o PPS se transformou numa coisa tão ridícula e insignificante que não votaria neles mesmo se Salma Hayek ou Emanuelle Beart fossem candidatas pelo partido. Segundo, a novela dela da saída do PT foi um espetáculo de hipocrisia(Afinal, Soninha saía de oposição ao governador e da prefeitura para entrar na base aliada) mas ainda assim defendia a tal fidelidade alegando que o partido, não ela, havia mudado.

De qualquer forma, vamos lá. Soninha tem se destacado pela bicicleta. Ela vai aos debates e de um canto ao outro de bicicleta, como se dissesse: “Olha como eu sou uma boa cidadã. Eu não poluo, sou muito melhor que você que anda de carro”. Ela também têm colocado a idéia de ciclovias, ciclofaixas, etc como se isso fosse a solução para o trânsito de São Paulo. Eu não nego que exista falta de ciclovias em São Paulo, que deveria-se haver um quadro mínimo de proteções e serviços aos ciclistas e de que este é um esporte de risco na cidade, e isto não deveria ser assim.

Por outro lado, quando Soninha defende o uso da bicicleta como solução em larga escala para o trânsito da cidade ela está sendo elitista. É fácil para ela, que mora em Perdizes, andar de bicicleta de um canto a outro da região central da cidade. Por outro lado, para quem mora em Perus, Itaquera, Guaianazes ou em outros extremos da periferia a idéia é irrealista. Soninha no último debate alegou “Ninguém precisa ser atleta para andar de bicicleta. Prova disso sou eu, que sou sedentária e andei 9 quilômetros até aqui.” Mas pode-se levar mais de quarenta quilômetros para se ir de um canto a outro da cidade(Exemplo, de Perus a Santo Amaro).

Numa cidade com claros problemas de transporte de massas e de infraestrutura querer centrar a questão nas bicicletas é esquecer a maior parte da população que mora na periferia. E não é uma solução de longo alcance.

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Friday, August 1st, 2008...10:57 pm
As eleições presidenciais, Estados Unidos
Começou

Mês de agosto em ano bissexto geralmente é o mês em que começa a baixaria eleitoral nos Estados Unidos. Convenções partidárias acabando ou começando e quatro meses para as eleições presidenciais, candidatos não economizando esforço para destruir a reputação dos seus oponentes. A campanha de McCain não irá fugir do programa.

A campanha de McCain lançou dois anúncios esta semana. Em um deles Obama é chamado da maior celebridade do mundo, mas pergunta se Obama está pronto para liderar(O slogan “Is He ready to lead?”, repetido à exaustão nos anúncios de McCain parece lembrar o slogan “America can´t afford that risk” que os republicanos usavam nos anúncios atacando o então candidato Michael Dukakis em 1988). Em outro, Obama é comparado a um messias, com direito a Charlton Heston como Moisés.

O primeiro anúncio causou polêmica pela aparição rápida de Paris Hilton e Britney Spears, o que levou vários comentaristas a acusarem McCain de racismo por comparar Obama a duas branquelas descerebradas(Discordo. Comparar com Snoop Dogg ou 50 Cent que o seria). Os pais de Paris Hilton, claro, não curtiram o anúncio(Ambos apoiam McCain).

Mas Obama entra num terreno perigoso. A resposta de Obama aos anúncios é ineficiente ao acusar seu oponente de jogo sujo ao invés de rebater as acusações e para piorar ele permitiu que McCain desse a última palavra num assunto de vital importância aos americanos: energia. Os republicanos tem usado a oposição dos democratas a exploração de petróleo em alto mar para relacioná-los aos altos preços da gasolina. E pior, quando seus apoiadores acusam quem ataca Obama de racismo entram num terreno muito perigoso.

O uso da raça ou qualquer menção a ela não é muito popular. Em 2006, Harold Ford Jr., candidato democrata ao senado no Tennessee acusou um anúncio dos republicanos de racismo e no final acabaria sendo derrotado.

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Friday, August 1st, 2008...6:08 pm
Brasil
As FARC e o Brasil

A revista colombiana Cambio publicou que emails encontrados no computador de Raul Reyes relacionariam as FARC a altos funcionários do Brasil e claro, já há a discussão naqueles termos agradáveis que só se vê no Brasil. Há dois pontos: primeiro, o governo colombiano não nega os emails, e considerando a quantidade de dados existentes nos computador apreendido e o fato da Interpol ter confirmado que o dito não sofreu alterações uma fraude parece eliminar qualquer suspeita de fraude.

Agora, lendo o texto da revista há a indicação de que vários políticos do PT e do PSOL teriam desenvolvido um esforço pela não extradição de um membro das FARC(casado com uma brasileira), doado quantias de dinheiro(Os valores citados pela revista variam de 33 a 833,33 dólares) e conseguido um emprego para a mulher do contato das FARC aqui no Brasil no Ministério da Pesca. O trecho em que Lula aparece seria sobre a disposição participar de um acordo humanitário no caso Ingrid Betancourt(Como citado pela imprensa na época). Há um trecho bizarro que recomenda aos membros da FARC no Brasil fotografarem e gravarem agentes de informação que os interrogarem para que estes depois acertem as contas com o Serviço Brasileiro de Informação ou com a Polícia Federal. Mesmo em Brasília é difícil acreditar que isto, não agentes da PM fossem o principal fator para membros de uma guerrilha estrangeira. E mesmo com celular é dureza filmar policiais.

Com relação ao emprego de Ângela Maria Slongo, se levada em consideração a nota dos petistas não é exatamente um cargo de confiança. Ela, servidora concursada da Secretaria da Educação do Paraná teria sido emprestada para a então Secretaria da Pesca e esse tipo de ação não é rara. É muito comum professores da rede estadual, por exemplo, emprestados para municípios. Que há muita gente no PT que é simpatizante de membros da esquerda radical que praticam atos violentos não é novidade: vide o caso dos sequestradores de Abílio Diniz.

Mas tirando alguns sindicatos de Brasília(E pelas histórias que escuto da APEOESP, o sindicato dos professores da rede estadual de São Paulo, em Jundiaí, isso é mais confuso que parece) e alguns deputados estaduais(Que de fato teriam dado apoio ou dinheiro) fica difícil se falar em apoio direto do governo brasileiro às FARC. Não há indicação de envio de armas ou somas grandes de dinheiro e se os guerrilheiros teriam tentado por quatro anos infiltrar gente no governo brasileiro para conseguir contatos rápidos com enviados de Dirceu e de Marco Aurélio Garcia(E para infiltrar uma mulher num projeto de alfabetização de pescadores), bem, não me parece que eles tenham tido sucesso.

Claro, boa parte do PT tem uma simpatia por grupos de histórico violento(No caso das FARC inclusive com o uso de crianças como soldados) e isto é condenável. Mas é cedo para presumir influência direta das FARC no governo federal e há outro ponto chato que este blog sempre bateu: há a possibilidade de que as FARC se tornem uma ameaça direta à segurança nacional. Seja atuando dentro das fronteiras, seja em aliança com traficantes(Se o PCC parou São Paulo com granadas e armas de baixo calibre imaginem se dotado de táticas e armamento militar). É uma discussão que merecia tons menos acalorados.

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Thursday, July 31st, 2008...12:14 am
Citação da Semana
Anúncio Eleitoral da Semana


Fofo, não? O slogan parece coisa dos Ursinhos Carinhosos.. Registrado em Extrema, sul de Minas Gerais(O jingle no carro de som é ainda pior).

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Wednesday, July 30th, 2008...1:36 am
Brasil
Constatações

Lula cria o Ministério da Pesca

Governo de SP proíbe venda de banana por dúzia

Como sempre, os governos aqui no Brasil sempre à voltas com questões relevantes…

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Tuesday, July 29th, 2008...2:49 pm
Europa, Reino Unido
O colapso de Gordon Brown

Depois que Gordon Brown assumiu o posto de primeiro-ministro os trabalhistas só sofreram reveses. O último foi a derrota em East Glasgow, um rincão trabalhista da Escócia(Brown, aliás, é escocês), ao ponto que uma vitória dos conservadores na próxima eleição geral já é vista como certa por quase todo meio político inglês. Agora, é revelado que David Miliband, o Secretário de Estado, e a líder trabalhista Harriet Harman querem desafiar Brown pelo cargo de Primeiro-Ministro.

Cada vez a volta dos tories, numa roupagem mais próxima de Nicholas Sarkozy que de Margaret Thatcher fica eminente.

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Monday, July 28th, 2008...12:23 am
As eleições presidenciais, Estados Unidos
De Wilkes-Barre a Berlim

Enquanto Obama atraía centenas de milhares de pessoas às ruas de Paris e Berlim John McCain discursava em Wilkes-Barre, Pensilvânia(Sem conseguir preencher mais que 600 das 2500 cadeiras do local). Isso significa uma barbada para Obama? Nem tanto.

Obama de fato se tornou o centro das eleições. Não é uma eleição que McCain vai ganhar ou perder. É uma eleição que Obama vai ganhar ou perder. As amizades excusas de McCain, a sua idade, gafes e potenciais falhas de julgamento são irrelevantes. As atenções se voltam para a experiência de Obama, suas habilidades, seu plano de governo, seu histórico de votação. Mesmo que McCain chegue à Casa Branca ele não vai ganhar a eleição, mas sim Obama que será derrotado. É nos erros de Obama, não nos seus acertos, que McCain irá chegar à Casa Branca.

Por outro lado, há duas potenciais falhas na viagem de Obama. Primeiro é que, tirando os democratas de carteirinha, americano não liga muito para a imagem externa do país. Como Ronald Brownstein lembrou, os trabalhadores sem nível superior, que são o swing group mais importante do país são os menos preocupados com a imagem externa do país e os mais suscetíveis a aceitar os argumentos dos republicanos de que paz se consegue com força militar, não diplomacia. Como Brownstein diz, Obama pode ter se fortalecido no Starbucks, mas não no Dunkin Donuts(Uma rede de cafeterias bem mais barata que a elitista Starbucks).

(Aliás, enquanto Obama discursava em Paris, Berlim e Londres os republicanos transmitiam anúncios em cidades com esses mesmos nos Estados Unidos acusando Obama de colocar política acima dos soldados no Iraque)

Outro problema: Obama concentra sua atenção em assuntos de política externa, não de economia, a forma mais fácil e eficiente de se perder uma eleição. Exemplo banal: ele permitiu que de uma certa forma os republicanos sequestrassem o tema da alta do preço da gasolina, quando estes passaram a utilizar a oposição entre ambientalistas da perfuração de petróleo nas reservas de vida selvagem do Alasca e no alto mar. Obama têm se concentrado muito em assuntos externos e pouco em economia. E querendo ou não, a turnê de Obama pelo exterior reforça esta idéia.

Afinal de contas, os votos que importam para Obama estão em Ohio, Flórida, Pensilvânia, não na França ou na Alemanha.

***

Fica a dúvida: Obama fará uma turnê pela América Latina, considerando a importância do voto hispânico?

***

E o pior de tudo? Os republicanos ainda usaram a viagem para dizer que Obama teria esnobado os soldados no Afeganistão, dizendo que ele preferiu ir à academia a se encontrar com os soldados(Detalhe: No vídeo Obama joga basquete com… os soldados no Afeganistão).

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Sunday, July 27th, 2008...12:59 am
As eleições presidenciais, Estados Unidos
O vice de Obama


Segundo o Wall Street Journal o time de Obama teria cortado a lista de candidatos a vice aos seguintes nomes: os senadores Joseph Biden(Delaware), Evan Bayh(Indiana), Chris Dodd(Connecticut), Hillary Clinton(Nova York) and Jack Reed(Rhode Island) e a dois governadores, Tim Kaine(Virginia) e Kathleen Sebelius(Kansas). Portanto, nada de ninguém do Oeste, como especulado aqui. Tirando Kaine, ninguém do Sul também. Na verdade, tirando Bayh, Kaine e Sebelius todos os candidatos são de estados que votam fortemente nos democratas.

Claro que não há garantia de que Obama siga estas recomendações(Aliás, Reed já negou interesse na vaga): Dick Cheney, por exemplo, não constava da lista final da equipe de Bush em 2000. Hillary parece constar na lista meio como sinal para demonstrar afago com as partidárias da primeira-dama. O que sobrariam dois grupos de pessoas: de um lado, senadores veteranos e de liderança e governadores populares de estados conservadores(Bayh, apesar de senador, foi um dos governadores mais populares de Indiana).

Sebelius é vista com reservas porque muitos observadores acham que qualquer mulher na chapa que não fosse Hillary seria vista como uma tentativa barata de agradar suas partidárias. Por outro lado, Biden e Dodd correriam o risco de fazer Obama parecer ainda mais inexperiente que já é(Como Lloyd Bentsen fez com Dukakis em 1988) e bem, fica difícil Obama falar em renovação tendo, bem, Chris Dodd que é figurinha batida na cena política americana desde de milnovecentoseoitentaebolinha.(E ambos votaram a favor da guerra ao Iraque). Já Bayh poderia ajudar Obama a vencer Indiana, um estado conservador, mas que é grudado com Chicago.

Já Kaine é um caso mais específico: os dois democratas mais promenientes da Virginia, Mark Warner(Ex-governador e candidato ao senado) e o senador Jim Webb haviam negado interesse na vaga. Kaine foi eleito como sucessor de Mark Warner(Na Virginia não há reeleição para o governador e Warner fez campanha em peso para Kaine) e individualmente não tem tanto peso político como pode parecer.

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Friday, July 25th, 2008...12:31 pm
As eleições presidenciais, Estados Unidos
O que espera Obama

O Washington Post publicou uma série de pesquisas que dá um panorama preocupante para Obama: no Colorado, um estado chave para Obama, McCain conseguiu uma leve vantagem de dois pontos. Na Minnesota de Hubert Humphrey e Walter Mondale(Na verdade, no pós-guerra os republicanos só venceram lá em 1952, 1856 e 1972) a vantagem de Obama seria de tímidos dois pontos. Em Michigan, outro estado chave Obama estaria quase que empatado.

É um panorama ruim para alguém que enfrenta um partido com um presidente absurdamente impopular e em que a maioria dos eleitores vê uma crise econômica. Os números de Obama nas pesquisas lembram muito os números de Kerry em 2004…

***

Chicago sempre foi uma espécie de nó logístico no Meio-Oeste, a cidade em que era o portal para o Pacífico. A famosa Route 66 ligava a cidade a Los Angeles, as principais ferrovias intercontinentais ligavam Chicago a algum ponto do Pacífico e quase todos os trens de passageiros mais famosos do país passavam pela cidade(O Broadway Limited, Superchief, City Of Los Angeles, etc). Nisto, a cidade conseguiu uma área de influência vasta.

A Região Metropolitana de Chicago engloba três estados(Wisconsin, Indiana e Illinois) e exerce influência econômica sobre vários outros(Iowa, Minnesota, Michigan). Muito se falou sobre as possibilidades do voto negro no Sul, mas Obama poderia juntar o voto negro e aproveitar o fato de uma gigantesca porção do Meio Oeste é um gigantesco quintal de sua casa? Difícil saber.

Mas Indiana tem um grande centro urbano, Gary, que é grudada em Chicago, e uma boa população negra em Indianapolis. Missouri tem grandes proporções de negros tanto em Kansas City quanto em Saint Louis. Mas ambos os estados são razoavelmente conservadores politicamente. Obama teria que diminuir a desvantagem democrata entre os eleitores que moram fora das grandes cidades, tarefa nem sempre fácil.

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Friday, July 25th, 2008...1:07 am
As eleições presidenciais, Estados Unidos
O Vice de McCain

Os rumores que circulam pela imprensa americana é de que John McCain aproveitaria-se do fato da imprensa estar focada na viagem de Obama à Europa para anunciar o seu candidato a vice. Os rumores falavam esta semana, então temos até amanhã ou até domingo para o anúncio. Os nomes mais fortes são Mitt Romney ou Tim Pawlenty, governador de Minnesota(Muitos falam em Joseph Lieberman, que apesar de supostamente democrata é um dos maiores amigos de McCain no senado. Embora se a questão fosse amizade pessoal Lindsey Graham, da Carolina do Sul seria a apostar mais certa).

Dick Morris acha que Romney seria uma aposta ruim pelo fato dele ter gasto uma fortuna nas primárias para ganhar um punhado de estados(Basicamente Michigan, que seu pai governou, estados com boa proporção de mórmons e alguns estados da Super-terça que seus adversários não deram atenção, preocupados com a Califórnia). Sei não. Romney poderia ajudar McCain na questão financeira, que têm sido seu principal ponto de desvantagem com Obama. E a extrema organização dos mórmons seria vital em estados como Montana, Nevada e Colorado, que certamente serão vitais na eleição.

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Friday, July 25th, 2008...12:49 am
Brasil
Um triste espetáculo

Sabem uma das razões pela qual eu irei anular meu voto nas eleições deste ano? A principal delas é respeito. Começa o meio do mês de julho e andar por qualquer cidade brasileira vira um cenário meio kafkaniano e meio orwelliano(Na verdade, é um cenário de tão mau-gosto que não lembra autor nenhum). Você anda alguns passos numa cidade brasileira e se dá de cara com um cartaz com a foto de um sujeito, para depois de alguns passos ver a mesma cara do mesmo sujeito num outro cartaz.

Detalhe: você pode estar descansando num sítio, caminhando e de repente dá de cara com os mesmos cartazes. Pior: se você gosta de fotografar precisa TODA hora estar desviando de cartazes eleitorais ou aceitando esse tipo de propaganda nas suas fotos. Hoje em Extrema, Minas Gerais, não só fui surpreendido por vários cartazes na Zona Rural como encontrei um carro de som. Naomi Klein ficaria surpresa com este cenário. E isso sem contar a poluição dos insuportáveis santinhos no chão.

Os eleitores mereceriam ficar livres deste triste espetáculo.

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Friday, July 25th, 2008...12:00 am
Aos leitores
Fora do ar

Peço desculpas pelo tempo fora do ar. Primeiro um erro meu com o provedor, depois uma falha com o banco de dados MySQL. Agora, é hora de tirar o atraso.

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Sunday, July 20th, 2008...9:17 pm
As eleições presidenciais, Estados Unidos
Anúncio Negativo II

John McCain sempre criticou os anúncios negativos mais fortes contra os democratas. Criticou o anúncio dos Swift Boat Veterans contra John Kerry e um forte anúncio contra Max Cleland, um triplo amputado do Vietnã na campanha de reeleição no Senado pela Georgia em 2002(No meio de imagens de Bin Laden, Cleland, o veterano, tinha sua coragem e capacidade de lideranças questionadas).

Nisso, como McCain aproveitaria-se para atacar Obama de forma mais dura? Bem, a resposta é simples. Não é exatamente McCain que fará isto.

Let Freedom Ring, um comitê independente lançou o anúncio acima, que critica Obama por manter posições duplas numa série de questões, como porte de armas e financiamento público de campanhas. Lembrando sempre que Kerry foi bastante atingido por ser supostamente incoerente em suas posições(Vide este anúncio).

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Sunday, July 20th, 2008...7:45 pm
As eleições presidenciais, Estados Unidos
Anúncio Negativo

A Planned Parenthood, a organização mais famosa pelo direito ao controle de natalidade nos EUA lançou o seguinte anúncio acima em que usa um trecho de uma entrevista de McCain, aonde ele fica em silêncio e diz não ter conhecimento para opinar sobre o assunto após ser perguntado sobre o fato de planos de saúde cobrirem Viagra, mas não a pílula anti-concepcional.

De fato, essa entrevista é perfeita para se desmoralizar candidatos.

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Sunday, July 20th, 2008...3:28 pm
As eleições presidenciais, Estados Unidos
Políticos e a melanina

Pedro Sette Camara escreve reclamando que negros americanos de orientação conservadora, como Clarence Thomas, Condoleezza Rice e Colin Powell, não obtém a mesma atenção que Barack Obama(Que no Brasil ostenta capas de revistas e têm livros traduzidos). Acho que o buraco é mais fundo. Peguemos o antecessor de Clarence Thomas na Suprema Corte, Thurgood Marshall. Marshall não foi apenas um dos juízes mais liberais do final da gestão de Earl Warren e de toda gestão de Warren Burger(Na prática, ele fazia de tudo para sabotar a aplicação da pena de morte pelos estados), mas talvez um dos maiores responsáveis pelo fim da segregação racial nas escolas(Ele representava a NAACP, que moveu a ação em Brown v. Board of Education of Topeka, a decisão da Suprema Corte que determinou o fim da segregação racial nas escolas). Marshall era um herói dos direitos civis, talvez um dos seus principais nomes. E Marshall nunca conseguiu tanta atenção quanto Obama.

Claro, costuma-se convenientemente ignorar as minorias conservadoras quando estas ocupam altos cargos de poder. Pouco se falou sobre Rachida Dati e Rama Yade, respectivamente a Ministra da Justiça filha de dois imigrantes árabes analfabetos e a Secretária de Direitos Humanos nascida no Senegal e muçulmana de Nicolas Sarkozy(Dati é mais descrita pela imprensa internacional como uma megera que como a primeira mulher árabe a ocupar uma alta posição no gabinete francês). Geraldine Ferraro, que foi candidata a vice-presidência na insossa e praticamente fantasma chapa eleitoral do Walter Mondale em 1984 recebeu bem mais atenção(Ambos seriam surrados na eleição geral por Reagan, perdendo todos os estados, com exceção de Minnesota, estado natal de Mondale).

Talvez seja uma questão de imagem, talvez seja uma questão da maior atenção que a política americana suscita por aqui, talvez seja uma questão de que há muito mais informação no dia de hoje que assuntos relevantes a serem informados(Num tempo em que, ahã, a imprensa brasileira está mais dependente do que é informado lá fora). Ou talvez seja apenas a simpatia dos jornalistas por Barack Obama. Mas é algo mais complicado que a melanina na esquerda e na direita.

Embora Obama não seja idolatrado por suas realizações, mas pelas possibilidades que muitos enxergam nele. Por mais que muitas destas possibilidades não sobrevivam um escrutínio realista.

(Embora, em tempo: Uma das discussões mais desconfortáveis em meios legais americanos é a de que se Clarence Thomas tinha as qualificações necessárias para ser um juiz da Suprema Corte ou se sua ascensão se deveu a motivos políticos - afinal de contas, era a maneira mais fácil de Bush pai passar um ultraconservador pour Senado democrata, Colin Powell, apesar da carreira militar brilhante foi um Secretário de Estado medíocre. Rice conseguiu ser ainda pior).

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Friday, July 18th, 2008...11:10 pm
As eleições presidenciais, Estados Unidos
Homem que é homem…

Lou Aguilar publicou um artigo na National Review de título “Homens de Verdade votam em McCain”(Hmm, o Marcus irá reclamar deste artigo estar sendo linkado aqui). Apesar das distorções(Cindy McCain é talvez uma das primeiras-damas mais antipáticas que eu já vi) há um ponto interessante:

McCain é apoiado por Clint Eastwood, Sylvester Stallone e Arnold Schwarzenegger. Obama recebe seu apoio de Leonardo diCaprio, Matt Damon, Oprah Winfrey, Tom Hanks e todo marica de Hollywood. Além disso Susan Sarandon disse que abandonaria o país se McCain fosse eleito. Caso encerrado.

De fato, como já foi escrito aqui não há melhor maneira de se classificar os eleitores fiéis de ambos os partidos do que pelos fãs desses dois grupos de atores…

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Thursday, July 17th, 2008...1:56 am
Infra-estrutura & Transportes
Trens sem bancos

A CTA, que administra os trens de subúrbio em Chicago está querendo implantar a idéia de colocar carros sem bancos durante os horários de pico. Segundo a empresa não é o ideal em termos de atendimento ao consumidor, mas seria a solução para atender a crescente demanda(Sei lá, comprar mais carros e composições não seria o mais indicado?).

Meu medo é que resolvam implantar a idéia no Brasil. Justificativas não faltariam.

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Thursday, July 17th, 2008...1:28 am
As eleições presidenciais, Estados Unidos
Ainda está por começar

Uma pesquisa da Rasmussen no início da semana apontava um empate entre Obama e McCain, depois que uma pesquisa da Newsweek mostrava apenas três pontos de vantagem para Obama. Pesquisas agora são brutalmente irrelevantes já que é apenas no verão americano que as campanhas começam a tomar forma: foi em Agosto que os primeiros anúncios dos Swift Boat Veterans apareceram na televisão americana em 2004(As críticas de soldados que haviam servido junto com Kerry no Vietnã alegando que ele não era apto para ser presidente) e foi em agosto/setembro/outubro de 1988 que a campanha de Michael Dukakis demoronava enquanto que os republicanos usavam o caso Willie Horton para destroçar o então governador de Massachusetts. (Em 1992, aconteceu o contrário, com performances terríveis de Bush pai nos debates e

Entre outras coisas, é bom notar:

1-) É natural que o candidato do partido desafiante apresente vantagem nas pesquisas antes das eleições. Bush tinha vantagem próxima de dez pontos em 2000 e há a famosa liderança de Dukakis de 17 pontos em 1988. Então, de uma certa forma os números de Obama são um tanto que preocupantes.

2-) E Obama não mostrou firmeza para responder propagandas negativas. Quando perguntado sobre William Ayers, que se envolveu com atos de terrorismo no passado ele fala de seu colega senador Tom Coburn(R-Oklahoma), que teria supostamente defendido a explosão de clínicas de aborto(Uma distorção da posição dele). E teve ainda a menção a sua avó branca quando falou do Reverendo Wright(Virou lugar comum entre os republicanos dizer que Barack havia jogado sua mãe embaixo do ônibus, gíria para o ato de se sacrificar alguém para lucro pessoal)

3-) Por outro lado, McCain têm apresentado uma campanha medíocre e desorganizada. Pior, ele, ao contrário de Reagan em 1984 deixa bastante claro sua idade: isso fica meio evidente em muitas entrevistas com jornalistas, em que McCain deixa de responder(É meio que isso que ocorre aqui, quando McCain, perguntado sobre uma declaração de Carly Fiorina, da sua campanha, de que é que injusto que planos de saúde cubram Viagra, mas não pílula anticoncepcional, fica uns vinte segundos em silêncio para dizer que não sabe o suficiente sobre o assunto).

4-) Ambas as campanhas têm perdido boas chances de atacar seus adversários. A campanha de McCain não atacou ainda de fato Obama e a campanha de Obama não usou uma série de gafes de McCain para atacá-lo. As entrevistas em que McCain fica sem responder quando indagado por jornalistas são material perfeito para propaganda negativa.

5-) A região das Grandes Montanhas, o Meio-Oeste e a região do Sudoeste, não o Sul, que serão os grandes pontos de disputa. Logo Obama deve escolher um democrata desta região, não do Sul.

6-) Já McCain, pela atenção que dá ao estado de Michigan deve escolher Mitt Romney. O sujeito é natural do estado e ainda popular por lá. E pode dar substância à chapa eleitoral em termos de economia.

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Tuesday, July 15th, 2008...9:43 am
As eleições presidenciais, Estados Unidos
A capa da discórdia

Em 1988 o candidato presidencial Michael Dukakis foi destroçado por uma forte campanha negativa. Não haveria apenas a questão de Willie Horton, mas uma série de outros fatores, como a proibição do juramento à bandeira nas escolas de Massachusetts(O que, judicialmente, as escolas não poderiam ser obrigadas) e como os boatos de que Kitty Dukakis, sua esposa, teria sido fotografada queimando uma bandeira americana(Steve Symms, então senador por Idaho, teria dito ter visto a foto, que, obviamente nunca foi encontrada). Note que quase todas as esposas de candidatos democratas desde de então sofreram com propaganda negativa, incluindo Michelle Obama, acusada de não ser patriota o suficiente.John Kerry, claro, também foi destroçado por propaganda negativa, seja dos veteranos dos Sw ift Boats, seja por este brilhante anúncio.

Daí, claro, isso explica o medo dos democratas com relação à capa acima da New Yorker, que resume de forma bem humorada boa parte das difamações que a campanha de Obama sofreu até agora. Há uma bandeira americana queimando na lareira, Michele Obama é retrada como uma radical Pantera Negra a la Angela Davis(Com uma AK-47), Obama como muçulmano, com um retrato de Bin Laden ao fundo. Foi o suficiente para que a capa fosse discutida em jornais do mundo inteiro.

A reação de muitos cartunistas foi variável: muitos acharam que a capa poderia ter sido mais clara. Discordo: a New Yorker não é uma revista para o povão e creio que para quem acompanha as ironias ali ficam claras. E há tanta referência que a maior parte da população nem irá entender o que está sendo discutido ali. Concordo com Gary Kamiya de que a esquerda parece ter perdido o senso de humor(E Obama corre o risco de perder pontos por reclamar por causa de uma mera capa de revista).

De qualquer forma, quem saiu ganhando foi a New Yorker, que virou assunto de discussão no mundo inteiro. O que não deixa de ser uma lição para as revistas brasileiras, que não se cansam das fotos de bancos de imagens e das montagens toscas de Photoshop nas suas capas.

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Monday, July 14th, 2008...11:53 am
Economia, Indústria e Comércio
A primeira multinacional brasileira

Há alguns anos atrás se dizia que a fusão da Brahma-Antartica criaria a primeira multinacional brasileira. No final não só a AmBev foi absorvida por um conglomerado belga maior como que com a compra da Anheuser-Busch pela InBev o que era a AmBev virou apenas um braço pequeno de uma multinacional gigantesca. Ou seja, não só não temos mais uma multinacional como na prática duas empresas nacionais deixaram de sê-lo.

De qualquer forma, é interessante porque a concorrência no mercado de cervejas aumentou, não diminiu, com a fusão. Explicando muito o que se diz sobre legislação anti-truste.

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Saturday, July 12th, 2008...1:49 am
Brasil
A consciência acima da lei

Há diversos pontos a serem discutidos na ridícula briga do Ministro do STF Gilmar Mendes e os juízes federais, com um juiz da mais alta corte do país brigando por um habeas corpus e um sujeito como Daniel Dantas saindo e entrando da cadeia por caprichos de juízes. Mas há um ponto particularmente perigoso nesta discussão toda. Um grupo de magistrados federais fez um manifesto contra a decisão de Gilmar Mendes de enviar as decisões da prisão de Dantas emitidas pelo juiz federal Fausto De Sanctis para o Conselho Nacional de Justiça, ao Conselho da Justiça Federal e à Corregedoria Geral da Justiça Federal da Terceira Região.

Os togados colocaram o seguinte ponto no manifesto: “Ao contrário, a independência de que dispõe o magistrado para decidir é um pilar da democracia e princípio constitucional consagrado. Ninguém nem nada pode interferir na livre formação da convicção do juiz, no direito de decidir segundo sua consciência, pena de solaparem-se as próprias bases do Estado de Direito.”

Ué, juiz decide segundo sua consciência? Eu juro que achava que juizes deveriam emitir suas decisões de acordo com a lei. Na prática, o que os juízes querem defender é a ditadura togada que dá a última palavra numa série de coisas no país, criando e ignoranod leis.

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Thursday, July 10th, 2008...10:26 pm
Midia
Presentes e leitores

Há um ponto que não ficou muito claro no post abaixo. Bem, a imprensa brasileira nunca teve lá muito pruridos entre misturar o departamento comercial com o departamento de produção. A Globo tem a cara de pau de fazer uma série vespertina e diária de adulações aos seus próprios atores e programas e colocar o nome de Video Show. A Globo mantém uma linha extremamente positiva às suas próprias produções em todos os jornais que publica(O suplemento cultural do Diário de São Paulo se resume praticamente à novela e programas da Globo) e já virou tradição saber que se um jornal fizer parte de um grupo econômico grande TUDO que esse grupo econômico fazer será elogiado em escala imensa(Isso fica claro em muitas regiões aonde um mesmo grupo é dono de um jornal e de uma afiliada de TV).

Se um jornal ou revista dá algum brinde aos seus leitores ele será alvo de reportagens e reportagens. Quando a Veja lançou uma enciclopédia de brinde com a revista não só fez um longo artigo louvando a iniciativa da, errr, própria revista como desancou o principal concorrente, a Wikipedia. Isso sem contar as relações pessoais: a Abril coloca na editoria de uma revista de educação vários membros de antigas administrações tucanas(E vice-versa) e faz entrevistas mais doces que press-releases a membros de administrações tucanas.

Daí, talvez por costume, algumas pessoas achem não só que é normal que uma pessoa que mantenha um blog sobre determinado assunto, receba presentes de empresas que fabriquem os mesmos produtos que ele resenhe e ainda faça posts sobre o assunto como acham que as outras pessoas deveriam achar. Claro, no caso atual são apenas geladeirinhas, que em alguns casos nem redundaram em posts e as pessoas que receberam devem ter jogado fora. Claro que é prática natural jornalistas receberem CDs, livros e similares para análise. Não há problemas nisso.

Mas o problema que eu senti no caso foram dois. Primeiro, a quantidade de pessoas reclamando de que blogueiro não pode receber presentes, viagens e coisas do gênero como se isso fosse absolutamente irrelevante. Não é. Um blogueiro pode até tratar com isenção uma empresa que lhe dê um MacBook Pro, mas os leitores não têm a obrigação de achar que isso é verdade. E bem, considerando a postura ahã, um tanto que meiga de muitos blogs com muitas empresas normalmente odiadas, bem fica difícil acreditar. Ainda mais que numa estrutura menor, óbvio, presentes têm uma influência mais forte. Se as pessoas reclamam de pequenos presentes é porque certamente têm uma imagem ruim das práticas comerciais de muitos blogs.

O segundo problema? Estamos falando de pessoas que podem lá, ser leitores ou não de um blog. Se quando esses leitores questionam a transparência de um blog ou fazem uma crítica pertinente recebem como resposta algo próximo de “você não precisa ler este blog” ou coisas ainda mais grosseiras, bem, não é de surpreender que tão poucas pessoas leiam blogs e de que estejamos muito longe de ter um Huffington Post ou um The Volokh Conspiracy.

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Tuesday, July 8th, 2008...1:21 am
Midia
Reputação é uma questão de aparências

No meio da minha atribulada vida de ouvir berros e separar crianças brigando de tarde e ainda ouvir resmungos de adultos e adolescentes à noite não tinha notado a última polêmica da sempre onipresente blogoseira brasileira. A Coca-Cola teria premiado uns nove blogueiros com uma microgeladeira com um clone para Gatorade dentro, o site BlueBus chamou os premiados de “blogs de aluguel” para que claro os blogueiros comprassem as ofensas(Em tempo: dois anos atrás o BlueBus já foi alvo de críticas fortes neste espaço). (Aliás, este presente deve ser a maior tranqueira do mundo. Imagino o sujeito com uma geladeira que cabe uma garrafinha minúscula dentro explicando para a esposa que não comprou, mas recebeu a tralha de presente da Coca Cola).

Agora, há um ponto que ninguém se tocou nesta briga toda: reputação não é uma coisa justa, mas que depende diretamente de nossas ações. Pode ser injusto um sujeito com currículo impecável perder uma vaga por arrotar, se vestir mal ou o diabo numa entrevista, mas a vida funciona assim. Também é injusto que um candidato seja derrotado ao cargo de Presidente americano por ter dito num debate que seria contra a pena de morte para quem matasse e estuprasse sua mulher, mas a vida é assim.

Eu vi vários blogueiros reclamando que blogueiro não pode receber presente e que não é porque você recebe um presente de determinada empresa quer dizer que você vá falar bem dela. Francamente? Isso é a mesma coisa que um politico dizer que não é porque ele recebe caronas em um jatinho pagas por uma empresa ou almoça com determinado lobista que ele vai favorecer fulano ou sicrano. Ou que um professor namore suas alunas e alegue que ela tiraria notas altas com ele independente da relação.

Claro, a menção do BlueBus foi desnecessária e pesada. Mas não se pode achar que presentes de empresas são irrelevantes ou normais ou que é natural que se ache isso. A necessidade de se manter por meio de publicidade não exige relações como esta. E infelizmente, se o discurso padrão dentro da blogoseira é de que isso é irrelevante, sinto muito, mas aqueles anúncios do Estadão não são tão absurdos quanto parecia há um ano atrás. E não há manifesto que resolva isso.

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Sunday, July 6th, 2008...11:40 pm
As eleições presidenciais, Estados Unidos
Obama, direita e esquerda…

No vocabulário político americano um termo com conotação terrível é flip-flopper, usado para denegrir políticos sem posição política definida e sem personalidade que mudam frequentemente de posição(De forma conveniente, para ganhar votos), geralmente para atingir posições políticas. Como lembra Jonathan Chait, na New Republic, foi um dos fatores que ajudou a afundar John Kerry(Aquele que votou a favor da guerra ao Iraque e fez campanha presidencial contra).

Chait cita um artigo do Baltimore Sun, aonde uma mulher de 64 anos, que critica Bush em boa parte do texto, mas diz o seguinte: “Eu não gosto de Bush também, mas se eu tiver que escolher entre os dois, eu prefiro Bush. Com Kerry, em um minuto ele iria votar para alguma coisa e no próximo minuto mudar de opinião.” E vale lembrar a forma que a The Economist resumiu a disputa: o incompentente contra o incoerente.

(Aliás, Kerry deu uma cutucada genial no programa de rádio do Don Imus ano passado, dizendo, na véspera do tal discurso de Mitt Romney - outro político acusado de flip-floppery - sobre o mormonismo que ele simplesmente iria se declarar católico).

Agora, Barack Obama que corre o risco de ganhar a mesma alcunha. Obama é um senador, que ajuda, já que não raro senadores voltam de forma não-linear. Mas ele é um senador bastante liberal que na tentativa de agradar moderados têm caminhado de forma bastante brusca à direita. Em abril Obama já era criticado num assunto trivial - o conflito israelo-palestino pela sua tal falta de posições. Ora Obama defende a posição dos palestinos, ora assume a posição mais agressiva em favor de Israel.

Depois, nas primárias do Kentucky Obama foi criticado por um panfleto em que aparece numa igreja, com um crucifixo enorme ao fundo(Não por coincidência num estado bastante dominado pelos evangélicos). Por fim, Obama disse que aquele negócio de tirar todos os soldados do Iraque era só brincadeirinha(A bem da verdade os únicos que defendiam a retirada total das tropas do Iraque eram Bill Richardson, Dennis Kucinich e Mike Gravel) e defendeu as novas emendas na FISA(Lei de Vigilãncia e Inteligência externa), que dariam imunidade a companhias telefônicas que sofrem processo de consumidores por terem ajudado o governo a grampear seus telefones nos meses subsequentes ao atentado de onze de setembro.

(Um ponto terrível nas recentes declarações de Obama é que ele apoiou uma lei da Lousiana apoiando a pena de morte para pessoas acusadas de estupro de crianças, como se estupro, um crime muitas vezes de provas mais obscuras não fosse uma das principais razões para que inocentes fossem mandados para a cadeia)

Obama, lógico, já sofre críticas de seus seguidores por tentar alcançar o centro. Mas ele pode desagradar justamente os moderados que ele precisa alcançar que podem vê-lo como um político sem princípios e inconsistentes. Talvez a maior razão para a derrota de John Kerry. Ainda mais um político que a maioria dos eleitores não conhece muito bem.

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Sunday, July 6th, 2008...12:20 pm
Brasil
Eleição para membros do TSE já

Um ponto que estive pensando: por que não criar uma eleição para os ministros do TSB, assim como dos TREs? Na prática, ambos são mais poderosos que as duas casas do Legislativo. TREs não raro decidem sobre quais prefeitos e quais governadores são eleitos e ambos têm decidido sobre o nível de liberdade de expressão que eu, você e a tia que vende doce na esquina podem ter em época de eleições.

Um advogado citado na Folha diz alguma coisa que a Legislação Brasileira vai ser mais permitiva com relação à internet. Mas isso não é Legislação, é portaria. Isso não foi submetido a aprovação de representantes suscetíveis à pressão popular ou política. O Senado aprovaria uma série de restrições deste porte? Mesmo considerando a figura ridícula e sem representatividade que é o Senado brasileiro?

Não é democrático uma Casa ter este nível de decisão. É um poder bem maior, proporcionalmente falando, que a Suprema Corte americana têm. Já adianto que nenhum dos atuais membros do TSE terá meu voto.

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Sunday, July 6th, 2008...2:48 am
Colômbia
Ingrid Betancourt: o vídeo

Parece mais impressionante ainda, com os guerrilheiros observando calmamente o helicóptero. Isto é, se a história de resgate milionário não se confirmar…

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Friday, July 4th, 2008...1:36 pm
As eleições presidenciais, Estados Unidos
Ainda é a economia

Desde de Woodrow Wilson(E com uma possível exceção de Carter, que se aproveitou do fato de ser o primeiro sulista a se candidatar presidente por um grande partido desde de 1848), os democratas sempre derrotaram um incumbente republicano se valendo da economia. Roosevelt ganhou em 1932 com apoio da Grande Depressão, Kennedy se aproveitou dos números ruins do final da gestão de Eisenhower(Também se aproveitou da apatia de Nixon e da ajuda da máfia, mas isso é outra história), Carter se aproveitou em parte da estagnaflação dos anos 70 e Clinton se aproveitou do alto preço dos combustíveis e dos números econômicos ruins do final da gestão de Bush(Que teve momentos de fato ruins nos debates).

Se Obama quiser vencer vai precisar ir pelo mesmo caminho. Não é com seu charme nem com carisma ou com o tal apelo aos independentes ou jovens. Aliás, mesmo jovens têm preocupações financeiras e independentes talvez sejam o grupo que mais vota tendo como base motivos econômicos. A falta de experiência de Obama no Executivo fazem com que seu caminho nesse quesito seja mais difícil. Um governador poderia não só usar seu histórico como traçar estratégias de forma mais eficiente.

E a questão dos negros, bem, há dois tipos de estados com uma grande proporção de negros: estados no Noroeste do país que já votam nos Democratas e os estados sulistas em que os negros por si só não são capazes de compensar a rejeição aos democratas no resto da população. Como Thomas Schaeller escreveu, quanto maior a quantidade de negros num estado sulista, menores são as chances da população branca votar num democrata.

Depois do Distrito de Colúmbia o Mississipi é o estado com maior proporção de negros(35%) e é um estado dominado ou por republicanos ou por democratas bastante conservadores. E não é por coincidência que o único negro a governar um estado sulista desde da Reconstrução(Doug Wilder, eleito na Virginia em 1989) fosse bastante conservador para os padrões do Partido Democrata.

Hmmm, claro, no Colorado, considerando o crescimento de Denver e seus subúrbios o apelo de Obama ao eleitorado mais jovem pode ser importante, assim como pode ser na Flórida. Mas nesses estados o problema sempre foi mais o interior mais conservador que a população jovem das grandes cidades.

E o problema de Obama é que ele está deixando McCain ter a última palavra quando o assunto é economia. Deveria ter atacado a idéia estúpida da anistia nos impostos na gasolina, e há  um mar de questões no registro de votação de McCain que podem ser usadas para ataca-lo. Seja nos gastos sociais, seja na Amtrak - na prática, no meio a uma crise da gasolina, McCain opôs com ferocidade a única empresa que faz transporte de passageiros de longa distância no país, e cujo fechamento deixaria regiões inteiras de estados como Montana sem comunicação com o mundo.

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Thursday, July 3rd, 2008...12:15 am
As eleições pelo Senado, Europa
O fim

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Do ponto de vista militar foi um sucesso. Com uma operação de resgate impecável, sem baixas nem concessões, tropas colombianas resgataram quinze reféns em nome das FARC. Incluindo Ingrid Betancourt e os três americanos em poder das FARC. Foi uma operação perfeita de inteligência: o Exército colômbiano nada mais que conseguiu infiltrar um pelotão inteiro no alto comanda da guerrilha, transladando o movimento de reféns do grupo.

É o xeque mate da vida de Alvaro Uribe. Não só foi uma operação perfeita, digna de um filme(E soaria normal se feita pelos israelenses, mas é rara entre as forças latino-americanas), como que ele sai fortalecido do caso Ingrid Betancourt como pareceria impossível um ano atrás. Betancourt, libertada, sem ter que fazer um centímetro de concessão aos guerrilheiros e sem ter que dar espaço a Hugo Chávez, seu principal rival.

E não só um sequestro cruel chegou ao fim como uma das piores organizações criminosas da América Latina está fraca e combalida. Nada mal para um dia de inverno.

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Tuesday, July 1st, 2008...10:24 am
As eleições presidenciais, Estados Unidos, Internacional
NRA contra Obama

A NRA, o mais poderoso lobby de armas dos Estados Unidos decidiu gastar quarenta milhões de dólares em propaganda contra Obama.  Duas derrotas dos democratas são relacionadas aos proprietários de armas: a perda das duas casas do Congresso em 1994 meses depois da aprovação da Lei de Banimento de Rifles de Assalto e a derrota de Al Gore em 2000. Se Gore tivesse vencido o seu estado-natal, o Tennessee, o estado-natal de Bill Clinton ou ainda a extremamente democrata Virgínia Ocidental(Apenas um destes) teria ganho sem a Flórida e muitos analistas vêem como motivo pela derrota o fato de Gore apoiar o controle de armas(Explicando sua derrota entre eleitores sindicalizados, um rincão democrata, que mantinham armas).

Se por um lado o posicionamento da Suprema Corte semana passada em tese proibiu o governo federal de banir armas, reforçando a segunda emenda, muitos analistas vêem outro problema: quem escolhe os juízes para a Suprema Corte é o presidente. E District of Columbia v. Heller, a decisão da Suprema Corte que decidiu em favor dos proprietários de armas de Washington DC foi decidida por um único voto.

Um problema pouco notado é que são nos importantes swing-states da região dos Grandes Lagos e Meio Oeste, não no Sul, que se concentram a maior concentração de caçadores. Muitas escolas na região norte de Michigan não têm aulas no primeiro dia da temporada de caça. Nesses estados(Ohio, Pensilvânia, Michigan, Wisconsin,Missouri) que a eleição pode ser decidida. Considerando a forma apertada que as eleições presidenciais são decididas nesses estados somente o voto do pessoal com carteirinha da NRA pode ser decisivo.(E não se considerou ainda outro estado-chave, Colorado).

Obama vai precisar de um vice com credenciais impecáveis frente a NRA.  E vai precisar colocá-lo em campanha.

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