Acabar com os maus hábitos

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A causa por que nos custa tanto eliminar os maus hábitos é que nos acalma e nos ajudam a acalmar nossas tensões internas. No entanto, as vantagens não costumam durar muito. O dr. Jean-Christophe Seznec* explica como podemos chegar a libertar-nos se nós aceitamos os estados de ânimo e nos concentramos nas necessidades que os originam.


Os maus hábitos refletem as necessidades não satisfeitas


Morder as unhas, beber demais, fumar, beliscar entre as refeições para depois compensar com dietas muito severas… Esses hábitos são prejudiciais para o organismo e acabam se tornando, para algumas pessoas, em vícios reais. “Muitos se relacionam com a boca, observa o Dr. Jean-Christophe Seznec*, psiquiatra especialista em terapia comportamental e cognitiva, porque assim nos ensinam a calmarnos quando somos pequenos. Não obstante, os maiores, não são mais do que falsas boas soluções que nos impulsionam a estar ativos, como o desporto ou o trabalho, mais do que aprender a ser e a viver. Agora, as pessoas, somos seres humanos e o que devemos fazer é transigir com as nossas emoções, em lugar de temê-las”.


Os comportamentos viciantes nos produzem uma falsa sensação de alívio, graças a um prazer efêmero, mas, na realidade, apoderam-se de nós e nos empobrecem. “As emoções que nos informam as necessidades que você tem que cobrir e transmitir energia para cumprir esse objetivo. Lutar contra elas ou ignorar um beco sem saída…”, explica o especialista.


Costumamos ter consciência dos maus hábitos em que nos apoiamos para anestesiar nossa vivência emocional. Assim, as emoções que provocam soma-se da culpa de ter caído em tentação.


Concretamente, o que há que fazer para eliminar os maus hábitos?


Para cessar um comportamento nocivo, temos que questionar quais são as reais necessidades que o originam. O Dr. Seznec aconselha que se observem as circunstâncias em que acontece, os pensamentos que o acompanham e as sensações físicas e emocionais: “O ver as coisas do lado de fora contribui para que compreendamos melhor o que está em jogo, mas também a identificar os momentos em que caímos em tentação”.


Depois será mais fácil evitar os automatismos e parar um momento para considerar quais são as necessidades reais e seguir tendo a capacidade de escolha: “Este charuto me identifica com o que é importante para mim? Você Realmente responde a minha necessidade subjacente? Não estou mais bem cansado, estressado, contrariado… ?”.


No momento, qualquer alternativa parece menos atraente, sobretudo nas primeiras vezes. Imaginar que um se livra das limitações inerentes ao vício (pesquisar um estanque, gasto nada desprezível…) ajuda a motivar. “Em termos gerais, é conveniente perguntar o que a pessoa gostaria de ser, comenta o Dr. Seznec. Com grande frequência, em efeito, os comportamentos viciantes nos afastam desse ideal. Renunciar a esse pequeno prazer imediato custa um pouco, mas, no final, produz uma satisfação muito maior quando nos aproximamos de um mesmo”.


Que decepção quando, depois de ter tomado uma decisão firme, voltamos a cair no mesmo! Segundo o psiquiatra, o último que você tem que fazer é desistir: “todos os caminhos começam por dar um primeiro passo. Contar com um “caderno de psicoterapia” ajuda a adquirir consciência de que as experiências e as conquistas obtidas”.


Dicas práticas para adotar um novo modo de vida


Bocejar e respirar mais lentamente


Bocejo alivias as tensões. Você pode repetir quantas vezes quiser, especialmente no trabalho, antes de uma refeição, uma reunião ou qualquer acontecimento estressante. O Dr. Seznec também aconselha fazer pausa na respiração e não respirar mais de seis vezes por minuto durante um minuto, várias vezes ao dia (normalmente respiramos de 15 a 20 vezes por minuto).


Afastar os pensamentos negativos


As emoções influenciam o pensamento. Algumas emoções surgem de forma automática, são amarrados e favorecem a reflexão. Por exemplo: “Essa pessoa, na terceira fila, está bocejando”, “o público não lhe interessa a minha apresentação”, “não sirvo para nada”… Por que deixar-se levar pelos pensamentos que nos tenta incutir que o córtex cerebral?


Promover as relações sociais


A sociedade dá pouca importância aos vínculos sociais, que são, não obstante, indispensáveis para o bem-estar humano. Perguntar para a família como vai tudo, falar com os vizinhos, fazer compras no mercado, sorrir… “Qualquer ocasião é boa para fomentar o intercâmbio e mimar o “ambiente social””, conclui o Dr. Seznec.


Adotar um modo de vida condizente com as necessidades de cada um


Para desprender-se dos maus hábitos a longo prazo, é importante recorrer a várias atividades que respondam a essa necessidade de alívio: exercícios de respiração, atividade física, jantares entre amigos, saídas para o mercado de música… Cada um deve procurar as que mais se adaptam à sua situação pessoal, seus gostos e necessidades.


Para evitar tensões internas que causam a ansiedade e as emoções negativas, o Dr. Seznec recomenda igualmente reduzir o ritmo habitual, viver o momento presente em lugar de dar voltas ao passado ou se preocupar com o futuro; fazer coisas por si mesmo em vez de agradar os outros; ser mais conciliador com você mesmo. A perfeição não existe, então…


“Para garantir o sucesso e que este seja duradoura, há que aprender a ver as coisas de outro ponto de vista e, às vezes, a mudar radicalmente os hábitos, indica o Dr. Seznec. Aplicar uma nova filosofia de vida requer tempo, trabalho pessoal e, às vezes, um ponto de bravura. Mas é uma condição indispensável para ser livre, coerente com você mesmo e ser”.